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Existe “político do bem”? Sim, sem dúvida há pessoas bem intencionadas na política. Há indivíduos caridosos no estado e outros que desejam ingressar na vida pública. No entanto, a política, pela forma como o estado a promove, não permite que “pessoas de bem” sobrevivam nessa condição moral, por muito tempo.

Alguns dizem que a política pública, do estado, é um “mal necessário”.

A única coisa que tenho certeza (são pouquíssimas) é que aqueles que desejam deixar um mundo melhor, principalmente pensando nos filhos e demais descendentes, precisam refletir sobre o poder destinado aos políticos no estado. É preciso repensar o “poder público”, especialmente o papel dos executivos e dos lawmakers.

Entendo que no lugar de políticos ávidos por mais intervenções do estado, é possível pensar em darmos mais espaço ao voluntarismo. Doar, servir ao próximo, assistir ao carente, nos humaniza. Imposições nos coisificam, minam nossa consciência sobre o porquê do bem que precisa ser feito, colocando um legalismo em seu lugar. É o tal do “é lei, tem que cumprir”. Então, como “pagadores de impostos”; somos reféns da compulsão e da coerção institucionalizadas (estado) que nos tenta convencer de suas “boas intenções”, enquanto nos obriga a “contribuir” no sustento de todo um aparato que muitas vezes serve de pretexto para fomentar outros interesses, alheios à suposta caridade que apregoa, que muitas vezes infantilizam os necessitados, sacralizando o “estado-babá” na sociedade.

Nada que seja forçado é virtuoso. E o que é o imposto? Infelizmente, ainda prevalece a crença de que o “estado” deve fazer o “bem” por nós. Predomina o entendimento de que políticos existem em função do estado para promover coisas que seríamos incapazes de realizar. Quem vai construir hospitais, creches, distribuir cestas básicas, entre outros serviços sociais? Somos induzidos a acreditar que podemos pagar por todo a aparato burocrático do estado para promover serviços, enquanto não temos condições diretamente de obtê-los ou para fazer coisas que poderíamos desenvolver por outras formas de associação, por outro modo de coletivismo, com uma burocracia menor e baseada totalmente na “contribuição”, não no “imposto”.

Será que podemos melhor conduzir instituições condicionadas ao nosso juízo de valor que aquelas ofertadas via estado? É possível melhorarmos o ambiente social sem leis estatais que nos obriguem a manter entidades por mera imposição? Podemos tirar o estado dessa prioridade bestial que acreditamos? Podemos fazer o que alguns chamam de “justiça social”, de forma mais eficiente, através de organizações livres e compostas em relações sólidas de confiança e transparência, com líderes (políticos privados) que estão bem mais próximos de nossa realidade? A sociedade tem uma dinâmica que sempre surpreende quando é confrontada com problemas humanitários. Somos capazes de assumir vontades que convergem a um mundo mais humano, sem o estado como principal via de solução, basta ver o que fazem muitas organizações livres como centros espíritas, igrejas cristãs e diversas formas de associações bancadas com contribuições de pessoas motivadas por diversos fatores, muito além do material.

Lula foi preso também porque é um produto de uma crença infantil que nos domina dando ao estado o status de ser o centro de tudo, a gravidade onde a sociedade se mantêm; pelo estado, agimos assim, devemos terceirizar nosso “amor” pelos nossos semelhantes, atribuindo ao papel “social” de instituições estatais a missão de distribuí-lo. Não me admira que o discurso de Lula seja por demais poderoso para atrair a quem se encontra carente, sem perspectivas na vida em uma sociedade de aparente frieza com os mais necessitados. O estado é também um reflexo de nossos comodismos. A  doutrina de Lula é inevitavelmente sedutora àqueles que querem se aproveitar do aparato coercitivo do estado para viver à custa dos outros, se apropriando de recursos enganosamente ditos como “públicos”, que na verdade são tomados à força de quem produz riqueza.

Algumas obviedades: Corrupção há no estado e em instituições privadas. Corrupção há em entidades não governamentais. Há falcatruas em igrejas, associações, clubes, empresas privadas. Do jeito que muitos liberais falam, até parece que a privatização é a solução para a corrupção. De fato, lembro-me de uma frase de Milton Friedman: “Quando o homem gasta o dinheiro de terceiros com outras pessoas, ele não se preocupa muito com quanto dinheiro gasta, nem naquilo em que é gasto,. E é assim que funciona o governo”. Contudo, a privatização não vai resolver a corrupção; vai redirecioná-la e, talvez, reduzi-la em termos de efeitos socializados.

A diferença da corrupção no estado para a corrupção que ocorre no meio privado, é que no primeiro caso, prejudica a todos que são forçados aos impostos, o que não ocorre no segundo caso. Um escândalo de corrupção em uma empresa ou organização sem fins lucrativos do meio privado, diz respeito ao âmbito patrimonial de envolvidos como “contribuintes”; fica restrito a administradores, investidores, sócios, associados, etc. Havendo fraudes, desvios, os componentes prejudicados da entidade têm mais opções, além do possível reparo indenizatório; podem simplesmente deixar a instituição, procurando outra para apropriar seus recursos, mas no estado, não existe opção e quando ocorre uma indenização, novamente todos são obrigados a cobri-la. O estado é um curioso caso em que as vítimas da corrupção se “auto indenizam”, por não haver fonte privada do estado em si mesmo, por não ter as livres trocas. Se uma instituição que ajudamos financeiramente não atesta que aplica bem os recursos que nela confiamos, podemos eleger outra, mas não podemos fazer isso com o estado, em função do dito “contrato social”. Então, quando se fala em “privatização”, na verdade, se vai muito além de “empresas”; é preciso considerar que se propõe (também) a privatização da corrupção, ou seja, a transferência do problema (inerente à condição humana) da corrupção como passivo intangível do meio público estatal, para o segmento privado, diminuindo assim efeitos que a corrupção provoca quando socializada por instituições públicas estatais.

Não sou do tipo que comemora a prisão de Lula. Prefiro que o fato sirva para reflexão de uma sociedade que precisa acordar para o falido modelo de estado em que acredita.

 

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