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Primeiro, alguns aforismos…

Jovens na política… Românticos apaixonados pela forma mais rápida de se degenerar uma sociedade, a democracia municipalista convertida em “hub” nacional, pretendendo melhorar o mundo gastando o dinheiro tomado dos outros, sob a pretensão de renovar e moralizar as coisas “públicas”.

Jovens na política… Se pelo menos tivessem a disposição de conhecer bem questões econômicas nas ações humanas, não somente conhecer… Respeitar como se deve portar diante da natureza.

Jovens na política… Basta conhecer as regras do jogo sem compreender a cataláxia [1]? Aparentemente é a regra. Aparentemente…

Jovens na política…  A ignorância sobre elementos fundamentais da vida econômica os conduzirá a erros análogos cometidos por aqueles que querem substituir, as “velhas raposas” que, na verdade, muitos diferentemente dos frágeis debutantes, aprenderam a errar com o propósito intencional, diria pervertido, sabedores de como funciona o jogo da economia de mercado. Tal conhecimento se torna apenas um recurso para se ter melhor desempenho no exercício demagógico de ser um político de ponta, de grande alcance sabotador da economia; o fato de saber alguma coisa sobre economia de mercado é essencial para negar a economia de mercado na promoção da canalização de paixões e sentimentos coletivos, sempre rasos e confusos, em favor de um projeto pessoal de poder.

Jovens na política… Para reformar uma construção condenada? Mais do mesmo.

Jovens na política… Se há alguma coisa humana em favor da quase perdida civilização, a tal política como está, deve ser destruída.

Jovens na política… Ter esperança nas velhas estruturas de poder é o derradeiro mal.

Isto posto, me filiei ao Partido Novo [2] em novembro de 2015.

O Novo foi fundado em 12 de fevereiro de 2011 e obteve o registro definitivo no TSE em 15/09/2015.

Trata-se de um partido que se diz pautar em ideias liberais em economia (e em outras coisas também). A priori, se situa à destra da cultura política brasileira. Mesmo aquém de minhas expectativas libertárias e conservadoras, resolvi contribuir com esta instituição enquanto sou humilhado, sem piedade, pelo meu alter ego, o pastor Abdoral.

Aos que salientam as raízes do Novo com banqueiros em mais um “projeto de poder”, tais fatos não me comovem, da mesma forma que o mito do ideal progressista de um mundo centrado por instituições conduzidas por seres ilibados, tratados como onipresentes e onipotentes.

Não tendo deslumbramento, entendo que o pior é não fazer nada quando olho para o cenário político que representa uma constante exposição de quem preza pela ética da economia de mercado, pela forma como o estatismo está firmado no Brasil e pelo mundo.  Estou mais próximo do que seria um paliativo? Não tenho dúvida que sim. Não vejo isso como ofensa e sim como realismo. Partido ideal não existe.

O Novo tem algumas pautas que precisam ser melhor esclarecidas [3] e ainda se mostra distante de propor uma séria discussão na sociedade em torno da ineficácia da Constituição de 1998. Porém, no meu “balanço de riscos”, há algum espaço para “paliativos”, entenda-se, uma combinação de pragmatismos e eventualidades, e assim entendi que vale a pena investir em uma instituição que combate, mesmo que de forma rudimentar, formas de estatismo, para não jogar o bebê com a água do banho.

Quem me conhece sabe que não tenho o perfil de me submeter a discursos corporativos e assim, não será surpreendente que eu faça provocações ao Novo. Não abro mão da sinceridade e uma delas é reconhecer que o Novo defende práticas socialistas.

[4]

Costumo brincar dizendo que um autêntico austrolibertário é aquele que consegue unir eleitores de Lula, Ciro Gomes, Amoêdo, Alckmin, Marina e Bolsonaro em torno de uma causa. Para isso, basta chama-los de “socialistas” e… Prepare-se para ser trucidado!  Todos ficarão revoltados com a associação direta entre estado e socialismo. Fiz alguns experimentos e atestei que esta insana teoria funciona. Direitistas, liberais e neoliberais se sentirão ofendidos com o conceito de “estado mínimo” sendo tão deturpado, e a turma da esquerda se irritará porque prefere o rótulo, embora conheço esquerdistas que também têm vergonha de serem chamados de socialistas. Já a turma do centro finge que não é com ela, como de costume.

Minha insanidade sincera diz que toda ideologia que propõe modelos de tomada de recursos para redistribuição, ensejando planejamento central, onde inevitavelmente se situarão as políticas de vouchers e renda básica, não é outra coisa senão defensora de uma modalidade de socialismo, apesar dos velhos eufemismos como o que se apela ao conceito de “imposto negativo”, do tão estimado Milton Friedman, o mesmo liberal que deu a ideia do imposto de renda na fonte.

Entendo que tudo não passa de tentativas de mascarar algo simples de ser identificado: O estado democrático de direito está para alguma forma de planejamento central e vem se mostrando como um instrumental socialista, embora liberais clássicos em economia, como Adam Smith, o tivessem visto como indispensável para manter a ordem e preservar a propriedade privada, assim como o maior referencial da Escola Austríaca (EA) Ludwig von Mises que, o definindo como “aparato de compulsão e coerção”, também o entendeu ser necessário para preservar a civilização, que vem da propriedade privada, das ações violentas dos mal feitores. Nunca é demais lembrar que esta polêmica em torno do estado provocou enormes desgastes dentro da EA, envolvendo Hayek e Rothbard [5].

Sobre as propostas de voucher, do Novo, quando me vem à mente a ideia do voucher, penso imediatamente no problema de todo planejamento central em torno do “cálculo econômicopara definição do valor do voucher mediante as características de cada (micro) região, levando em conta de que se trata de algo próximo ao “bolsa família”, sendo que restrito a um tipo de consumo, além dos (questionáveis) impactos desse processo na formação de preços entre os agentes ofertantes de bens e serviços no mercado. Discordo, mas isso é apenas um “probleminha” matemático de menor envergadura perto do que o socialismo significa quando o estado é também gestor e regulador dos serviços, não é mesmo? Por isso, muitos liberais enxergam a política de voucher como menos ofensiva, quando deveriam ver o lado operacional e mercadológico da coisa.

Discordo da política de voucher porque tem potencial para virar estratégia nas mãos de intervencionistas que, sob o pretexto do repasse de recursos, podem intensificar mais intervenções regulatórias sobre as entidades privadas, servindo de pretexto para mais controles sociais de empresas educacionais.

Ser austrolibertário para mim não tem nada a ver em sair por ai tentando convencer as pessoas a seguirem minhas doutrinas. Sou do tipo Nietzsche neste aspecto: não quero crentes. Não penso em um “Novo libertário”. Pessoas se descobrem como libertárias e a visão da EA se torna um caminho comum. Ser austrolibertário, entendo, significa estudar formas para se viver por livres trocas, sem dependência e/ou interferência do governos públicos (estatais), sem apelar a uma lógica binária e auto excludente de que se você não for mesma linha  ideológica, não será recebido em minha “sala de estar”.

Não tenho a pretensão de ser inspiração política para ninguém mediante minhas ideias libertárias. Por essa linha, prefiro conviver em discordâncias com estatistas/socialistas do Novo ou qualquer outro partido que se proponha a tentar ser “liberal”, tendo disposição para entender seus posicionamentos em um mundo cheio de alternativas, evitando me fechar em um determinismo onde muitos libertários costumam adotar, por sinal, análogo a militância marxista e muitas vezes, de forma infantil.

O que considero óbvio, porém necessário sempre de ser mencionado: se o que quero para mim,  pode não ser válido para os outros, valores comuns devem ser identificados e trabalhados; tal constatação me impõe a busca de uma ética para interagir com realidades múltiplas além de minhas convicções, em um esforço que deve ser exclusivamente pessoal.

Como austrolibertário, estou no Novo para defender ideias antissocialistas e fazer oposição a todo tipo de pauta globalista e progressista. Contribuir com um partido não significa estar de acordo com todas as ideias propagadas pela instituição. Defender o papel do indivíduo e da liberdade, que todos devem ser tratados sem privilégios (no âmbito das regulações estatais não passam de coisas ingênuas, a meu ver), além da defesa do livre mercado, tema que me é caríssimo, são bandeiras que me atraem a uma agenda com a instituição “Novo”.

Ao ser um contribuinte do Novo, não me sinto ofendido em ser chamado de “gradualista” por quem não oferece experiências que indiquem amadurecimento das teses que defende. Minha vida profissional foi construída como autônomo e crítico das intervenções do governo em meu ambiente laboral, e isso por si só me serve de referência.

Em outras palavras, o Novo pode me ser útil diante do mal que o estado me causa; neste aspecto, filiei-me pelo mal afamado egoísmo, tão inerente à minha espécie, que nos mantêm vigilantes nas coisas fundamentais da existência, e para quem acha que essa evidência exclui o altruísmo, a caridade, a compaixão com nossos semelhantes, sempre me parece oportuno pensar em como posso me oferecer para cuidar dos outros se não dou conta de mim mesmo?

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Notas:
  1. Teoria da Economia de Mercado. Ver Ação Humana, de Ludwig von Mises.
  2. Partido Novo. Site Oficial: http://novo.org.br/
  3. Ver vídeo do Bernardo Küster: PARTIDO NOVO, AGENDA VELHA. 
  4. Entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=FFGbHl95MG
  5. Ver artigo de Fernando Chioccha quando fazia parte do Instituto Mises Brasil.

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