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Quando Aldemir Bendine renunciou à presidência da Petrobras, como reflexo da saída de Dilma e da então sucessão, ainda em caráter de interinidade, de Michel Temer em maio de 2016, o nome de Pedro Parente, confirmado à indicação no dia 19 daquele mês, soava como um sinal de uma importante mudança no comando de uma companhia de capital aberto que fora destroçada pela gestão petista, marcada por forte intervenção do governo contendo preços para mascarar índices oficiais de inflação e escândalos de corrupção apurados na Operação Lava Jato.

Em janeiro daquele ano os papeis da Petro chegaram a rondar os R$ 4. O aumento da probabilidade de ocorrer o impeachment entre fevereiro e maio, onde novas precificações indicam uma retomada (ver área da “Reta final do impeachment”). Quem acreditou no impeachment e especulou uma mudança de rumo na companhia, se deu muito bem adquirindo ações, como a PETR4.

Reconhecido pelas boas credenciais como “gestor público”, não sendo visto como um político e sim como um técnico, Pedro Parente trouxe à Petro um plano estratégico de recuperação e o mercado reagiu com boa receptividade. Iniciou um plano de desinvestimentos na Argentina, no Chile, ainda em 2016, traçou meta de R$ 21 bilhões para 2017/2018. Adotou uma política de preços voltada ao mercado internacional, como toda companhia de capital aberto deveria fazer, na situação em que estava a Petro.

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A Petro seguiu em uma lenta e complicada retomada; o endividamento caiu, voltou a dar lucro trimestralmente, ainda que aquém do que representa para o mercado, e na B3 acabou sendo um caso de impressionante valorização dos papéis. Tudo parecia bem, mas um movimento de caminhoneiros com o mercado inchado pelas políticas de crédito iniciadas no final de 2008, com uma greve ensaiada em 2015, retornou com força maior e paralisou o abastecimento do país por mais de uma semana. O populismo, sempre à espreita para esses momentos onde a canalhice e a loucura fazem as regras, logo apontou a política de preços dos derivados no mercado doméstico como a causa e a “oclocracia”, sempre ignara em economia, engoliu o engodo e jogou sua ira sobre Pedro Parente.

O governo federal, representando o maior acionista, visivelmente passou por cima de Parente e do Conselho da companhia. A crise que a greve dos caminhoneiros suscitou, serviu para mostrar que a tese de que basta ter uma boa governança estatal não faz sentido, juntamente com manter a Petro no controle do estado, na perspectiva de ser uma companhia de capital aberto.

A intervenção do governo me fez lembrar da famosa frase de Roberto Campos que, como o populismo e a “oclocracia”, também nunca sai de moda: “A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”. Nada poderia evitar a socialização da conta de qualquer acordo envolvendo redução de impostos, mas em se tratando de um varejo relativamente livre, em termos de preços finais na ponta de consumo, cuja formação envolve uma cadeia complexa de custos, o governo Temer repete os mesmos erros do governo Sarney nos anos 1980, no sentido de tentar induzir a tosca ideia de que pode fazer com que funcione alguma imposição de preços, considerando os impostos que cortou.

Parente se foi estranhamente durante o pregão da B3. Parte de uma massa que apoiou os caminhoneiros – e não entende por que terá que pagar o preço do acordo – comemorou, enquanto a corrida ao leilão fez o PETR4 desabar 14,86%, e nada tendo a ver com o desfecho, acionistas e demais investidores da BRF [2], devem estar animados.

O presidente Temer acabou de anunciar que o interino,  Ivan de Souza Monteiro, será recomendado para ser efetivado. Fato é que a saída de Parente fez acender um sinal de alerta sobre a volta do populismo na gestão da Petro, antes mesmo do desfecho do pleito eleitoral majoritário onde já se estimava um 2019 tenebroso, afetando seriamente os planos de quem mantêm papéis da companhia.

 

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Notas:
  1. Ver Endividamento e Alavancagem. IFRS.
  2. Cogita-se a algumas semanas no mercado, a ida de Parente à BRF.

 

 

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