Foi em 6 de junho de 1944, há 76 anos. A maior invasão militar por mar, na Normandia, registrada na história. Uma coalizão contra o NACIONAL SOCIALISMO ou “nazismo” de Hitler e asseclas, como Mussolini e o fascismo. Foi o início da virada contra a Alemanha e o maligno eixo completado por Itália e Japão.

Às vezes pensamos que estamos vivendo os piores dias da humanidade. É apenas uma impressão por conta dos limites de nossa percepção do passado, dada a imensidão de conhecimentos dispersos na história. A humanidade já passou por coisas bem piores e a Segunda Guerra Mundial foi mais um caso onde, certamente, muitos pensaram no FIM DO MUNDO. Mas o mundo está aí. Os palcos principais das carnificinas, a Inglaterra, a França, a Itália, a Alemanha e o Japão, tiveram danos gravíssimos, bem piores que a devastação do Covid-19 (penso que não dá para comparar), e se reergueram. No entanto, nossa mentalidade limitada é um problema que nos induz ao erro de enxergarmos mais o momento como centro das coisas enquanto desprezamos lições e superações do passado.

E aproveitando mais uma lembrança do DIA D onde nazistas começaram a perder… NAZISMO e FASCISMO no tempo presente: Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes. O fascismo e o nazismo nunca saíram de moda.

Muitas das ideias defendidas por políticos como Bolsonaro, Lula e Ciro Gomes são comuns em relação às que foram defendidas por Mussolini e Hitler, mentores e protagonistas, respectivamente, do fascismo italiano e do NACIONAL SOCIALISMO ou “nazismo” alemão.

A principal está na fé (inabalável, radical) pela centralidade do papel do Estado na economia e na sociedade, uma crença muito comum entre políticos de direita e de esquerda, além de cativar eleitores. O Estado é a maior organização religiosa deste país, capaz de unir crentes e ateus em torno do coletivismo, a essência do fascismo e do nazismo.

Nos três políticos que mencionei, há uma forte influência de que o corporativismo estatal é a melhor ferramenta para solução dos maiores problemas da sociedade, não dando espaço maior para livres iniciativas, tampouco para o indivíduo se proteger do arsenal que o Leviatã impõe destruindo a privacidade e livre ação humanas. A pessoa comum é engolida por uma visão coletivista em torno do Estado e para sobreviver precisa se adaptar ou se submeter. Os feixes unidos que formam as bases ideológicas do fascismo assim estão graças aos disseminadores dessa visão de mundo que é, acima de tudo, antiliberal, compulsiva e coercitiva. Embora Bolsonaro tente disfarçar o próprio coletivismo defendendo um pouco mais de liberdade econômica, não contesta categoricamente certas intervenções profundas e determinados controles sociais do Estado brasileiro, além de corporativismos (muitos para agradar seus aliados, em especial os militares) sedimentados há décadas; deseja coloca-los em um domínio que se auto proclama “conservador”, trocando a versão do “sistema operacional” de “esquerda”, “progressista”, mantendo a estrutura obsoleta do “hardware” e as intenções de não dar espaço para concepções contraditórias. Bolsonaro mantêm uma doentia mentalidade monopolista de Estado, almejando substituir alguns parâmetros, enquanto permanece igualmente devotado a práticas compulsivas e coercitivas. Ciro Gomes e Lula são mais explícitos por tais coisas, pelo lado canhoto, enquanto Bolsonaro tenta ficar escondido no armário vendendo as ideias ditas de direita como se fossem coisas da liberdade; todos são, como se diz no popular, “farinha do mesmo saco”.

Lula defende controle da imprensa [1], já disse isso publicamente quando estava como destaque principal da vitrine dos escândalos da política sendo alvejado por denúncias nas questões da Lava Jato. Ciro Gomes consegue ser mais cínico falando do controle remoto. Todavia, controlar o que a imprensa deve fazer, publicar ou não e definir o que é fato ou fake news pelo aparato do Estado seria algo que Hitler aprovaria, se estivesse em nosso tempo, observando o que diz na obra MINHA LUTA, uma base de pensamento do projeto de poder nazista no tocante ao controle e “educação” (doutrinação) da massa.

“Aqui, mais do que em qualquer setor, é dever do Estado não esquecer que a sua atitude, qualquer que ela seja, deve conduzir a um fim único e não deve ser desviada pelo fantasma da chamada “liberdade de imprensa”, desprezando assim os seus deveres com prejuízo do alimento de que a nação precisa para a conservação de sua saúde. O Estado deve controlar esse instrumento de educação popular com vontade firme e pôlo ao serviço do Governo e da nação.” [2] 

A mídia foi vista com forte apreço estratégico por Mussolini na doutrina fascista de doutrinação [3] do “credere, obbedire, combattere” (crer, obedecer, combater). Aqui está um possível ponto de diferenciação de Bolsonaro e Ciro Gomes em relação a Lula, quanto ao tema da regulação da imprensa. Quanto a Bolsonaro, isso não significa que ele seja um autêntico defensor da verdade, tendo em vista o problema das fake news que o coloca sob suspeita. A defesa de Lula por controles do Estado sobre a liberdade, incluindo as redes sociais, é algo que Mussolini e Hitler assinariam com maior orgulho. O STF e muitos políticos “bem intencionados” também acabam sendo copartícipes de uma ideia comum ao nazismo e ao fascismo. Bolsonaro, talvez motivado pelo (lucrativo) negócio das fake news, se diz contrário. Ciro Gomes faz oposição a regulação, talvez para se vender como uma esquerda à parte do petismo. A questão é que um político ao defender o que pode ser visto como liberdade com ares de ética, sempre deve ser colocado em um plano de ceticismo em relação ao que não diz…

A exploração da narrativa do “nós” contra “eles”, polarizando fortemente o debate político, forçando uma radicalização muito além do que seria um tratamento sério da política, foi estratégia muito usada no nascedouro, no auge e na decadência do fascismo e do nazismo, como apelo ao coletivismo cujo marketing político visa, sobretudo, manter sob rédeas curtas o “homem-massa” eleitor. O aceite atual da sociedade a esta visão do debate denota mais algo em que a atividade política se consolidou na necessidade de cultivar o ódio a um inimigo super dimensionado. Todos trabalham o ódio como ferramenta no curral eleitoral à semelhança dos fascistas e nazistas das raízes.

Ciro Gomes e Bolsonaro não abrem mão uma economia mais planejada por burocratas do Estado, assim como Lula, cada um ao seu modo. Neste ponto, Bolsonaro é o mais moderado. Porém, todos operam com ideias que retratam formas de socialismo de terceira via, em graus distintos, e no caso de Ciro Gomes e Bolsonaro, se destaque um apelo NACIONALISTA ou à SOBERANIA NACIONAL; há uma grande inclinação para defesa da indústria nacional, com uma confusão entre recurso natural e capital, além de grande repulsa ao capital estrangeiro, este último mais notável em Ciro Gomes, tendo em vista que Bolsonaro parece ter amenizado em relação a isso com as (boas) influências de Paulo Guedes. No entanto, ambos mantêm o ponto em comum com o nacionalismo econômico-estatizante que agradaria Hitler e Mussolini. Já Lula flerta com uma linha um tanto mais INTERNACIONALISTA, visando um projeto de poder supranacional, com aliados como Maduro e a família Castro, sendo mais inclinado ao comunismo clássico, embora defenda também uma economia sob forte controle do Estado (planificação). Diria que Lula está melhor adaptado aos dois lados; é o mais oportunista de todos.

Ciro Gomes e Lula são grandes defensores de instrumentos coletivos nacionais de cunho jurídico como a CLT, uma obra inspirada no fascismo da Carta del Lavoro, longe de ser uma cópia, todavia carregando princípios do corporativismo estatal, aqui patrocinado por Vargas, a versão mais fascista que houve, até o momento (há quem queira superar), na política tupiniquim. Bolsonaro parece não ser tão apegado assim aos dotes fascistas da CLT, enquanto não foi capaz de se posicionar abertamente pelo fim deste instrumento macabro que gera muito desemprego e só serve à demagogia.

Os três maiores populistas da atualidade não abrem mão de controles de crédito para fomento e poupança compulsória sob tutela do Estado, como o BNDES e o FGTS, coisas que Hitler e Mussolini aprovariam com grande satisfação.

Lula, Ciro Gomes e Bolsonaro demonstram interesse pela ideia de parceria do Estado com grandes empresas e empresários nacionais sendo o Estado o motor dos investimentos, forjando, na prática, o “capitalismo de compadrio” ou uma forma de “economia fascista” em termos técnicos. Este ponto é o mais aglutinador para mim envolvendo os três. Hitler e Mussolini desenvolveram ideias parecidas para a economia onde empresários, quase todos partidários, terminam sempre viciados aos pés de um esquema de poder que converge ao líder supremo com favores no Estado jogando a corrupção estruturada do “toma lá, dá cá”; considerando o contexto, a essência permanece e o problema foi investigado pela Operação Lava Jato. Essa visão de empresários “amigos do rei” é muito antiga; o que ocorreu no nazismo, no fascismo e no petismo recente, formas similares, foi uma evolução da sofisticação. A política intervencionista está sempre em processo de sofisticação em favor da corrupção e do enriquecimento nas costas dos pagadores de impostos. O fascismo é um rótulo amaldiçoado para coisas comuns praticadas na mentalidade abusiva do Estado corporativo.

A ânsia em aprofundar sobre a sociedade um controle social sempre invasivo, violador do indivíduo, incluindo enorme aparelhamento no meio educacional, explorando linhas auxiliares partindo do ministério da educação, passando pela ideia do Estado ser o promotor da cultura, até chegar no modus operandi de vigiar e punir, moldando uma polícia de ação federal a serviço do governo, partidarizando outras inteligências policiais e militares, até chagar ao fisco, é outro ponto em comum que une os três (e todos os políticos populistas), em fatores de poder que Hitler e Mussolini sempre defenderam como estratégicos na consumação do poder; são a vigilância e a formação ostensivas de indivíduos para servirem tão somente ao aparato do Estado, viciados sob a batuta do supremo líder, para combaterem os adversários políticos através do uso meticuloso e enviesado do aparelhamento. Os três são fortemente influenciados por esta visão de forte influência fascista e nazista do governo e da sociedade.

Penso nos ensinamentos do grande jornalista e historiador italiano Indro Montanelli (1909-2001), que conheceu Mussolini e conviveu na Segunda Guerra,. O fascismo e o nazismo têm em comum uma forte necessidade de CENTRALIZAR O PODER na figura de um SUPREMO LÍDER. Na Itália e na Alemanha, tais processos se deram com a total submissão do Parlamento ao Poder Executivo, ao bel prazer da figura do primeiro-ministro. Se observarmos as aspirações e as táticas de Lula, Ciro Gomes e Bolsonaro, o que os três desejam fazer em planejamento central requer exatamente um líder forte e com uma CENTRALIZAÇÃO consolidada para transformação do Congresso em uma velada marionete do Palácio. No governo Lula isso ocorreu de forma explícita no MENSALÃO ou a tal da “governabilidade”. Não foi o PT que inaugurou isso no Brasil, claro, os tucanos mandam lembranças; petistas apenas foram flagrados e não conseguiram conter um “dedo-duro” (Roberto Jefferson), já os tucanos se mostraram mestres na arte de escapar da justiça. Ciro Gomes também demostra ares de uma ardente vontade de centralizar mais poder para governar de forma mais direta, célere, em um estado corporativo, enquanto vejo Bolsonaro se colocando como apoiador de tudo que desmoralize o Congresso e o STF, instituições planejadas (na teoria) para conter abusos do Executivo, sob o pretexto de que tais entes estão comprometidos, desqualificados, mediante um juízo derivado de uma determinada visão moral (dos bolsonaristas). O problema é que bolsonaristas desejam que o poder fique mais concentrado na figura do presidente da República, visto como um agente que vai agilizar as coisas “certas” a serem realizadas. Foi exatamente isso que Hitler e Mussolini conseguiram por alguns anos. Tornaram-se senhores absolutos com um parlamento aos pés e uma justiça inoperante, serviçal do poder partidário, ridicularizada pela força das narrativas que dominaram a população e pela truculência política de seus asseclas.

Para ter uma visão mais ampla do fascismo, li a crítica de Antonio Gramsci  e aliados em “Sul Fascismo” [4]. De Umberto Eco, conferi “Fascismo Eterno” [5] e a obra mais recente, de grande valor de pesquisa foi “Il Primo Fascista” do alemão Hans Woller (alemão) [6]. O documentário “Me Ne Frego” [7], também serviu de grande referência para uma compreensão melhor do fascismo. Todas as obras em italiano, mas nenhuma me impactou tanto quanto “Mussolini ha sempre ragione” [8] (Mussolini sempre tem razão), “I Decaloghi del Fascismo” ou “Os Decálogos do Fascismo”. O livro é de Carlo Galeotti. Outro texto que exerceu grande influência em minha revisão da história e da política foi “O Caminho da Servidão”, de F. A. Hayek [9]. No entanto, o trabalho de Galeotti me impactou porque vi as incríveis semelhanças de culto, louvor e adoração à Mussolini em relação ao comportamento de muitos devotos de Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes no Brasil, entre tantos outros populistas.

Mussolini sempre tem razão…

Lula sempre tem razão…

Ciro Gomes sempre tem razão…

Bolsonaro sempre tem razão…

Aliás, no meio bolsonarista há um culto a outra personalidade dizendo que “Olavo de Carvalho sempre tem razão”.

Tal adoração a um líder supremo, essa necessidade imbecilizante de ter político de estimação, de ter alguém comandando a vida de todos, dizendo o que é certo e o que é errado, é a principal neoplasia maligna da sociedade moderna.

Não sou especialista em fascismo. Sou um estudante. Leio por amor ao conhecimento e para entender melhor o mundo. A sociedade em que vivo está repleta de pessoas que defendem ideias fascistas e nazistas (forte controle do Estado e adoração a políticos, entre outras coisas que ficam subliminares). São pessoas que se dizem contra o fascismo mas na verdade são militantes de ideias fascistas; o mesmo se aplica aos anseios nazistas camuflados por desejos de militantes totalmente manipulados. Isso foi TUDO que Mussolini e Hitler queriam. Hitler foi o líder supremo nazista apreciador do fascismo que tinha Mussolini como mestre embora tivesse desprezo pela Itália, segundo o historiador Montanelli. Ora, ora, uma sociedade onde as pessoas defendem ideias nazifascistas sem saberem, acusando defensores da liberdade de “fascistas” ou “nazistas”, sem dúvida é o suprassumo dos desejos mais profundos dos atuais fascistas e nazistas profissionais. Hitler e Mussolini devem ter sonhado com isso quando pensaram no “novo homem” doutrinando em outras sociedades.

As obras que citei estão em italiano, mas o Fascismo Eterno de Umberto Eco tem em português. As outras não sei.

Leiam. A leitura é o DIA D da liberdade.
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Notas:
1. Estadão, 12/08/2017:  ‘Vou ganhar e fazer a regulação da imprensa’, diz Lula em evento na UFRJ;
2. Minha Luta, edição em português de Nelson Jahr Garcia (1947-2002), página 133.3.
3. Carlo Galeotti. Credere obbedire combattere. I catechismi del fascismo. Edição de 1999.
4. Disponível no Kindle da Amazon, a obra tem textos reconhecidos como de autoria de Gramsci, além de diálogos do então deputado com o colega de parlamento, Benito Mussolini, entre outros textos não reconhecidos ou atribuídos a companheiros partidários de Gramsci.
5. A visão de Umberto Eco é mais ampla, filosófica; merece ser conferida como contraponto às obras italianas tradicionais do Galeotti.O interessante é a releitura do erudito italiano, fazendo uma ponte com os problemas da atualidade
6. Esta obra de 2018, do professor alemão Hans Woller, apresenta uma síntese de uma pesquisa muito rica sobre a vida e as ideias de Mussolini.
7. Documentário em língua italiana, disponível no YouTube. Aborda o processo de doutrinação fascista, em especial, no tocante à lingua italiana como instrumento de propagação coletivista.
8. Leitura obrigatória com destaque para aspectos da religiosidade fascista no processo de doutrinação (catequese) e propaganda.
9. Friedrich August von Hayek aponta e faz uma profunda análise das consequências totalitárias da prática socialista no mundo político, o stalinismo, o fascismo e o nazismo, que levam ao “caminho da servidão”.

 

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