O mundo da competição extrema que permeia as relações humanas se revela como tentador para quem entende que a vida é um jogo de comparações de uns com outros, no sentido de quem é ou está “melhor “ou pior do que “alguém”. Dentro dessa visão de mundo, as redes sociais funcionam como grandes catalisadores de auto afirmações, na ilusão de que o sucesso na vida deve ser trombeteado, exaltado, como se tivéssemos que nos submeter a um desfile de egos com demonstrações de força, poder, sobretudo nas formas mais convencionais de consumo como ostentação. O extremo disso se revela na armadilha de que para encontrar paz comigo mesmo, tenho que, constantemente, “provar”, a mim mesmo, e sobretudo aos outros, que sou ou estou “melhor” do que determinadas pessoas.

É evidente que ter boas referências na vida é sempre algo muito importante e para isso é necessário saber filtrar e fazer comparações entre pessoas, no entanto acredito que isso seja sadio em um sentido de que, ao ceder admiração por alguém, posso encontrar alguma fonte de inspiração para seguir adiante em meio a dificuldades naturais no viver. *Reconhecer qualidades nos meus semelhantes passa então a ser um importante exercício de aprendizado sobre a importância de ceder admiração e, ao mesmo tempo, buscar grandes referencias em pessoas que admiro.

Partindo de boas referências, posso então começar a perceber a importância do hábito de fazer comparações comigo mesmo, refletindo se hoje me situo em um caminho de valores, crenças e atitudes que me permitem estar em condições morais e intelectuais mais saudáveis do que as que vivenciei ontem ou em algum determinado momento que entendo ter sido importante no passado. Para isso preciso olhar para as minhas raízes, buscando saber com maior precisão de onde vim, o que fiz, onde errei e acertei, onde estou e para onde aparentemente estou indo, pois neste último aspecto nunca saberei por completo o que se passa exatamente em minha jornada terrena.

Então penso em fazer um mergulho agostiniano nas coisas que aconteceram em minha vida, onde poderia aprender mais na medida em que medito se os erros que cometi, no passado que rememoro, estou conseguindo evitá-los hoje. Perguntas interessantes podem surgir do tipo se ética, emocional e moralmente apresento alguma evolução como pessoa, em comparação com o que fui anos atrás, se consegui acumular mais conhecimentos e, sobretudo, se estou apto a aplica-los da melhor maneira possível, sendo uma pessoa melhor na cooperação social. Se ao olhar o histórico sobre quem eu era, o que consegui fazer, aprender e realizar, pesando falhas cometidas, sabendo que novos erros serão inevitáveis….em suma, vejo que procurar saber se hoje sou uma pessoa melhor do que ontem vai importar mais do que viver me comparando com os outros.

Evitar comparações com os outros e procurar investir mais em mim mesmo, buscando uma auto crítica destemida confiante na fé como uma atividade constante, me parece então algo bem mais significativo e espiritualmente edificante se realmente desejo alcançar uma maturidade à altura da velhice física que estou recebendo pelas irrevogáveis leis naturais.

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