Via de regra, socialistas disseminam conceitos deturpados sobre conservadorismo e liberalismo econômico, porém, na medida do prestígio social e do patrimônio que acumulam, se comportam como conservadores nos costumes e liberais em economia, para cuidar dos próprios negócios.

São individualistas quando o assunto envolve o próprio bolso. São prudentes, praticantes de ceticismo diante de novidades que sejam mal explicadas pelos costumes, analisam custo-benefício e trabalham pelo retorno nos recursos pessoais que aplicam. Quando o assunto envolve suas finanças, se baseiam em fatos e não em discursos não embasados na realidade, deixando a política de lado, agindo de forma economicamente racional, não poupando esforços para serem bons zeladores do patrimônio que dispõem, enquanto são precavidos com as coisas que envolvem os mais íntimos, sempre procurando orienta-los na preservação a família. Sabem que, em matéria de prosperidade na vida, o conservadorismo e o liberalismo funcionam, e o resto não passa de engodo socialista, que serve para tomar o que é dos outros.

Ser bom zelador do próprio capital e conservador para si, enquanto trabalha por socialismo e progressismo sobre os outros. Certa vez, conversando com um  esquerdista que faz questão de carregar um broche do PT, parei para ouvir seu ufanismo sobre casas e apartamentos que tem para alugar, além de novos aprendizados sobre títulos do Tesouro Nacional, enquanto organizava uma greve no ensino municipal, com professores que consomem mais de 60% do orçamento em escolas sucateadas, onde seus filhos jamais estudarão. Em suma, considero uma perda de tempo  explicar o que é o conservadorismo a um socialista bem sucedido patrimonialmente, tampouco tecer conceitos de liberalismo econômico; eles conhecem bem dessas matérias e as aplicam em si mesmos com certa competência.

Como socialistas enriquecem? Parasitando através do aparato estatal e muitas vezes só através disso. Sejam como políticos, funcionários do estado, burocratas-estatais-parasitas-consumidores-de-impostos [1] ou empresários do compadrio, ancorados em trocas favores com a política.  Quando funcionários da corporação estatal, estão alheios à realidade, recebendo ordenados sempre acima da média de mercado, protegidos por um sistema de leis que lhes dá estabilidade e inúmeras vantagens bancadas pelo setor produtivo. Como políticos, atuam em uma ordem de poder superior, formulando e gerenciando processos legislativos para sedimentar suas vantagens, sempre baseadas em corrupção, servindo aos metacapitalistas, seus  “clientes” preferenciais.

Socialistas caviar-high-society fazem da degeneração da sociedade um negócio altamente lucrativo, porque isso faz parte de um plano para tornar o estado mais atuante sobre bestializados, porém, a família (deles) tem que ser preservada desse processo para garantir a dinastia no comando das coisas do estado. Sem uma família bem estruturada, não há como se manter nas atividades de zelo patrimonial, de enriquecimento e de poder político, então, filhos de socialistas da elite expressam o “futuro presente” e vão estudar nas melhores escolas do exterior, ampliando horizontes de saber, no preparo continuo para seguirem os passos dos pais com mais tecnicidade e sofisticação intelectual, tudo pela preservação do negócio político que faz o clã. Portanto, a narrativa de que querem destruir a família é uma meia verdade; tal destruição é um objetivo sobre a massa que governa.

Enquanto estão longe de serem autênticos conservadores e liberais, pois para ser um legítimo conservador nos costumes e liberal em economia, é preciso, incialmente, respeitar todas as formas de propriedade privada alheia (famílias e negócios, especialmente), socialistas constituem riqueza atuando como genuínos comunistas quando tratam  de pilhar “legalmente” a riqueza dos outros, sobretudo se esses “outros” forem adversários ideológicos. Defendem taxações progressivas sobre os mais ricos, enquanto procuram elaborar leis para se beneficiarem de isenções tributárias, ou até mesmo, buscam paraísos fiscais enquanto denunciam seus adversários como “sonegadores”.

Certa vez, um professor esquerdoso, em uma roda de alunos, ficou todo empolgado com a onda da ideologia de gênero, mas foi surpreendido por um inconveniente que perguntou se ele acharia proveitoso aplicar a tal ideologia em seus filhos. A resposta foi um irritado “isso não é de sua conta”. Claro, pois ideologia de gênero só fica bem se for discutida para ser adotada nos filhos dos outros, sobretudo se forem eleitores carentes, direcionados ao paternalismo do estado em busca de direitos positivos.

Não há instrumentações mais apropriadas para “legitimar” e camuflar toda demagogia que promovem, tendo como ferramentas o estado e a democracia. O primeiro, como ferramenta básica para coerção generalizada em favor da pilhagem do patrimônio alheio através do sistema tributário, e o segundo para dar a aparência de legitimidade mediante uma ditadura camuflada pela maioria, em meio a um complexo e eficiente processo de alienação de seus eleitores, multiplicando imbecis em torno do conceito de “justiça social”. São experts do crime perfeito de se apropriar do que é dos outros, sem serem notados pela massa, e ainda se passando por almas caridosas defendendo “políticas públicas” que tornam seus eleitores cativos do estado, enquanto blindam o próprio patrimônio e fazem alguma caridade com uma pequena parte da riqueza que acumularam indecentemente.

Eis um briefing do segredo da canalhice:

Para si mesmos, Edmund Burke, Ludwig von Mises e Adam Smith, e para os outros, Karl Marx, Gramsci e Lenin.

Sócrates, Platão e Aristóteles na cabeceira. Paulo Feire e Foucault para entorpecer a massa e formar pseudointelectuais.

Escola particular para os filhos, e estatal “pública, gratuita e de qualidade”, para os dos outros.

Tradição familiar para entes queridos, ideologia de gênero e abortismo para quem estiver de fora do clã.

Papéis do Tesouro Nacional nos aposentos e dívida pública para o povão.

Mercado livre para os negócios pessoais e protecionismo sobre os concorrentes.

Como dissera o profeta Bob Fields, “são filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca Cola”.

 

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Nota:
  1. Funcionário do estado são “consumidores de impostos”, este último  termo é usado por Hans-Hermann Hoppe.

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