Mais um bocó da tribo dos adoradores do “mito” adentrou em minha caverna para perturbar minha linda manhã de orações. “O que queres de mim?”, e logo me veio com aquela rasgação de seda… “Mestre…”. Tive que interrompe-lo: “Vamos direto ao assunto, sem chorumelas, meu jovem”.

Perguntou-me sobre a tal polêmica do desafio de redução do ICMS e de impostos federais nos combustíveis que o presidente do “Imbecil Coletivo II” lançou aos governadores. Ora, ora, “redução de impostos” é um tema que não aconselho a ser debatido com um libertário, sobretudo para não tomar aquela “pílula vermelha”, porém, vamos raciocinar primeiro pela ótica de quem toma a “pílula azul”, a da equipe econômica e seus súditos liberais (socialistas manquitolando com medinho de sair do armário), que diz prezar tanto pelo tal “ajuste fiscal””. E prossegui, “vamos pensar um pouco, jovem: ele quer mesmo promover redução do ICMS e impostos federais sobre combustíveis em um quadro fiscal deficitário desde 2014 e que vem em lenta redução, considerando o impacto fiscal? É isso mesmo?”, indaguei, e eis que o musculoso bolsominion ficou espantado com uma fala fiscal saindo da boca de um velho libertário eremita. “Ou ele é um burro, coisa improvável, ou é um patife, à semelhança dos que governaram por 13 anos e entregaram uma bomba fiscal que levou cinco anos e ainda não foi totalmente desarmada.”, concluí.

O rapaz, daqueles gadosos cheios de esperança na “Aliança Pelo Brasil”, do tipo que acredita em tudo que o “Bozo” diz, pensa que existe mágica no orçamento do Leviatã, tirando as pedaladas que tiveram (grande) utilidade para derrubar a dona Dilma Rousseff. “Mesmo levando em conta as manipulações do Confaz na base de substituição tributária, de onde vão ajustar alguma redução de grande impacto nos preços ao consumidor em algo que movimenta R$ 27,4 bilhões na arrecadação federal e, no mínimo, R$ 56 bilhões nas estaduais?” [1], esperei o servo da máfia estatal pensar um pouco… “Com um quadro de R$ 61,9 bilhões de déficit primário em dezembro de 2019 [2], sem uma reforma maior no orçamento, coisa que leva muitos anos e capital político, cortariam nos combustíveis dezenas de bilhões de reais e aumentariam em dezenas de bilhões de reais em outras coisas, ou seja, remanejariam a tributação em outros bens de grande rotatividade no consumo, em alimentos, medicamentos, etc.. Não se admire também se tentarem ressuscitar a CPMF, taxar mais com IRPJ, CSLL e sobrar até para os lucros e dividendos, logo, meu prezado visitante indesejado produto genuíno do gado nacional, é uma ilusão, partindo da própria narrativa de “responsabilidade fiscal” do governo, essa conversa de reduzir ICMS e impostos federais sem o dragão estatal sofrer um forte ajuste fiscal, que seja conclusivo na geração de superávits primários e não os déficits que ocorrem desde 2014, então, deixe de ser trouxa que isso é uma narrativa para retardados em política, compreendes?”, finalizei.

O que chamam de “polêmica” é uma coisa que serve apenas para intreter a massa de idiotas que pensam que o problema dos preços dos combustíveis, assim como de qualquer outro bem, consiste mais nos impostos. Como todo populista, imitando o Lula da Silva, Cirão da Massa e tantos outros reprodutores de bocós, Bolsonaro quer passar a imagem de que os dramas econômicos da sociedade passam por uma solução dada por ele. A carga tributária é uma parte de uma problema sério provocado pelo governo, sem dúvida, porém, tomando a “pílula vermelha”, vê-se que  há uma questão ainda mais grave que consiste na falta de competição; há uma forte concentração de oferta na semi estatal Petrobras, coisa herdada da época do fascismo de Vargas, diferentemente de outros países, como os EUA, que possuem um mercado bem mais aberto e assim competitivo com várias opções de ofertantes desde o refino. Não adianta ajustar o lado dos impostos se a cataláxia não for levada a sério.

O rapaz foi embora sem antes ouvir deste velho, que desejou ser esquecido, a nova forma em que passarei a me referir ao “mito”. Ele agora será chamado carinhosamente de “Il cazzaro verde braziliano” [3].

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Notas:
  1.  Ver matéria do Correio Braziliense sobre as arrecadações;
  2. Ver Banco Central do Brasil, Nota para a imprensa;
  3.  Em referência ao livro “Il cazzaro verde” do jornalista italiano Andrea Scanzi, sobre o político de direita, populista, Matteo Salvini.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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