Revisado em 22/11/2020 [a]

Friedrich Engels em  “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” [1], se referindo ao período imediatamente anterior à “revolução neolítica”, com base na obra “A sociedade primitiva”, de Lewis Morgan [2] e em notas de Karl Marx, discorre sobre a vida em poligamia entre homens e poliandria entre mulheres, uma era da onde toda mulher estava sujeita a ter relações sexuais com todo homem e vice-versa. Afirma Engels, sobre este período, que “os filhos eram considerados como pertencentes a todos”.

No entanto, é consensual entre estudiosos que a humanidade entrou em um processo espontâneo ou natural de abandono do “sexo livre”; prefiro chamar de “fim do comunismo sexual” até adotar formas de organização ainda na esfera tribal baseadas em vínculos de sangue, com a determinação de parentesco sendo feita, inicialmente, através da identificação prioritária da mãe, inaugurando assim uma concepção matriarcal até se chegar em um regime privado ficando cada vez mais restrito até se tornar monogâmico.  Cabe aqui citar Roland de Vaux, no Capítulo I da obra “Instituições de Israel no Antigo Testamento”, onde o erudito católico afirma que “o matriarcado é um tipo de família muito mais comum nas sociedades primitivas” e que “a criança (no matriarcado) pertence à família a ao grupo social da mãe” [3].

Por que ocorreu a gradual transformação de um “comunismo sexual”, passando por formas distintas de matriarcado, fatriarcado e patriarcado, chegando ao conceito de família, como o conhecemos atualmente? Hoppe em “Uma Breve História do Homem”, parte da essência do problema malthusiano da superpopulação para desenvolver uma teoria sobre o surgimento da família. O instinto humano sexual de reprodução teria se relacionado economicamente com o instinto de sobrevivência. Partindo então do “princípio da população” [4] em Malthus, que versa sobre a taxa populacional crescendo em progressão geométrica, enquanto os meios de subsistência, em proporção aritmética, o que seria uma explicação para um provável colapso iminente. Se Malthus foi desacreditado depois, pela realidade da revolução industrial, o princípio por ele apresentado serviu de referência para Hoppe considerar que em tempos primitivos  o agente humano estava em uma relação exclusivamente passiva com a natureza, como nômade coletor e caçador, enquanto o crescimento populacional era uma constante ameaça à vida comunitária. Naturalmente foi se tomando ciência de que o “tribalismo sexual” se tornou insustentável, na medida em que os filhos envolviam questões comunitárias (tribais). Afirma o filósofo libertário que “do ponto de vista puramente econômico, então, a solução para o problema da superpopulação deveria ser imediatamente aparente. A propriedade das crianças, ou mais corretamente, a administração das crianças, deve ser privatizada”. [5].

O processo de privatização dos filhos veio acompanhado de delimitações de ordem social. Voltando ao trabalho de Roland de Vaux, cabe mencionar o termo “solidariedade familiar” (“go’el“) na organização que se tornou evidente, levando em conta o contexto israelita; o conceito é de que membros da família devem “uns aos outros ajuda e proteção” [6].  Na cultura se evidencia o “go’el“, o protetor; o termo em hebraico vem de uma raiz que significa “resgatar, reivindicar” ou “proteger”, de forma mais fundamental. A família, no Pentateuco, está definida em uma ordem heterossexual rigorosa, evidenciando um modo privado ainda mais restrito, pela síntese: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gênesis 2.24). O incesto, o homossexualismo, a bestialidade são práticas proibidas em um mundo conceitual e cultual Sacerdotal “altamente racionalizado e ordenado, e, todavia, precário e exposto a perigo” [7].

O surgimento da família foi uma consequência da falência de um primitivo modelo social de comunas, onde as crianças ficavam aos cuidados de todos na tribo, com as responsabilidades de subsistência socializada ao extremo, porém, a explosão populacional teria forçado um modelo de controle de natalidade e de atribuições de uma nova ordem social, que seria privada para a responsabilidade para com os filhos. Um núcleo de gestão menor, descentralizado, pautado em responsabilidades por laços de sangue. Surgiram então lares independentes, com as crianças derivadas da nova organização com ênfase matrimonial, aos cuidados de genitores, iniciando assim as famílias com base no referencial da mãe em um primeiro momento, e depois, de modo ainda mais restrito, sob poligamia até se chegar na monogamia, a forma mais “privativa”, digamos, de organização familiar patrimonial, quebrando o paradigma do lar unificado tribal, por outro delimitado, privado. A figura do “pai” responsável pela família, foi um processo derradeiro de consolidação da “célula mater” da sociedade. Com o papel paterno definido pela sociedade baseada em famílias (privatização da prole), a humanidade encontrou um caminho para construir o que hoje é chamado de civilização. Esse processo se deu na transição do nomadismo para o sedentarismo, com o desenvolvimento de tecnologias que deram origem à agricultura, até o desenvolvimento da vida urbana em formas rudimentares de manufatura.

Em outras palavras, a família é a mais antiga forma de propriedade privada socialmente convencionada, dando as bases para o surgimento de “terras privadas”, assim sugere Hoppe [8]. Sem família, não haveria o que se chama de “capitalismo”, como o conhecemos, considerando ser a propriedade privada a base deste modo econômico de produção e organização cooperativa entre seres humanos. Foi o caminho que a humanidade trilhou para o que se entende por civilização em meio a um avanço na condição da mulher perante o homem. Uma forma básica de organização de propriedade privada e não é por acaso que comunistas modernos a têm no alvo, assim como todas as instituições que a defendem. O que esquerdistas almejam é destruir a liga que a família produz na conservação da propriedade privada e no que se convencionou chamar de “capitalismo” entre a massa, para atacar o núcleo da propriedade privada em sua mais importante base de organização social em termos éticos e econômicos. A família representa delimitações claras, objetivas, de direitos e deveres que implicam em responsabilidades contratuais com base em ligações por parentesco e/ou afetividade, não sendo necessariamente uma junção pelo vínculo de sangue, mas de afinidades sempre remetendo indivíduos às responsabilidades contratuais, envidando vetores que definem a preservação de meios privados, bens de capitais, através de um desdobramento inevitável da organização: a herança que os pais deixam para seus descendentes, o ponto crítico que comunistas querem erradicar da face da terra.

Porém, e este “porém” é por demais importante de ser compreendido, o fato de comunistas estarem determinados a destruir a prática da organização familiar que preserva a propriedade privada, não significa que pensem assim quando estão tratando de seus próprios interesses e de suas próprias famílias. Comunistas sabem que acima do poder econômico está o político, ou seja, a capacidade de dar ordens às massas e de tais ordens serem cumpridas. Para isso, precisam dominar a lógica no jogo de poder, e a família que é o alvo, vira instrumento essencial entre eles, pois é preciso ter a preservação de uma ordem dinástica, tanto do ponto de vista político, assim como de natureza econômica, mantendo a regra da herança para si mesmos, e apenas a si mesmos. a degeneração do valor “família” é para a massa que será manipulada; para os que pretendem  governar é essencial preserva-la. No antigo Império Romano, escravos e cidadãos comuns eram incentivados a uma vida de promiscuidade que servia para impossibilitar qualquer chance de organização familiar. Por isso que não é à toa que líderes de regimes políticos mais impactantes e grandes agentes econômicos aliados às maiores pautas socialistas e globalistas, estabelecem estruturas muito bem fixadas em uma ordem um tanto familiar de sucessão da herança. Basta observar a dinastia socialista na Coreia do Norte, o poder preservado pelos irmãos Castro em Cuba e as tradições de filhos de políticos em inúmeros culturas pelo mundo. Não é surpreendente que elites políticas querem arruinar células familiares no intuito de implodirem estruturas de propriedade privada, mas apenas dos outros, digo, da massa de seus governados, e não as deles, obviamente. Neste intento perverso de degeneração social, tudo o que provoca abalos na organização familiar é incentivado, sobretudo através de “políticas públicas”, em nosso tempo de estado democrático de direito, por legislação e, sobretudo, pelo aparelhamento do judiciário, envolvendo reconhecimentos jurisprudenciais para “novas” formas de relações (que são, na verdade, primitivas) envolvendo poliandria e poligamia, o que atualmente ganhou o rótulo de “poliamor”, e o que me parece recente, como “ideologia de gênero”. Na guerra cultural, comunistas ocupam espaços no judiciário, como promotores e juízes, até mesmo para legislar quando os legisladores estão atrasados no propósito de estatizar cada vez mais a sociedade.

O estímulo ao “sexo livre”, mais uma vez, consiste no diversificado leque comunista na guerra contra tudo que fortaleça o sentido privado, onde a família é a principal chave na sociedade composta por propriedades separadas. Hoppe, citando Ludwig von Mises: “mesmo que uma comunidade socialista traga o “amor livre”, ela não tem de maneira alguma como trazer “nascimentos livres” [9].  Ou seja, o “amor livre”, o “sexo sem compromisso”, tem consequências naturais implicando no problema da procriação e seus custos, suscitando questionamentos que estão na essência da problemática malthusiana, o que teria sido, em tese, causa da falência do comunismo primitivo em torno de dificuldades de comunidades tribais onde os filhos representavam  enormes custos socializados. Família significa uma ordem de responsabilidades e mútua proteção entre membros. Isso implica em aspectos morais e econômicos em células que formam o tecido social baseado em responsabilidade delimitada a partir da “revolução neolítica”. Aqui me lembro de um termo que me chamou bastante atenção nos tempos de seminarista: A família, no contexto bíblico israelita, requer o “go’el”, ou seja, o líder protetor, “pai” ou o “chefe” para assumir a gestão e as responsabilidades compartilhadas por uma instituição de descendentes, ou seja, remete a uma forma de ordenamento com base em responsabilidades individuais e coletivas dentro de espaços determinados (privados) que se perpetuarão por filiação parental; trata-se de uma cosmovisão que se choca com a ética socialista da coletivização, seja em torno de um aparato estatal, seja na forma de “comunas”, no contexto primitivo.

Não é fácil destruir, mesmo entre governados regidos por um processo de alienação tão acelerado como se observa na atualidade, a prática de uma instituição arraigada sobre o agente humano pautado por instituições tradicionais (cristãs entre outras) que, mesmo aparelhadas, resistem fortemente ao processo de destruição da propriedade separada (família), e então, em meio à  “guerra cultural”, qual seria o procedimento “legal”, através da principal ferramenta de controle social – o estado democrático de direito – de maneira que se encontre um meio politicamente correto, na ótica estatista democrata, para descartar o maior efeito natural do “sexo livre”, sem base no parâmetro familiar? Qual o instrumental para estimular uma conduta fora das responsabilidades que os tradicionais vínculos privados e familiares estabelecem? A disseminação do aborto é uma forma mais agressiva, deliberadamente banalizada para fazer com que a irresponsabilidade sobre consequências naturais do “sexo livre” se torne massiva e degenerativa na ordem moral da sociedade baseada em células (privadas) sob separação de responsabilidades. O aborto é um instrumento para fazer fluir na sociedade o sexo livre e a irresponsabilidade extrema para degenerar mais rapidamente o tecido social, o tornando mais ainda a mercê de controles sociais, onde a política tem o maior interesse.

A militância pelo aborto induzido na mentalidade revolucionária socialista não se trata de um esforço “humanitário” ou necessariamente “médico”, de almas caridosas supostamente preocupadas com a figura da mãe solteira, especialmente quando diante de dificuldades para cuidar da criança ou em uma situação de risco de morte da gestante; abortistas banalizam o assassinato de seres humanos no ventre para estimular o “sexo livre”,  reforçando a ferramenta de enfraquecimento de práticas familiares que contrariam o “comunismo sexual”. Abortistas querem forjar uma geração de indivíduos hiperirresponsáveis, hedonistas ao extremo, enquanto prevalecer o paradigma de famílias e filhos em uma ordem privada. O aborto poderia deixar de ser relevante se conseguirem transferir para um aparato coletivo, comum, a administração do que hoje cabe às famílias, envolvendo os filhos? O aborto tende a virar uma política de estado ou uma ferramenta para amenizar os efeitos de uma sociedade avessa à produtividade e dada a planejamentos centrais (socialismo). O estado é a via nesse intento para um retorno ao modo primitivo onde comunistas propagam o aborto induzido de forma massiva operando em duas vias que colaboram para a destruição do tecido familiar, manipulando elementos ético da vida com consequências da natureza sobre a condição humana. A questão do estupro então serve de ponto de apoio para a defesa da prática do aborto de forma conveniente. Vale tudo neste jogo macabro da ofensiva cultural e legalizar o assassinato de bebês, no subterfúgio do “direito” da mulher escolher o que fazer com o seu próprio corpo, e decidir se um inocente deve viver ou não, como se a vida que segue no ventre fosse totalmente coisificada, desprezível, descartável, sem valor em teor humano.

No entanto, o abortismo ajuda a esconder um outro problema: a dupla responsabilidade de quem provocou a situação onde o aborto se tornou uma questão médica para preservar uma das vidas envolvidas. Em situações extremas, onde a gestante corre risco de morte na gravidez, considerando aqui um caso de uma criança de 12 anos, o aborto demanda um procedimento médico e impõe uma decisão complexa que exige uma ética por demais refinada; força a uma escolha necessária quando uma das vidas envolvidas será ceifada. Digamos uma criança de 12 anos que tenha sido submetida a um aborto. Escolhas médicas que são dramáticas para profissionais à semelhança de ocorrências em plantões de urgência que estão abarrotados, sem vaga, ou em guerras e catástrofes onde o médico entra no universo de prioridades envolvendo a qual vida tratar. A situação de uma gestante sob elevado risco de morte se a gravidez prosseguir demanda o procedimento de aborto, contudo, tal decisão que carece de ser amparada em parecer médico, não anula, evidentemente, o fato aborto. Quem respondera por uma vida inocente ceifada por uma necessidade indicada em parecer médico? Penso ser o responsável pela gravidez, o estuprador da criança que deveria ser criminalizado pela pedofilia, assim como pelo aborto, em tratamento judicial análogo a de um homicida.

Este debate não tem espaço entre abortistas porque o foco não está no respeito a dignidade das vidas humanas envolvidas. Além do aspecto moral, bioético, penso: quando quebramos o ciclo natural da vida nos seus ambientes nativos, ficamos sujeitos a consequências que não temos condições de medir, mensurar. Quando poluímos rios, mares, desmatamos florestas, a natureza reage.  Muitos “defensores da natureza”  chamam a atenção para consequências graves de tais intervenções humanas provocando “desequilíbrio ambiental”, como designação do homem agindo indiscriminadamente no meio natural, em face de que a natureza demonstra ser um sistema de partidas em que toda ação ocasiona em uma reação. Na espécie humana seria diferente?

Embora muitos sejam vistos concomitantemente defendendo pautas ecológicas, de forma contraditória, a meu ver, são abortistas que agem como se o ser humano não fizesse parte da natureza, como se o aborto não fosse uma violação de uma ordem natural. Ficam com o que lhes é mais interessante: violar a propriedade privada, no caso em um dano irreversível da mais preciosa de todas as posses: a vida. É o mesmo ser humano que diz defender a natureza e se porta como se fora Deus, se achando no direito de decidir soberanamente quem deve nascer, viver ou morrer.

Abortistas também demonstram uma contradição sobre a difícil situação de mulheres que abortam em função de graves danos físicos e psicológicos [10]. Somos pequeninos diante de tais reações enquanto variáveis dentro da lógica da natureza. Todo abortista comete o erro fatal de banalizar uma relação profunda com o grande mistério que nos torna humanos, filhos de um milagre chamado vida e o sentimento profundo de quem um dia passou pela experiência de uma gestação.

A solução para evitar que se chegue ao aborto induzido está posta na história da civilização: a família, a última trincheira contra esta ofensiva progressista/socialista, como núcleo essencial para uma sociedade de indivíduos determinados a assumirem suas responsabilidades como seres morais sujeitos às leis da  natureza avessa ao “comunismo sexual” dos primitivos. Aqui o termo família se aplica a todos relacionamentos afetivos que ocasionem em um contrato entre duas pessoas, um termo independente de serem de sexos diferentes, visando garantir aos seus membros a perpetuação da propriedade privada (herança)que compartilham livremente, assim como o acesso a normatizações que são advindas desde o direito natural.

Por fim, a militância do aborto é um esforço de engenharia social para desconstruir responsabilidades tradicionais da privatização advinda da cultura familiar, visando inserir em seu lugar um relativismo humanamente inaceitável, em favor do estabelecimento de um projeto político e revolucionário de poder que transforma seres humanos em coisas sem qualquer potencialidade de autonomia, liberdade e responsabilidade. O abortismo é o ponto mais elevado da política na coisificação da espécie humana.

 

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Notas:
a. Algumas revisões textuais sem modificações relevantes e a inclusão de uma reflexão para casos em que se implica uma decisão médica onde uma das vidas envolvidas corre risco de morte e outra sobre o conceito de família;
1. Der Ursprung der Familie, des Privateigentums und des Staates. Página 38;
2. Etnólogo e evolucionista americano (1818-1881);
3. Instituições de Israel no Antigo Testamento, Ed. Teológica, 2003. Página 41.
4. Apresentado por Thomas Malthus (1766-1834) na obra “Ensaio sobre o princípio da população”.
5. Uma Breve História do Homem. Ed. LVM, 2018. Página 70.
6. Na obra mencionada na nota 3, página 43.
7. Introdução Sócioliterária à Bíblia Hebraica, de Normam Gottwald. Ed. Paulus, 1988. Página 445.
8. Na obra mencionada na nota 5, página 71.
9. Na obra mencionada na nota 5, página 69.
10. Saltenberger, A. (1982). Every Woman Has a Right to Know the Dangers of Legal Abortion. Air-Plus Enterprises, Glassboro, NJ.  –  Frank, P.I. (1985). Induced-Abortion Operations and Their Early Sequelae. Journal of the Royal College of General Practitioners 35(273):175-180.; Grimes, D.A. and Cates, W., Abortion: Methods and Complications, Human Reproduction, pp. 796-813.; Freedman, M.A., Jillson, D.A., Coffin, R.R. and Novick, L.F. (1986). Comparison of Complication Rates in 1st-Trimester Abortions Performed by Physician Assistants and Physicians. American Journal of Public Health 76(5):550-554. Ney, P.G., Fung, T., Wickett, A.R. and Beamandodd, C. (1994). The Effects of Pregnancy Loss on Womens Health. Social Science & Medicine 38(9):1193-1200.; Badgley, Caron and Powell (1997). Report of the Committee on the Abortion Law, Supply and Services, Ottawa.

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