05/03/1980 e 12/03/1980

A união conjugal é conhecimento; não diz respeito a uma aceitação passiva onde o outro é mero objeto e sim como participante do jadac [1] (“conhecimento”)  do homem, ser humano, varão e mulher, de um pelo outro para uma descoberta mais profunda do significado do corpo. No ato sexual  o homem (masculino e feminino) entra em um nível mais profundo de humanidade. Em um primeiro momento estava só, em seguida foi agraciado com a companhia humana feminina sendo assim possível naturalmente conhecer um significado mais intenso da experiência de humanidade na união em “uma só carne”. Trata-se de um conhecimento mais avançado da pessoa humana se descobrindo como “esposo” e “esposa”.  Tal conhecimento condiciona a procriação como potencialidade particular do organismo feminino. No Gênesis, as palavras dão testemunho no primeiro nascimento, de tudo o que se pode e deve dizer da dignidade da geração humana.

26/03/1980 e 02/04/1980

Homem e mulher no conhecimento da união conjugal, possuídos ambos pela humanidade, nessa experiência, se veem diante da geração de um ser semelhante, um filho, enquanto Deus os revela como detentores de um mandato (“sede fecundos e multiplicai-vos”, Gn 1.28) dentro do mistério da criação, o que pode ser entendido como posse, mas seria um equivalente bíblico para o eros? A posse se relaciona à primeira parte do mandato do Gn 1.28 no ciclo do *conhecimento-procriação* e não à transformação da mulher em objeto para o homem e vice-versa.

Com o pecado, o ciclo do conhecimento-procriação foi submetido à lei do sofrimento e da morte, permanecendo o significado da união matrimonial em “uma só carne”, *conforme o apelo de Jesus Cristo ao “princípio” (Mt 19.3) diante dos fariseus acerca do questionamento sobre o divórcio como ato lícito na Lei de Moisés, a resposta de Cristo os contraria na concepção de que não separe o homem o que Deus uniu, refletindo uma compreensão que envolve uma “visão integral do homem”. Esta é a resposta de Cristo inclusive a um questionamento contemporâneo acerca do sacramento do matrimônio diante do divórcio. Para quem busca no matrimônio o caminho da salvação e da santidade, a resposta de Cristo aos fariseus é particularmente importante na teologia do corpo para o conteúdo de sua vida  na vocação sob uma profunda consciência do significado do corpo na sua masculinidade de feminilidade considerando um contexto de uma civilização sob pressão de um modo de pensar e julgar materialista e utilitário.* A “redenção do corpo” mediante o matrimônio vai além do que a biofisiologia contemporânea pode explicar de forma tão precisa acerca da sexualidade humana, pois tem a Palavra de Deus como fonte para a dignidade pessoal do corpo humano e do sexo.

 

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Nota:
  1. Não se trata de um conhecimento meramente intelectual, mas também de uma experiência concreta.

 

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