Os mercados de serviços contábeis e de TI foram acostumados no Brasil, por décadas, a viverem de ofertar serviços que só foram consumidos por causa das ameaças que o estado costuma fazer aos empresários.

Não é preciso fazer muito esforço para ver que anúncios publicitários e o comportamento da maioria dos marqueteiros de serviços de contabilidade e de TI, estão fortemente relacionados com a  burocracia sob apelos de algo que estado inventou para, com base na coerção (obrigação de fazer), inculcar o medo e assim ameaçar empresários com todo tipo de violação em fiscalizações e multas. Este é o Brasil que muitos celebram com aberrações em torno do Sped e do eSocial, reinando no meio contábil e de TI; é o Brasil que foi forjado desde a era “Estado Novo” nos anos 1930, quando os últimos  lampejos de livre iniciativa de grande porte foram destruídos pela mentalidade fascista de Vargas, passou pela expansão de gastos na era JK, pelo consequente aumento do aparato coercitivo e compulsivo nos governos seguintes, tendo como destaque a era da ditadura militar (1964-1985), tendo uma nova perspectiva na era FHC (1995-2002), que trouxe à baila a Lei 9.989/2000 como um instrumento do Programa de Modernização das Administrações Tributárias [1].

Após o socialista FHC, tivemos a era petista de um socialismo mais extremo, e assim o Sped foi formalizado em 2007 [2] e em 2014, o eSocial [3], os dois principais big brothers do estado corporativo (neofascista) brasileiro. Então, gerações de profissionais de contabilidade e de TI foram convertidas em meros serviçais dessa visão de sociedade subserviente ao aparato estatal. E nessa cadeia de exploração, enriqueceu uma pequena elite de contadores e lobistas de TI apoiadores dos pilotos do fisco, tudo em detrimento de uma maioria bestializada, submetida ao que chamo de “fascismo digital”, de um mercado de serviços totalmente distorcido por estar baseado não na vontade dos consumidores e sim no medo de ser multado.

Os mercados de contabilidade e TI são, portanto, elementos distorcidos, viciados na coerção de leis, normas e ameaças do estado. A maioria dos profissionais dessas áreas não percebe claramente, imagino, que seus serviços não são naturais em termos de livres trocas, e sim frutos de intervenções de um ambiente de negócios intoxicado pela burocracia estatal, em processos que os tornam confundidos com o próprio fisco e não é por acaso que o empresariado não dá a devida atenção (entenda-se respeito) que os profissionais que exploram os serviços ligados ao fisco alegam merecer. O meio contábil está intoxicado pela mentalidade estatista/socialista e ainda precisa amadurecer sobre o papel do consumidor em uma economia (e uma desintoxicação levará tempo para acontecer). No entanto, desde pelo menos 2013, quando começou a perder o deslumbre a era petista, abriu-se no Brasil um espaço para uma mentalidade mais liberal em economia, ainda pequeno, mas cada vez mais atuante na sociedade e o meio contábil não escapará desse processo. A vitória de Bolsonaro representou um golpe na dominância esquerdista desde FHC e, embora o presidente não seja um bom exemplo de defensor da liberdade, tem em seu governo influências nesse sentido que começam a se manifestar (e agir) em torno dos problemas da economia brasileira, juntamente com forças liberais que operam no Congresso que, em um passado recente, seriam consideradas utópicas do ponto de vista da capacidade de militância e da credibilidade perante uma população que ainda está bastante domesticada no estatismo, com todas as doenças relacionadas: intervencionismos, protecionismos e diversas formas de coletivismo que violam a liberdade.

Pode-se cogitar  agora em uma possível abertura da economia brasileira, que não seria de outra forma, lenta, gradual, sujeita a sabotagens dos que querem conservar o estatismo da atualidade, inclusive em entidades caducas dos meios contábeis (CFC, CRCs, SESCON, e Fenacon) e de TI, (Fenainfo e Brasscom), mas tal liberalismo ainda será potencialmente uma coisa realizável, e por tabela, ocorrendo um viés menos estatista, diria menos dado aos controles sociais do estado nos hábitos da população, emergiriam forças de uma sociedade produtiva mais baseada na competitividade e na LIBERDADE ECONÔMICA, e assim, penso que contadores e profissionais de TI terão que começar a aprender mais sobre o funcionamento dessa liberdade, ou seja, do mercado menos obstruído, digo, menos “regulado”, para oferecerem serviços muito além das exigências do estado, entenda-se do fisco, isso se quiserem agregar mais valor aos seus negócios. Isto posto porque a nova era, se for consolidada, não será facilmente digerida pela maioria de profissionais que hoje se acomodaram com a cultura de burocracia e “riscos fiscais”; creio que apenas uma minoria perceberá a mudança e assim, transformará empresas contábeis e de TI em agências de apoio à inovação e ao empreendedorismo, não confundindo tais termos com as coisas arcaicas do fisco. A outra parte, acomodada, ancorada no velho fascismo digital, reclamará brutalmente de preços de serviços que viraram commodities (já há sinais claros dessa queixa). e como tem se mostrado incapaz de aprender alguma coisa com a liberdade, reagirá com as entidades que mencionei para tentar reviver o velho estado brasileiro caduco.

Essa possível nova era para contadores e profissionais de TI pode estar por vir com serviços mais voltados aos interesses da eficiência econômica dos clientes. Em suma, contadores e profissionais de TI de áreas burocráticas, em um hipotético Brasil mais aberto, mais liberal, terão que aprender a trabalhar mais para as empresas e os empresários, e menos para o fisco. Esta será, a meu ver, a chave para entender o caminho do sucesso nos mercados que exploram a burocracia e ofertam soluções contábeis.

 

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Notas:
1. YOUNG, Lucia Helena Briski. Sped: Sistema Público de Escrituração Digital. ed. Juruá: Curitiba, 2009. Ver também Lei 9.989/2000.
2. DECRETO Nº 6.022, DE 22 DE JANEIRO DE 2007.
3. DECRETO Nº 8.373, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2014 

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