Do alto da montanha acordei com meus amiguinhos silvestres e eis que um jovem bocó atormentado entrou em minha caverna com a seguinte aberração:

– Bom dia mestre Abdoral! Grande mestre, sempre faço das suas às minhas palavras, por causa da inefável sabedoria que habita em ti…

Logo após pedir apoio a um projeto político, tive que o interromper para lhe falar que há dois tipos de elogios:

O primeiro é raro e consiste na mais pura e sublime admiração cedida, semelhante a um amor platônico, se permite externar sentimentos autênticos para com o outro, sem qualquer pretensão além da admiração em si. Este elogio também serve de referência para quem deseja encontrar inspiração no próprio viver. Ao perceber que alguém é extraordinariamente hábil em algo, e que tal expertise provoca boas influências, é natural que ocorra um elogio.

O segundo tipo de elogio é este que fizeste a mim. Começaste me elogiando e vi que foi tão somente para massagear o meu ego; isso por si só já é um desprezo à minha capacidade de compreender certas coisas tão delicadas nas relações humanas, isto posto porque, em seguida, trabalhaste o elogio no sentido de preparar o campo para envidar certos interesses que se sequer podes me revelar. Este é o elogio de gente falsa, pois visa manipular o elogiado e quase sempre é guiado pela inveja e cobiça. É quando alguém surge “puxando o nosso saco” porque sabe que não tem (ou tem dúvidas sobre o próprio) prestígio e nos exalta tentando abrir um canal de relacionamento de olho em algo que podemos dar ou oferecer e que necessariamente não aprovaríamos se fosse mais claro. Este elogio é meramente interesseiro em coisas mesquinhas ou projetos pessoais que, não raramente, são questionáveis em termos de decência e moral. Um elogio deste tipo também pode ser identificado quando alguém “enche a nossa bola” sobre algo infeliz que estamos fazendo e que espera que ganhemos mais motivação ao ponto de termos um grave transtorno; é o elogio como instrumento para desejar ver o nosso circo pegar fogo. Vai… Você é top… Você é show… Continua a fazer isso… É o que chamo de “elogio diabólico”.

Chega! Foi a lição do dia! Aparta-te de mim!

 

 

 

 

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