Após mais um encontro semanal de meu amigo de infância com o Papa João Paulo II, enquanto ouvia Chopin tocado por Martha Argerich (Argentina/Buenos Aires, 1941) e a Orquesta Sinfonia Varsovia, algumas ideias inspiradas após leituras desta obra feitas nesta bela tarde de domingo.

A obra [1] é de um realista que destrincha a natureza do poder, evidenciando-o com a tendência de aumentar continuamente. Também discorre sobre como a democracia não conseguiu impedir o aumento deliberado do poder político assim como a sofisticação de seu exercício popular explorado pelas elites.

1. Muitas práticas de representatividade hoje apresentadas como coisas da “democracia moderna” já existiam no Império Romano  e fizeram parte do legado que passou pela Idade Média até ser expandido nos estados modernos a partir da Revolução Francesa;

2. A política enquanto “pública” (no âmbito do estado) é uma atividade realizada por especialistas em tomar proveito da inveja e das frustrações, visando a reunião de apoio das “pessoas comuns” convencidas de uma vantagem comum em apoiar um determinado político e/ou esquema de poder onde se estabelece a confusão de interesses pessoais com o que os eleitores entendem por “bem comum”;

3. A crença em um “bem comum” passa então a servir de armadilha para onde os eleitores ingênuos correm atraídos no negócio da política como meio de tornar suas expectativas realizáveis na forma de uma esperança socializada;

4. A busca desse “bem comum” segue retroalimentando o jogo no tabuleiro do poder onde os “representantes do povo” operam, prioritariamente, para se manter (reeleição) e ampliar o próprio poder, ficando o “bem comum” como ferramenta para o discurso;

5. A representação do povo vai se deteriorando na medida em que o poder de representantes vai aumentando na democracia, a forma mais sofisticada de disfarçar modelos de coerção e o jogo de interesses da política;

6. O termo “povo” deixa de ter um sentido virtuoso de pessoas reunidas por laços culturais e virtudes pelo bem comum, quando um político percebe que a política é um meio para representar mais a si mesmo e alguns de seus mais próximos, e menos o que se entende por “povo”;

7. Os eleitores que depositam esperança na política e nos políticos acabam caindo na armadilha ignorando o fato de que o agente humano é um ser individual antes de ser um agente social e tende a tomar mais decisões influenciado por seus próprios interesses e menos pelo que se acredita ser de “bem comum”;

8. A fé que muitos depositam em políticos e na política tende a aumentar  com o desespero, a angústia, o temor sobre o amanhã, a inveja e o desejo por soluções “rápidas” e “fáceis” temperando sentimentos de massa canalizados pelos políticos que manipulam as pessoas em torno dessas expectativas;

9. Políticos prometem o impossível e mentem como ferramenta de um negócio onde as responsabilizações ficam comprometidas pelo corporativismo do estado e das relações do capitalismo de laços; os danos são totalmente socializados. A socialização dos danos atrai os piores da sociedade para a política e a percepção desse problema pelo homem comum tende a ser ofuscada; haverá uma tendência do sistema político buscar base de apoio em padrões ou concordâncias que são menos complicadas de serem obtidas entre os que não possuem muito discernimento dos problemas mais complexos da sociedade e assim se abre o caminho para que os piores cheguem ao poder, aqui lembrando Hayek [2] e Thomas Sowell ao perceber que a política busca o contínuo aumento do poder no desejo que se tem por coisas impossíveis onde só os mentirosos conseguem satisfazer os que assim desejam.

 

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Notas:
1. ON POWER: The Natural History of Its Growth, de Bertrand de Jouvenel (França/Paris, 1903-1987);
2 Por que os piores chegam ao poder em “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek(Áustria-Hungria/Viena, 1899-1992).

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