Políticos lidam com problemas complexos demais e que são impossíveis de serem resolvidos por meio dos recursos que possuem na medida das promessas que fazem. Exemplo: Desemprego aumentou muito em uma localidade. Aqui, se trata de um problema comum e por demais complexo, com muitas variáveis de mercado que nenhum ser humano ou grupo de pessoas conhece minimamente bem para poder tratar com uma eficácia mínima segura que as promessas indicam.

No entanto, políticos sabem que precisam dar esperança às pessoas e assim se colocam como capazes de resolverem este e outros problemas por demais complexos.

Na política, nenhuma pessoa que aborde problemas sociais e econômicos de forma séria, com realismo, pode prosperar no longo prazo. Uma pessoa sincera, transparente, encontrará sempre o fracasso no final. Muitos indivíduos bem intencionados anunciam a saída da vida pública quando percebem tais coisas.

Mentir então é uma arte fundamental na política, como instrumento para convencer que seus promotores, os políticos, estão aptos a atenderem às pessoas que pedem que o impossível seja feito.

Quem acredita no impossível será presa fácil para quem vende ilusões. Logicamente, quem acredita no impossível são os que possuem pouco discernimento dos problemas sociais.

Então, não interessa aos políticos que os eleitores tenham discernimento das coisas; não é interessante um público com compreensão mais profunda dos dilemas sociais. O que quero dizer é que na política, quanto mais estúpido for o eleitor, melhor para os políticos. Nenhum político deseja ter eleitores cultos, críticos bem embasados, bem esclarecidos em seu curral eleitoral. Políticos estão incentivados a promoverem modelos de educação que forme imbecis, débeis, alienados; por isso o Ministério da Educação e as secretarias regionais são tão “estratégicos”.

Em suma, a burrice coletiva é um recurso elementar para todo político que queira ser bem sucedido no negócio de vender ilusões.

No entanto, há alguns eleitores ou formadores de opinião mais críticos, ainda que cegos, percebendo certas coisas erradas e então para mentir “bem”, ou seja, de forma mais sofisticada, quase imperceptível, e assim enganar se passando como íntegro, verdadeiro e, sobretudo, “científico”, o político usa de artimanhas explorando cientistas, sociólogos, economistas, com teorias que favorecem seus planos de intervenção, e que não foram comprovadas; mesmo assim são apresentadas como verdadeiras. Faz parte do jogo.

Políticos são experts em combinar estatísticas para manipular eleitores. O povo bestializado fica encantado com quem apresenta muitos dados, demonstrando ter um certo conhecimento, quando na verdade está fingindo ou embaralhando propositalmente as coisas para confundir.

Isso ocorre porque todo político profissional sabe que precisa ter uma argumentação aparentemente “científica” para se basear (ou seja, suas ideias tem que ter ar de ciência), e nada melhor do que um catedrático com teorias para sustenta-las. Por isso que muitos políticos se aproximam de professores, pesquisadores e os tais percebem esse jogo de falsidades e então o exploram, buscando mais prestígio acadêmico; é um “toma lá, dá cá”.

A corrupção partindo das ideias sempre faz parte do jogo. Sem a corrupção, a política definha. Não existe a possibilidade de alguém sobreviver na política sendo o tempo todo honesto.

O político é um vendedor de ilusões, um fraudador contumaz de análises, que se torna bem sucedido quando engana o maior número de pessoas e vence a eleição. Torna-se um sucesso quando permanece no poder.

Na política o que vale é ficar no poder. As ideias servem para conquistar os eleitores e são avaliadas apenas pelo sentimento da massa. Os resultados não têm prioridade nas análises e como quase sempre, não correspondem ao que foi prometido, na mesma medida, são abafados por mais narrativas. Os custos das políticas são, obviamente,  socializados, assim como as responsabilidades pelos maus resultados obtidos, fatores que também incentivam a mentira como uma prática comum. Quando não se responde, na mesma proporção, pelos erros cometidos, e com o agravante de se gastar o dinheiro dos outros, o que restará além de mentiras, meias verdades, subterfúgios e dissimulações nos corporativismos?

Política não é um serviço e sim um jogo de poder. Quem pensa que político é um prestador de serviços, está iludido e será presa fácil para as narrativas. Político luta pelo poder, e só isso,

Muitos políticos sabem dessas coisas e o restante que não sabe (ainda) vive na fase da ingenuidade de que pode fazer alguma coisa virtuosa e que funcione;

Refiro-me aos novatos, cheios de sonhos, delirantes, ingênuos que servem de base de apoio eleitoral para as raposas, os experientes, os veteranos, os piores dos piores, realizarem seus planos de poder;

Os ingênuos que aprendem a mentir e a enganar o povo e se aliam bem com as raposas, então se tornam políticos profissionais com o passar do tempo; viram raposeiros à espreita de novos ingênuos para explorar…

E este ciclo retoma…

 

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1. Escrevi este texto depois de ler nesta manhã (e rir muito durante o café com minha esposa) alguns artigos do competentíssimo jornalista italiano Marco Travaglio, discorrendo com uma sofisticada ironia, a corrupção e a máfia na política italiana. Acabei “abrindo meu coração”  (confesso que se tornará meu texto-resposta a toda pessoa que me convidar para ingressar na política ou trabalhar para político);
2. Eu não tenho ideologia no sentido político público ou seja, não tenho um sistema ideológico para melhor ordenar a sociedade ou melhorar a humanidade através de alguma forma de planejamento central, coisa mais conhecida como “política pública”;
3. No entanto, como um conservador raiz, cristão e austro-libertário, considero a hipótese de que quanto menos intervenção de políticos (e do Estado) na sociedade, melhor, possibilitando que uma ordem natural predomine e o ser humano retome o processo civilizatório de integração voluntária, tensa e madura, com todos os problemas que possamos ter. Explico: aqui no Brasil, políticos têm muito espaço para promoverem intervenções nas sociedades. Possuem também muito orçamento. Quanto mais dinheiro circular no Estado, mais oportunidade para políticos praticarem o inevitável na política: a corrupção. Lendo textos europeus, percebo que os políticos da Europa roubariam do mesmo jeito se tivessem as mesmas oportunidades que os políticos daqui têm;
4. Não acredito no fim da corrupção na humanidade, tampouco na política, mas creio na redução do problema se reduzirmos os poderes dos políticos para legislar e gastar pelos orçamentos do Estado, tirando dos políticos o acesso enorme que possuem ao dinheiro dito “público” (que não existe, na verdade o que existe é dinheiro tomado das pessoas, das famílias);
5. Não acredito na anarquia e sim na “lei e ordem”. Lei baseada mais em usos e costumes (commom law britânica e não a “civil law de franceses/italianos/latinos*), e acredito na ordem natural com base na liberdade com responsabilidade. Acredito na propriedade privada com fundamento no direito natural. Semana passada, mencionei aqui trechos da Rerum Novarum, onde o Papa Leão XIII dá uma aula de direito natural para justificar a propriedade privada. Ali está uma base de meu jeito de pensar e de meus valores, embora eu não seja católico romano.

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