O comportamento do ministro da Segurança Pública, Raul Julgmann, diante de denúncias de fraude nas urnas eletrônicas, espelha a arrogância peculiar daqueles que militam no aparato monopolístico compulsivo e coercitivo do estado: Tratar como criminoso quem questiona a idoneidade de processos e de instituição do estado [1] como se tivesse desafiando entidades detentoras de qualidades divinas; incorruptíveis, incapazes de cometer falhas, intencionalmente ou não.

E o aparato que se arroga à competência exclusiva para avaliar e qualificar o que produz, me remete ao problema do “quis custodiet ipsos custodes?” [2].

Urnas eletrônicas de um sistema de apuração secreto e que não pode ser auditado? Duvidar de algo nessas condições não é nenhum absurdo. Pronunciamentos do TSE são tão questionáveis quanto qualquer entendimento de um eleitor sobre a lisura dos processos de votação e apuração.

 

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Notas:
  1. Ver ‘Inaceitável que se tente fazer crer que o sistema eletrônico é possível de fraude’, diz Jungmann
  2. Frase do poeta romano Juvenal, cuja tradução pode ser “Quem vigia os vigilantes?”

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