Minha maior ocupação hoje quando vou tomar decisões sobre onde e como investir não está muito diretamente ligado às coisas que eu sei e sim mais às coisas que não sei.

Penso na minha ignorância e o quanto isso pesa no RISCO, pois este fator (o risco) está muito associado ao desconhecimento das variáveis que não posso conhecer e/ou controlar.

O que sei é pouquíssimo quando penso nas coisas que desconheço e, mesmo assim, tenho que tomar decisões; a vida impõe. Mas às vezes há um fingimento de que decisões são tomadas com amplo conhecimento dos fatores, quando há mais coisas que desconheço envolvidas.

Uma ação de uma empresa é algo que precisa ser avaliado sob o ponto de vista inicial dos INFORMES DA CONTABILIDADE (análise fundamentalista), e isso é o pouco que sei, além de dados do mercado, de coisas que aconteceram e que não necessariamente devem ocorrer de novo. Uma empresa vem se dando bem no mercado e isso não diz muita coisa.

Quando vou para o lado das expectativas, para estimar resultados, fluxo de CAIXA e fazer VALUATION, então, entro em um mundo onde o peso da minha ignorância sobre o que está ocorrendo nos bastidores de uma determinada empresa e no mundo são fatores que mostram a minha pequenez e o risco na forma mais nua e crua. Por mais que eu me esforce em cálculos complexos, há fatores de risco que sempre desconhecerei e podem me pegar de forma profunda.

Na vida quase tudo também funciona assim. Muitas vezes tenho que tomar decisões sem saber o mínimo, em termos seguros, sobre o que está ocorrendo ao meu redor. Não é possível saber o que se passa exatamente na cabeça das pessoas, as decisões que vão tomar e o quanto isso pode me afetar. Posso ser atingido por algo sério que nem sequer posso imaginar. Faço planos, mas há fatores que podem simplesmente me ridicularizar diante do que planejei. Ninguém escapa desse risco natural da vida.

Não é possível prever.

Porém, economistas fazem previsões e são pagos por isso (sempre tem otários pagando aos espertinhos), e assim atuam como charlatões. Eu sei disso e é uma forma de conhecimento inútil (dos economistas) mas para mim serve de alerta. O que economistas fazem é quase tudo inútil; é como uma coisa que me diz assim: descarte isso, é lixo. Alivie sua bagagem.

Enfim, esforçar-se para ter uma noção da própria ignorância tende a ser algo mais útil que simplesmente saber algumas coisas e isso se torna um alerta quando eu super valorizo o pouco do que sei, entrando em um mundo perigoso onde a ilusão do conhecimento é uma coisa muito pior que a ignorância.

O ser humano tem uma tendência de super valorizar o que sabe, dando uma dimensão muito maior do que realmente é. Eu não escapo disso, como toda pessoa normal, mortal, sujeita à dispersão do conhecimento.

Então, ter ciência da própria ignorância me parece sempre algo mais útil que simplesmente confiar mais nas coisas que sei, embora sejam úteis, não são tanto assim como minha intuição sugere.

Sócrates nunca deixa de ser referência para mim… Taleb e Hayek, igualmente.

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