Nassim Nicholas Taleb passou quase duas décadas na Bolsa de Valores e acompanhado da solidão em seu escritório, decidiu ir fundo na busca de respostas diante de dilemas em torno do caos e das incertezas. Depois de esmiuçar o Cisne Negro [1], Taleb saiu de seu retiro para presentar a humanidade com Antifrágil, e eis que estou conferindo a obra ao lado de uma releitura de Ação Humana [2].

Nada mais apropriado ter Mises em paralelo a algo tão provocante.

A dispersão do conhecimento é um tema caro à Escola Austríaca de Economia, onde Hayek é a maior referência para o sempre politicamente correto mainstream, derivando de Mises conceitos em um enfrentamento destemido diante de falácias em favor do planejamento central.  E eis que Taleb parece ser o tipo do sujeito que Einstein pensou ter a coragem de cavalgar um raio de luz. A leitura de Taleb me remete constantemente às lições austríacas, me provocando a refletir sobre um lado do caos, da imprevisibilidade, das (graves) limitações de modelos econométricos; um conjunto perturbador que pode ser usado em meu próprio benefício, denotando um pouco certas ações que pratico em minhas andanças profissionais.

A inteligência da antifragilidade que Taleb apresenta é uma provocação a um mundo flagrado em gemidos em torno de ações espontâneas [3] que contrariam o frágil por excelência: o paradigma da centralização que ignora a sabedoria que pode ser extraída pela aleatoriedade.

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Notas:
  1. A Lógica do Cisne Negro, obra mais conhecida de Taleb.
  2. Principal obra de Ludwig von Mises.
  3. Movimentos em torno de processos de descentralização de controles, terceirizações e conexões em múltiplas plataformas, a partir de tecnologias amparadas pela internet, onde se situam o blockchain e as criptos.

 

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