As coisas que não sei? São incontáveis…

Minha ignorância está na classe do imensurável. Nem se eu pudesse passar a minha vida inteira na biblioteca do Congresso, em Washington D.C., lendo 24 horas por dia, mudaria essa condição.

Isso não quer dizer que buscar o conhecimento é uma coisa vã, pelo contrário! Enquanto busco o conhecimento, preciso saber usa-lo da melhor maneira possível considerando que se trata de algo muito limitado e passivo a erros comprometedores.

E por falar em conhecimento… Posso contar nos dedos as coisas que sei, sabendo que, levando em conta o tamanho de minha ignorância, são ínfimas.

Por quê? É a imensidão do conhecimento que me engole!

Olhando para o passado e o presente, a minha condição acima é caótica. O pouco que sei tenho que aproveitar o máximo, na medida em que vou aprendendo um pouco mais.

Meu drama diante do vasto conhecimento espalhado no universo se torna indescritível quando penso no futuro.

O futuro é a soma de consequências de coisas do passado e as que ocorrem agora e posso identifica-las, o que chamo de “presente”. No passado e no presente minha ignorância reina, e se eu pensar em variáveis à frente do meu pensamento no tempo corrente? Além de uma soma de incontáveis consequências do passado e do presente, o futuro é algo composto por incontáveis combinações a posteriori, produzidas pela natureza e por artifícios humanos, em meio a agentes que podem mudar de comportamento sem aviso prévio, diminuindo o peso do que se aprendeu com o passado, por conta de uma forte carga de subjetividade. Em outras palavras, se olho para o passado, penso no presente e vejo o quanto sou ignorante, pelo menos sei que tentar projetar o futuro achando que tenho uma boa margem de segurança faz parte de uma estupidez maior que a soma de toda a minha falta de conhecimento sobre as coisas que aconteceram.

Não podemos prever, é Taleb mandando lembranças… Podemos estimar, mas muitos economistas e quase todos os políticos se tornaram experts em vender estimativas como “previsões”.

A sabedoria de Sócrates reside em ter ciência da própria ignorância como forma de sabedoria para não cair em algo pior que a ignorância: a ilusão de pensar que sabe demais.

E o que o mercado me ensinou sobre isso?

Antes, penso na primeira lei da economia, a escassez, o que o dr. Thomas Sowell explica direitinho e os políticos procuram ignorar. A economia é, basicamente, a ciência da escassez. A escassez afeta o comportamento humano mais que qualquer outra coisa; e aqui penso na fera que posso virar se um dia estiver em uma floresta faminto, sem suprimentos, perdido… Assim como penso na majoração de valor na medida em que determinado recurso vai ficando parco pelo desejo de possui-lo que se mantêm ou aumenta. Então, pesando a escassez como fator relevante no comportamento humano, posso agora pensar na outra lei que pode ser conhecida através das obras do dr. Hayek e eu a chamo de lei do “não sei”. Este é a melhor de todas para cuidar bem do meu ego enquanto olho e opero no mercado.

Cuidado com o que pensa! A dose de ignorância é sempre maior. Pense melhor e não deixe de agir! Vivemos entre a intuição e a razão, outro ensinamento que tirei do dr Hayek. A razão opera no pouco conhecimento que tenho enquanto a intuição está no lado onde a ignorância mora e, como eufemismo, chamo de “feeling”.

Eu, ciente da grandeza inigualável de minha ignorância, munido do tal “feeling” e da razão no pouco que sei, vou ao mercado não sabendo o que um agente do mercado (demandante ou ofertante) vai querer amanhã precisamente, com 100% de acerto, apesar dos cientistas de dados se esforçarem tanto para me dizerem o contrário… Posso saber algo que se desejou ontem e hoje, em certo grau, há alguns meses posso também saber com boa base de dados, mas em termos de futuro… Hum… Sócrates!

É aquele problema que me leva além do que posso imaginar sobre o caos de pensar que sei demais… O conhecimento se torna vasto a cada instante; é imensurável, com doses cavalares de aleatoriedades e esquisitices alheias. Hayek, aquele distinto senhor da Escola Austríaca que o mainstream suportou, chamou isso de problema da “dispersão do conhecimento”. Simplesmente não sei o que se passa na cabeça das pessoas. Isso é óbvio não é? Parece que não para econometristas e políticos, quando sugerem que eles sabem tanto quanto seres oniscientes, onipresentes e onipotentes possam saber.

Então, sou um mortal tentando cavalgar um raio de luz, como dissera Einstein, só que pensando nessa danada da lei do “não sei” que reina no mercado em meio a alguma sabedoria suficiente que pode gerar fortunas, para alguns menos desinformados, até mesmo em alguns segundos. Empresário, investidor, empreendedor; aquele sujeito amaldiçoado que se arrisca a ofertar e/ou demandar bens e serviços, com base em alguma informação do passado que extrai de algum mercado, mas nunca sabe o que vai acontecer realmente; tem uma ideia, uma leve presunção e faz assim estimativas, as vezes acerta, outras vezes erra, e quando erra, ajusta a oferta. É assim que funciona o mercado futuro, na base da “tentativa e erro” e isso pode ser visto nos preços.

Nada humano pode conter o que o humano é capaz de produzir no mercado: conhecimento disperso. O mercado não é um deus, nem um velhinho sábio de barba branca decidindo nosso futuro, determinando os preços das coisas por todos. O mercado é um momento, um flash, de decisões que foram tomadas por milhares, milhões ou bilhões de agentes econômicos ofertando e demandando bens e serviços. O mercado é a natureza humana, aleatória, imprevisível, que toma decisões que nem Freud explica. Regular o mercado, evidentemente, é possível, mas terá consequências, não raramente imprevisíveis. Por quê? O agente que o produz, o ser humano, tende a produzir efeitos inestimáveis sobre onde opera se relacionando com a escassez e a regulação será mais um fator a ser submetido à dinâmica dessa imensidão de momentos que se dá no mercado.

Penso que intervenção no mercado se assemelha a intervenção na natureza; o homem vai e faz as coisas, achando que não terá consequências; depois ocorrem enchentes, rompimentos de barragens, enfim, tragédias. Um exemplo: Em 2012 e 2013 Dilma resolveu subsidiar juros para caminhoneiros. Então, muitos compraram caminhões e se endividaram. No entanto, a economia não produziu o suficiente para a oferta de caminhoneiros com caminhões novos e eles, endividados, viram os preços do frete desabarem. A política de expansão de crédito feita por Dilma, inchou o mercado de oferta, enquanto a demanda por frete não acompanhou. Caminhoneiros então passaram a reclamar dos preços, todos endividados e com o agravante dos combustíveis ficando mais caros para cobrir parte do rombo da corrupção da Petrobras, gerado pelo… Governo! Foi o governo que provocou tudo: expandiu crédito, distorceu o mercado, usou o monopólio da Petro para encarecer combustíveis…

Foi o governo, da turma que pensa que sabe demais, que não passa de um referencial para se ter conhecimento de excelência em ignorância  sobre a irrevogável lei do “não sei”.

 

 

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