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À escuta do Outro, obra de Bruno Forte, teólogo italiano, católico-romano, tem no Capítulo IV, uma curiosa crítica à abordagem antropológica existencial de Rudolf Bultmann, um dos teólogos protestantes que mais influenciaram minha formação cristã na passagem pelo Seminário.

Foi a ultima indicação de leitura que recebi em 2006, do grande professor de filosofia, João Ferreira.

O problema central na teologia de Bultmann sobre a revelação, que Forte reconhece como “verdadeiro”, embora tenha visto como “fraca” a solução apresentada (a polêmica “demitização”), é uma concepção existencialista da identidade. Na teologia com raízes liberais,  Bultmann busca a essência das narrativas sobre os “ditos de Jesus” e enfoca na visão do sujeito potencialmente impactado pela mensagem, tentando passar um significado prático do Evangelho ao homem moderno e então, enfoca a mensagem evangélica para um  “tempo de decisão”. O leitor em Bultmann é provocado a ver no Novo Testamento, um encontro pessoal com a história. Isso muda profundamente a forma de se interpretar as Escrituras, criando uma alternativa radical diante de sistemas doutrinários convencionais.

Além de Bultmann, a obra tem análises dos pensamentos de Hegel, Schelling, Karl Barth, passando por Karl Jaspers, Heidegger, Lévinas, De Lubac, Dostoievski, Rahner, Emmanuel Mounier, Bonhoeffer e até Nietzsche, onde Forte traça um paralelo do “eterno retorno” com a mensagem de renovação que a fé cristã promove.

O livro é um banquete que presenteia os leitores com sínteses teológicas sofisticadas que denotam a impressionante erudição do professor Forte.

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