21/09/2021 (1)

É uma linda manhã de terça ouvindo Bach https://www.youtube.com/watch?v=UGJM1Zt38OQ&t=1270s
O que é falar, comunicar, dizer? Será apenas algo que fazemos pelas cordas vocais fazendo uso de algo sistema codificado chamado “linguagem”. Penso que às vezes noto que se fala mais pelo silêncio ou pela inércia . O não fazer no cotidiano “fala” mais, não raramente,  que qualquer explicação, sobretudo quando decorada com aquela retórica peculiar de quem “fala demais por não ter nada a dizer”, como cantara Renato Russo.
Então, quando alguém diz que “precisa conversar”, imagino o quanto já conversou por meio de vários sistemas codificados, e não apenas as linguagens escrita e verbal; penso em comportamento, onde gestos, olhares e a inércia falam muitas vezes mais.  O silêncio ou o não feito comunica, queiram os acomodados ou não aceitarem.

21/09/2021 (2)

Será que tenho sempre que me adaptar ao cliente? Imaginei implantando um sistema de contabilidade em uma empresa que a regra é o caixa dois, onde os sócios realizam gastos pessoais em nome da entidade, não prezam por controles profissionais de estoque, faturamento, despesas, contas a pagar e a receber. Isso é mais comum do que se pode imaginar e eis que tentar adaptar um  trabalho em um cliente assim será coisa viável? pela experiência, aprendi que é impossível realizar um trabalho sério, decente, aplicando um sistema de contabilidade em uma empresa com as características mencionadas, não sendo possível então seguir a tese de que se deve sempre “se adaptar ao cliente”.
Da mesma forma quando um competente gestor, ao ser contratado para colocar em ordem uma entidade, quanto ás práticas administrativas, se depara com um ambiente a desordem é a regra, havendo muita resistência aos processos de disciplina. A situação se agrava quando há desordeiros de plantão, digo, indivíduos que se aproveitam da desorganização para tomar alguma vantagem, obviamente econômica e ilícita, e assim procuram preservar a bagunça; Isos já ocorrei em algumas experiência onde percebi que o gestor e o contador foram fritados por sabotadores que não queriam que a empresa se organizasse, por motivações indecorosas. O gestor competente, assim como o contador por excelência, bem como um profissional de TI dedicado, jamais terá que buscar uma adaptação nesse ambiente; tem que transformá-lo ou pular fora, caso perceba a inviabilidade dos propósitos profissionais aos quais foi contratado.
Não importa a profissão que seja baseada em tecnicidade, é o cliente que tem que se adaptar às normas elementares, trabalhadas pelo profissional pelo ele escolhido.

16/09/2021

A vida é bela, apesar de…
…haver uma crise energética se agravando pelo mundo. Por aqui na terra brasilis, a coisa está ficando cada dia mais alarmante na oferta de energia comprometida com o baixo volume dos reservatórios, por uma histórica estiagem, ficando muito mais escasso o potencial de produção e na economia, o ABC das leis de mercado (oferta versus demanda) diz que se há mais escassez no lado da oferta, haverá maior pressão sobre os preços mediante o mercado de consumo, o lado da demanda.
Não dá para revogar as leis de mercado; socialistas, de esquerda e de direita, ficam irados com essa VERDADE.
Então, será que tabelar preços resolve? Hum, precisa combinar isso com a cadeia de custos que é IMENSA e se o governo limitar preços, vai INVIABILIZAR empresas de energia que entrarão em modo prejuízo e assim poderão reduzir ou até mesmo encerrar atividades fazendo com que a oferta reduza ainda mais, provocando mais carestia de preços e até desabastecimento.
E se o governo assumir tudo? Se “São Bolsonaro” decidir estatizar as companhias de energia? Hum…os custos permanecem; não vão sumir com o governo assumindo o controle e se insistir com preços limitados, provocará PREJUÍZOS nas estatais; e quem pagará essa conta? Os assim chamados “contribuintes” ou seja, eu, você, o humilde trabalhador que compra pão e não sabe que é tributado severamente todos os dias. Se o governo “venezualizar” as coisas, gerará déficit primário monstruoso que forçará mais necessidade de impostos e/ou financiamento (mais juros).
Então, não há nada que o governo possa fazer de concreto para resolver o problema, se bem que estamos no país em que políticos prometem reduzir preços de coisas e o povão acredita que isso é possível sem DANOS MAIORES que o problema original da carestia. Por isso que é importante saber de economia, entender de mercado, para não ser enganado por quem faz da mentira um instrumento de trabalho… Quem? Políticos, claro, e quem poderia ser? Políticos, tão criticados e tão amados neste Brasil varonil…
Então, é preciso ECONOMIZAR ENERGIA. Cortar o ar condicionado, na medida do possível. Eliminar o chuveiro elétrico (primavera chegando, não faz sentido usar). Evitar luzes acessas desnecessariamente. É a única maneira de lidar com inteligência diante do problema. O resto é pura fantasia da política.
Não cansa repetir que a vida é bela, apesar de…
…tantos políticos fazendo o que mais sabem: enganar o povo.

 

15/09/2021 (1)

O livro de Jó é (também) uma obra de filosofia. Aprecio muito este livro da Bíblia. O personagem central, passivo em experiências de profundo sofrimento, conversa com três amigos. Eliú, filho de Baraquel, mais jovem, vendo que os demais se recolheram ao silêncio diante das perturbadoras questões de Jó, decide então se manifestar e suscita uma polêmica, registrada em um exórdio:
“Não é a idade avançada que dá sabedoria, nem a velhice o discernimento do que é justo.” (32.9)
Será que o tempo “ensina”? Será que o envelhecimento garante um melhor discernimento das coisas?
Será que vou adquirir sabedoria contando apenas com o passar do tempo? Em comparação com os meus 28 anos, se fiquei mais sereno, menos preconceituoso, menos ansioso, mais consistente, foi apenas porque hoje tenho 46? Não me parece evidente isso somente contando com o passar do tempo.
E se eu conseguir chegar aos 70, estarei muito mais maduro do que hoje, nas 46 primaveras?
Não vejo garantia nisso. Depende.
Penso que o tempo é um recurso essencial no processo de amadurecimento, mas não é o ÚNICO elemento a ser considerado. Se eu conseguir chegar aos 70 anos e não procurar cuidar do meu espírito, do intelecto, sem dar atenção à ética em mim mesmo, os possíveis 24 anos adiante não causarão o “efeito mágico” de me fazer uma pessoa melhor, mais madura, mais consistente, menos preconceituosa, menos ansiosa, com conhecimentos mais depurados. Terei que, em cada momento que puder viver, buscar maturidade, e eis que o passar do tempo ajuda como recurso, mas não como solução em si mesma.
Então, entendo que o tempo em si mesmo não vai me fazer uma pessoa melhor do que hoje, e sim o que farei, enquanto passar o tempo que me resta nesta terra, com a minha mente, minha alma e, em síntese, como o meu SER.
Aos mais jovens: aproveitem bem o tempo potencialmente maior que possuem de vida para cuidarem bem da mente, da alma, buscar conhecimento, SER MAIS CULTO A CADA DIA. Quanto mais jovem, mais chances de se tornar um ser humano melhor no bom uso do tempo.

15/09/2021 (2)

Carta a um ex-candidato-a-cliente
Prezado,
Por meio deste, comunico que encerrei o processo de pré-contrato e avaliações acerca do vosso interesse em contratar meus préstimos.
Não será possível firmarmos um contrato pelas seguintes razões:
1. Considerando que, durante o processo de negociações contratuais, percebi que vossa senhoria procura um profissional com um perfil muito diferente do meu. Trata-se de um profissional que deve se dispor a atendê-lo de imediato, sem restrições de dia e horário, inclusive em feriados, levando em conta as tentativas de contato registradas no feriado do último dia 7, assim como ligações aos domingos e em dias úteis fora do expediente. Em uma relação que ainda não é de cliente, o vosso comportamento foi um ponto crítico de maior peso nesta minha decisão. Acredito que expliquei à vossa senhoria, em detalhes, nas reuniões que realizamos pelo Zoom, a forma como trabalho, assim como os canais disponíveis e o código de ética que rege o meu atendimento;
2. A análise do histórico de várias pendências com o eSocial, algumas identificáveis de imediato, outras intangíveis, além da indisposição de vossa parte em aceitar os valores de risco que foram propostos em relação a períodos anteriores ao contrato, impossibilitam a minha concordância em formalizá-lo.
Agradeço o vosso interesse e, em face do exposto, concluindo que não tenho a competência mínima para lhe prestar serviços dentro de suas expectativas, desejo-lhe pleno sucesso na busca por um profissional que atenda às suas reais necessidades.
Leonardo Amorim

31/08/2021

Poeira… Microscópico na catalaxia… Enquanto trabalho, muitos dos recursos que utilizo (computadores, roteadores, etc) foram produzidos com componentes na Ásia por uma imensa cadeia industrial e de distribuição. O Dell e o LeNovo que uso, para chegarem até a mim nesta sala, fizeram uma longa jornada. Os aplicativos e ferramentas (Zoom, WhatsApp, TeamViewer, C# linguagem, Xbase++ linguagem) que uso para trabalhar e enviar esta mensagem são combinações de produtores pelo mundo, todos buscando seus próprios interesses precisando servir aos outros, cooperando, muitos a partir dos EUA, Europa…. Então, preciso compreender melhor esse mundo de relações econômicas tão intensas, olhar os mercados, não apenas para investir e, sobretudo, para não cair na ilusão da auto suficiência do lugar onde me situo. Muitos influenciados por nacionalismo, coisa cafona, se perdem na compreensão desses fenômenos de mercado. Preciso então dos europeus, dos asiáticos, dos americanos e, claro, de brasileiros, entre tantos outros povos na imensa e maravilhosa cooperação econômica.

01/09/2021

 O Sérgio Machado é uma de minhas referências no fintwit do mercado financeiro. Ele postou recentemente um lindo thread que compartilhei no meu perfil do Twitter (prestes a ser extinto). Ele começa com uma célebre frase de Sir Winston Churchill (1874-1965), o lendário primeiro-ministro britânico:
“Se você vai passar pelo inferno, não pare de andar.”
Após refletir no que o Sérgio escreveu, parei para meditar em dois tipos de pessoas frequentes em minha caminhada desde o início da pandemia: o primeiro tipo é o que só reclama, costuma enxergar defeitos nos trabalhos dos outros enquanto esconde os próprios. Não raramente se pauta pela ingratidão. Neste grupo tão temperamental, também figura quem, alegando a pandemia, não cumpre obrigações financeiras com empregados e fornecedores do escritório enquanto demonstra ter recursos suficientes para gastar com passeios fazendo questão de divulgá-los.
Mas há um outro tipo de comportamento que me inspira. Um tipo de cliente que, vez ou outra, diz que está rezando ou orando por mim para que eu passe por essa fase. É o mesmo tipo que me incentiva a continuar com as reuniões, costuma repassar erros e acertos nos sistemas de forma discreta, no privado, sem querer chamar a atenção, sendo um gesto visível para cooperar com o meu trabalho. Em especial, aproveita certas dores desta pandemia para aprender coisas novas. Acredito que é o perfil de cliente que vai passar por essa crise com um enlevo moral e espiritual, assim envelhecendo bem melhor que o primeiro.
Venho passando pelo maior aperto profissional de minha vida desde fevereiro do ano passado: a carga de trabalho praticamente dobrou, férias duas vezes tive que adiar, contudo, apesar do sofrimento, sinto que tudo isso tem uma razão para acontecer além de minha vã filosofia. Sinto que estou em uma espécie de missão muito maior que a minha persona: contribuir, ajudar, dar suporte a outros colegas que passam por um aperto tão ou maior que o meu. E pensei que, se cada um do tipo que falei, compreende e pratica um pouco essa “missão”, todos serão amplamente beneficiados.
E assim, nesse espírito, no que depender de minha vontade, não vou parar de andar.

02/09/2021

Fase frequente que escuto nos atendimentos: “não sei por onde começar”. Outro caso comum consiste no usuário apresentar vários problemas sem definição de prioridade , muitas vezes sem saber também da importância de conhecer bem as relações que os problemas possuem onde uma determinada tarefa, para ser realizada adequadamente, muitas vezes depende da conclusão de uma outra (e às vezes é uma rotina que o usuário quer evitar).
Exemplo: No eSocial o usuário quer que o evento de demissão S-2299 seja transmitido pelo sistema, mas quando acesso, verifico que a admissão não consta  e, não raramente, o usuário pergunta: “E tem que ter a admissão?”. Pergunta que revela uma mentalidade imediatista, de ver apenas o problema imediato (preciso mandar a demissão para o eSocial e é tudo que preciso, e NÃO É) quando sequer realizou a etapa mais importante (o próprio registro do empregado). E há casos mais graves onde o usuário aciona o suporte reclamando de que o sistema não está enviando nenhum evento e quando é feita a verificação, o cadastramento inicial sequer foi realizado, a empresa não está implantada no eSocial, nem a mensageria configurada corretamente, contudo o usuário quer ir para o “finalmente” (mandar a folha de pagamento), de uma empresa que nem registrada foi. Essa confusão mental rapidamente provoca um caos na mesa do usuário quando começa a agir só pensando no problema (tenho que enviar a demissão ou tenho que mandar a folha), e eis que fica girando sem sair do lugar, agindo como se tivesse o dom de tratar todos os problemas quase que imediatamente, sem perceber o abismo em que está se metendo.
“É um problema de cada vez”, costumo dizer, mas muitos não conseguem escutar. Estão tão afobados que só pensam no problema que gerou a pressão, prática muito comum em escritórios de contabilidade cujos proprietários, na maioria, se comportam como empresários e não como técnicos, e assim só sabem aplicar (e muito mal) o recurso de pressionar para que os serviços andem. Acontece que pressão para nada serve dentro de um ambiente onde tarefas devem ser sequenciadas e classificadas em níveis de prioridade, para que sejam bem executadas. Depois que envia a folha, outro problema comum: o empregado vai até o eCac e não vê a DCTFWEB; agora está pensando no DARF, quando sequer deu o comando de encerramento na folha, e se eu falar para ele que pode encontrar algum impeditivo, então, mais uma confusão se inicia na cabeça de quem só raciocina com imediatismo; ele vai pensar que o problema é que ainda falta enviar a folha (que foi enviada, S-1200, S-1210, S-2299). É que e o eSocial verifica uma série de coisas que precisam bater para que o encerramento seja aceito. Novamente, se o usuário pensar no problema imediato (o DARF), não vai conseguir organizar minimamente bem o juízo para conseguir finalizar a tarefa.
Pressão, imediatismo, ansiedade, tais coisas só atrapalham o profissional; é preciso NEUTRALIZÁ-LAS. Se o chefe só sabe cobrar (é o pior tipo), precisa ser educado para entender de PROCESSO. Se continuar só na pressão, gerará um estresse desnecessário no ambiente de trabalho, correndo o risco de provocar alta rotatividade de colaboradores no seu negócio, além de perder potenciais talentos. O profissional qualificado, consciente, aplica PROCESSOS: início (diagnóstico), meio (tratamentos) e fim (conferência e liberação do material concluído).
P.S.: Outro exemplo de imediatismo cegando entendimento produzindo mais ansiedade? Quando surge uma necessidade de enviar uma alteração contratual para a CTPS DIGITAL e o usuário não tem sequer o empregado implantado no eSocial. Muitas vezes o usuário nem sabe que a CTPS não permite inclusão direta e que depende do eSocial para captar dados. Então terá que fazer o diagnóstico que envolverá a implantação do empregado no eSocial. E se tiver faltando o empregador? Implantar o empregador antes, outro problema. Então, se a pessoa ficar pensando só no problema inicial (atualizar a CTPS Digital), não vai evoluir partindo do diagnóstico, passando pelo tratamento (meio) até chegar ao fim (entrega). Compreender a dimensão de um processo é a diferença entre a eficiência e o caos. O imediatista é um gerador ambulante de ansiedade.
P.S.: Parte crucial da visão de PROCESSO nas tarefas: DIAGNÓSTICO. Por incrível que pareça, o maior problema que vejo em organizações em geral é o caso frequente de usuários querendo resolver um determinado problema sem identificar corretamente a (s) causa(s). É como querer “tratar” uma doença sem saber o que a está provocando. Pensem nisso…

03/09/2021

ÉTICA não é uma palavra bonitinha para colocar no site na parte de “Missão e Valores”.
Todos merecem ser ouvidos antes de avaliados em definitivo. Quando um gestor de escritório vem apresentar problemas e menciona empregado, a primeira coisa que pergunto é: JÁ TRATOU DESSE ASSUNTO COM O EMPREGADO? Alguns ficam surpresos. Se alguém está sendo questionado quanto a qualquer aspecto profissional (se for algo pessoal eu nem discuto pois é antiprofissional), então a parte mencionada TEM QUE SER OUVIDA; ISSO É ÉTICA FUNDAMENTAL nas relações profissionais. Faço isso também porque já fui vítima de donos de escritórios que fingiram ter consideração por mim e tomaram decisões e/ou chegaram a conclusões sem me escutar. Gestor que não procurar ouvir todas as partes, antes de tomar importantes decisões, é INCOMPETENTE, FRACO, ANTIÉTICO, e deste tipo, quando percebo, quero distância oceânica.

08/09/2021

Senti recentemente vergonha de mim mesmo…
Explico: parei para refletir sobre a forma como trabalhava há alguns anos. E eis que pude perceber como me estressava desnecessariamente e produzia menos do que poderia porque repetia exatamente o modo de atendimento de muitos clientes: trabalhava atendendo mais aleatoriamente, na base do improviso, captando a ansiedade dos clientes, sem ordenamento de tarefas, sem definir prioridades, sem política clara de atendimento, sem plano de ação ou, quando fazia alguma coisa nesse sentido, era de maneira muito rudimentar.
Por isso me senti um tanto envergonhado, no entanto, em seguida senti algo agradável. Percebi que tive como encontrar uma forma de melhorar, evoluir, em meio às falhas, que são importantes dentro de um processo de aprendizagem. Também pude perceber a importância de usar a auto crítica para identificar minhas limitações e pontos críticos.
Outra constatação foi de que rir de mim mesmo pode fazer um bem enorme. Dei risadas de como eu reagia de forma imatura diante de certas pressões.
Está aí então um caso de que sentir vergonha de si mesmo não sempre ficará permanente como algo desagradável. vai depender de outra avaliação, muito mais importante que envolve buscar uma melhor consciência de mim mesmo, investindo no meu intelecto, ouvindo pessoas muito mais qualificadas do que a minha pessoa, para buscar um enriquecimento nas ideias e então poderei repetir esse processo de conseguir um melhor diagnóstico sobre o que faço e o que poderia fazer para melhorar.
Sempre é necessário fazer esse tipo de atividade de auto crítica; olhar para trás e comparar com o momento para verificar mudanças, efeitos positivos e negativos.
Envergonhar-se do que era ou fazia será então um sinal de que as coisas evoluíram.
Também nesta experiência, posso perceber o valor de parar de ficar me comparando com os outros como se fosse uma coisa imperativa, definitiva, uma sentença fatal para minha carreira profissional. Claro que é importante avaliar se comparando com outros trabalhos similares, porém, mais importante ainda é ME COMPARAR COMIGO MESMO ou seja, saber se o Leonardo de hoje está melhor que o de cinco anos atrás e, por menor que seja a evolução, essa comparação será muito mais prática, útil, do que ficar me comparando apenas com os outros.

09/09/2021

Em uma seleção para contador, após quase SEIS MESES cansativos para o recrutador, uma entidade conseguiu um profissional qualificado, com 45 anos de idade e que tinha passado por indústrias. Os jovens entre 22 e 28 anos que se apresentaram para entrevista demonstraram desconhecer coisas básicas sobre contabilidade de custos e resultados, apesar de cumprirem as exigências legais (diploma e CRC) e apresentarem vasto currículo com cursos e “capacitações”. Alguns até tinham pós e foram REPROVADOS por deficiência técnica.
Isto posto porque noto também que contadores veteranos são bem mais preparados que os jovens saídos recentemente das faculdades. Os “coroas” e as “coroas” possuem mais versatilidade na compreensão de textos técnicos e dominam melhor certas técnicas de contabilidade de custos.
Há 30 anos lidando com contadores e técnicos em contabilidade, identifiquei este problema como coisa frequente que, parece, ter se agravado. Diploma de bacharel em ciências contábeis está longe de ser garantia de que o referido portador seja um profissional qualificado assim como ter registro no CRC também tem sido algo cada vez mais enganoso.
Profissionais mais bem qualificados muitas vezes são técnicos que nunca colocaram os pés em uma faculdade. O que mais me chama a atenção é a ocorrência comum de recém formados com dificuldade de saber o que é débito, crédito, ativo, passivo, custo, receita, despesa e aspectos elementares no sistema de resultado, além de desconhecerem o uso técnico de termos contábeis na análise de balanços e avaliações econômicas de entidade.
Alguns têm sérias dificuldades para entenderem o princípio da entidade. O mais triste que vi foi um jovem contador, que tinha acabado de tirar o CRC, comemorar o fato de que não precisava “fazer contabilidade” de empresa no Simples (entendimento confuso).
A impressão que tenho é que graduandos estão sendo preparados para trabalharem mais como elaboradores de guias de recolhimento de impostos. Estudantes, parece, estão sendo incentivados a se “aprofundarem” cada vez mais em normas tributárias em vez de buscarem saber na CIÊNCIA CONTABILIDADE. Confundem as coisas e não me admira que estudem apenas para passar na prova do CFC achando que, sendo aprovados, receberão um atestado de garantia de qualidade como CONTADORES por excelência.
Tem alguma coisa muito grave acontecendo nas faculdades…
Após apresentar uma análise dos resultados da TIM em um dos trabalhos que faço aos sábados pela manhã, um participante me disse que nunca tinha visto algo parecido nos cálculos e índices que eu tinha apresentado a partir dos balanços e das demonstrações ajustadas às normas internacionais. E esse desconhecimento não é raro.
Afinal, estão sendo formados atualmente contadores mesmo ou será que estão “formando” despachantes gourmet com desejo de ter CRC? Parece-me que a segunda hipótese é mais provável.

12/09/2021

Propostas de trabalho que não prosperaram:
2006: Pastor batista
Pastor de igreja batista, essa foi em 2006: estava tudo acertado para o meu concílio examinatório e até a igreja onde iria trabalhar. Liguei para o pastor que articulou todo o processo (sem minha autorização) e lhe disse que nunca tinha dito a ele, nem a ninguém do meio batista, que tinha vocação para ser pastor e que desejava fazer carreira. Lembrei a ele das minhas primeiras palavras no STBNB no primeiro dia de aula em 2003 sobre a minha vocação: “Entrei no seminário pelo CONHECIMENTO e aperfeiçoamento da fé e não para fazer carreira ministerial”. Então, disse ao pastor em 2006 que pregar, dirigir sessões administrativas, produzir textos, comandar equipes, tudo isso fazia parte da experiência, que foi muito proveitosa por sinal. Até hoje o pastor não fala comigo; talvez eu o tenha desapontado de uma forma “imperdoável”.
2013: Empregado de grife de TI
Trabalhar em equipe de suporte de uma grife de TI, isso foi em 2013, logo depois que entrei na Exactus como representante. Proposta parecia tentadora pelo salário e promessa de “gerência” no curto prazo, mas em uma avaliação fria, recusei pois percebi que ficaria preso a uma corporação cujas práticas comercias tenho repugnância, e mesmo sem esse problema ético, ficaria limitado a atendimento de usuários de sistemas de contabilidade específicos demais e sem poder continuar o trabalho com clientes que estão comigo, muitos desde meados dos anos 1990;
2015-2016: Professor de cursos de Sped em pós
Dar cursos de módulos do Sped em uma pós graduação; proposta que surgiu em 2015 e parecia muito boa, mas analisando com a mesma frieza das propostas anteriores, percebi que ficaria afastado da família no final de semana, como se não bastasse o que ocorre nos dias úteis, apesar de estar em home-office desde 2007. Outro ponto muito negativo foi o fato de ter que me dedicar a um conteúdo que não considero relevante o suficiente para ocupar uma tarde de sábado, entrando pelo início da noite e uma manhã de domingo, entrando pela tarde, à época era presencial, com coisas que emburrecem a mente. Percebi que no meio de “especialistas” em Sped, há uma pobreza intelectual muito grande. Só conversam coisas do fisco. Eita povinho metido que só fala de imposto e multas… Mentes vazias, talvez por causa do tempo dedicado à coisa, que é IRRELEVANTE, considerando economias mais avançadas que a brasileira;
2018-2019: Professor de preparatório de CRC
Dar aulas de estatística e mercado de capitais em curso preparatório para exame do CRC. Outra proposta que parecia muito boa pelo valor pago por hora-aula, no entanto, sacrificaria boa parte de finais de semana com atividades que considero mais importantes envolvendo a convivência com a família e os estudos livres, além de que tenho restrições a cursos preparatórios para coisas que considero questionáveis, como é o caso do exame do CRC;
2018-2020: Professor de matemática financeira
Aulas de matemática financeira em faculdades. “Não sou professor. Não tenho essa capacidade”, disse ao coordenador. Em todos os convites não tive muita dificuldade para recusar, pois avaliei que…:
…se entrasse em uma faculdade, seja como aluno ou professor, não teria mais tempo para estudar.
EU SOU UM ESTUDANTE, nunca serei professor, concluí ao doutor.
2020-2021: Empregado de escritório que se considera “grande”
Proposta era para dar maior exclusividade a um escritório que se considera “grande”, importante demais (não é). Esta proposta foi durante a pandemia e parecia ótima financeiramente, mas péssima pelas exigências de exclusividade em três dias da semana. Percebi também uma certa relação boçal dos donos com alguns diretores (muita rasgação de seda, muita bajulação). Era cliente de sistemas e o perdi quando lhe disse NÃO; só me queriam como empregado, no entanto isso me revelou o quanto havia de arrogância na proposta deles pois até então eu era um prestador de serviços que dava suporte na área de Sped, com flexibilidade de horário. Depois de um tempo, recebi um contato sobre disposição para voltar e a resposta foi NÃO. Uma vez dispensado, não tem mais volta, principalmente da forma que foi, onde fui claramente chantageado. Não quero negócio com gente assim nem banhada a ouro.
FELICIDADE É A CHAVE
Em todos os casos, o ponto mais importante foi a felicidade que eu tinha como expectativa assumindo os compromissos propostos  É o ponto fundamental, a felicidade no trabalho é condição inegociável para que eu assuma e me dedique.
Não importa o que estou fazendo, tenho que experimentar a felicidade” na satisfação de ajudar os outros, de ter crescimento intelectual e tempo para ficar em casa, me dedicando a família e aos estudos livres.

13/09/2021

O tempo…
O tempo que eu tenho por dia (24 horas) é o mesmo de um juiz, de um cirurgião plantonista do HR, de uma professora do primário que tem cinco filhos e um marido para cuidar, de um gestor que cuida de bilhões de dólares em fundos de investimentos…
A cada um cabe decidir o que vai fazer com o tempo que dispõe… E o preço dessa escolha, na ciência chamada “economia”, se chama “custo de oportunidade”.
Esse custo ocorre quando tenho que tomar uma decisão de ocupar o tempo que disponho com uma coisa em detrimento de outra porque percebo não ser possível fazer determinadas coisas ao mesmo tempo.
Ficar em redes sociais consumindo o tempo com besteirol ou usar o mesmo tempo para ocupar a mente com atividades que me façam crescer como pessoa?
O custo de oportunidade no uso do tempo, bem ou mal, será cobrado.
Gastar horas jogando conversa fora com tolices ou conversar com quem me inspira a buscar um crescimento moral, espiritual e intelectual?
O tempo de uma mente dispersa, distraída, poluída com vulgaridades…
É o mesmo de uma mente que…
…busca as coisas do espírito…
… ler bons livros e enriquece o vocabulário..
…aprende línguas, aprecia artes…
O que escuto, vejo, leio, penso, converso, exerce influência, independente de minhas crenças. Uma mente que se ocupa com vulgaridades, bobagens, fofocas, que se deixa levar pela inveja, vai refletir em que tipo de pessoa? Uma mente que busca as coisas do espírito, que procura melhorar o intelecto, se ocupa com o bom uso da ética, vai refletir em uma pessoa melhor?
Para entender o custo de oportunidade no uso do tempo é necessário compreender tais coisas e se adaptar a verdade de que o tempo que passa, bem usado ou não, não se recupera; ninguém pode escapar desse custo.
Cada um tem o direito de fazer o que bem entender com o tempo, porém não é inteligente ignorar que não é possível voltar no tempo e usá-lo novamente com algo que gostaria de ter feito.
A juventude passa, tudo passa; o importante é procurar envelhecer bem e assim descobrir que se sentir entrando na “terceira idade” pode ser também uma grande bênção, e isso vai depender muito de como o tempo foi usado na juventude.

14/09/2021

O PRINCIPAL CAUSADOR DO CAOS EM ESCRITÓRIO CONTÁBIL
A fonte principal das maiores tensões (e perda de bons empregados) no setor pessoal de escritório contábil NÃO É O E-SOCIAL, nem o SPED.
O principal causador de desgastes, muitas vezes, é um sujeito (ou alguns) agente humano, geralmente muito simpático, bem intencionado, desejoso de promover a prosperidade do negócio.
Este agente humano promove a vinda de novos clientes ao escritório o que, aparentemente, é uma coisa muito boa, acontece que…
Novos clientes nem sempre significam mais serviços que significarão mais RECEITAS e mais LUCRO ao escritório e eis que costumam chegar:
1. Clientes novos com documentação em nível ultra-mega-bagunçado que exigirá mais tempo dedicado a profissionais já submetidos a uma carga exaustiva de rotinas;
2. Clientes novos com diversas rotinas não realizadas pelo escritório anterior (SEFIP, RAIS, FGTS) sem que fique claro a condição de que serão serviços extras a serem taxados além do valor da mensalidade. Muitos, na base da amizade, aceitam clientes sem estabelecer REGRAS CLARAS quanto a esse problema e o resultado é um monte de tarefas que o DP terá que fazer que não foram feitas pelo escritório anterior;
3. Clientes novos com problemas do item anterior que viram “café pequeno” quando o DP recebe casos de GRUPO 2 do eSocial com folhas atrasadas, problemas com a DCTFWEB, GPS paga no lugar do DARF ou até mesmo nenhum cadastro realizado, tudo no ZERO, e assim precisam implantar a base inicial, fazendo um levantamento bem mais desgastante das pendências para ter condições de começar a entregar as folhas que envolvem o contrato;
Em muitos casos, os problemas mencionados acima estão acompanhados de empresas à beira da falência, com histórico de NÃO PAGAR mensalidade regularmente. Na prática, será trabalhar sem receber para clientes novos que trazem ENTULHOS de obrigações que apenas ocuparão excessivamente o setor, aumentando o custo operacional e o PREJUÍZO do escritório.
Por que isso acontece?
O sujeito que não cessa de trazer novos clientes assim (chamo de “cliente bomba”) é, normalmente, o DONO DO ESCRITÓRIO que não compreende a GRAVIDADE DOS PROBLEMAS comuns em um setor pessoal na era do eSocial. Não só no setor trabalhista, na fiscal e contábil também se mostra sem conhecimento do ambiente complexo em que se tornou o Brasil para um escritório contábil. E por não lidar com as rotinas (não vive o dia a dia operacional), ele/ela, o/a DONO/A DO ESCRITÓRIO segue tomando decisões sem perícia, equivocadas, fechando negócios sem critério como se tivesse promovendo o crescimento do escritório quando na verdade o está levando para o abismo entupindo os departamentos de serviços para clientes sem futuro. É fácil identificar esse tipo de dono de escritório. Ele se comporta apenas como um empresário e só sabe entrar em contato com os departamentos para dizer: “E aí, tá tudo pronto? O cliente tá aqui!”, parecendo um leigo (ou será mesmo?). Com certeza é um multiplicador de estresse, uma máquina ambulante de ansiedade com potencial de adoecer a mente de quem estiver ao seu alcance.
Faz isso porque age apenas por impulso, menosprezando a importância de saber bem o que está acontecendo nos setores, além de desconhecer o que ocorre no mercado; muitas vezes tem carência de compreender leis de mercado e assim só sabe falar mal dos preços, sem interesse em entender melhor as causas.
Há casos de decisões tomadas em admitir clientes à esmo por amizade. E amizade e negócios são como água e óleo…. Isso se torna fatal quando o dono do escritório é incapaz de analisar riscos e precificá-los quando um potencial cliente lhe faz uma sondagem. Age como se estivesse apenas em um negócio qualquer de comprar e vender coisas de pequeno valor; e então cobra “baratinho” e depois se vê em uma enrascada não conseguindo realizar as tarefas ou quando consegue, sob um custo imenso, e por isso tenta reduzir custos com profissionais de DP e de TI que, ao se sentirem desvalorizados certamente irão procurar quem pague melhor. Esse tipo de dono de escritório se guia apenas pelo preço dos vizinhos sem considerar as condições oferecidas. Se um concorrente oferece por R$ 200, fará o mesmo sem considerar que muitos cobram “baratinho” para um serviço precário que, cedo ou tarde, gerará problemas sérios. Não percebe que está entrando na mesma dança louca de concorrer com quem é sofrível no que faz.
Este tipo de dono de escritório é um especialista em promover o CAOS na própria empresa, além de ser doutor em perder bons profissionais, empregados e prestadores, que saem do escritório por notarem que estão dentro de uma BOMBA RELÓGIO e, depois de tentarem ajudar de várias maneiras, só lhes resta mesmo ir embora.

 

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