Em 2006 encontrei um exemplar de Ação Humana surrado em uma biblioteca e comecei ali a conhecer o pensamento de Ludwig von Mises, propositalmente omitido por docentes durante os tempos de faculdade.

Hoje estou a terminar a releitura de Ação Humana, uma recente edição em 1019 páginas, publicada pelo Instituto Mises Brasil. Não resisti quando estava em destaque na Saraiva do Shopping Rio Mar.

Toda releitura é um reencontro que provoca novas reações em relação ao estado intelectual da leitura anterior, confirmando algumas posições, retificando o entendimento de outras, além de nos estimular a novas releituras. A próxima será sobre Reflexões sobre a revolução na França, de Edmund Burke.

Reler esta obra é um privilégio. Ação Humana é um imenso esforço intelectual para discorrer sobre um mundo que vive na cataláxia, enquanto discorre com lucidez impressionante acerca do comportamento humano relacionado à economia de mercado.

Reforço, após a releitura, quão impróprias são as cobranças feitas por ingênuos críticos, pelo fato de Mises não ter levantado a questão de uma sociedade sem o estado de governo público, como teorizam os adeptos do austrolibertarianismo, onde me situo. Embora defina o estado como “aparato de compulsão e coerção”, ele reconhece a necessidade desse aparato, para conter o ímpeto daqueles que querem violar a propriedade privada e os demais mecanismos do processo civilizatório, ao mesmo tempo em que defende uma “anarquia de mercado” ou seja, uma economia de livre comércio, sem interferência governamental.

Libertários que questionam por que Mises não foi ancap, precisam entender que este grande pensador se ocupou em discorrer sobre fenômenos da economia de mercado e problemas do intervencionismo em uma obra que, como diz em um encarte, deve estar na biblioteca de todos os homens civilizados. Ele deixou uma base sólida para o liberalismo econômico ser melhor debatido e o libertarianismo ser desenvolvido com maturidade. Não foi à toa que Hayek, Hoppe e Rothbard o reverenciaram.

Leitura imprescindível.

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