Compartilhar

 

Hayek recebendo em dezembro de 1974, do rei Carl Gustaf, da Suécia, o “Prêmio Nobel de Economia”

 

Hoje é um dia para ser lembrado por todo estudioso da Escola Austríaca de Economia. Foi no dia oito de maio, do ano da graça de 1899, que nasceu em Viena, na Áustria, Friedrich August von Hayek (1899-1992), pensador reverenciado em uma tradição de pensamento que diz coisas essenciais para quem quer entender economia, e por isso paga um preço elevado em perseguições das mais implacáveis, sobretudo a acadêmica, em um mundo encharcado de populismos.

Em dezembro de 1974, o “mundo  acadêmico” viu um ícone da Escola Austríaca recebendo o que é chamado vulgarmente de “Prêmio Nobel de Economia” [1]; tornou-se o mais conhecido e respeitado pensador da EA  entre economistas do mainstream.

Hayek representa uma importante mudança intelectual em minha vida. Costumo mencionar com frequência neste blog algumas obras dele. Foi lendo “O Caminho da Servidão” que Hayek marcou minha passagem de crente no socialismo dito como de “terceira via”, lá pelos idos de 2006/2007, para o liberalismo, por ter me despertado a estudar, mais a fundo, problemas ligados à economia de mercado e assim voltar a ler clássicos até então esquecidos em minha mentalidade intervencionista. Reli “Riqueza das Nações” [2] por causa dele, pois era a maior referência que tinha, até então, sobre liberdade econômica.

Ler Hayek possibilitou que eu escolhesse o caminho da Escola Austríaca,  o que me remeteu imediatamente a Ludwig von Mises e um pouco mais adiante, ao austro-libertarianismo, uma caminhada um tanto normal, apesar de estar me referindo a um erudito que não foi ancap, assim como Mises não foi, e que hoje eu fico a imaginar se não seriam, ou pelo menos entenderiam melhor os libertários em relação ao que pensam liberais e conservadores, mediante os problemas do nosso tempo com os avanços do intervencionismo, do marxismo cultural e do globalismo.

O século XX viveu um debate econômico longo e intenso entre duas vertentes. A principal, abraçada pelo mainstream, era estrelada por John Maynard Keynes, e seu principal antagonista foi Hayek [3]. As ideias de Keynes estavam (e estão) impregnadas em faculdades de economia no Brasil e no mundo, enquanto Hayek, por aqui, foi evitado. Ele ainda é um desconhecido para muitos graduandos de um sistema dominado por uma mentalidade keynesiana, estatal–intervencionista.

Registro do primeiro contato entre Keynes e Hayek, em 1927.

No entanto, nos últimos anos, muito em função da crise de 2015-2016, observo que o pensamento de Hayek tem encontrado alguns espaços no meio acadêmico nativo, o que definitivamente pode ser uma chance para uma mudança qualitativa na formação de profissionais de economia e áreas afins.

Fica aqui o meu registro de celebração, pelo nascimento deste grande pensador destemido, que enfrentou um mundo louco pelo keynesianismo, com uma impressionante lucidez e uma contagiante consistência crítica sobre o socialismo em suas diversas linhas intervencionistas.

__________________________

Notas:
  1. Na verdade, não existe o “Prêmio Nobel de Economia”, e sim uma premiação instituída pelo Sveriges Riksbak (o banco central da Suécia) em memória de Alfred Nobel. Hayek aceitou receber a premiação ao lado de Gunnar Myrdal pelo “trabalho pioneiro na teoria do dinheiro e flutuações econômicas e por sua análise profunda da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais”. Ver em Nobel Prize 1974;
  2. Obra mais conhecida de Adam Smith, normalmente colocado como principal linha de pensamento clássico, em antagonismo a Keynes. No entanto, no século XX, os trabalhados de Hayek representaram uma crítica bem mais profunda e substancial ao intervencionismo keynesiano, assim como sobre as formas de planificação econômica no socialismo.
  3. Uma leitura não muita tecnicista e interessante está em “Keynes / Hayek – O Confronto que Definiu a Economia Moderna”, de Nicholas Wapshott

 

 

 

Comentar pelo Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *