Artigo revisado em 07/11/2018 21h28

O “escritório contábil”, aquela organização que oferta serviços de escrituração baseada no velho e bom método das partidas dobradas, com elaboração de livros diário, razão, demonstrações e análises técnicas dos resultados, está cada vez mais rara. É o que percebo no cotidiano de quase 30 anos trabalhando na oferta de sistemas para contadores.

Em minhas andanças, a impressão que tenho é que a Contabilidade está morta em muitas organizações ditas “contábeis”. Apenas a denominação “escritório de contabilidade” ou “escritório contábil” está conservada, porém, muito restrita a lidar com burocracia fiscal enquanto renega uma ciência social importantíssima, que toma por empréstimo para sobrenomear o negócio,  voltada para estudar fenômenos patrimoniais e de geração de riqueza. Não considero então apropriado o termo “escritório contábil” ou “de contabilidade”, nem mesmo o mais moderninho rótulo usado por (sempre rasos) formadores de opinião do meio contábil, o tal  “empresa de contabilidade”. O termo mais adequado, a meu ver, seria “escritório fiscal”, uma organização empresarial que opera prioritariamente como despachante a serviço do fisco,  pautada no universo da burocracia, sobretudo a estatal, atuando mais para os interesses do governo e não dos empresários.

Escritório de contabilidade: uma atividade em extinção? O cenário que vejo é de um efeito manada para serviços ligados à burocracia e escassez cada vez maior em serviços mais voltados à Contabilidade por excelência, que muitas vezes é (equivocadamente) classificada para fins “gerenciais”. Isto posto porque uma obviedade preciso mencionar: não há como administrar bem qualquer negócio sem contabilidade e na ausência desta aplicação se explicam muitas falências. Sem contabilidade não pode existir o “cálculo econômico” [1] compondo a mensuração de custos,  dando sentido à economia de mercado. A falta de contabilidade é uma falha imperdoável; são corriqueiros casos de empresas que quebram onde gestores não sabem praticamente nada sobre números dos negócios que gerenciavam envolvendo custos, estoques, taxas internas de retorno, entre outros itens básicos totalmente ignorados na ausência de escrituração e interpretação de fatos contábeis.

Meu propósito aqui não é diminuir o conceito ou menosprezar o trabalho de ninguém, mas expressar um interesse por uma separação conceitual para melhor identificar organizações que, de fato, se prestam à nobre ciência contábil, além de melhorar o entendimento sobre fenômenos que envolvem preços de serviços no mercado para profissionais de contabilidade. Apesar de não ser contador, também o faço por apreço à Contabilidade, sobretudo quando preciso agir como investidor.

O que mais me motivou a escrever este artigo envolve o que considero um fenômeno antigo e que está se intensificando: o desprezo pela Contabilidade não apenas por empresários, mas também e, lamentavelmente, entre contadores. Empresário que não gosta de contabilidade, muitas vezes, é por falta de maturidade e qualificação para administrar ou má-fé. Em uma distribuidora que implantou um sistema de contabilidade, se descobriu uma fraude (desvio de mercadorias) e logo se chegou aos porquês sobre a (curiosa) resistência a implantação do sistema, inclusive entre “gestores”. Moral da história: Quem busca eficiência econômica, preza por transparência e seriedade nos negócios, ama Contabilidade. Já os corruptos… Querem distância da Contabilidade e o máximo que fazem é torna-la “criativa”.

Quando vi um recém-formado comemorando o fato de não precisar escriturar livro diário e elaborar balanço e DRE de empresas no Simples Nacional (entendimento equivocado, inclusive olhando para a legislação), percebi que estou em uma era onde a cultura burocrática do estado tomou conta da sociedade em um nível por demais perigoso. Perguntei ao jovem se ele aceitaria se consultar com um médico que não pratica medicina, mas é expert em preencher formulários para o Ministério da Saúde. Fui mal compreendido pelo rapaz… Ele me deu logo uma carteirada do CRC para me mostrar que é “contador”.

Não é raro mesmo ver “escritórios de contabilidade” abdicando de atender empresas no lucro real ou até no presumido, para evitar a Contabilidade, tendo o Sped Contábil como pretexto (não o deixa de ser em um certo sentido). Fato é que, atualmente, em um escritório fiscal típico, ou dito “contábil”, uma das mais corriqueiras rotinas hoje é a de emissão de nota fiscal eletrônica, feita por um sistema desses oferecidos sem oneração (“gratuito”). Perguntei ao proprietário por que ele decidiu oferecer este serviço. “Muitos clientes não têm condições de realizar esta tarefa, pois requer computador, acesso a internet e um empregado com uma mínima noção de operação de sistema fiscal. Se o serviço não for realizado pelo meu escritório, ele (o empresário) procurará outro e isso significa ter um concorrente na porta querendo tomar o cliente”, respondeu.

A emissão de NF-e segue a principal declaração mensal feita ao fisco para o Simples Nacional. De vez em quando, aparece alguma solicitação um pouco fora da curva, do tipo “demonstrativo de receitas”, quase sempre dos últimos 12 meses,  feita para preenchimento de cadastro bancário. Como não há contabilidade escriturada, via de regra, somente é preciso ir até o sistema do Simples, da Receita Federal, consultar os valores e preencher a declaração modelo no Word, isso quando o cliente não solicita a inclusão de algum montante não declarado no PGDAS e não contabilizado (lembro, não há contabilidade!), situação onde a ética contábil é posta à prova e normalmente vai para o lixo.

A coisa complica mais um pouco em um escritório fiscal quando se tem algum pedido para emissão de balanço patrimonial, que demanda uma peça contábil incomum: o livro diário. O cliente normalmente está apressado, com alguma fiscalização de prefeitura ou outro órgão fiscal no encalço, quando não, com o prazo de licitação se esgotando. A correria toma conta e sem sistema de contabilidade, o dono do escritório normalmente repassa o serviço para um “freelancer”  que vai elaborar o diário e entende dos tais “débito” e “crédito”, seja por falta de tempo ou simplesmente por não saber fazer mesmo a escrituração. O “freelancer” é um sujeito que se especializou em oferecer esse tipo de assessoria. Houve uma época em que havia um sistema contábil próprio no escritório, mas como a maior parte do tempo ficava sem ser utilizado, se preferiu cancelar o contrato com a TI, para adotar uma solução por serviço terceirizado. Questões éticas passam distantes quando se tem um caso ou outro perdido, onde se assina por um trabalho feito por um outro colega de profissão. Não estou aqui justificando, muito pelo contrário! Quando um profissional deixa de fazer o que o ofício requer, em troca de serviços que deveriam ser meros detalhes, novamente é a ética profissional que é judiada.

A abertura de empresas é outra rotina que movimenta bastante a vida de um escritório fiscal. Muita coisa feita pela internet, mas sempre tem aquele probleminha com  documentos onde um serviço de um bom despachante, hoje totalmente agregado ao escritório, faz a diferença. Neste aspecto, as dificuldades criadas pelo governo se tornam coisas fundamentais e bem vistas para quem vive no ramo que confunde burocracia com contabilidade. Recentemente, ouvi um contador chateado com a recente lei onde não se exige mais reconhecimento de firma em repartições públicas [2]; “é um trabalho a menos”, o que, pelo semblante, traduzindo, seria uma dificuldade (um custo) a menos para o empresário, onde lá se foi uma receita a mais para quem oferta atendimento em cartórios (praticando sobretaxa).

Fora o período do “imposto de renda” (DIRPF), superando o “carro-chefe” da emissão de notas e preparação do PGDAS mensal, na área trabalhista, as rotinas de sempre: folha de pagamento, férias, rescisão de contrato, SEFIP (FGTS/INSS),  mas o sistema eSocial web doméstico vem tomando cada vez mais espaço. Por quê? O cliente do escritório, empresário, pode  trazer  na bagagem alguns empregados domésticos da família, e mais uma vez o serviço, de baixíssimo valor de mercado, é oferecido. Se não fizer, haverá maior risco do cliente que, ao procurar outro, pode ser assediado, como se vê em um outro escritório fiscal que fica a 20  metros de distância, no outro lado da rua, visto como um “concorrente desleal” (assim ouvi a definição) que “nem CRC tem” (reserva de mercado no Brasil é uma coisa sagrada), e sempre incomoda, oferecendo serviços espantosamente mais em conta, desde o eSocial dos domésticos até o PGDAS. A preocupação agora está no sistema eSocial das empresas. Ouviu-se um comentário de que o tal “concorrente desleal” estaria oferecendo o cadastramento de tabelas e empregados por preços incrivelmente baixos, adotando um sistema robotizado por webservice. “Esses servicinhos viram porta de entrada para tomar o cliente dos outros”, afirma o dono do escritório fiscal que, de repente, com o semblante expressando cansaço, confessa ter “saudade daqueles dias em que ter um cliente de um salário mínimo era tão comum, o que aconteceu?”, questiona.

Commodities de Escritório Fiscal

Os casos brevemente aqui discorridos refletem um pouco algumas observações pessoais. Cada vez mais frequente é o descontentamento com preços praticados no mercado, fenômeno que entendo ser resultado de commodities no âmbito de serviços de escritório fiscal. Commodities? Serviços que seguem um certo padrão para produção e utilidade, e por serem bastante uniformes, seus preços ficam fortemente sensíveis às leis de mercado, ou seja, às condições de oferta e procura. Há muitos escritórios fiscais e profissionais autônomos oferecendo serviços sob efeito de “commodity”, por meios cada vez menos onerosos mediante aplicação de recursos de TI, compondo uma grande oferta. Do outro lado da história estão os demandantes que percebem a fartura (de oferta), e juntando o fato de que tais serviços  estão associados mais à burocracia e ao governo do que ao negócio em si, a percepção de agregação de valor fica comprometida. Não há nada de especial em um DAS ou uma guia do eSocial na ótica de quem abre um negócio, mesmo sendo rotinas de considerável complexidade para quem elabora e vive do aparato burocrático. É preciso entender que ninguém abre uma empresa para pagar impostos e fazer declarações ao fisco; tais ocorrências sempre serão irrelevantes na perspectiva da atividade econômica que é voltada para atender a consumidores.

O mercado de serviços fiscais está inflado? A reserva de mercado do Conselho Federal de Contabilidade registra 524.448 [3] profissionais registrados, e imagino que exista um considerável volume de profissionais não registrados atuando, seja prestando serviços a quem tem CRC e tem deficiência para exercer determinadas rotinas, seja simplesmente atuando sem ser importunado pela (ineficiente) fiscalização dos CRCs. No entanto, o que sinaliza que a oferta de commodities esta farta é o declínio de preços, em se tratando de um mercado relativamente desobstruído, embora a reserva de mercado do CFC seja um componente considerável. Preços são sinalizadores de níveis de oferta e demanda. O declínio nos preços está afetando mais escritórios fiscais, enquanto não vejo muita reclamação naqueles que estão em escritórios contábeis. Recomendo ler o artigo “Por que preços de serviços contábeis estão em declínio?” [4]

Há um entendimento equivocado que percebo ser comum no imaginário de proprietários de escritórios fiscais, no sentido de que a intensificação da burocracia, através de rotinas impostas pelo fisco, forçaria a valorização dos serviços e dos profissionais de “contabilidade”. Isso pode ter algum sentido em serviços altamente especializados, atingindo uma pequena elite de profissionais que lidam com o complicadíssimo mundo do Sped e as amarrações do manicômio chamado “eSocial das empresas”, especialmente em grandes corporações, mas o problema é que os que assim pensam, olham para o mercado como se resumisse tudo às tais especialidades, parecendo não compreender que estão no lado da minoria, e o outro lado, se dá mais sensivelmente às leis de oferta e procura  de serviços padronizados, massificados (por commodities) sob baixa demanda de capital humano e uso intenso de TI, afetando a percepção de retorno de quem está na procura.

Então, ao perceberem preços cada vez mais em baixa, os que lidam com as commodities e acreditam na burocracia valorizando o “contador”, normalmente caem no mito de que algo dever ser feito por um aparato interventor para combater os “males do mercado”, entre os quais está o dito “aviltamento”, e esse “algo” normalmente está associado a alguma forma de tabelamento de preços mínimos e rigorosa fiscalização por um órgão com poder de regulação contra um fenômeno natural de competição. O intervencionismo é outra ilusão que denota uma grave falta de compreensão da realidade em torno do funcionamento do mercado em um ambiente econômico guiado por preços livres e serviços aplicados como commodities.  Quem costuma reclamar do preço em viés de baixa é quem oferta, mas se tiver no outro lado, avaliando custos, na demanda, vai achar a competição algo essencial. O lado da oferta quer vender mais caro, e o da demanda, pagar com um preço menor, e nesse conflito tão óbvio nasce o que dá guarida à sociedade de mercado: o sistema de preços, fundamental a toda economia, para orientar agentes econômicos sobre onde e como ofertar, se devem continuar, revisar custos ou até reduzir a disponibilidade, e entre os que demandam, sobre onde comprar, sinalizando limites ao consumo, evidenciando o principal objeto da economia: a escassez. Preços, quando praticados livremente, são indicadores de escassez. Se muitos serviços prestados por escritórios fiscais estão baratos demais, é porque há fartura (oferta), simples assim.

Infelizmente, escritórios fiscais são linhas auxiliares da cultura subprime do Custo Brasil, ou seja, servem de ponte para transferência de custos e terceirização entre o estado e o meio produtivo. O aparato burocrático do fisco desestimula a mentalidade empreendedora, mas a massificação dos serviços por causa dos avanços com a TI, abrandou o problema, ficando os escritórios fiscais no meio desse ajuste. Subprime? Porque escritórios fiscais, ao se tornarem despachantes digitais da burocracia terceirizada pelo governo, se deixam levar por atividades de baixo valor agregado e retorno pífio para a economia. Não se deve esquecer que a burocracia é um vetor de consumo da poupança. Quanto mais burocracia existir, mais consumo da poupança haverá, mais recursos serão aplicados fora do eixo operacional produtivo, com coisas que não repercutem significativamente na geração de riqueza.

Escritório Contábil e o valor agregado

Rotinas para atender o governo são commodities e tendem a preços em declínio pelo excesso de oferta alavancado pelo uso massivo de TI, eis uma verdade difícil para muitos que vivem no deslumbramento fiscal; trata-se de uma lição básica para se começar a entender certas raízes do problema da queda dos preços e assim conseguir uma boa adaptação diante da realidade.  Que adaptação seria? Fazer da contabilidade uma ferramenta de trabalho, se habilitando para servir à gestão, como via de valorização com o empresariado, deixando de ser um escritório fiscal para atuar como organização contábil, mas há um porém: A ideia de fazer da contabilidade uma ferramenta de gestão esbarra na cultura empresarial bastante dependente do governo e pouco aberta a economia de mercado, embora o discurso seja outro. Por quê? Empresários são vistos, com frequência, correndo mais em busca de facilidades com o poder político que qualquer outra coisa; não é raro ver empresários tentando subsídios e vantagens tributárias, e se esforçando pouco para melhorar a eficiência dos negócios, onde entraria a contabilidade gerencial. O comportamento empresarial pautado em favores no estado, retroalimenta o aparato estatal, contribuindo inclusive para uma alta carga tributária, dando cabimento às ações do fisco e aos meticulosos controles burocráticos, não gerando muito interesse pela contabilidade. Resumindo: não é raro ver que há um pragmatismo de ir pedir favores a políticos quando se está diante de um sistema viciado para “gerar dificuldades para vendedores de facilidades”; boa parte do amor de muitos brasileiros pelas coisas do estado, se explica a partir de uma reflexão sobre esse tema.

Um outro ponto complexo está no mito de que basta cumprir as leis, entenda-se, conscientizar o cliente a “não sonegar” que haverá espaço para contabilidade como ferramenta de gestão. O que entusiastas dessa tese não conseguem compreender, ou enxergar, é que o custo para manter a conformidade imposta pelo fisco muitas vezes é tão elevado que a compliance 100% mataria o negócio ou como disse o professor Adriano Gianturco, “o Brasil tem leis demais, se fossem aplicadas todas perfeitamente, pararia” [5].

No entanto, o fenômeno das commodities contábeis é favorável para melhorar a economia quando se olha na perspectiva de custos com a burocracia e a competitividade de mercado. Deve se levar em conta que o  setor produtivo ainda sofre muito no Brasil gastando demais com burocracia e impostos. O relatório anual Doing Business [6] é uma referência sobre a questão. Achar que a oneração da burocracia é algo saudável para uma economia é confundir vantagens em contexto de nicho, bem específico, com o todo que envolve a dinâmica de um sistema econômico que precisa ser competitivo para fazer frente a países bem mais desenvolvidos, que de fato, adotaram modelos simplificados. O Brasil não conseguirá competir minimamente bem com asiáticos que não gastam nem 15% do que gastamos com burocracia. Não será com experts em ICMS, PIS, Cofins, IP, IRPJ, CLT, eSocial, Sped, e outras bizarrices do sistema soviético tupiniquim, nas costas do empreendedorismo, que haverá alguma chance de saltos mais ousados da economia brasileira no cenário global. Seremos assim, tão dedicados ao fisco, sempre o patético país do Big Brother Fiscal, se perguntando pelas razões do travamento econômico.

Resumindo: Contadores que vivem operando com commodities caíram em uma armadilha que implica na queda de preços, vista superficialmente como “desvalorização” de serviços, em uma combinação de muita TI, uma demanda ainda impactada pela crise econômica entre 2015 e 2017 e, sobretudo, falta de trabalhos consultivos fundamentais em contabilidade, que vão muito além da escrituração; envolvem a interpretação dos fatos para orientar o empresário na tomada de decisões.

Para piorar, o fisco tem enorme poder de influência sobre as principais lideranças que representam os profissionais de contabilidade. Esse poder se torna latente na passividade com que projetos do governo são impostos sem qualquer resistência. O apoio está em uma simbiose, onde benefícios de dificuldades criadas pelo estado atendem a interesses de uma minoria nas entidades, que são patrocinadas por grandes corporações de consultoria e TI, com total interesse na indústria da burocracia, contaminando o mercado contábil com poluição da burocracia estatal, fazendo com que os escritórios fiquem amarrados a uma agenda restrita com o fisco, sem ter tempo para acompanhar melhor a vida econômica dos clientes e sempre obrigados a consumirem produtos que tais lobistas oferecem.

O meu entendimento sobre a “representatividade” pode ser conferido no artigo “Sobre os conselhos profissionais” [7].

Por fim, vejo o problema sob causas bem mais complexas e sob visão de longo prazo. É essencial destituir o aparato estatal no meio produtivo, mas estou pensando em um tabu na cultura brasileira, cuja quebra eliminaria a contaminação que a burocracia fiscal provoca, fazendo muitos confundirem contabilidade com burocracia, como já mencionei neste artigo. O que os profissionais poderiam fazer diante do atual cenário? Tomar o máximo proveito da TI para fazer sempre mais com menos, entendendo melhor o conceito de escritório fiscal, usando mais economia de escala, substituindo recursos humanos por meios robotizados para processar dados com volume cada vez maior em um menor tempo. Quanto mais trabalho repetitivo por meio humano for evitado, melhor. O enxugamento de recursos humanos em escritórios fiscais é um fenômeno antigo e será cada vez mais intenso. Quanto a isso, basta perguntar aos veteranos, como eram os escritórios nos anos 1980, abarrotados de empregados, armários enormes, pilhas de formulários e máquinas de datilografar. Alguém, em sã consciência, pensa em aplicar o próprio patrimônio para reviver aqueles dias, adotando a mesma estrutura de equipamentos e recursos humanos? Pois é…

E para quem só opera com commodities, no médio prazo, se estruturar para oferecer serviços consultivos, deixando de ser apenas um escritório fiscal para chegar ao nível de escritório contábil, caminho indispensável para agregar valor.

Vida que segue.

 

______________

Notas:
  1. Tema abordado por Ludwig von Mises nos anos 1920 tratando sobre a inviabilidade do socialismo, onde a economia de mercado é substituída por uma economia planificada, pela estatização dos meios de produção e pelo planejamento central do governo. Em uma economia de mercado, a contabilidade, sobretudo quanto aos impactos dos custos nas tomadas de decisões, é um componente dentro do processo maior que molda as valorações dos meios econômicos por meio de relações livres entre agentes ofertantes e demandantes, formando a cataláxia.
  2. LEI Nº 13.726, DE 8 DE OUTUBRO DE 2018.
  3. Profissionais da Contabilidade e Organizações Contábeis – Consulta às 10h12 de 20/10/2018
  4. Artigo neste blog
  5. Quando a lei se corrompe
  6. Doing Business. Banco Mundial.
    Relatório bastante usado por investidores para avaliar ambientes de negócios. O Brasil, no quesito de tempo gasto por ano para cumprir obrigações com impostos, na apuração anual feita com base em São Paulo, segue em uma impressionante discrepância mediante comparativo com a América Latina e o Caribe, bloco que gasta apenas 16,9% (332,1 horas) do tempo que se dedica em nossa fiscolândia que, segundo o último levantamento, consome 1.958 horas por ano, apenas para executar rotinas no cumprimento de obrigações. O fisco andou questionando a metodologia do Banco Mundial, acostumado em manipular parceiros do mundo contábil,  dando “sugestões” para aprimorar o método de apuração, certamente porque a cada edição do Relatório, o vexame vai ficando mais conhecido mundialmente e coloca um enorme ponto de interrogação nas “soluções” que oferece para “simplificar” as obrigações acessórias.
  7. Artigo neste blog.

 

 

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