Política, termo que é pedra de escândalo (tropeço) em quem o aplica sem a precisão adequada. Coisa essencial, desde as mais diversas organizações privadas ao âmbito estatal, sem entrar no mérito de virtudes e falhas, na sua aplicação, que deformam a sociedade.

Entre tantas possibilidades  aqui penso em uma específica, no contexto da presente pandemia para uma sociedade ainda muito distante de indicadores de população vacinada de países como Israel, Inglaterra e EUA, assim como muitos outros europeus e asiáticos, que parecem caminhar à normalidade na medida em que se aprofundam na vacinação, eis que no Brasil, no meio da segunda onda e, aparentemente, desejando chegar logo à terceira, onde há quem despreze o luto e um maior esforço concentrado pelo avanço da vacinação, multidões partidarizadas se aglomeram para fazer política de adoração a político. No lado bolsonarista, engrandecer quem se recusa a reconhecer a historicidade do uso das vacinas como instrumentos eficazes para superar epidemias, cujo governo apostou a saúde dos assim chamados “tutelados pelo estado”, até o início deste ano, em uma teoria de imunidade natural de rebanho que, infelizmente. não se comprovou, cobrando a vida de 486 mil, deixando um rastro de terra arrasada para  familiares e queridos.

Olhando para a política que se aproveita das aglomerações para fins duvidosos, onde claramente se vê uma campanha eleitoral mais de um ano antes do início legal, então percebo uma importante utilidade para essa “arte do possível”: a política, entre tantas: serve para me dar subsídios para que se tenha uma ideia mais precisa do nível de (ou a ausência de mínima) inteligência de certos indivíduos que têm como cultura ter político de estimação e cometer atos de insanidade ou irracionalidade que desafiam os mais prudentes experts na análise de fenômenos políticos e sociais. Em outras palavras, poucas coisas são tão úteis como a política para atestar a estupidez; quando me deparo com alguém exaltando político, tenho um preciso indicador do nível de inteligência dela.

Se tem outra coisa que aprendo frequentemente com a história é que a carência de lógica, a pobreza de coerência e a escassez de bom senso não têm ideologia; da direita bolsonarista sem máscara, negacionista da gravidade do vírus, à esquerda negacionista da corrupção de petistas e aliados, que se aglomera para pedir impeachment enquanto diz defender a “ciência”, todas evidenciam uma forma de burrice estimulada, no caldeirão social das multidões manipuladas como principal ingrediente a ser explorado (é sempre assim!) que definirá o vencedor das eleições presidenciais  de 2022, cuja polarização Lula versus Bolsonaro evidentemente é proposital, dentro de uma estrutura eleitoral sendo mais um clássico exemplo do que Hayek minuciosamente analisa no capítulo X de “O Caminho da Servidão”, no que tange ao problema sobre os piores chegarem ao poder.

Dos protestos de grandes aglomerações do sábado 29/05 à “motociata” bolsonarista deste sábado (12/06), se impõem de forma macabra o culto da morte, a exaltação da ignorância, a glamourização da estupidez, a idolatria ao humano, demasiadamente humano; é a vitória da vigarice pela exaltação do tipo de ser social manipulado que o Ortega y Gasset chamou de “homem-massa”.

Bolsonaristas e petistas/esquerdistas/afins, irmãos rixosos separados na infância varguista, gêmeos de uma mentalidade política ávidos pelo Grande Irmão, crentes da igreja estatal, tutelados  por conveniências ideológicas que congregam os homens-massa de Ortega y Gasset:

“Ser de esquerda, como ser de direita, é uma das infinitas maneiras que o homem pode eleger para ser um imbecil: ambas são, de fato, formas de hemiplegia moral.” [1]

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Nota:

  1. “A Rebelião das Massas. 2016, CEDET, página 61.

 

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