Que tal pensar em transferir o chão de fábrica para o Paraguai?

Em uma análise do FMI [1], dá para perceber que, além da sorte, o nosso vizinho, apesar da conhecida pobreza,  anda aprendendo e executando algumas lições básicas de economia. Com PIB estimado a crescer 3,7% em 2018 [2], seguindo uma receita simples. Simplificação tributária com  imposto único para exportação, insumo de energia beneficiado, 70% menor, ironicamente por causa de Itaipu, custo do trabalho em torno de 65% quando comparado ao quadro celetista brasileiro, gerando um ambiente de negócios muito mais atraente e sem recessão no horizonte.

Além do mais, as transferências de renda por lá parecem estar bem mais condizentes com um razoável entendimento econômico para os que apreciam redistribuição em “programas sociais”, se pautando em desenvolver habilidades necessárias para incrementar a capacidade de gerar renda..

“Paraguay has an umbrella program called “Sowing Opportunities.” It is a program aimed at both poverty reduction and inclusive growth. It includes a conditional cash transfer program, Tekopora, which has been very successful. In fact, they are now expanding and complimenting it with a new program, Tenondera, to assist those who are receiving the cash transfers to develop and enhance skills needed to generate their own income.” [1]

Voltando ao “chão de fábrica”, chega até a nos constranger ver que o Paraguai esteja construindo uma ponte para investimentos atraindo negócios de brasileiros. Outros vizinhos também estão acelerados e à disposição para atrair mercados mal resolvidos, como o nosso. O Chile é um caso à parte, pois se organizou com uma economia de mercado, embora se esforce para se parecer mais “socialista”. Macri, na Argentina, vem se pautando pela reabertura, em meio a dificuldades herdadas de um populismo muito parecido com o de Dilma Rousseff, e não muito bem versado no liberalismo, além do Peru, que vem implementando reformas liberais há anos.

E se outros hermanos resolverem entrar na dança para atrair mais investimentos de brasileiros desenganados com o manicômio tributário tupiniquim, enxergando uma janela de oportunidades? Fato é que mais empresários estão interessados em transferir a alocação de recursos para o Paraguai; eis o caso da Riachuelo, que se prepara para dobrar a produção “brasiguaia” [3]. Outro destaque está no setor de autopeças [4]. 

No ano passado, e também recentemente, surgiram casos onde fui consultado por empresários dispostos a ir até o Paraguai, procurando por consultorias, algo que me fez pensar que, depois do populismo cambial petista que gerou grande exportação de consumidores, agora me parece que o ambiente de negócios no Brasil está se especializando em exportar empresários.

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Notas:
  1. IMF Survey : Paraguay Resilient Amid Regional Slowdown
  2. World Economic Outlook  April 2017
  3. Riachuelo se prepara para dobrar produção no Paraguai
  4. Paraguai atrai montagem de autopeças

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