Pelos idos de 2005, lia sobre atividades da Igreja Católica na Argentina, do então cardeal Bergoglio, jesuíta com uma teologia da “humildade de Deus”, franciscana, temperado com uma orientação política progressista. Uma combinação que pode ser perigosa, digo proveitosa para o oportunismo político na América Latina.

Receber Lula… O papa é um pastor que não deve fazer acepção de pessoas, enquanto zelador dos ensinamentos da Igreja. O ex-presidente, pelo que me consta, é católico, se bem que um tanto fora da ortodoxia envolvido com crenças que a Igreja desaprova e se foi para pedir perdão, não precisava atravessar o Atlântico; bastava procurar o padre mais próximo…Agora, o problema mesmo foi  Francesco não ter externado crítica com as ideias de Lula e a mesma disposição para receber políticos e personalidades que não são da esquerda latino americana.

Também é um contrassenso Francesco receber líderes políticos que são abortistas e defensores de outras práticas não aprovadas pela Igreja, na ocasião de um encontro formal.

Sobre Francesco condenar o mercado, está seguindo uma linha de repetição de pensamento coerente com seus discursos como cardeal.; um mantra socialista combinado com o que considero ser um moralismo político maio romântico, ingênuo, que abraçou; ignora que é no livre mercado que os pobres, que ele tanto tem se ocupado em seus discursos, podem tocar a vida, obter o próprio sustento. Isso é outro problema sério  e até parece que o Bispo de Roma não viu as lições do Papa Giovanni Paolo II.

Como vejo o Papa como um humano sujeito a falhas, inclusive quando está na “Cathedra Petri”, tento separar as coisas. O Papa, parece, está tentando manter a unidade da Igreja tentando agradar as alas esquerdistas, a maioria, dos moderados aos radicais, enquanto que os mais inclinados ao conservadorismo se queixam, e com razão. Com isso, ele aumenta o risco de provocar uma crise maior na Instituição.

Para concluir, entendo que o Papa Bento XVI foi o que a Igreja encontrou de melhor nos últimos tempos em termos de liderança doutrinária, posicionamento político e consistência teológica, mas não tinha o carisma de Jorge Mario Bergoglio e, infelizmente, não teve condições de saúde para seguir adiante.

No mais, a Igreja Católica Apostólica Romana, a qual tenho enorme respeito, está em uma caminhada há cerca de 2.000 anos. É mestra na arte de atravessar os séculos. Creio que possa ter plenas condições de superar esse momento difícil (peço a Deus como um não católico), pois não está fazendo bem a esta importante Igreja um Papa politica e perigosamente enviesado com gente de esquerda da pior espécie.

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