TEMOR DE INFLAÇÃO NOS EUA ENCARECENDO JUROS SOBRE OS TÍTULOS DO TESOURO E DERRUBANDO MERCADOS – O receio de uma maior inflação nos EUA está forçando para cima os juros dos títulos americanos (US10Y) sinalizando piora de expectativas dos investidores sobre efeitos dos “estímulos” do Federal Reserve alegados em função da pandemia, considerando um agravamento fiscal por um novo pacote (administração Biden, US$ 1,9 trilhão) que forçará mais impressão de dinheiro e endividamento. Este receio está potencializado nos mercados acionários (bolhas) que podem passar, nas próximas semanas, por um forte ciclo de perdas. Entre a expectativa e o fato: a última divulgação sobre o PCE acumula 1,5% a.a., abaixo da meta de 2% do Fed.

RISCO DE INFLAÇÃO ACELERAR PARA DOIS DÍGITOS NO BRASIL – A inflação no Brasil, IPCA 4,56% a.a. até janeiro/21, segue chamando a atenção juntamente com a política expansionista do Banco Central do Brasil (BCB) que no ano passou acelerou o crescimento da base monetária (destaque A). O IPCA-15 de fevereiro/21 veio com 4,57%, acima dos 4,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Considerando uma economia sob uma for pressão do endividamento público consolidado em 89.7% do PIB, as fragilidades do real frente ao dólar americano mesmo mais inflacionado, e o potencial de atração das commodities para os mercados externos, pressionando o câmbio, ainda considerando o aumento do endividamento bruto na expectativa do novo auxílio emergencial e o terceiro fator de risco, embora seja ainda mínimo; a combinação da não observância a limites de gastos, a não revisão da política monetária expansionista do BCB e a não retomada da produtividade para cobrir a demanda doméstica são fatores que implicam no aumento do risco do IPCA chegar a dois dígitos, pelo menos em 2022.

TERCEIRA ONDA DE COVID-19 NA EUROPA E QUEDA NA OFERTA DE VACINAS ADIANDO RETOMADA DA ECONOMIA – A terceira onda de covid-19 na Europa insere, no centro dos debates políticos uma maior pressão sobre o dilema entre adotar mais restrições e/ou confinamentos (lockdowns) ou partir para política de reabertura com a convivência do vírus, em função do maior temor de colapso das economias, levando junto os sistemas de saúde. . Ainda não há sinais de uma política mais flexível pela convivência com o vírus enquanto se desenvolve a vacinação em massa de forma comprometida com as dificuldades dos fabricantes em cumprirem as metas de oferta. O recente plano anunciado pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, de finalizar restrições até 21 de junho, está mais baseado em condicionante pouco consistentes e menos em fatos. No entanto, o plano de Johnson é o primeiro com metas de reabertura definidas com objetividade e, considerando um clima de competição política mais acirrado com a conclusão do Brexit. é razoável estimar que líderes da União Europeia, pretendendo dar uma resposta aos cidadãos que aguardam por reaberturas, apresentem algo semelhante, envolvendo também o tema do “passaporte sanitário” para tentar operacionalizar a circulação de pessoas face ás pressões dos setores de comercio e turismo. No entanto, o atraso das vacinas e a insistência nas restrições  quanto ao dilema pela convivência estratégica,  são fatores que implicam no aumento do risco de adiamento da retomada econômica do velho continente, trazendo impactos na economia brasileira.

SEGUNDA ONDA DE COVID-19 NO BRASIL, RISCO DE COLAPSO EM SERVIÇOS DE SAÚDE, RECESSÃO EM 2021 E TOTAL CONVERGÊNCIA DE BOLSONARO AO POPULISMO –  A segunda onda de covid-19 no Brasil vem com uma variante local que aumenta as dúvidas sobre a eficiência das vacinas autorizadas em meio ao crescimento de casos (MonitoraCovid-19 em 28/02/2021 14h40) com o retorno da adoção de confinamentos, desta vez parciais e por faixa de horário (noturno) em localidades mais afetadas, seguindo modelos adotados na Europa. Quanto ao risco de colapso na oferta de UTIs, chama a atenção esta nota da Fiocruz: “De acordo com dados apurados em 22 de fevereiro no documento, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos revelam o pior cenário já observado, inclusive pela sua dispersão no país. Em síntese, são 12 estados e o Distrito Federal na zona de alerta crítica (≥80%) e 17 capitais (que concentram recursos de saúde e também populações) com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos de pelo menos 80%.”. O aumento da taxa de ocupação de UTIs, expondo o SUS a um iminente colapso, com um cenário fiscal crítico, inflação pressionada, governos locais adotando mais restrições, diminuindo a circulação de pessoas, ainda considerando o ritmo lento da vacinação e a falta de um mínimo consenso entre governos locais e o federal, me remetem a questões que indicam um aumento do risco de a economia brasileira sofrer uma recessão este ano e não uma recuperação em “V”, como esperado pela equipe econômica do governo.

O bimestre março-abril pode dar o tom para o restante do ano. Com o fim da ameaça de impeachment e um melhor relacionamento com as presidências da Câmara e do Senado, é possível que o governo federal consiga melhorar um pouco o crítico quadro de ações (não realizadas ou pífias) que vem tomando na administração da pandemia. O perigo de Bolsonaro consolidar sua ida ao populismo não está descartado, com o agravamento das pressões sociais e as dificuldades com a liquidez do estado, visto o ensaio que realizou no início da semana sobre questões na Petrobras; ocorrendo, seria o desmonte da equipe econômica de Paulo Guedes como algo factível e a possibilidade de uma gestão ainda mais militarizada na sombra dos anos 1970, preparando o país com doses analgésicas de “estímulos” e intervenções mais estatizantes na economia que, inevitavelmente, incidirão em graves danos com inflação e recessão nos anos seguintes, como ocorrera nos anos 1980.

Os quatro principais fatores de risco mencionados concentram um maior potencial de dados, a meu ver, olhando para o cenário da economia brasileira, quando analisados em comparação com a Europa, os EUA (onde o volume de hospitalização vem caindo na medida em que a vacinação avança) e a Ásia, este último sinalizando estar em melhores condições no momento, do ponto de vista da adaptação ao vírus, levando em conta a capacidade muito maior para atrair investimentos, em especial a China.

 

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