Elogio da loucura [1] – Ainda que os homens tenham o hábito de manchar a sua reputação, é ela quem traz aos mortais e aos deuses aquela sensação de que a vida é só alegria e o mundo é seguro. Não se deve procurar nos acadêmicos ensinamentos teóricos sobre esta velha senhora da humanidade e sim apenas exemplos práticos. Teorias não interessam, pois indicam definição e tal coisa significa um reconhecimento de limites, algo que não se aplica quando a vemos em ação.

“Oi meu amor, me chamo loucura, vem viver comigo!”

Não é assim que ela se apresenta, mas assim ela acaba dominando os que preferem não encarar essa coisa chata e adulta chamada “realidade”. E por falar em realidade, nada mais é interessante para ela do que inspirar os homens na atividade que mais os aliena: a política. Sim meus amigos, é na política onde esta velha senhora mais se diverte e reina.

O que seria da política sem a loucura? Uma coisa sem a paixão ardente das multidões, sem lucratividade para os oportunistas, sem a capacidade de seduzir imbecis, sem a democracia para determinar uma ditadura da maioria manipulada e “qualificada”. A política nada seria sem a loucura. Sem o tempero da loucura, não teríamos a multidão de idiotas úteis seguindo Lula ou Bolsonaro. Não haveria as brigas em redes sociais e em grupos familiares por causa de políticos. É a loucura que faz tudo isso ganhar vida, alma e…. Alucinações! Para dar exemplo, sem a loucura, não haveria a estupidez de crer que Lula e o PT estavam ajudando os pobres em parceria com as figuras da Lava Jato, os Odebrechts e Eikes Batista do mundo sombrio de empresários que vivem de explorar a política, na base do “toma lá, dá cá”. Sem a loucura, os pobres eleitores e seguidores de Lula jamais acreditariam que privilegiando magnatas, a pobreza seria a parte mais favorecida. O mesmo se pode dizer de bolsonaristas que desejam privilegiar entidades religiosas sobre impostos federais, onde empresários atuam disfarçados de clérigos. Não que imposto seja algo justo, não passa de roubo legalizado, mas fazer lobby em favor de quem tem simpatia com o rei… E por falar em imposto, como as pessoas acreditariam que se trata de uma coisa necessária, e até ética, se não tivesse uma boa dose de loucura nessa crença? Sem a loucura na educação do povo, como ficaria a crença de que sonegadores são criminosos? Como inverter valores para punir vítimas enquanto os agressores são preservados?

O que seria da humanidade que prefere um forte analgésico e se recusa a tratar da doença quando os assuntos envolvem política e economia? O homem comum entraria em depressão pensando em resolver os problemas como gente adulta, quando o mais divertido é viver no jardim da infância, quando se foi educado para ser tratado como criança. Nada é mais eficiente que a loucura para aliviar tensões enquanto a ida ao abismo se aprofunda… Quando a “mãe Dilma” decidiu intervir nos reajustes de preços da energia, impedindo aumentos, o que se viu no povo, senão aplausos? Graças a loucura, isso foi possível. Quando chegou a inflação em 2015, foi graças à loucura que aqueles que a aplaudiram não entenderam o que estava acontecendo e continuaram a apoia-la. Como os políticos queimariam recursos como se não existisse limite sob o prazer do povo? Só a loucura torna isso possível. O senhor Thomas Sowell certa vez disse que a primeira lei da economia é a escassez e a política trata de uma atividade onde se ignora esta primeira lei. Vejamos o caso do preço do arroz, um problema provocado pela inflação que o governo promoveu. Sem a loucura, não haveria sentido para que políticos defendessem coisas como tabelamento de preços, controle de exportações e até confisco de armazéns. E claro, sem a loucura, não haveria grande parte do povo que acredita que essas coisas funcionam. É a loucura que faz tudo ganhar “sentido” no mundo de quem pensa que a economia é uma coisa que o governo pode intervir sem graves consequências. Se tirarmos a loucura, então, a política se esvazia e o bom senso e a racionalidade aparecem. Ora ora, as duas coisas que menos interessam aos políticos, meus amigos. Em suma, multidões acreditam que os políticos possam fazer alguma coisa, sem provocar outros danos graves na economia, desprezando ou odiando aqueles que não foram infectados pela epidemia da loucura quando sugerem substituir este bem alimentar por outro com mais oferta.

E como estamos em um ano de eleições, a loucura se torna ainda maior como estrela, fazendo os mais simples acreditarem, por exemplo, que empresários e outros sujeitos debutantes na política estão entrando nessa corrida, assim o fazem sem interesses pessoais, apenas com “boas intenções” e que por isso podem resolver problemas sociais complexos que somente uma divindade poderia dar conta. Não há esperança sem a loucura de crer na na política como um serviço quando na verdade é um jogo de poder para mandar nos outros, gastando o dinheiro alheio.

Sem a loucura, o velho não se converteria em criança, passando o dia fazendo propaganda do político de estimação no “zap”, compartilhando fake news. Sem a loucura, restaria a serenidade dos amadurecidos as as fastidiosas aflições que ocupam os sábios. Sem a loucura atuando no imaginário, não haveria a fé de que o Estado, aquela maior organização de parasitas, tem o poder de promover a educação, o emprego e a renda, tudo “gratuito” e com “qualidade”. Sem a loucura, não haveria o mais simples acreditando que os “benefícios sociais” da pandemia são obras da “graça” divina estatal.

Políticos, louvem a loucura, pois sem ela vocês não poderiam promover a burrice, tampouco enganar o povo.

 

________________

Notas:
  1. Texto inspirado na obra Elogia da Loucura, de Erasmo de Roterdã.

Comentar pelo Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *