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A Kroton passou por problemas no cronograma do FIES, iniciou um processo de expansão com unidades que impactou o lucro líquido, e anunciou até uma holding (Saber). Dado o acirramento da competição por preços com o atraso no FIES, sofreu queda na base de alunos (com um ligeiro crescimento no EAD, +1,12%) [1] e vem apresentando forte derretimento nos papéis.

O KROT3 terminou o ultimo pregão em $10,63. O topo (52) foi de 21,02 e as análises técnicas não veem ajudando no discernimento de uma reversão para recomendações de compra; o pessimismo de que não se chegou ao “fundo do poço” tem sido a regra.

O caso da Kroton está mais para uma companhia que teve precificações inflacionadas em um mercado sob intervenção forte do governo central, face a crédito para serviços de educação. Quando o player maior do crédito (governo federal) precisou ajustar o fluxo do FIES no ano passado, a fragilidade da companhia perante o sistema ficou mais exposta no fluxo de caixa. O que vem ocorrendo desde outubro do ano passado se trata então de um ajuste lento sobre o entendimento do mercado acerca de riscos e retorno de um negócio muito dependente do governo, fincado no FIES, sob uma modesta perspectiva de recuperação neste ano.

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Os problemas fiscais do governo central, que se relacionam diretamente com a manutenção do FIES, estão longe de um encaminhamento relativamente estável e imaginar um novo ajuste no FIES não é um absurdo no novo ciclo de governo (2019-2022), apesar da tendência populista no pleito eleitoral, uma nova crise fiscal afetaria drasticamente o quadro de lenta recuperação da companhia em um mercado cuja dependência de financiamento público, para boa parte dos potenciais consumidores. Quanto a isso, basta verificar alguns efeitos na postergação dos aditamentos do FIES que, entre outros fatores, se deram na, já mencionada, diminuição na base de alunos em relação à 2017, aumento no Capex para fazer frente ao plano de expansão orgânica, outros pontuais tais como recompra de ações e redução na taxa CDI, que forçaram forte consumo de caixa, encerrando 1T18 negativo (R$ 190 milhões).

Trata-se de uma oportunidade por um preço tão baixo? Sim. Tudo no mercado tem (bastante) porém, contudo e todavia… Vi algumas recomendações nos últimos 15 dias nesse sentido estimando retorno de até 90%, mas é sempre bom estar ciente das fragilidades do ambiente onde a companhia opera, o que significa que a compra de papéis representa elevado risco olhando o contexto dos fundamentos que afetam o mercado de crédito educacional. Para quem tem disposição de médio prazo, crendo no (factível) cenário sem ajustes no FIES em um ano eleitoral, se trata de uma oportunidade para mirar $16, com possibilidade de 50% de lucro (mínimo) até o final do ano.

Imaginando um mercado sem FIES, o desafio de adaptação de um negócio no porte da Kroton seria imenso, mas estaria trocando uma base muito fragilizada, por uma mais robusta, mirando no antifrágil, claro, com visão de longo prazo.

O mesmo entendimento para se correr este tipo de risco em 2018 não deve ser aplicado olhando a partir de 2019, onde uma nova leitura de fundamentos será imprescindível, ainda no pós eleições (outubro-novembro), junto com as precificações acerca de possíveis ações do novo governo para tratar o desarme da bomba fiscal.

 

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Notas
  1. Resultados 1T18. Kroton.
  2. Release 1T18. Kroton.
  3. Trading View. KROT3 Bovespa.

 

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