A B3 registrou, na primeira semana após a vitória de Bolsonaro, uma correção sobre as expectativas negativas em torno da ameaça da volta do populismo petista, e assim se ajustou indo aos 88k. O câmbio seguiu uma discreta trajetória de ajuste em queda, como efeito das mesmas precificações. A empolgação tem prazo de validade curtíssimo e pode ate se reverter em mau humor. Tudo vai depender do como o governo Bolsonaro pretende tratar os problemas do endividamento alto para os padrões de um país em desenvolvimento (77% do PIB)  e da Previdência a caminho da falência, este último tema como reflexo mais latente dos desequilíbrios fiscais.

E quanto ao eSocial? O projeto não decolou em 2018. Termina o ano com a fase III apenas no grupo I e ainda sim sem o FGTS migrado na CAIXA. Os resultados desmentem os discursos. Considero uma expectativa ingênua (gostaria muito de estar enganado) em torno do cancelamento por causa da mudança na política. Bolsonaro é um coletivista, defensor da CLT, do FGTS  e do protagonismo do estado na sociedade. No entanto, não se deve descartar a hipótese de que o Big Brother Trabalhista entre em uma nova fase de revisões, com os gestores atuais sendo substituídos e, quem sabe, sob um olhar mais interessado e crítico da nova equipe da Fazenda, mas tudo vai depender da capacidade da equipe econômica de Bolsonaro em ouvir vozes além da Receita Federal, que vende o projeto na mídia como uma maravilha, fazendo uso de “Fake News”, algo tão peculiar às coisas do estado que cria a doença da burocracia insana e depois oferece a “cura” com discursos vazios de “simplificação” e “desburocratização”.

Até que ponto o governo Bolsonaro terá disposição para um viés liberal? E o que deveria ocorrer com o eSocial? Não considero inteligente a frase “o governo deveria fazer…”, então, melhor aguardar os fatos.

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