Novo na política? Precisa de inspiração? Deseja subir os degraus do poder? Chegar ao topo da fama e da glória? Se você deseja ter sucesso na política, aprenda com Bolsonaro. Ele se juntou a Lula na categoria de mestre, em atividade, vivo, na política brasileira.

O então deputado federal Bolsonaro foi o único que encontrou um caminho viável na brecha deixada pelo petismo, fenômeno de poder que cansou parte significativa da sociedade brasileira. Ele viu a oportunidade e soube tomar proveito político com um discurso que agradou os que se enxergam como “conservadores” (nos costumes) e “liberais” na economia. Não sendo uma coisa nem outra, Bolsonaro triunfou se passando como um autêntico representante das duas camadas de insatisfeitos, o fez com maestria, lembrando uma lição típica de Maquiavel quanto ao saber identificar bem as dores dos revoltados e procurar construir uma imagem de si mesmo os convencendo de uma legitimidade para representa-los, canalizando assim energia para o projeto de poder. Bolsonaro conseguiu o apoio de líderes com diversas aptidões e públicos variados como o ensaísta e filósofo Olavo de Carvalho, assim como o de Leandro Ruschel, um empreendedor e articulista muito respeitado entre os ditos “conservadores”. Chegou até o Nando Moura, um Youtuber com grande alcance popular, para um público menos versado na sofisticação olaviana, e outros formadores de opinião em redes sociais. Moura abandonou o bolsonarismo enquanto os demais ainda resistem na esperança de uma ética sem futuro na política ou seria por algum interesse pessoal? O fato de ter agregado tudo isso de forma competitiva, conseguindo impor ao PT uma concorrência séria, sem os recursos de propaganda “gratuita” em rádio e tv que os adversários tinham, faz de Bolsonaro um mestre na política capaz de sair dos porões, deixando de ser uma coisa de irritante periférico, para se tornar um risco real aos então detentores do poder. Ele venceu, surpreendendo a muitos incapazes de compreender adequadamente como funciona a sociedade brasileira.

Mas o que adiantaria chegar ao poder e bater de frente com forças corporativistas do Estado, cometendo os mesmos erros de Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Rousseff?

No começo, Bolsonaro até que tentou passar uma imagem que cumpriria promessas de campanha, no sentido de não se misturar com a “velha política”, no entanto, o discurso teria que ser abandonado para uma prática que está desagradando os seus eleitores apegados a esperança de uma política (lendária) baseada na ética. Bolsonaro precisou fazer valer o que é a política: um jogo de poder. Muitos dos eleitores de Bolsonaro pensam, ingenuamente, que a política é uma atividade ética, de prestação de serviços, quando na verdade é um jogo onde vencem os piores na difícil arte de permanecer mandando, dando as cartas. Assim ele o fez, se aproximando de figuras tipicamente ligadas à dita “velha política” no Congresso, como os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Em paralelo, nomeou pessoas do agrado do dito “centrão”, balcão onde a direita e a esquerda historicamente negociam no Congresso, no velho toma lá, dá cá. Ele se aproximou de personalidades indigestas nos círculos de direita, como o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, um indivíduo com um forte passado ligado ao PT, como ex-advogado do partido, e ao ex-presidente Lula, que o indicou à Suprema Corte. Recentemente Bolsonaro tratou de indicar ao STF alguém também do agrado da “velha política” do centrão: trata-se de Kassio Nunes, um expert do direito constitucional com um currículo progressista e uma posição muito relativista sobre temas polêmicos tais como o da prisão em segunda instância. Nunes foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff ao cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da primeira região.

Muitos bolsonaristas agora parecem irritados e até decepcionados com Bolsonaro enquanto o presidente está vivendo tão-somente a política real, o mundo concreto dos piores que chegam ao poder, lutando para permanecer e durar no comando do Palácio, negociando com os outros caciques para estabelecer uma “harmonia entre os poderes” onde o povo é tratado mediante uma visão de imbecil coletivo, o mesmo povo das classes C e D que celebra e fica satisfeito com programas sociais que distribuem dinheiro e não tem a menor noção das críticas dos apoiadores de direita contra os conchavos do presidente. Quem recebe ajuda emergencial não está nem aí para o fato de que todos os políticos não passam de farinha do mesmo saco. Fato é que Bolsonaro cresce popularmente na medida em que seu governo distribui dinheiro e nada mais natural que ele sinalize que não vai agradar idealistas e tentar viver utopias que a direita lhe sugere, o que seria um suicídio político no Brasil. Se tiver que agradar mais o corporativismo, assim o fará e isso parece claro em seu mais recente encontro neste último sábado, fora da agenda, cujas imagens nenhum bolsonarista imaginaria que pudessem ocorrer na mais horrenda traição. Talvez ainda sobrem alguns mais dissonantes pensando que se trata de uma “estratégia” ou uma “infiltração” necessária, no mais, Bolsonaro demonstra ser um mestre na política do presidencialismo de coalização, na capacidade de seduzir multidões, enganar, confundir, dissimular, se misturar e se comprometer com o corporativismo. Tais recursos são necessários a quem deseja chegar ao Palácio e conviver bem com a máfia do poder.

Como ele irá agora se dirigir aos eleitores furiosos? Veremos nos próximos capítulos desta trama onde apenas os ingênuos gritam de raiva e os mestres se divertem com os idiotas uteis de seus respectivos currais eleitorais.

Aprenda com Bolsonaro o que é política ou como diz o capitão Nascimento na obra “Tropa de Elite”:

O sistema é foda, parceiro.”.

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