29/11/2021
Contador fake
Foi um empresário de contabilidade que hoje (26), durante a penúltima reunião do ano, com quatro dezenas de clientes no Zoom, ligou para o fixo direto em minha mesa de suporte desejando atendimento imediato para tratar de um assunto análogo ao que estávamos analisando, justamente, no encontro semanal. Ele sabia que eu estava em reunião e o lembrei com ironia pedindo para conferir no site os informes e a minha agenda, considerando que não quer fazer parte do grupo, uma das exigências para ser aceito no evento.
Uma “treta ao vivo” (ou, em sentido mais hilário, um “bale”, uma dura repreensão no “pernambuquês”) em plena reunião, como dissera uma cliente participante. Quem me aciona assim durante uma reunião, sabendo o que está acontecendo, não apenas despreza meu trabalho; demonstra desrespeito pelos colegas de profissão, o que me faz mencionar a parte mais reveladora de seu contato quando, durante a tensa e breve conversa, me pediu para não mencionar o seu nome (imaginou a repercussão entre os que estavam na reunião). Claro, pode ficar tranquilo senhor “empresário de contabilidade”, pois jamais o faria isso; o meu trabalho reflexivo não se trata de expor pessoa e sim em promover algo que entendo ser relevante  sobre o comportamento humano e os valores que tenho para o meu viver profissional.
Há pessoas tão cegas, na ideia de que são “importantes demais”, que não enxergam as bobagens que fazem; idiotes medindo o mundo apenas por aquilo que conseguem ver.
Por que o tão “importante” empresário de contabilidade não faz parte do grupo? Bem, um sujeito no nível sócio econômico dele, com o prestígio que tem entre empresários, que se acham mais importantes do que são, parece ser mesmo um fator que explica boa parte do seu desinteresse em estar em um ambiente comum com colegas de profissão e colaboradores. Para essa gente, só interessa dividir espaço de conversa com pessoas que possuem certo prestígio, em uma determinada visão. É o fariseu que se incomoda só de pensar em se juntar ao que entende ser a “peãozada”. O tal empresário de contabilidade me faz lembrar também uns executivos que vi há 15 anos em uma indústria com certo prestígio. O gerente do setor contábil me convidou para almoçar e conhecer o refeitório, então notei uma sala reservada, separada, com acesso restrito, que mais parecia sala de espera VIP de companhia aérea, onde engravatados passavam sem qualquer possibilidade de contato com os demais ambientes do espaço gourmet. Uma sala requintada destinada a diretores naquela ideia que, em determinados níveis de ocupação, jamais se deve sentar à mesa com subordinados, pessoas mais simples, na mentalidade de que, dado o nível “superior” daqueles executivos, não convém qualquer compartilhamento. O gerente da contabilidade –  assim como o rapaz autor dessas memórias – demonstrou pesar com a cena de uma política discriminatória comum enquanto prática da empresa, inclusive mencionando outras companhias onde vivenciou a mesma experiência.
Pois é, tem muito “empresário de contabilidade” por aí querendo uma sala de refeitório VIP só para demonstrar o prestígio da “categoria”. Metidos, arrogantes, pouco interessados na compreensão mais profunda do operacional, mais pautados em cobranças sobre os empregados. Nessa ânsia de ver a contabilidade como apenas um negócio, seriam bons gerenciadores de recursos humanos para liderar subordinados do ponto de vista da tecnicidade? Na ética, seriam apegados a defender a boa contabilidade, dados a respeitar horários de expediente, zelosos com o bem estar mental dos empregados ou atuam mais como multiplicadores da Síndrome de Burnout?
Penso então como “empreendedores”  naquela ideia bizarra de que contador “faz tudo”; gestão, consultorias de um monte de coisas… e a contabilidade, que é bom, como vai? Estará confundida com burocracia fiscal ou serviços de despachante? Não é melhor o contador ser contador? Não… Empresário de contabilidade é  a modernidade de um “homem de negócios” a oferecer facilidades para dificuldades artificializadas por governos e fiscos munido de CRC. É o futuro da classe!
Uma conversa sobre assuntos técnicos nos atuais processos de TI contábil com esse tipo pode não ser minimamente produtiva, fica a dica. Garanto que conversar com um estagiário será bem melhor sobre questões operacionais quando o que se tem é apenas um “empresário de contabilidade” e não o técnico na profissão dedicado a entender os processos tecnológicos em constante mutação. Narcisista, egocêntrico? Não, é um executivo. Dado a “carteiradas” e com pouco conhecimento técnico? Quem sabe… Se for assim prefiro chamá-lo de “contador fake”. Enrolado com problemas de débito e crédito? Avesso à contabilidade no livro diário? Pergunto: Quem se trataria com um médico que não pratica medicina e se especializou em preencher formulários do SUS? O que acontece com o empresário contábil quando o assunto é técnico? Teria a mesma empolgação com um trabalho técnico em comparação quando consegue fechar um novo contrato? Será que o empresário contábil tão dedicado a negociações em “mil e uma utilidades” terá tempo (ou interesse) para agir no âmbito da profissão e participar do operacional, conferir processos, supervisionar colaboradores, orientar  equipes, vivenciar a prática profissional ou está mais pautado em ser um “businessman” mesmo, sem se importar em levar a fama de “contador” assinando como um engenheiro de obra pronta? Todo contador autêntico pode ser um empresário de contabilidade, mas será que todo “empresário de contabilidade” consegue ser um contador autêntico? Dúvidas.
O que pensar se for um sujeito tipo homem-massa de Ortega y Gasset, brutta figura, pobre de cultura e tecnicamente desprezível enquanto cheio de prestígio entre empresários? Bem, vejo aqui outra reflexão, no entanto encerro pensando que a figura do “empresário de contabilidade” pode não passar de um subproduto do mundo decadente da contabilidade ou reflexo de uma sociedade produtiva gravemente enferma, viciada em favores políticos, envenenada por uma mentalidade de capitalismo de laços ou socialismo pragmático, onde empresário prefere amigos do rei em vez de buscar eficiência econômica, o que explica parte da dispensa dada à contabilidade, cujo contador médio atua mais como empreendedor de um negócio de despachante gourmet, produzindo, eventualmente, peças contábeis apenas sob proforma, tornando a atividade contábil uma coisa morta na vida de muitos agentes econômicos que não têm a menor noção de sua enorme importância na economia.
23/11/2021
Da série “coisas que me dão esperança na humanidade”: Canon in D, do compositor barroco Johann Pachelbel, tocado pelo maravilhoso Brooklyn Duo https://www.youtube.com/watch?v=Ptk_1Dc2iPY
Pedir a Deus o alcance de um determinado objetivo na vida significa ter que viver os meios para realizá-lo. E esse “viver os meios” é a parte em que participamos do milagre.
Este ano fiz um pedido especial a Deus, envolvendo uma coisa complexa no trabalho; passou um tempo e… aconteceu! Parei para meditar e vi que para que se tornasse realidade, tive que passar por tribulações, trabalhar muito até sentir dor, melancolia; o cansaço entristece… Tive que passar por um inferno, mas não parei de andar enquanto sentia a indiferença de pessoas que só me olhavam como uma máquina. Em  alguns momentos precisei chorar; há lugares e situações existenciais que somente Deus pode estar conosco. Então, foi rotina no final do dia sentir um cansaço cair no peito como se mil toneladas estivessem sobre mim enquanto sentia a presença DELE na sua maravilhosa GRAÇA.
Pedi a Deus paciência no processo, e fui confrontado em situações em que tive que aprimorar minha capacidade de saber esperar. Fiquei exposto a pessoas que me trataram injustamente e até com agressividade.
E quando pedi a Deus a solução de um problema na vida profissional, fui confrontado com enormes dificuldades enquanto enxerguei recursos que ficaram à minha disposição para fazer acontecer as soluções; e eis que tive que trabalhar muito, passar por estresse inédito, tudo como parte do processo para que o objetivo fosse alcançado.
A fé me inspira para o agir, me impulsiona às atitudes, me fortalece no resistir. É assim que vejo a espiritualidade e o meu relacionamento com Deus.
19/11/2021
O suporte aprecia Por una Cabeza  (1935), música do argentino Carlos Gardel, executada pelo fabuloso trio Layers… https://www.youtube.com/watch?v=HIf19aClyvo
Lições de 2021
Onde mais errei?
Se eu fosse listar os erros que pude identificar, por mim cometidos este ano, certamente seria uma lista com um volume maior que as postagens que faço aqui como diário pessoal. Há os erros que consigo ver quase que imediatamente, assim como há os erros cometidos onde não poderei descobri-los e tem os erros cuja descoberta se dá ao longo de um tempo maior.
Errar faz parte de um processo de aprimoramento dos trabalhos, então os erros devem ser apreciados, desde que não levem à destruição ou ruína. Este é um conceito do filósofo e matemático Nassim Nicholas Taleb que adoto na minha filosofia de trabalho. Diante de um erro, vejo uma boa oportunidade para crescer profissionalmente. Um erro de um programa é o caso clássico onde paro para aprender coisas novas, sabendo que novos erros são inevitáveis. Por isso, não tenho medo de errar em si, mas tenho que tomar medidas preventivas para evitar erros que destrocem meu trabalho. Essa equação é complexa e exige aptidão ao risco, coisa inevitável para quem deseja viver.
Cometi então muitos erros nas linhas de programação, naturalmente, como parte do trabalho, no entanto notei que foram reduzidos em comparação com 2020 e 2019. Os erros que cometo, a maior parte se dá por falta de concentração adequada; como todo humano normal, também sofro com desvios de atenção, mas sabendo que eles existem e são ameaças ao meu trabalho, consegui combater muitas distrações e diminuir erros relacionados a esta causa. Os outros erros que cometo em programas se dão por deficiências de conhecimentos técnicos e de normas legais. Todo trabalho técnico tem níveis de excelência e de deficiência. Ter ciência dos dois ajuda a não entrar em crise existencial e/ou perda da auto estima. Não ficar se auto castigando com erros e ter uma filosofia de vida que os trate com pedagogia, são coisas que ajudam no crescimento profissional.
Errei em algumas intepretações de leis e normas infralegais, em níveis aceitáveis, mas passivos de melhora. Um dos erros mais graves se deu em uma análise de um complexo efeito tributário por variações cambiais no lucro real em relação a custos com ativos intangíveis. Outro erro se deu em uma avaliação de créditos para compensações na base de cálculo do e-LALUR e do e-LACS, algo ajustado em tempo, mas que poderia ter sido evitado. Com esses erros, criei um protocolo mais rigoroso de verificações tributárias, uma espécie de check-list.
Um erro de destaque que cometi em investimentos foi o de não ter comprado mais bitcoin; percebi que fui um tanto tímido este ano no mercado de criptoativos. Erros evitáveis no mercado acionário também foram cometidos, sobretudo na interpretação de valuation de empresas de tecnologia, onde super estimei o crescimento no que seria a pós-pandemia; fato é que a pandemia não terminou e as empresas de tecnologia até que deram bons resultados, mas não empolgaram tanto quanto eu esperava no fluxo de caixa estimado.
No trabalho de suporte, o erro maior que identifiquei este ano foi de não ter criado faixas diárias de horários para prioridades no Zoom. A correção depende de ajuste na agenda e virá no início do próximo ano, se relacionando com outra solução para outro erro grave que cometi este ano no suporte, envolvendo os agendamentos da tarde, mantidos em 3 (três) horas; um tempo que se revelou longo demais para aumentar a probabilidade de absenteísmo entre clientes e reduzir ofertas. Poderia ter adotado períodos menores dando maior flexibilidade aos usuários, inclusive com opção de agendamento em sequencia ou intercalado. Eu tinha informação suficiente em 2020 para não insistir em agendamento de 3 horas, mas errei em não ter feito a mudança no início deste ano. Foi um erro de avaliação derivado de minhas preocupações com o eSocial, que não justificaram a insistência. Ter compartilhado a sala no Zoom à tarde entre agendados foi uma medida de contingência derivada deste erro, dadas as circunstâncias de implantação do eSocial e assim irá até o final deste ano. Este outro erro será encerrado, se bem que a convivência, inspirada em salas de treinamento para day trade que acompanhei, ajudou muitos a entenderem problemas do eSocial ouvindo soluções compartilhadas com outros clientes e até criou um clima de coleguismo maior entre usuários. Há o problema da privacidade, no entanto, tratando de problemas técnicos, isso se minimizou em certo sentido. mas não poderá ser mantido, obviamente. A correção será extinguir os agendamentos longos da tarde, aplicando todos em modo exclusivo, e será aplicada a partir de janeiro, com a  adoção de duas faixas de 1 (uma) hora para cada  agendamento (15-16 e 16-17) e uma para prioridades (14-15). Aproveitei e ajustei os da manhã também em duas faixas de 1 (uma) hora cada (09-10 e 10-11), adotando o Zoom, este sim um dos maiores acertos que tive no ano combinado com o TeamViewer licenciado.
Não pude implementar imediatamente a correção de particionar e reduzir o tempo para 1 (uma) sessão/hora, porque agendamentos são complicados para serem desfeitos; enquanto muitos não planejam, há os clientes que se programam e levam muito à serio a agenda (os admiro bastante por isso), e foram muitos, por isso marquei o dia 3 de janeiro de 2022 como o ponto inicial da correção aplicada, revisando os poucos agendamentos que sobraram que foram identificados como contornáveis a partir desta data.
A expectativa é de aumento do foco do suporte e do agendado com a exclusividade ao mesmo tempo em que reduz a exigência de tempo dedicado totalmente ao suporte. Combinado com isso, haverá o fim do uso do WhatsApp em troca de mensagens e a utilização com o conjunto Zoom/TeamViewer para combater a distração do usuário e a falta de sincronia entre as mensagens, visto que estaremos conversando em tempo real, por vídeo conferência ou áudio TeamViewer. O objetivo é reduzir o índice de no-show (não comparecimento), combater a desatenção e a dispersão mental de usuários, problemas que atrapalham a produtividade. Então, no lugar de duas ou três horas, uma hora de sessão exclusiva, fechada, deve impactar o comportamento dos usuários, sobretudo entre os mais tímidos e os mais dispersos, segundo o que observei nos agendamentos compartilhados de duas ou três horas, sobretudo neste último.
Minhas expectativas para 2022 consistem então em superar os erros que pude identificar e analisar este ano, aplicando as soluções em 2022, além de estar pronto para cometer outros, novos erros, descobrir outros tantos que não pude identificar logo e seguir errando para aprender, desde que tais erros não provoquem a minha ruína.
Em que mais irritei?
Em que mais irritei este ano? Aparentemente é paradoxal… Nenhuma novidade em relação ao ano passado; foi, sem dúvida, a DISCIPLINA com horários e compromissos. Notei em alguns clientes um desconforto por chamá-los na hora marcada, com um certo rigor britânico que o atendimento não presencial pode facilitar. Às vezes sinto na pele que cumprir horários e executar o que foi previsto são coisas que podem ser vistas como inconvenientes, ficando no ar um certo “você é um chato!”, sobretudo quando a hora marcada se encerra e a pessoa que não compareceu deseja ocupar a próxima,  reservada para outro cliente, e escuta um “não posso fazer isso”.  Seríssimo defeito neste país tem os que levam a sério as regras do trabalho e os compromissos firmados.
Perfil que não se encaixa
Outra velha lição marcante neste ano foi de que não adianta trabalhar com quem o meu perfil não se encaixa em relação aos imediatismos ilusórios que o uso do WhatsApp proporciona. Escritórios e profissionais sem dia nem hora para tratar de assuntos, definitivamente não darão certo comigo. Como sou uma pessoa muito limitada, humana, demasiadamente humana, faço uso de uma metodologia de trabalho onde demandas são registradas, analisadas, classificadas em níveis de prioridade e executadas na medida da disponibilidade ou seja, em outras palavras, respeito uma coisa chamada escassez, conceito estranho a muita gente “formada”. Esse processo é combinado com uma agenda e uma ordem de serviços para o dia. Quando estou em reunião de suporte, o foco é o mais elevado, e evito desvios de atenção; jamais dou retorno imediato quando sou acionado no WhatsApp, ficando a missão de registro inicial com dona Gioconda, que me passa os registros a serem analisados. O problema é que alguns clientes, e não são poucos, pensam que meu trabalho é uma coisa qualquer que pode ser interrompido a qualquer momento, na lógica do entregador de pizza (sem demérito a este profissional tão útil). No entanto, um entregador de pizza, apesar de executar algo tão padronizado e relativamente imediato, tendo que ser ágil, rápido, também planeja tarefas por sequenciamento lógico e assim consegue ser mais inteligente, racional e eficiente que muitos contadores usuários do WhatsApp que vejo trabalhando apenas por métodos aleatórios. Admira-me que contadores se comportem dessa forma, e esperam o mesmo de um analista e programador de sistemas, que lida também com investimentos, análise de lei e normas infralegais, quando em atividade que exige muita concentração, foco. É uma mentalidade carente de discernimento profissional e creio que muitas coisas em contabilidade também exigem um nível parecido de concentração, com agenda, planejamento de ações, mas isso (pasmem!) simplesmente não existe entre muitos contadores que são meus clientes e assim parecem contaminados pelo peculiar amadorismo de seus clientes, empresários um tanto infantilizados, despreparados, que pensam ser o tino comercial uma coisa suficiente para tomar conta de uma empresa. Por isso, alguns clientes  do suporte ficam irritados com meu jeito de ser e tentam replicar em mim o que passam devido à falta de estratégia no trabalho que executam com seus clientes mimados.
Assunto pesado, então, uma dose do padre ruivo da città di Venezia, Antonio Vivaldi, no inverno da obra “Quatro Estações”, tocada pelas meninas e os distintos senhores do Voices of Music com a solista do violino, Cynthia Freivogel https://www.youtube.com/watch?v=ZPdk5GaIDjo&list=RDPtk_1Dc2iPY&index=5.
Para os que “administram” as coisas só na base do improviso e do imediatismo, achando que o mundo gira em torno do próprio umbigo, a irritação com a minha filosofia de trabalho é algo inevitável. Alguns entram no grupo e, como uma criancinha no jardim da infância, fazendo alguma birra para chamar a atenção, postam na expectativa que eu veja e fique constrangido, parando o que estiver fazendo, não importa o que seja, para atendê-los. Recentemente, uma cliente foi além dessa tradicional birra no WhatsApp, e com requintes de crueldade, insatisfeita por não atendê-la de imediato, usou o grupo para expor um problema que eu não provoquei e tentou me constranger repetindo chamado  inclusive em um intervalo curtíssimo que tive, de 30 minutos (das 13h30 á 14h00) em uma sexta-feira em que comecei a trabalhar às cinco da manhã, onde promovi uma reunião com 35 clientes participantes, que começou às 07h00 e foi até 10h45, com quase quatro horas de sessão, seguida de uma reunião de suporte com um cliente que foi das 11h00 às 13h30, onde fico restrito, fato também de conhecimento dela. Fui até 13h30 nesta reunião fechada, agendada, para cumprir o propósito planejado (ajustar parâmetros tributários e refazer folha do eSocial). Pois bem, nem mesmo os 30 minutos de intervalo que tive para almoço foi respeitado, pois ela tornou a chamar no grupo, talvez pensando se eu fosse  uma máquina, sabendo das regras de atendimento que adoto. Essa mentalidade que coisifica pessoas no trabalho, desumaniza relações, e tem que ser combatida por profissionais de suporte, pois além de ser contraproducente, é altamente tóxica, alimentada por um tipo de cliente/ usuário acometido, talvez, por algum distúrbio de ansiedade que não respeita certos limites caros ao bem estar mental alheio. O problema da cliente: a mensageria do eSocial estava travada com uma senha que foi colocada acidentalmente e ela não sabia. O verbo esperar parece não existir na gramática de alguns usuários, assim como é frequente o problema cognitivo de confundir um “não posso atender agora” com um “não vou atender”.
Planejar, para alguns empresários, inclusive de serviços contábeis, é uma coisa bonita de ser dita, mas na prática, é frescura; mais uma lição repetida este ano. Então, não adianta insistir; sempre os oriento a procurar outro profissional cujo perfil seja o de atender a seus desejos imediatos, um profissional que atende como um cachorrinho abanando o rabo ao perceber o chamado de seu dono, sem dia, nem hora. A impressão que tenho é que desejam um suporte adestrado ou, quiçá, um SUPER HOMEM no atendimento; então não posso satisfazê-los, talvez os robôs da grifes de TI, eis a minha conclusão. Melhor cada um procurar o seu caminho. Boa sorte!
Distrações fatais
2021 foi o ano em que conheci melhor os níveis de distração, desatenção e desinteresse de alguns usuários.
Um exemplo clássico ocorreu ontem no grupo; usuários reportarem que esqueceram a reunião, cujo aviso tinha sido portado recentemente no grupo. Acredito que esqueceram mesmo enquanto acessaram o grupo e passaram pela notificação da reunião. Isso ocorre porque o nível de concentração está muito baixo, a distração elevada, a dispersão mental está altíssima. O usuário vê mas não consegue captar, processar adequadamente o dado diante dos olhos. Tenho uma teoria de que as redes sociais estão agravando o problema porque passam a ilusão de que o acesso facilitado à informação garante boa formação de conhecimentos e melhor consciência do que está ocorrendo.
A falta de atenção adequada por parte de usuários é algo desastroso no mundo da contabilidade. Um erro por desatenção pode derrubar sistemas, gerar documentos com valores errados, ocasionando em multas e outras penalidades, além de atrasar cumprimento de obrigações no prazo e provocar estresse acima do necessário.
Um outro erro por distração me chamou a atenção este ano. Um usuário entregou um balanço apenas com as receitas, com lucro bruto sem deduções de uma empresa no lucro real e só veio descobrir quando notei na ECF Contábil-Fiscal (IRPJ/CSLL) o valor exorbitante dos impostos apurados e o alertei. No dia, recordo que ele estava tentando fechar o balanço e atender alguns clientes por telefone. Eu o tinha avisado que isso é perigoso, mas ele não deu ouvidos. Resultado? Agora está correndo para retificar e justificar à Receita Federal porque o lucro caiu tanto, além de ter que assinar um termo declaratório cujo acesso será possível ao CFC (Conselho Federal), via Sped Contábil, tratando das razões do fato narrado nas notas explicativas do novo balanço.
Muitos usuários vivem na ilusão de que podem fazer muitas coisas ao mesmo tempo e cometem erros por isso. É possível fazer algumas coisas ao mesmo tempo, mas isso exige treinamento e planejamento de ações. Por não fazerem tais coisas, muitos seguirão errando desnecessariamente pelo resto de suas vidas..
15/11/2021
Apreciando a linda obra barroca “Concerto a cinque in D Minor for Solo Oboe and Strings, Op. 9 No. 2: Adagio”, do compositor da então Repubblica di Venezia,  Tomasso Albinoni (1671-1751) https://youtu.be/fyulQKB3ykc?t=221 Peças do maior compositor barroco entre todos que conheço: Bach… https://www.youtube.com/watch?v=AjBoL9E8uIk
E vai completar 30 anos a obra prima Mysteriuos Ways da banda U2, https://www.youtube.com/watch?v=TxcDTUMLQJI. Na atualidade, um pouco do registro de um excelente trabalho que vem fazendo a banda italiana Maneskin; no momento é maior esperança do rock que ficou tão decadente com o politicamente correto e os arranjos enlatados: “Torna a Casa” https://youtu.be/ZZjnfWx0cvw.  E um ensaio de “I Wanna Be Your Slave” e a composição “Zitti e Buoni” que ganhou o Eurovision 2021 e a 71ª edição do Festival di San Remo. A Maneskin acaba de conquistar o MTV Ema 2021 (banda de rock) https://www.youtube.com/watch?v=ssDtj1uL1Go
O suporte passa para registrar uma das atividades mais importantes que realiza fora do expediente…
Leituras
Leio para me manter vivo, para respirar um ar e seguir frente com serenidade neste mundo tão difícil de ser compreendido. Leio para sentir o conhecimento em uma dimensão que excita meu intelecto. Leio para lembrar o quanto a minha ignorância supera o que pude aprender; leio para tentar não cair em bolhas ideológicas, para reformar conceitos, refazer conclusões, avançar no desconhecido ou dar alguns passos para trás.
Quando estou no expediente, procuro exercer tarefas com disciplina e isso envolve uma estratégia, um planejamento e foco. Ao sair do expediente então “troco o chip” e mergulho em outras atividades entre as quais as leituras se situam entre as mais prazerosas. O importante é se desconectar; admiro colegas quando revelam que fazem trabalhos comunitários em igrejas, centros espíritas, outros desenvolvem diversas atividades no lar, aproveitam para cuidar do corpo, enfim, seguem na vida que flui onde temos que aproveitá-la cedendo ao que possa trazer enlevo nos tornando seres humanos melhores.
Atualmente estou lendo (em português lusitano) à francesa, ou seja, degustando lentamente, a obra “Teologia do Corpo”, do papa João Paulo II, onde publico resumos semanais em http://llconsulte.net/2021/11/15/teologia-do-corpo/.
Em paralelo, estou finalizando “Historia de Roma” (sem acento por ser edição em espanhol), do saudoso e conservador italiano (personalidade que teve um admirável humor) Indro Montanelli (Itália/Fucecchio, 1909-2001), que trabalhou como historiador e foi um dos mais importantes jornalistas do século XX porque conheceu Mussolini, presenciou e cobriu o fascismo, o nazismo, a Guerra Fria e os escândalos da mani puliti na Itália, entre vários eventos de grande impacto na geopolítica do século XX.
Em um ritmo mais moderado, por remeter a muitas referências bilbiográficas, além de ser mais complexa, leio (edição em inglês) a obra ON POWER: The Natural History of Its Growth”, do françês Bertrand de Jouvenel (França/Paris, 1903-1987) uma das mais importantes análises sobre o poder, de grande valia no aprendizado sobre a política.
Decidi ler em ritmo mais acelerado a obra “Brasil, Uma História” (em português nativo) de Eduardo Bueno, e estou aprendendo e refletindo bastante sobre as raízes do Brasil; imperdível trabalho deste também espirituoso e competente historiador brasileiro. Nunca deixo de ler alguma obra em português nativo ou de Portugal para reforçar o vocabulário, melhorar a escrita e a fala, da mesma forma que procuro realizar este exercício no aprendizado de outras línguas.  Nativo brasileiro, estou sempre aprendendo português e quero morrer assim…
Finalizei recentemente a obra “1931: Debt, Crisis, and the Rise of Hitler”, do professor suíço Tobias Straumann e pude constatar quanto o “pior, melhor” na economia de instituições falidas e nas contas públicas, ajudou Hitler a chegar ao poder, servindo de alerta para tempos de super endividamento dos estados nacionais no que aparenta ser a pós-pandemia.
Sigo conferindo o best-seller “Stauffenberg, Symbol of Resistance: The Man Who Almost Killed Hitler” (edição em inglês) do escritor e jornalista alemão Wolfgang Venohr (Alemanha/Berlim, 1925-2005) e estou começando a entender melhor como um coronel do exército nazista se voltou contra Hitler e tentou assassiná-lo; suas origens, suas percepções e seus dramas.
Por fim, estou em ritmo habitual, conferindo a clássica obra (publicada em 1904) “Venezia e la sua historia” (edição em italiano) do professor inglês Thomas Okey (1852-1935), que lecionou italiano em Cambridge, sobre a incrível cidade de Veneza, construída entre as águas e sua famosa laguna, onde tive a graciosa oportunidade de conhecer em 2018.
Então, ao me desligar do trabalho de suporte em TI contábil e nas atividades de investimentos em renda variável, me abraço com este trabalho de leituras, procurando registrar um pouco aqui neste blog, realizando um outro exercício que me faz muitíssimo bem: escrever.
Entre muitos benefícios, há um que preciso destacar: as leituras me ajudam a não cair na bolha das ocupações intermináveis que vejo entre muitos contadores e profissionais de TI que se dedicam demais a atividades repetitivas da burocracia, que podem enrijecer o intelecto, impedindo que janelas para o mundo sejam abertas, travando um maior crescimento mental e, por consequência, espiritual. Noto muitos contadores e profissionais de TI um tanto bitolados em tarefas mecanizadas do trabalho, em muitos casos sem dia nem hora, sem tempo para apreciar outros conhecimentos que nos ajudam a mergulhar, com maior profundidade, na dimensão imensa da existência humana em suas mais variadas expressões culturais, artísticas, filosóficas, econômicas, sociais, políticas, teológicas, entre tantas outras. Certa vez fui a uma festa infantil e acabei sendo convidado a entrar em uma roda de contadores e tive que me retirar, pois os assuntos eram os mesmos do cotidiano tão surrado pelas repetições de quem trabalha resolvendo problemas da burocracia forçada por governos: novidades de impostos, mudanças em obrigações acessórias e coisas do gênero; infelizmente, nas minhas observações, não se tratou de um caso isolado. Parece que o mundo de muitos contadores se resume a falar sobre impostos e a trabalhar para o fisco. Talvez, ao considerar o que domina as rodas de contadores, assim como em grupos de redes sociais, se encontre alguns porquês da profissão andar tão em baixa em termos de valorização no meio produtivo, sobretudo nos grandes debates da sociedade. Não só a pobreza de assuntos me chamou a atenção, mas, sobretudo, o conformismo em se dedicar demais a coisas de pouca ou nenhuma relevância para a sociedade e a quem aprecia uma conversa mais adulta sobre o mundo e a condição humana.
É apenas uma brincadeira com um fundinho de verdade… Certa vez um rapaz de vinte e poucos anos veio conversar comigo sobre qual seria a moça de melhor perfil para se casar, na minha opinião. Respondi-lhe que se trata de uma questão muito pessoal, subjetiva, e por isso dificilmente poderia ajudá-lo, no entanto, ele sendo um jovem solteiro, com uma pergunta tão interessante na busca por algum critério (se bem que as coisas do amor desafiam a razão nesse sentido), encontrando uma moça igualmente solteira (jamais esquecer este pré-requisito), decente, bem educada (beleza física vem depois) e, em especial, que tenha lido mais livros do que a quantidade de sapatos que possui, diria que é digna de ser considerada…risos.
08/11/2021
O suporte aprecia Beethoven  nesta agradável manhã de segunda…https://www.youtube.com/watch?v=yajdlBZSw3Y
O cliente é quem manda?
Certa vez ouvi de um marqueteiro contábil que o contador “empreendedor” deve ter a sensibilidade para se “adaptar ao cliente” e assim “encantá-lo”. Esse conceito de encantamento dando mimos a cliente é muito perigoso. O cliente é quem manda? Depende, pois não dá para fazer contabilidade séria com cliente que faz caixa dois, mistura despesas pessoais com as da empresa e não adota boas práticas de controles de estoque, insumos, produção e finanças; desta forma, não cabe “adaptação” e sim a crítica pedagógica do profissional contábil, regido pelos princípios e normas contábeis. O cliente é quem manda? Não, tem que ser educado para a contabilidade. Deve sair o marqueteiro e entrar o contador. O profissional jamais deve abrir mão desse conceito, pois caso contrário, o escritório se transformará em uma linha auxiliar da bagunça institucionalizada pelo cliente, refletindo nas peças de trabalho, assim como nos processos internos de atendimento; o trabalho contábil será reflexo do que ocorre na “administração” (se é que posso chamá-la assim). A produção intelectual do contador ficará exposta à desorganização tolerada, inevitavelmente afetando a sua credibilidade técnica.
Um cliente administrativamente mal educado, bagunceiro, NÃO PODE MANDAR, no sentido de impor decisões administrativas, em um escritório de contabilidade. Se o gestor do escritório deixar um cliente bagunceiro “administrar” os procedimentos, ou seja, assumir o painel de controle dos procedimentos e fazer o que quiser, ficando todos submetidos a ele, com certeza vai afetar gravemente o andamento dos trabalhos com a bagunça e prejudicar os outros clientes. Não é uma coincidência que clientes desorganizados costumam consumir mais tempo em atendimento e, por isso, muitas vezes o lucro com o contrato tende a ser diminuto, podendo chegar rapidamente a prejuízo na medida em que o gestor do escritório vai atendendo aos seus caprichos. O preço de não educar o cliente pode ser o mais caro de um escritório. E quando o cliente só apresenta resistência ao tratamento? Bem, chegou a hora de ser orientado a procurar outro profissional. Certa vez, implantando um sistema, tive que dizer ao proprietária que ele não tinha cultura de contabilidade suficiente para ter um sistema contábil, e essa constatação veio após observar o quanto o contador era sabotado. Investir em cliente assim é perda de tempo.
Alguns contadores têm medo de dizer “não” a clientes desajustados em seus negócios, sobretudo àqueles que os procuram mais para encontrar um “jeitinho” em alguma prática (normalmente corriqueira) fora da conformidade legal. Do ponto de vista da legalidade isso por si só já é deplorável em ser discutido, e na alçada ética é uma questão elementar desconstruir a cultura do “jeitinho brasileiro”, embora, não raramente, subestimada por profissionais que ficam receosos de não mimar o cliente assim e perdê-lo para algum “profissional” concorrente cuja especialidade é oferecer “soluções” para vícios de gestão e legalidades.
Na TI, em termos de desenvolvimento de aplicações, é a mesma coisa. Um cliente desorganizado, indisciplinado, que não respeita processos, queima etapas, e deseja ditar os trabalhos passando por cima das normas técnicas, se torna um desastre se o profissional se submeter a tais caprichos. Trazer a cultura do “jeitinho brasileiro” para dentro das linhas de programação é transformar o software em um produto inidôneo, deplorável, assim como o profissional que se submete a isso está a caminho da própria ruína ética, muito acima dos danos técnicos provocados.
Por isso, jamais permito a um cliente educado na cultura dos jeitinhos, que acha que dinheiro e boa conversa resolve tudo, determinar o trabalho técnico, o que fazer, como e o que deve ser prioridade.
TIVE QUE APRENDER A DECEPCIONAR PESSOAS, DESAPONTÁ-LAS, para o meu próprio bem, além do bem comum que proporciona aos clientes que prezam por boas práticas. Ninguém consegue agradar a dois senhores. Esse negócio de “fazer média” com todo mundo é pura bobagem e chega sempre o momento em que preciso tomar decisões que desagradam certas pessoas, que gostam de uma baguncinha, enquanto agradam as mais organizadas. Quem tenta agradar a todo mundo, no final se queima…
07/11/2021
Esta reflexão é melhor apreciada se acompanha por peças de Mozart https://youtu.be/e3A6rdvkiW0?t=8566
Até o final deste ano farei um balanço de tudo o que ocorreu, sobretudo neste inesquecível ano tão intenso com clientes da trabalhista, onde o desgaste natural foi imenso para todos. Sofremos bastante, mas acredito que estamos sendo recompensados com a evolução de um trabalho de implantação que começou, para muitos, em 2019.
GRATIDÃO aos clientes de sistemas contábeis e da consultoria C1 que aceitaram transferir agendamentos com tempo menor, aos sábados pela manhã, e até terça à noite, em várias ocasiões, demonstrando uma solidariedade que possibilitou mais oferta na agenda aos usuários da trabalhista.
GRATIDÃO também aos clientes da trabalhista que me acompanham, alguns desde os anos 1990, e passaram pelos eventos presenciais sobre o eSocial desde 2013, depois os que foram realizados em Maragogi, Tamandaré, Gravatá, Vitória de Santo Antão, encerrando no Recife (Santa Catarina). Em alguns desses  trabalhos, pude trazer palestrantes do Sped que se apresentaram em 2014 e em 2015. Retomei os presenciais até 2018, quando realizei o último em setembro daquele ano. Então, começamos a implantar em 2019  (grupo 2). Eu já estava implantando em empresa do grupo 1 e pude perceber o tamanho do problema. Até chegarmos nas reuniões desse ano, foi uma longa jornada. Facilidades que muitos usufruem quando começaram a implantar este ano, foram resultados de muito sofrimento entre 2018 e 2020, daqueles que começaram com clientes dos grupos 1 e 2.
A última reunião será no dia 03 de dezembro onde apresentarei um resumido balanço e farei questão de mencionar todos que investiram e acreditam no meu trabalho. Não precisaram falar, dar discurso, pois confiam em mim e provaram isso por ações. São os clientes que agem com grande propriedade diante daqueles que, infelizmente, ficaram apenas nas palavras.
E sobre os que ficaram só no falatório, foram poucos (menos de 10 em um universo que se limita a 80, meu limite de clientes), no entanto, se fosse apenas um, para mim seria desagradável do mesmo jeito ter que mencionar as amargas experiências que me fizeram passar. Princípio fundamental para mim consiste no valor de que se um escritório não confia ou não quer mais mais a TI, deve procurar outra e COMUNICAR a rescisão do contrato, observando as boas práticas da TRANSPARÊNCIA, do RESPEITO  e do PRÉVIO AVISO. Infelizmente, é comum encontrar  “profissionais” que ignoram tais coisas e, não raramente, reclamam quando empresários fazem a mesma coisa com eles. Caem em contradição; a ética passa distante…
Sofri bastante com esse pequeno grupo de (ex) clientes, a começar pela prática lamentável de queimar agendamento reiteradamente; marcar um suporte e não aparecer. Até hoje tento entender como desprezar algo que lhes dá previsibilidade e condições de planejamento estratégico (ou será que essas coisas não importam para eles?). Dúvidas… Se não acredita no agendamento, porque requisitá-lo ocupando indevidamente o espaço de quem leva a coisa a sério?
Há o tipo que até comparece, no entanto, não demora muito e decide fazer outra coisa, sobretudo quando um cliente aparece; não possui política de atendimento para orientar cliente quanto a prazo e viabilidade de tarefas e vive sempre no imediatismo, colocando problemas menores na pauta sem saber priorizar o que realmente importa. Não consegue entender o processo de implantação do eSocial, desprezando ações coordenadas. Nesse grupo estão os que não investiram em certificado A1, não atualizaram o Windows, nem os equipamentos e não querem saber de vídeo, comunicados, reuniões, do site e do grupo. Vivem isolados porque assim desejaram, desde sempre.
Cada um gasta o dinheiro que ganha como bem entende, porém, não me parece razoável fazer questão de dizer que conquistou “um importado zero”, enquanto o escritório padece com computadores velhos, empregados com salários atrasados (nem vou falar do fornecedor de sistemas) e usa internet de péssima qualidade, caindo o tempo todo, normalmente compartilhada com outros escritórios e ainda espera que o eSocial seja bem implantado… O problema maior desse tipo está com as PRIORIDADES.
Um grupo ainda menor decidiu implantar empregados diretamente no eSocial, no entanto, parece que se perderam no controle quando decidiram enviar pelo sistema e acabaram duplicando S-2200, pois não sabiam do conceito de chave (matrícula). Achava estranho as perguntas que enviavam, dando a entender que estavam fazendo tudo na base da “tentativa e erro”, diretamente no portal. Este é o grupo dos que não acreditam na minha competência e por isso, foram orientados a procurar outro profissional ou uma TI compatível com suas necessidades.
O caso mais grave se deu entre os que contrataram um software em paralelo (nada contra, liberdade é coisa sagrada). O problema é que não conseguiram concluir todo o processo ou seja, chegar na FASE 3 (envio de folha), e ficaram com parâmetros tributários impróprios e as folhas com erros de validação. Seus empregados ficaram igualmente confusos, desnorteados, em uma situação hilária sem saberem bem se falavam comigo ou com a “nova TI”, cheia de estagiários mais perdidos que cegos em tiroteio. Que gestão desastrosa! E apesar de tudo isso, tive que escutar do proprietário do escritório: “você sabe que sempre confio no seu trabalho né?”  Teve até pedido de suporte para o tal sistema do concorrente (pasmem!). Para quem figurou nesse grupo tão maluquinho, Óleo de Peroba resolveu. FORAM DEMITIDOS; um alivio não tê-los mais como clientes, enquanto acham estranho que eu os tenha bloqueado no retorno pelo WhatsApp; eis um dos “prêmios” que dou nesse tipo de tratamento que recebo…
Dica a quem acha que palavras me convencem depois do que fizeram comigo: se lerem e refletirem acerca do que estou publicando aqui, no “Buongiorno”, poderão tirar algumas conclusões sobre o que penso de suas atitudes, assim como os valores que tenho como profissional, sobretudo quanto à ÉTICA, um “detalhe” insignificante para vocês…
Por último, há o grupo de clientes “SURPRESOS”, melhor dizendo: HORRORIZADOS, CHOCADOS, PERPLEXOS, com a entrada da DCTFWeb (“e não é que veio mesmo!”). A única coisa que posso lhes dizer: o meu papel foi alertar todos os clientes, com fundamentos legais e com uma certa experiência de quem estuda as ações do fisco brasileiro e acompanha o Sped desde 2007, quando foi instituído, além do conceito de folha de pagamento digital desde dezembro de 2009, algo que viria a se chamar “eSocial” em 2013 quando teve outros nomes: Sped e-FOPAG, depois Sped EFD Social. Infelizmente, não acreditaram nos meus alertas, nem em minha proposta de trabalho agendado; preferiram o próprio achismo e teve alguns achando que o Bolsonaro iria “acabar com esse projeto comunista”. Ingenuidade: JAMAIS SE DEVE CONFIAR EM DISCURSO DE POLÍTICO; será possível tirar alguma lição? E agora pedem “prioridade” para algo que não se resolve “rapidinho” como (ainda) pensam, equivocadamente.
Entre todos esses casos, aprendi bastante sobre o comportamento de clientes e os problemas éticos pelos quais fui desafiado à reflexão. Por isso, creio que sairei deste difícil 2021 como uma pessoa melhor diante de experiências amargas, enquanto importantes para a minha formação humana.
04/11/2021
O suporte aprecia Oltremare, de Ludovico Einaudi https://www.youtube.com/watch?v=6R3fYEFCZz8
O DÉFICIT DE ATENÇÃO ou BAIXA CONCENTRAÇÃO é uma das maiores dificuldades que enfrento durante atendimentos. Por causa deste problema, tenho que repetir inúmeras vezes procedimentos, explicações, sobre assuntos relativamente complexos. O DÉFICIT DE ATENÇÃO ocorre quando um usuário tenta realizar outras tarefas em paralelo que comprometem seriamente o desempenho na atividade relacionada ao suporte.
01. Tratando de pendências de uma determinada empresa no eSocial, o usuário decide acrescentar outra tarefa, e depois outra, e mais outra, enquanto não resolveu a primeira, e isso se torna uma bola de neve. No final, normalmente terá vários problemas NÃO RESOLVIDOS. Quando isso ocorre, eu tento ajustar, mas muitas vezes não é possível, pois o usuário segue acreditando que tem a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e os erros se multiplicam.
02. Durante o fechamento de um balanço, o usuário interrompe várias vezes para atender telefone, dar respostas no WhatsApp e recepcionar cliente que chega no escritório. O nível de distração se eleva demais e o que costuma ocorrer? Balanço errado, Sped também e outros problemas com atrasos. TENHO REGISTRO DE VÁRIAS OCORRÊNCIAS DESTE TIPO.
03. O caso mais clássico se dá quando percebo no Zoom, durante explicações sobre retificação de folha, por exemplo, áudios abertos com usuários conversando outros assuntos, alguns assistindo a vídeos na internet, vendo TV, conversando com clientes coisas sem relação com o que se está tratando na reunião, etc. Um nível de distração muito elevado que o forçará a, reiteradamente, acionar o suporte perguntando sobre algo que já foi explicado.
Acreditar que pode fazer muitas coisas ao mesmo tempo, em muitos casos, não passa de ILUSÃO. É possível fazer algumas coisas ao mesmo tempo, mas tem que ter TREINAMENTO e boa noção de limites.
Além dos custos que tenho, a FALTA DE ATENÇÃO gera custos aos próprios usuários, com atrasos de tarefas e incompreensão de problemas, onde ficam girando sem sair do lugar, em loop, tentando resolver coisas que carecem primeiro de serem entendidas em um nível mínimo de profundidade. Desconfio que este problema, que discorri sucintamente aqui, seja o MAIOR DRAMA DE PROFISSIONAIS DE CONTABILIDADE na atualidade, podendo gerar doenças em relação à ANSIEDADE e à Síndrome de Burnout.
03/11/2021
Nesta linda manhã de quarta, o suporte trabalha apreciando peças de Tomaso Giovanni Albinoni (1671-1750) ao Oboé, da città di Venezia, https://youtu.be/fyulQKB3ykc?t=235
Sobre mentir, dizer o falso, enganar, trapacear pelo discurso
É chato, exige muita frieza, mas funciona melhor tomar decisões com base no que as pessoas fazem e não pelo que elas dizem. Isso vale tanto para investimentos, como para os negócios com sistemas contábeis.
Melhor ainda é decidir inserindo na base de dados os resultados, se livrando da armadilha de analisar as coisas pelas supostas intenções do falante, aqui lembrando Thomas Sowell, economista americano. O caso mais popular, sobre analisar atos e resultados acima do que foi dito e/ou prometido/intencionado, consiste no “estelionato eleitoral”; não raramente, políticos discursam esperando que os eleitores acreditem no que estão dizendo como “verdade incontestável”, sem necessariamente ser a intenção do que pretendem fazer, visto que o que fazem de fato, via de regra, costuma não conferir com o que foi intencionado pelo falar. Então o discurso passa a ter um fim em si mesmo e as supostas intenções na fala são induzidas ao público ouvinte no sentido de que o dito, por si só, resolve um determinado problema, ofuscando as ações e as análises dos resultados reais. Por isso que muitas vezes, eleitores confundem as intenções dos discursos sobre as “políticas públicas”, com os efetivos resultados; a confusão é proposital, feita por políticos e marqueteiros.
No mundo corporativo privado esse problema também é frequente, se bem que se torna potencialmente mais caro (e perigoso) a quem adota esse tipo de falsidade. Um político mente, engana, trapaceia, e os custos de sua falsidade são socializados entre pagadores de impostos. Já o gestor privado que fizer tais coisas pode sofrer muito mais, sobretudo quando não dispõe de pagadores de impostos para cobrirem os prejuízos ou custos das penalidades. Assim como políticos em palácios e parlamentos, um gestor privado vai falar muito mais também pelas decisões administrativas, assim como pelas omissões ou atos tomados sem transparência ou na surdina. No entanto, é comum ver gestor privado seguir a lógica do político diante de eleitores, desejando conquistar as pessoas pelo discurso, apenas. O ser humano é assim mesmo, tendencioso a conquistar pelas aparências; as pessoas vão dormir sossegadas se lhes contarem uma boa mentira… assim segue a lógica que infantiliza ouvintes, sobretudo os mais emocionais.
Por isso que não dou muito cartaz a discurso no sentido de ser fonte de expressão de verdade(s) ou fato(s). Muitas vezes, discurso fala mais nas entrelinhas, nas omissões, nas meias verdades, na retórica, do que simplesmente em afirmações categóricas bem fundamentadas ou até mesmo em apresentação de dados; o próprio discurso pode fantasiá-los ou tentar induzir os ouvintes a crerem na interpretação do palestrante. A mentira, a falsidade, o jogo de palavras,  a meia verdade, são recursos bastante usados por gestores no manejo da palavra, sejam estatais ou privados, sobretudo ao lidarem com o público-massa, além das mesas restritas de negociações quando seriamente confrontados, levando em conta que seres humanos são agentes emocionais, sentimentais, e costumam não reagir muito bem à sinceridade. Não estou, de forma alguma aqui justificando tais coisas por parte dos dissimuladores e falsários de cada dia; apenas atestando o cuidado que se deve ter com discursos, elogios em público, retórica, apelos e todo tipo de adereço emocional no uso público da palavra.
02/11/2021
Hoje pensando nos que foram ouvindo Lacrimosa, de Mozart https://www.youtube.com/watch?v=AX9hrrcPjWc, e também em uma passagem do general Maximus no épico filme Gladiador:
“O que fazemos na vida ecoa por toda a eternidade!”
Frase talvez inspirada no imperador Marcus Aurelius Antoninus (121-180).
Em seguida,  Ave verum corpus e Requiem, de Mozart, com a direção de Claus Peter Flor, regência do Coro pelo maestro Claudio Marino Morettino, no Teatro La Fenice, da incomparável città di Venezia. https://www.youtube.com/watch?v=Nckjda8S1vY
CriptoCont
Parece paradoxal que Contabilidade não seja uma questão importante na vida de muitos contadores e escritórios, sobretudo quando confundem serviços da burocracia com um autêntico labor contábil. Certa vez um proprietário de escritório me perguntou porque decidi rescindir contrato de TI e a resposta que recebeu foi de que eu notei que Contabilidade não é um assunto importante nos negócios do escritório, apesar do marketing no site dizer outra coisa. Alguns chegam mesmo a detestar Contabilidade quando confrontados com alguma situação que exigiria capacidade de interpretação de fatos (contábeis), escrituração, elaboração de demonstrativos e análise de resultados. Tinha sido contratado para trabalhar na implantação de sistema de contabilidade com integração em diversas bases e o que vi foram alguns poucos clientes da carteira do escritório, menos de 10%, com livro caixa em modo sintético, nenhum balanço produzido em meio a empregados atarefados em serviços de geração de guias de recolhimento e emissão de notas fiscais. Tinha de tudo naquele escritório sobre o manicômio tributário, menos trabalho contábil de alto valor. Então, minha presença na vida daquele escritório não fazia o menor sentido pois estava reservando tempo para um propósito que estava ocupando o espaço de outros trabalhos que demandam desafios genuinamente baseados em TI contábil, fazendo parte do meu crescimento profissional.
CriptoCont é uma visão de TI Contábil para entender o que é e como funciona o mundo dos criptoativos, identificando problemas, estimulando clientes a investirem nesse processo, construindo com eles as soluções; é o resultado de oito anos estudando e investindo em criptoativos.
O paradoxo do contador que não faz ou não gosta de contabilidade simplesmente não cabe nos propósitos do CriptoCont. É contabilidade do início ao fim na era de tecnologias inspiradas nas triplas partidas do blockchain e nos impactos socioeconômicos dos criptoativos. Em 2022 vou promover o CriptoCont entre clientes de sistemas contábeis da Exactus, restrito aos da LLConsulte, disseminando conhecimentos sobre criptomoedas para uma compreensão melhor dos fenômenos econômicos envolvidos e questões contábeis visando atender negócios que cada vez mais demandarão envolvimento com criptoativos, desencadeando necessidades de ajustes nos sistemas, sejam pelo reconhecimento de receitas, sejam por avaliação de ativos, sejam na busca de integração de dados com plataformas que fazem dos sistemas contábeis atuais, peças de museu (não deixarão de serem importantes por isso). Mais importante que o bitcoin  (BTC) é a tecnologia blockchain; Satoshi Nakamoto apresentou ao mundo uma ideia matemática em banco de dados que inspira modelos de integração em níveis altamente seguros de criptografia, ao mesmo tempo em que possibilita que entidades compartilhem entre si suas transações contábeis, das origens (débitos) às aplicações (créditos) em tempo real e em modo de autenticação de lançamentos que torna os lançamentos no “livro diário” legitimados em termos digitais (partida tripla), dispensando registros físicos, sendo assim uma revolução na Contabilidade comparável ao que ocorreu na península itálica no alvorecer das partidas dobradas observadas e descritas por Luca Pacioli (1447-1517).
Será a mais importante jornada em 30 anos de vida profissional nesse processo de transição da TI voltada à Contabilidade, como é escriturada normalmente, e como se tem em perspectiva mediante tecnologias impactadas pelas criptomoedas e pelos criptoativos. Contadores e profissionais de TI que se dedicarem a esse novo universo contábil, ficarão décadas à frente dos que se conformaram a ser serviçais do fisco.
31/10/2021
Ética
“Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-vos vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.”
(Mateus 7,12, tradução na Bíblia de Jerusalém, maio/2000)
Um contador decide fazer visitas sistemáticas a empresas de um bairro, por indicação de um amigo que conhece os empresários e funciona  como “cartão de visita”, oferecendo serviços “gratuitos” de consultoria no intuito de identificar eventuais falhas de colegas, as apontando aos visitados no intuito de assediá-los.
Um empresário decide registrar empregados com salário abaixo do piso previsto em convenção coletiva e o contador, ao ser questionado pelos empregados, após ser orientado pelo empresário (inversão de papéis) para realizar o procedimento “de qualquer jeito senão outro assumirá o seu lugar”,  responde (o contador) aos empregados que tem que “amarrar o burro onde o dono manda”.
Outro empresário decide demitir uma gestante com dois filhos menores e o marido desempregado; a trabalhadora resolve questionar o procedimento ao contador responsável pela trabalhista da empresa e recebe a mesma resposta dada na situação anterior.
Um contador terceiriza escrituração contábil e a elaboração de demonstrações com outro contador e assina as peças contábeis no lugar de quem realmente as produziu. Essa situação fica mais curiosa quando o contador que terceirizou os serviços não sabe o que é débito e crédito e costumar dar “aulas” em uma faculdade de ciências contábeis.
Um trabalhador, sem o registro formalizado, sofre um acidente de trabalho alguns dias depois de ser admitido e o contador, responsável pela escrita trabalhista, aconselha o empresário a registrar o vínculo com data retroativa anterior ao fato. Ao ser questionado por um expert, que trabalha na empresa, sobre a falta do ASO admissional, o contador promete que, caso seja necessário pode conseguir um retroativo com um amigo que sempre “dá um jeito”.
Um contador vive reclamando de empresários que o trocaram de forma desrespeitosa, na surdina, enquanto faz a mesma coisa com empresas e profissionais de TI que lhe prestam serviços.
Outro contador deseja ser atendido imediatamente por um profissional de TI e consultoria muito disputado, e então o assedia para que desmarque compromissos agendados com outros colegas de profissão. Para convencer o assediado, o contador faz um PIX em sua conta com a mensagem de que  “não se joga uma oportunidade fora para ganhar um extra”.
Um empresário procura o contador após sua empresa ser excluída do Simples e recebe a “solução” de declarar a GFIP, e agora o S-1000 do eSocial como se estivesse ainda como optante. O empresário sai satisfeito até que em alguns meses depois é notificado pela “Operação Falso Simples” e eis que o mesmo contador sugere abrir uma empresa de fachada, em nome de um sobrinho do cliente, para transferir os empregados e resolver outras pendências envolvendo dívidas tributárias.
Em meio ao prazo se encerrando para apresentar balanço, um contador inventa empréstimos no livro diário para cobrir o caixa estourado de cliente cujo hábito é vender 20% do que compra e registrar despesas em nome do CNPJ, reiteradamente. Toda vez que é questionado, o empresário leva na “boa conversa” e sempre recebe a resposta que tanto deseja ouvir do contador: “está bem, darei um jeito, mas só desta vez hein…”.
Ainda bem que os casos discorridos acima são apenas “obras de ficção”, produtos de minha imaginação, não é mesmo? Alguns diriam que se tratam de questões técnicas. Imaginemos tais situações ocorrendo no “mundo real” e assim as penso, sobretudo, como QUESTÕES ÉTICAS. Antes da técnica deve vir a ética para dar as diretrizes para todo profissional no sentido do que deve fazer diante de valores e princípios.
O papel da ética é nortear ações no sentido de preservar as boas práticas que dizem respeito não somente à legalidade das orientações técnicas e dos atos administrativos delas derivados mas, sobretudo, para dar guarida à dignidade do profissional que é responsável pelas orientações.
Como todo ser humano normal, cometo erros e a ética é um saber insubstituível no meu cotidiano para sinalizar, no meu foro íntimo, se o que estou fazendo é correto ou fere algum princípio para o meu saudável exercício profissional. Uma das situações vivi recentemente ao lidar com um profissional de contabilidade fazendo um PIX em minha conta para tentar me convencer a mudar de ideia sobre algo que não poderia ter mais volta por descumprimento de um acordo. A ética foi fundamental para que eu entendesse que deveria devolver o PIX informando ao emitente sobre a minha rejeição. Em outro caso, a ética foi fundamental para que eu entendesse a necessidade de dar um categórico NÃO a um contador que pediu para que eu desmarcasse um compromisso com outro colega, para assim priorizá-lo no mesmo dia e hora, oferecendo-me um “incentivo financeiro”. Perguntei ao profissional se ele gostaria que alguém não comparecesse a um compromisso marcado porque outro colega pagou para que fosse atendido em seu lugar. Não obtive resposta e então pensei em Mateus 7:12.
A ética é menos uma coisa que se fala e mais uma coisa que se faz. Na ética, não adianta apenas ter o discurso ou ter dinheiro para satisfazê-la; é preciso estar amparado por atos que comprovem continuamente o que se diz acreditar em termos de valores e princípios. A ética não está à venda.
Com ética é possível traçar códigos de conduta, reparar erros, assim como identificar e evitar injustiças, sendo a “regra de ouro” do Sermão da Montanha”, para mim, o mais importante referencial no tema.
Infelizmente, ressalvando-se as devidas exceções, ética entre contadores me parece algo sem o destaque merecido e não sei dizer exatamente os porquês, mas desconfio que tenha alguma relação com a formação legalista em que muitos contadores foram conduzidos, sem uma base robusta em filosofia, assim como falta de conhecimento mais preciso sobre os princípios da Contabilidade que, para serem observados com uma mínima precisão, exigem que o profissional tenha valores e disciplina, sendo fatores que se chocam com a cultura do “jeitinho brasileiro”.
Por fim, desconfio que a pobreza ética entre contadores tenha uma relação com distanciamento de muitos com a Contabilidade, uma atividade ética por natureza.
28/10/2021
O suporte aprecia Hauser tocando meu autor barroco favorito: Bach: https://www.youtube.com/watch?v=CvglW3KNSsQ Em seguida, uma sequência de peças ao violoncelo deste gênio barroco: https://www.youtube.com/watch?v=xzN6VwiZYMo
Teremos 6 (SEIS) reuniões no Zoom até o final do ano. As próximas três reuniões estarão focadas no fechamento do eSocial, na DCTFWeb e na Reinf, com seus desdobramentos (créditos, compensações e reembolsos). A última reunião será no dia 3 de dezembro. As reuniões dos dias 19/11, 26/11 e 03/12 terão maior ênfase nos preparativos do décimo terceiro no eSocial e na DCTFWeb 13.
As reuniões podem retornar em 2022, dependendo das análises que farei com bases nas observações que anotei e nos comentários que irei habilitar em formulário. Em primeira análise, pesa negativamente a FALTA DE INTERESSE por parte de alguns clientes, alguns demonstrando  DESPREZO pelo meu trabalho. Pesa positivamente o apoio forte de clientes que mencionarei nas próximas reuniões.
Tenho como exercício constante procurar ver as coisas como são, e não como gostaria que fossem. Entre falhas e acertos, as reuniões se revelaram produtivas, ajudando clientes a terem um melhor entendimento do complexo cenário em torno dos habituais abusos do fisco apoiado por entidades de parasitas como o CFC e a Fenacon, em relação às obrigações acessórias, onde vale o dito “o Brasil não é para amadores”. Empurrar o eSocial no grupo 3 goela abaixo em um difícil ano pandêmico foi um exemplo de uma cultura de exploração de contadores pelo aparato estatal que provoca o atraso da sociedade em termos de competitividade econômica. O lado bom das reuniões foi o apoio, a participação proativa e as dúvidas de clientes nas interações. Pude identificar falhas nos sistemas, corrigir alguns procedimentos, escutar melhor os clientes e disseminar conhecimentos para amenizar efeitos da enorme pressão que eles passam com o fisco e os clientes.
O lado negativo das reuniões no Zoom com clientes diz respeito ao baixo quorum, cerca de 35% do público-alvo, ficando os  65% no lado dos que preferiram se apegar à falta de  interesse pelo trabalho e/ou pelos assuntos tratados (eSocial, Reinf e DCTFWeb), uns tantos parecendo apostar apenas em adiamentos, outros priorizando outras coisas. Alguns se recusam a participar do grupo (por motivos bem variados), e sendo pré-requisito para acesso, não participam das reuniões; outros demostraram um certo DESPREZO categórico pela inciativa, isto posto porque identifiquei alguns atos que vão além do desinteresse em acompanhar publicações no site, no grupo e nas reuniões; refiro-me a casos de desrespeito evidente do tipo “sugerindo” que eu parasse de fazê-las com “escritórios desprezíveis”, indicando arrogância e falta de ética profissional, vícios que não ficarão baratos em minhas análises, revelando também um certo incômodo em ver conhecimento sendo disseminado, aumentando chances de outros profissionais seguirem neste conturbado mercado. Outros casos foram mais explícitos como os que ligaram para os telefones fixo e celular em pleno horário das reuniões, sabendo o que estava acontecendo, e ainda insistindo para serem atendidos de imediato, como se o que estávamos fazendo fosse algo sem qualquer valor.  Em quatro ocorrências resolvi atender para atestar a situação; além do desprezo pelo trabalho, revelou uma falta de respeito com os colegas participantes (problema ético gravíssimo); é o típico caso de quem pensa que o mundo gira em torno do próprio umbigo e acha que o dinheiro compra tudo; não por coincidência, são os mesmos que não gostam de atendimento planejado (agendamento), querem tudo de imediato, e quando agendam, não comparecem, além de também não raramente solicitarem várias demandas após queimarem um agendamento, querem o tempo todo invadir o horário de outro cliente. Sabendo que estou em reunião restrita, são as mesmas pessoas que ligam para os celulares e insistem, apesar de serem informadas que estou em agendamento que exige dedicação ao agendado. Teve até um caso que enviou mensagem ao WhatsApp de minha filha adolescente; foi advertido e na próxima vez, será bloqueado do atendimento por este canal, ficando restrito ao e-mail. São pessoas que se revelaram egocêntricas de tal maneira que desprezam uma vida em comunidade profissional que respeite o espaço do outro, os compromissos firmados, assim como fundamentos  do que posso reconhecer como um relacionamento profissional civilizado.
Como empresário, jamais contrataria clientes classificados nas seções de “desprezo” e “desrespeito” no relatório interno, cujas ações foram sucintamente discorridas no parágrafo anterior, sabendo que são tão fracos em termos éticos e, em casos mais graves, altamente tóxicos. Por isso, não trabalharão mais comigo em 2022; eis uma meta que tracei após essas experiências tão reveladoras.
25/10/2021
O suporte está regado a Chopin… https://www.youtube.com/watch?v=Jn09UdSb3aA
Quando chega a hora de demitir um cliente…
Da série de textos “impublicáveis”, agora penso no momento em que identifico a necessidade de se demitir um cliente.
Não dá para adotar aquela conversa fiada de que “o cliente sempre tem razão”. Um cliente educado assim tende a se tornar um potencial problema cuja ética nunca é bem vinda e quem lhe presta serviços acaba se tornando seu refém. A relação de prestação de serviços de TI, assim como de prestação de serviços contábeis, é uma via de mão dupla, e do outro lado, do prestador, também pode haver análise sobre a viabilidade que justifique continuar com um contrato. Então, demitir um cliente é uma questão que deve fazer parte não somente do que se prevê em contratos, mas algo a ser avaliado periodicamente.
Acendeu a luz de alerta em meu painel de controle sobre um diretor administrativo por meio de uma conversa onde para cada palavra que eu usava ele sempre me interrompia demonstrando falta de respeito pelos colaboradores de um determinado setor, ao falar de suas supostas capacidades cognitivas, fazendo piadas sobre o que achava ser questão de “limitações úteis” pois às vezes é melhor ter empregados “assim meio burrinhos, menos esclarecidos porque são mais obedientes que os mais preparados”. Não gostei e as considerei como brincadeiras de mau gosto. Respeito aos colaboradores é algo sagrado e passei a compreender melhor a forma como me tratava na minha ausência pois, por ato falho, deixou escapar um termo depreciativo associado a algo que eu tinha sugerido. Faltava-lhe gentileza no trato com empregados sob seu comando, brincava com as funcionárias com um certo fundo sexista, gostava de bancar o galanteador, enquanto me tratava com piadas degenerativas sobre religiosos por saber que, na época, era seminarista, apesar dos avisos que dava sobre a “falta de graça”. Parecia uma seda com clientes e superiores na cadeia de comando. Não media esforços para desqualificar e demitir subalternos se chegasse na diretoria algum questionamento sobre sua competência; sabia de detalhes de erros antigos cometidos por colegas e os usava frequentemente nas argumentações perante os superiores. O assédio moral era uma prática constante de “manutenção de território”, um problema grave em ambientes profissionais. Não gostou da nova diretora de RH porque estava propondo uma revisão nas práticas internas da empresa e assim preparou um dossiê e deu um ultimatum à diretoria que a demitiu. Chegava a pedir a supervisores que fingissem descontentamento com ele, em conversas informais com determinados empregados, apenas para descobrir os insatisfeitos ou com algum repúdio à pessoa dele e assim demiti-los. A alta toxidade do indivíduo, considerando o enorme prestígio que tinha na direção, me fez tomar a decisão de sair. Acho que até hoje ele não entendeu: a empresa pagava em dia, relativamente bem, e resolvi rescindir o contrato? Trabalho duro para não depender da convivência com pessoas assim e poder dispensá-las. Analisar clientes é algo a ser sempre realizado e no caso de pessoas tóxicas, com bastante rigor; a demissão acaba sendo o caminho inevitável quando se tem preferência pelo bem estar mental.
Eu outro caso, o uso de recursos humanos não devidamente apropriados, para trabalhos de relativo alto nível técnico, foi algo que percebi como proposital diante do que significava meu trabalho para o cliente: fazer a parte difícil que os colaboradores deveriam saber. O sujeito me tinha como alguém “competente” no sentido de ter em sua equipe empregados esforçados, porém inaptos, e o resultado dessa combinação se dava por tardes inteiras do suporte alugado exclusivamente para resolver suas demandas. Neste caso, avaliei o custo benefício de mantê-lo, pelo tempo excessivo que ocupava, pelo que pagava e o pelo que estava disposto a pagar em termos de reajuste, enquanto prejudicava o atendimento aos demais clientes. Resultado? Inviável mantê-lo. O volume de chamadas aumentava progressivamente enquanto o cliente recusava qualquer conversa sobre revisão de honorários e adoção de medidas que envolviam treinamento de colaboradores (para reduzir as chamadas de suporte) e a melhoria do ambiente de trabalho, beneficiando os empregados visivelmente estressados.
A deslealdade é outro fator que pesa de forma definitiva na decisão pela demissão de um cliente. Um caso que me ajudou a aprimorar esse conceito foi de um cliente que solicitou um acompanhamento especial para correção de uma falha na configuração que ele fez ocasionando uma integração contábil inadequada, com um plano de contas não conferido. Apressado, decidiu fazer de qualquer jeito um procedimento que exige calma e concentração; o resultado foi uma DRE e um balanço errados e o atraso na entrega ao cliente que precisava para uma prestação de contas. A minha função de TI envolveu um trabalho de acompanhamento que o fez concluir as alterações em uma semana sobre algo que levaria cerca de dois meses, pois envolveu nova importação de lotes contábeis com registros ajustados através de uma rotina de programação. Concluído o trabalho, infelizmente, na reunião com o administrador da entidade (cliente do escritório), o contador (meu cliente) ao se sentir pressionado, decidiu terceirizar a culpa; disse que o atraso na conclusão do balanço se deu por um “erro da TI”. Em outra ocasião tinha alegado, sobre um balanço reprovado por uma auditoria, que o estoque negativo estava no documento por “falha do sistema” em não avisá-lo do fato, como se o software tivesse que fazer o papel do contador. Fiz a advertência ao cliente para algo tão primário e pedi que não misturasse as coisas. Ele já estava “por um triz” quando veio o segundo caso, e acabou sendo a “gota d´água” derradeira para uma demissão, apesar dos apelos, das mensagens enaltecendo minha “competência”, a deslealdade como fato se sobrepôs categoricamente às palavras. Discurso comigo só funciona se tiver amparo em fatos por ações comprobatórias. Toda deslealdade que sofri com clientes acabou terminando em demissão, pois o relacionamento deve ter com um dos pilares a confiança; uma vez perdida, não se recupera a ponto de justificar a continuidade de um relacionamento profissional em meio a tantas responsabilidades legais. Conservar um cliente que cometeu uma deslealdade é uma receita eficaz para que ele “monte” de maneira que tenderá a cometer coisas piores; o ser humano é um agente baseado em estímulos e o mal tem que ser cortado pela raiz.
A inadimplência por si só não é motivo para demissão de um cliente; O contexto é o que pesa; clientes com certa historicidade de anos, e até décadas de vínculo, passaram por momentos difíceis e foram mantidos pela confiança, com base em um relacionamento robusto, de mútuo respeito, o que facilita negociações, revisões de valores e parcelamentos. No entanto, quando a inadimplência é acompanhada da falta de satisfação ou desinteresse em tentar encontrar uma forma de contornar ou minimizar seus efeitos, ou quando se torna uma rotina em meio a sinais de consumo alheios às responsabilidades para com os credores, então, chegou o momento de demiti-lo. Certa vez, um cliente que passou 12 meses inadimplente, após negociações e parcelamentos fracassados, argumentou que “eu não iria desejar perder um cliente, pois a vida não está fácil para ninguém”, como se a sua saída fizesse falta do ponto de vista do que de fato viabiliza um negócio: receitas de clientes.
Há também a situação do cliente que se julga mais sabido que os outros, e assim toma decisões na surdina, em vez de consultar o suporte, muitas vezes por interesses de substituição de sistemas como se tivesse lidando com alguém imaturo que bloquearia o sistema por saber que será substituído. Impressiona a falta de profissionalismo de alguns contadores. Neste ponto, é sempre imperativo o respeito a regras básicas em torno de “aviso prévio”. Infelizmente, o que predomina é esconder para dispensar a TI e tentar fugir ao máximo do tempo de aviso prévio. Aprendi que décadas de vínculo nada contam para algumas pessoas cujos fins justificam os meios. Cliente que atua assim, quando descoberto, recebe então uma notificação para estabelecimento de um cronograma de desligamento. A demissão neste caso passa a ser planejada pelo suporte, tudo feito às claras, dentro de prazos que vão de 60 até 120 dias, podendo ser prorrogado, dando previsibilidade a ambas as partes, algo bem diferente de se fazer às escondidas, sem cronograma, sem metas, sem considerar aviso prévio, como se deu originalmente pelo comportamento antiprofissional do cliente. Infelizmente, ética ainda é uma palavra bonitinha que alguns usam no site na parte que fala sobre “missão e valores”; nada além disso.
Deficiências do contador-massa
Identificar riscos potenciais, estabelecer ou atualizar diretrizes e definir prioridades para os negócios não são práticas comuns entre contadores que conheço e talvez, imagino,  algo predominante em termos gerais. Percebi este problema observando como alguns proprietários de escritórios demonstram não saber, em melhor profundidade a natureza e a dimensão de problemas que dizem respeito a demandas técnicas dos próprios serviços que oferecem, assim como de seus significados perante a sociedade produtiva.
Contadores fazem algo próximo da “análise de cenários” quando induzidos por alguém que tem o interesse de lhes vender algo, normalmente um vendedor ou marqueteiro de software e/ou de consultoria que bate à porta e, de forma oportunista, antiética, os assustam para em seguida lhes oferecer um “remédio” para as dores, muitas vezes tratando os sintomas e não as causas dos problemas. Contadores por si mesmos raramente demonstram capacidade de pensar o ambiente de riscos que os ameaçam no propósito de estabelecer uma ação planejada. Até possuem certa consciência de perigos, mas não conseguem traçar caminhos sem que um influenciador os pegue pela mão e os conduza, ficando a impressão que são manipulados.
Teoricamente, considero que a formação e o ambiente profissional dos contadores não os estimulam para atividades proativas. Não pensam o mundo procurando compreender cenários porque estariam sob uma “formação áulica” e limitada ao legalismo que não os inspira a “sair da caixa” ou “furar a bolha”. Outro problema diz respeito ao atraso natural do ensino formal, das faculdades, ao que acontece nos mercados; o ensino regulado segue uma cadeia de referências bibliográficas engessadas e, muitas vezes, sob interesses políticos regulatórios, se revelando sempre atrasado alguns anos (ou décadas) em relação às técnicas ou inovações que surgem nas empresas e esse problema me parece insolúvel. Tecnologias de escrituração em blockchain trabalham formas de contabilização revolucionárias confundidas como se fossem apenas assuntos de TI; modelos de integração contábil com bases de dados em múltiplas camadas usam técnicas de contabilização inovadoras em robotização, igualmente confundidas com meros assuntos de TI; sistemas integrados usando técnicas contábeis que fazem das orientações formais em sala de aula, coisas do tempo das cavernas, entre outros. Os graduandos em contabilidade, se quiserem ficar atualizados, terão que buscar conhecimentos em empresas e não em faculdades.
Vejo que contadores normalmente são mais preparados e estimulados para lidarem com o imediatismo do operacional da burocracia e dos impostos, funções que, diga-se de passagem, não passam de adereços dentro da imensa relevância da Contabilidade para uma sociedade baseada na cooperação econômica. E ao se limitarem às exigências do operacional do Custo Brasil, acabam tendo pouca importância na cadeia de geração de riqueza e na percepção dos que fazem a roda da economia girar: primeiramente, os empreendedores/investidores, seus clientes, e aqueles que se relacionam indiretamente com eles, os fornecedores de recursos humanos, mais conhecidos como “trabalhadores” ou “empregados”; em suma, não ficaria surpreso se uma pesquisa séria indicasse algo no sentido de que o público leigo em contabilidade vê não somente o “contador”, mas a própria “contabilidade” (ou o que entendem do termo), como coisas da burocracia, nada além disso.  Vejo alguns “influencers” tentando descontruir isso, o que me soa louvável, mas o que predomina no meu cotidiano é o “despachante” e o empresário que confundem burocracia e impostos com “contabilidade”, sem noção do que acontece nos fenômenos da economia que lhes impacta seriamente, onde a burocracia e os impostos são causas de problemas e não soluções. É evidente que há contadores que prestam consultoria e são estratégicos para empresários e conheço alguns poucos, mas não estão na regra e sim no raríssimo lado das exceções; estes têm honorários bem superiores à media e nem querem saber de certos serviços da burocracia, como o eSocial e os módulos do Sped; estão em um nível estratégico e não dedicam tempo para as bugigangas tecnológicas do fisco.
Ao não serem estimulados a pensar de forma mais abrangente o mundo e, ao mesmo tempo profunda dos mercados, os contadores-massa, ou seja, os medianos que vivem na “manada de mercado”, acabam sendo suscetíveis a questões que se tornam, não de forma incomum, uma “bola de neve” com a falta de percepção mais acurada do ambiente de negócios ou até mesmo da assessoria de quem pensa por eles (quando tem alguém de confiança nesse sentido), como observo agora diante da entrada da quarta fase do grupo três do eSocial. Escutei de um recentemente que se sente “despreparado”: “Como pude deixar que isso chegasse a esse ponto?”, referindo-se a perceber que está com muitas questões para resolver com clientes viciados em “jeitinhos” e com dados precários,  além de ter subestimado os problemas, apostando em adiamento ou em alguma “solução” de última hora, por meio de uma TI como se fosse uma coisa milagrosa. E do lado dos que estão “preparados”, apesar de se ufanarem pelo suposto “planejamento estratégico”  que adotaram, escuto queixas reveladoras sobre a “desvalorização” por conta de honorários com preços mais baixos, sendo mais uma deficiência de leitura do mundo, entenda-se  mercado onde estão inseridos, algo que só pode ser melhor compreendido tendo a capacidade de avaliar cenários onde descobririam que lidam com serviços “comoditizados” e de baixo valor agregado.
Outro ponto que me chama a atenção é que ao não entenderem a importância de analisar cenários e avaliar problemas, bem como o mercado, periodicamente, tendo assim uma leitura melhor do mundo que os cerca, contadores se afastam bastante da possibilidade de assessorarem clientes em nível estratégico, fazendo uso da contabilidade e de conhecimento correlatos; acabam na mesmice, presos a serviços de baixo valor agregado, envolvidos por quem lhe fornece TI  e conduzidos por interesses que não fazem a menor ideia, achando que estão se dando bem na crença de se criar problemas artificialmente para que facilidades sejam vendidas; entram em uma dança de coisas que beiram a inutilidade onde está invertida a lógica de uma autêntica relação econômica de mercado, baseada no interesse de contratar alguém ou algo para se obter retorno econômico e não como um “mal necessário”.  Parecem satisfeitos com a vulnerabilidade de depender de serviços que apenas são contratados porque há “obrigação de fazer”, preferindo ficar nas mãos de políticos legisladores e lobistas, gente oportunista que os vê apenas como peças dentro de um jogo de exploração ideológica. Assim, além de servirem de mamulengos para lobistas no negócio do Custo Brasil, se tornam um item indesejado na lista de despesas de uma empresa.
20/10/2021
Foi uma agradável manhã ambientada com Debussy, Liszt, Mozart, Chopin, Beethoven… https://www.youtube.com/watch?v=mDeMf0iJQ5I
Muitos problemas no meu trabalho demandam reflexão, pesquisa minuciosa, análise/interpretação de textos legais e avaliação de dados, muitas vezes precários. São mediatos e não imediatos e acredito que um autêntico trabalho de contador também envolve bastante isso; sendo assim, é importante EDUCAR os clientes para compreenderem que o serviço prestado não é coisa qualquer e muitas vezes envolve problema que NÃO se resolve de bate pronto.
Não tenho pressa alguma diante de um problema técnico. Não permito que a ANSIEDADE de um cliente me contagie, caso contrário, atrapalharia o trabalho de compreensão do problema, travaria o raciocínio e desorganizaria o processo de atendimento. Muitos confundem prioridade com improviso, pressa e até bagunça. Prioridade é uma coisa ORGANIZADA, definida em processo, pensada, para ser executada por preferência, ação coordenada conforme critérios técnicos e não na base do “fazer de qualquer jeito”.
Alguns profissionais de contabilidade e de TI, dominados pela ansiedade dos clientes, vivem presos na mentalidade do leigo que não entende e acha que tudo é “rápido”, “automático”; não pensam e acham que tudo é por intuição. Profissionais assim acabam sofrendo esperando respostas imediatas para questões meditadas, que demandam tempo no processo de solução. O técnico é o contador, o TI, o leigo é o cliente. NÃO SE DEVE INVERTER ESSE PAPEL. Ao leigo não cabe determinar o que o técnico deve fazer, assim como o tempo necessário de uma tarefa. Muitos contadores invertem isso e deixam os leigos (clientes) dominarem o próprio trabalho; caem na ilusão de entregas rápidas de questões complexas espelhando o amadorismo dos clientes. Agem como se fossem entregadores de pizza.
Penso que falta maturidade na profissão para quem vive assim; melhor conhecimento sobre o seu significado. Entre jovens pode ser até natural, pela falta de experiência, mas entre contadores com mais de cinco anos de mercado, o comportamento de entregador de pizza se torna um sinal de alerta que, talvez, careça de assistência psicológica.
19/10/2021
É uma linda manhã de terça para apreciar Fly Me To The Moon com o trio Layers https://www.youtube.com/watch?v=31wt1SahLVo e em seguida, peças do século XVIII de Luigi Rodolfo Boccherini https://www.youtube.com/watch?v=zZbcIVTuHKQ
Também é um momento oportuno para lembrar  que as recentes críticas estão acompanhadas de sugestões, bastando para isso um pouco de espírito desarmado:
“A falta de uma política de atendimento deixa todos perdidos. Percebi em alguns casos que faltou coordenar equipes, revezar tarefas, estabelecer escalas de funções para que o eSocial fosse uma rotina diária, estabelecendo rodízio entre empregados, deixando todo dia sempre um exclusivo com o eSocial. “
Nervosismo, irritação e ansiedade costumam cegar o entendimento. O texto talvez dê alguns insights, aliás, um dos maiores problemas que enfrento é a baixa concentração entre usuários para enxergar orientações que estão bem diante dos olhos. A dispersão é grande; usuários são expostos a muitas demandas ao mesmo tempo e sofrem não sabendo lidar com um ambiente multitarefa sob alto volume, seja porque não possuem diretrizes para se orientarem na execução de tarefas, e assim são facilmente envolvidos, sem saber como proceder, frequentemente abandonando tarefas importantes quando um cliente (via regra, mimado) chega pedindo tudo “para ontem”, seja porque porque foram “treinados” para enxergarem apenas problemas imediatos, sem discernir condicionantes nem prioridades; juntando o medo de desagradar o cliente, não conseguem raciocinar por uma compreensão melhor do que precisa ser feito e o que pode ser realizado no momento. Assim, não identificam corretamente o que pode ser colocado em fila para ser resolvido dentro de um prazo razoável. Percebo que é comum estarem envolvidos por um vício de se acharem com onipotência e onipresença, explico: agem como se tivessem atributos divinos para  fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Exemplo: enquanto se está tentando ajustar a estrutura de eventos tributários no eSocial, o mesmo colaborador está tentando enviar uma GFIP, e se aparecer uma chamada no WhatsApp, tentará atendê-la de imediato. Em outro caso, enquanto está fechando um balanço, decide tentar resolver um problema fiscal considerado urgente e nessa brincadeira de bancar “deus”, costuma cometer erros primários. Inserir nova tarefa enquanto ainda não finalizou a que está em execução é o típico caso de desvio de atenção que força um baixo nível de concentração e, por tabela, entendimento fraco de questões técnicas. O problema fica mais explícito quando o departamento tem mais de um colaborador e não há revezamento de tarefas, e assim a equipe fica batendo cabeça, sem definição clara de funções coordenadas diante de uma pressão. Quem tenta fazer tudo o tempo todo, acaba produzindo pouco. Conversando com colaboradores, argumentam que adotam divisão de tarefas, mas o que vejo é que ficam facilmente envolvidos sem norte, agindo mais na base do improviso do que em espírito de equipe bem treinada em termos de coordenação; confundem pressa com agilidade, e acreditam que apenas força de vontade, sem dar muita atenção á técnica, será suficiente. Falta também um preparo emocional para lidar com ameaças de multas, clientes neuróticos e prazos curtos para entrega de declarações relativamente complexas.
Os problemas que apontei acima fazem parte do meu cotidiano e a impressão que tenho é que ocorrem, entre outros fatores, por falta de liderança adequada. Hoje, o dono de escritório tem que ser mais dinâmico, preparado para lidar com demandas mais complexas, em comparação com os anos 1990; o dito “empresário” de contabilidade precisa ter estratégia, senso de coordenação e saber técnicas de gestão de pessoas.  Se não tem esses conhecimentos, deve procurar um profissional de administração, de preferência com boa base de RH para assessorá-lo.
Uma coisa é ser dono de escritório, outra é liderar pessoas.
18/10/2021
Uma bela manhã de segunda com o suporte regado a Chopin https://www.youtube.com/watch?v=KI99T3vHUzM
Balanço 01 de clientes do Grupo III 2021
Muitos começaram o ano sem nada e hoje entregam folhas regularmente. Resultado de muita dedicação e confiança no plano de trabalho oferecido pelo suporte. Compraram computadores, trocaram certificados A3 por A1, acompanharam as reuniões, enviaram dúvidas pelo formulário e seguiram fielmente os agendamentos. Em levantamento preliminar (o definitivo sairá em novembro), 85% dos usuários estão na FASE 3 entregando folhas e fechando ou contingenciando. Bons resultados. Estou feliz com o que conseguiram fazer. PARABÉNS.
Agora vamos aos 15%:
Sobre a DCTFWEB: É AMARGO o preço da FALTA DE PLANEJAMENTO e de não se levar a sério os alertas que foram dados DURANTE O ANO. Resultado? Agora passam pela correria com colaboradores expostos a jornadas estressantes podendo acarretar em doenças ocupacionais. O que mais me impressionou foi um COMPORTAMENTO AUTO DESTRUTIVO subestimando os problemas.
(1) Alguns agendaram, mas no dia/horário marcado não deram atenção porque os empregados estavam sempre dispostos a “outras coisas”. Bastava um cliente chegar que tudo parava. A falta de uma política de atendimento deixa todos perdidos. Percebi em alguns casos que faltou coordenar equipes, revezar tarefas, estabelecer escalas de funções para que o eSocial fosse uma rotina diária, estabelecendo rodízio entre empregados, deixando todo dia sempre um exclusivo com o eSocial. (2) Outro problema foi a pouca atenção com detalhes técnicos usando só certificados A3 (inadequados) para disparar vários eventos, além de não investirem em equipamentos, rodando Windows 7 (tem até um com XP) sem atualizações, dificultando a mensageria. (3) Ignoraram as reuniões das sextas. Teve um que disse que “agendamento é frescura”. Certas ofensas não devem ser esquecidas… Anotado.
Percebendo o caos iminente, disponibilizei horários alternativos no Zoom para conversar, mas o desinteresse permaneceu. Silêncio. Falta de interesse em dialogar. A pandemia, parece, serviu de desculpa para muita coisa. Querem conversar sem marcar horário e costumam ligar no meio de atendimentos agendados (sabendo da minha política de trabalho), sem falar em registros de ligações até em dia de domingo, evidentemente não atendidas. Não gostam de respeitar regras básicas.
Ainda há quem solicite um “passo a passo” para “importar o arquivo da DCTFWeb”, só para termos uma ideia do nível de interesse pela coisa. Então, os que descobriram como a coisa realmente funciona (precisando passar pelo eSocial em todos os detalhes), perceberam a gravidade do problema e agora solicitam, em cima da hora, que eu disponibilize horários aos sábados; acontece que as manhãs estão esgotadas com clientes de consultoria e casos especiais que AGENDARAM há meses. Sábado à tarde é inegociável, assim como os domingos e feriados. A resposta para que eu me exponha a jornadas estafantes é categórica: NÃO. Já paguei o meu preço durante os esforços que envidei no decorrer do ano.
16/10/2021
A manhã foi inspirada em Divenire, que abre esta página, obra do maestro Ludovico Einaudi.
O preço de procrastinar é caríssimo… E a conta mais pesada recai nos mais vulneráveis. Este texto é para um tipo de agente que só sabe contar dinheiro e ignora por completo aqueles que representam o recurso mais precioso de uma empresa: os colaboradores.
O eSocial dispensa apresentações pelos danos que provoca. Um problema imposto e, à semelhança do novo coronavírus, requer uma compreensão sobre a convivência enquanto a sociedade dorme como zumbi diante do Big Brother soviético, independente do desconforto e da sempre necessária crítica sobre o que significa, se torna algo ainda pior pela forma como alguns “empresários” donos de escritório o tratam, sobretudo quando impõem um peso enorme nas costas de colaboradores, diretos, empregados, e indiretos, como no meu caso.
Lidar com as demandas impostas pelo eSocial requer uma forma diferente de liderança em “empresas de contabilidade”, onde o antigo chefe que só sabe dar ordens tem que sair e entrar um que se envolva muito mais com os problemas. Nos escritórios sem essa mudança de paradigma, o eSocial tem sido um desastre ou algo iminente neste sentido na falta de uma estrutura mínima de gestão, e eis que sobra a procrastinação que vem de cima para baixo.
A procrastinação é um produto de quem vive um amanhã que nunca acontece, sobretudo diante de um problema novo e, no caso dos escritórios que pararam no tempo, isso afeta mais gravemente os colaboradores, aqueles que de fato, colocam a “mão na massa”. O “empresário contábil” que não mudou de hábitos então segue na costumeira falta de planejamento e no improviso como regra e não exceção…  Não tem política de recursos humanos, não procura se aprofundar na compreensão da coisa e o eSocial vai se tornando uma bola de neve na medida em que se subestima a complexidade das demandas. Este perfil de gestor não adota gerenciamento do tempo, plano de metas e quase tudo permanece tratado no aleatório; uma dificuldade que impõe dependência a outras problemas, muitas vezes, não é levada a sério e o “deixar para depois” traz danos em cadeia. Não há identificação de processos ignorando a importância de se definir prioridades, em suma, não há estruturação de tarefas. Em paralelo, colaboradores ficam à esmo, batendo cabeça, sem saber o que fazer em muitas ocasiões e quase tudo é despejado no suporte da TI. Faltam-lhes treinamentos contínuos que envolvam um norte ou um “código de ética” que dê forma objetiva para lidar com dificuldades de clientes que são mimados ou mal educados na cultura de boas práticas. Esse drama desemboca na má execução de rotinas em uma ineficiente ou inexistente divisão do trabalho.
O produto da procrastinação entra na fase de acabamento quando o gestor começa a entrar em uma espiral de auto engano que se expande; o chefe perdido costuma inculcar a crença em adiamento de prazos e a “cereja do bolo” vem em expectativas por “soluções milagrosas” de última hora, diante da percepção que o caos está batendo na porta; novembro está chegando e muitos não sabem direito o que é a DCTFWeb…
Produto finalizado! Resta ao velho gestor expert em procrastinação, que só sabe dar ordens, “comemorar” o seu lançamento no “tudo ou nada”, impondo noites e madrugadas com cargas absurdas de jornada de trabalho aos colaboradores, diga-se de passagem, todos à beira de um ataque de nervos, por esforços para tentar recuperar o tempo perdido ou melhor, mal aplicado, que gerou um prejuízo irrecuperável, com uma parte intangível ainda mais tóxica, provocando estresse em nível ultra elevado que pode ocasionar doenças ocupacionais, desgastar relacionamentos arranhando anos de uma história de sucesso no modo antigo e obsoleto de se trabalhar. Não dá para fazer uma máquina do tempo, voltar ao ponto onde os alertas foram dados, a agenda do TI foi oferecida e não devidamente aproveitada, enfim, voltar ao início de tudo e levar as mudanças necessárias a sério. O tempo passou, está posto; irreparáveis são os danos de tentar fazer em três semanas o que deveria ter sido feito em nove meses.  O que resta então? Além da profunda dor, quem sabe algum ensinamento sobre como não cair de novo na sedutora procrastinação e falta de humildade para mudar a gestão. Para que isso ocorra, é preciso aplicar outro produto, mil anos-luz distante, graciosamente acessível, bastando que exista CORAGEM para fazer uma introspecção; chama-se AUTOCRÍTICA, coisa infelizmente raríssima em nosso meio.

14/10/2021

Nesta agradável manhã de quinta, o suporte aprecia Bach BW6 https://www.youtube.com/watch?v=uSU0MaGbkh8
Prioridade é resultado de um processo de análise e não consequência de uma urgência per si; é um sinal para o que deve ser feito que se deriva de conhecimento teórico e das circunstâncias em objetividade e subjetividade. É análise técnica e não por impulso ou ação impensada.
Em uma emergência hospitalar, um médico diante de um caso que aparenta certa urgência, vai analisar indicadores que estão no paciente, ponderar dados, pesar contextos, onde o inesperado é um componente para uma decisão de prioridade que é técnica, baseada em conhecimentos específicos. Em qualquer profissão que lida com o acaso, a tecnicidade é o que deve definir a prioridade e não o contrário.
Em muitos escritórios, o paciente, ou seja, o cliente (ou leigo) acaba ditando o que técnico deve tratar como prioridade. Em algumas situações, agendado com um escritório, sou dispensado porque o colaborador que ficaria comigo foi designado para resolver “outros problemas”, normalmente em função de um cliente que surgiu de última hora exigindo atendimento imediato; sem analisar se será possível finalizar a demanda do cliente, abandona o suporte  e, não raramente, não conclui em tempo o que o cliente pediu. Isso ocorre porque falta uma política de atendimento que oriente o colaborador a analisar problemas e definir prioridades dentro de possibilidades. O curioso é que, normalmente, a direção do escritório segue afirmando que o agendamento é “prioridade”, sem se dar conta que prioridade é uma coisa que se atesta pelo que se faz e não pelo que se fala.
Prioridade, para muitos administradores de escritório, algo ligado apenas ao inesperado. Confunde-se o imediato com o prioritário, na lógica do entregador de pizza que se verifica quando um cliente aparece exigindo que se resolva uma certa demanda “para ontem”. A impressão que tenho é de que essa confusão entre prioridade e improviso se dá pela concepção do cliente como uma causa em si mesma; como se o leigo não dependesse de orientação, e isso diz respeito também à analise para definir se um determinado problema é prioritário ou não, com fatores de gravidade, circunstâncias, condicionantes e outras questões técnicas para realização. Sem saber o que é prioridade então, administradores de escritório agem somente por impulso, e talvez por medo (dos clientes), e assim se submetem a desejos mais absurdos sem avaliar riscos, viabilidade, processos e conhecimentos necessários em demandas que cabem tão comente ao lado técnico tratar  e não o cliente; em suma, atuam no amadorismo ou “achismo” do leigo se sobrepondo ao que deveria ser baseado na predominância da prorrogativa técnica.
Escritório que não tem política de atendimento estará passivo a viver nesse dilema; estará cercado por amadorismo, confundindo pressa com agilidade, improviso com prioridade, com colaboradores estressados além do necessário, sempre correndo contra o tempo, aplicando mal recursos humanos, atrasando entrega de declarações, rezando para ocorrer prorrogação, dominado pela vontade do leigo, sem saber definir o que realmente importa nos processos de atendimento, seja do ponto de vista estratégico, assim como do operacional.
Contudo, a falta de política de atendimento pode revelar outro problema ainda mais sério: a falta de liderança, pois ser dono de escritório contábil é uma coisa… liderar é outra… Coordenar e inspirar pessoas são aptidões compondo uma arte que não se adquire com dinheiro.

11/10/2021

É uma linda manhã de segunda, para alguns, um dia “imprensado” e eis que o suporte segue apreciando Mozart, Beethoven, Tchaikovsky, Schubert, Dvorak, Mahler e Rachmaninoff… https://www.youtube.com/watch?v=R6S-bwUCw_8
“Sou um tubarão, sardinhas que se cuidem”
Frase curiosa, por ato falho de quem pensa que exagero com as reuniões das sextas e que deveria repensá-las para escritórios “maiores”. O que posso dizer? Todos para mim são importantes e tratados com isonomia. O conceito de porte, no meu caso, está associado às demandas que recebo e não necessariamente ao volume de clientes que um escritório possui. Depende mais da qualidade dos clientes e não da quantidade, e os valores que recebo se explicam por essa ótica. Há escritórios com menos clientes nos sistemas que demandam mais serviços, com maior complexidade, pagando valores maiores, demandando mais tempo, mais especialidades, em comparação com escritórios com mais clientes que demandam tarefas mais padronizadas, demandando menos conhecimentos especializados, menos tempo de estudo, menos suporte e, por isso, pagando menos. Cada caso é um caso.
Então, vejo um escritório na condição de “grande” por quais critérios? O volume de clientes é algo que pode ser enganoso, como no caso do “tubarão” que se considera “grande” por ter quase três centenas de clientes, no entanto, sem nenhum trabalho relevante com contabilidade; especializou-se em atender no “Simples”, o que tem um nível de padronização elevado, e quando tem caso diferente, repassa a uma equipe externa, autônoma. O “tubarão” não tem recursos humanos na estrutura do escritório para fazer escrituração, elaboração de balanços, demonstrações, apurações de lucro; não tem lucro real, nem presumido no portfólio. Nesse aspecto, tem quantidade mas não qualidade na mesma proporção em termos de relevância técnica, e não pode ser considerado “grande”, no meu conceito.
Oportuno lembrar uma brutta figura pela forma arrogante e voltar aos anos 1990  em uma mesa com uma máquina de datilografia, uma impressora EPSON FX1170, um ajudante, um armário de metal e um AT 486. Parecia um sujeito humilde… só parecia.  O “tubarão” é  uma pessoa tão pobre, tão pobre que a única coisa que tem é o dinheiro. Não tem a capacidade de honrar uma gentileza de um convite para conhecer um trabalho; não passou nem cinco minutos observando e ficou incomodado; usa o eSocial para assustar empresários clientes de concorrentes que julga “pequenos” e assim levá-los ao seu “grande” escritório sem contabilidade, com fiscal meia sola e um setor trabalhista comum em serviços, a maioria de baixo valor, que podem ser encontrados sem muita dificuldade.
Notei que não é raro encontrar “empresário” de contabilidade pensando como o “tubarão”, achando que o eSocial vai exterminar escritórios “pequenos” e beneficiar os maiores em uma cadeia alimentar.  Nesse tipo de mentalidade apocalíptica, os clientes dos “pequenos” serão repartidos entre os “grandes”. Por isso, talvez,  a irritação com um trabalho que ajude os que considera “pequenos” a sobreviver ao eSocial que foi, de fato, um projeto do capitalismo de laços  típico no Brasil, pensado para beneficiar grandes corporações de TI e serviços burocráticos que fazem lobby em torno do aparato estatal. O “tubarão” é um produto dessa mentalidade doentia.
Acontece que há “pequenos” que participam regularmente desses trabalhos que possuem produção de contabilidade que o “tubarão” não tem. Pequeno mesmo diante deles é o “tubarão”. São “pequenos” com escrituração contábil completa, envolvendo empresas no lucro presumido e no lucro real. E além do mais, duvido se o “tubarão” tenha capacidade técnica e recursos humanos que esses “pequenos” possuem até porque não me admirou vê-lo em dificuldades para argumentar sobre questões simples envolvendo Contabilidade sobre balanços e até problemas de “débito” e “crédito”, por sinal deficiência comum em muitos donos de escritórios “tubarões”, não raramente fracos no intelecto.
O “tubarão” se acha então poderoso, conquistador de clientes de quem considera “pequeno”. O que posso mais dizer de tamanha presunção? É eticamente desprezível, culturalmente um asno; um “belo” exemplo do coleguismo no meio contábil. Ufana-se com uma carteira de quantidade com baixa qualidade de trabalhos. Endinheirado e pobre de conversa, sem pedigree, mísero de valores, vazio de ensinamentos, desprovido de lições de vida. Contador não o é; um despachante sim, de luxo, com CRC, viciado na exploração do custo Brasil.
E assim caminha o “tubarão”, não passando de uma piabinha patética, toda emperiquitada, com manias de grandeza.

10/09/2021

Política de uso do WhatsApp

Linda manhã dominical para registrar alguns procedimentos no uso do WhatsApp para fins profissionais. Em poucas ocasiões utilizo para fins particulares, sendo neste caso restrito a pessoas íntimas no círculo familiar.
No círculo profissional aplico alguns critérios e o primeiro diz respeito a cuidados essenciais na abordagem inicial. Trabalho pautado em números cadastrados e quando ocorre uma tentativa de contato por um número desconhecido, inicio procedimentos de verificação, análise para confirmação (ou não) do meu interesse pela interação. Tal compliance ajuda com suspeita de fraudes, considerando que trabalho com sistema contábeis que fazem uso de bases de dados sigilosas. Certa vez alguém se apresentou, usando um número desconhecido, como “novo diretor de RH” de um cliente. A política para compliance então foi acionada: (1)  Foi informado que o número não consta no cadastro e, em função na necessidade de cadastro, da necessidade de se aguardar pela conclusão para iniciar o atendimento em fila. Nesse ínterim, nenhum dado foi fornecido do cliente. Em seguida (2) entrei em contato com um membro da direção da empresa para confirmar o número, nome, cargo e atribuições do contato em análise. Notei que o contato se irritou um pouco após a confirmação do cadastro, algo que se deu por uma ligação telefônica (pelo tom da voz) enquanto tinha recebido o reconhecimento elogioso do processo de segurança que adoto por parte do diretor consultado. O que me chamou a atenção foi o fato do “diretor de RH” ter se irritado com um procedimento que deveria bem compreender; não convém tratar de dados sigilosos de sistemas usados por clientes sem ter a devida consciência de quem está me abordando e se tem atribuições para acesso ao que pretende.
Ainda na abordagem inicial, se o contato não se identificar corretamente, o processo de cadastro e análise não avança. Apenas a apresentação como “diretor”, “gerente” ou algo que se julgue relevante, é tratado com uma resposta padrão para que o contato informe sua identificação por nome e sobrenome, pois cargo não é nome pessoal, apenas substantivo, o que para alguns importa mais que a própria personalidade… Acontece que uma conversa séria entre pessoas carece do básico da identificação entre partes envolvidas.  O tal contato que não queria dizer o nome, preferindo se identificar como “diretor”, se irritou com esse procedimento e recusou fornecer o nome pessoal, exigindo que eu entrasse “imediatamente” em contato por ligação telefônica. Tamanha “delicadeza”  foi digna de um bloqueio e claro, a ligação telefônica não ocorreu até que enviou um e-mail desaforado, mas se identificou mencionando o nome, e eis que foi possível começar uma conversa minimamente civilizada com ele. Infelizmente, é comum na condição humana o uso indevido do poder de direção para desumanizar relacionamentos, pois alguns utilizam o cargo que ocupam para intimidar e obter vantagens por assédio moral diante de pessoas que julgam inferiores em termos de importância na cadeia de negócios. Esse tipo de conduta é combatida eticamente em meu código de relacionamento pelo WhatsApp. Quem se porta assim, mesmo na condição de cliente, vai de uma advertência ao bloqueio, independente de quem seja; já ocorreu punição por bloqueio de cliente proprietário de escritório contábil por algo análogo, com o agravante que se tratou de um contato agressivo fora do expediente. Expliquei ao indivíduo que não é porque é cliente que tenho que suportar tudo o que deseja; ao lidar com pessoa que se porta de forma agressiva, é preciso “cortar o mal pela raiz”,  a repreendendo imediatamente pois, caso contrário, tenderá a passar para outro estágio mais intenso.
Por essa linha de procedimentos, quem se identifica com apelido ou códigos fica impossibilitado de ser cadastrado, e recebe as mesmas respostas. Um sujeito  se apresentou com um código de promoção de um produto e até hoje não foi cadastrado. A falta de uma saudação também pesa bastante na abordagem inicial. Mesmo mencionando o nome pessoal, o meu desconfiômetro segue em nível mais elevado, de cuidado que o habitual, quando noto a falta de uma apresentação regada a um “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite” (mesmo que eu só venha a ler tal mensagem em um turno diferente) e na maneira de se expressar fazendo um pedido; sabe aquela palavrinha mágica… “por favor”… Em três anos usando o WhatsApp, identifiquei casos onde o que falta mesmo é uma boa educação doméstica, e isso não diz respeito à condição econômica, pois grosseria não tem classe social; não há nada de novo debaixo do céu…
Outro aspecto de segurança está no comportamento incomum em mensagens, com o uso de terminologias nunca antes utilizadas ou pedidos estranhos à natureza do relacionamento, sinalizando para mim a necessidade de fazer contato por telefone para certificar se é a pessoa mesmo que está trocando mensagens comigo. Certa vez, um colaborador usou o número do chefe e não informou isso na conversa inicial. Notei a forma diferente de se expressar por texto e quando liguei para averiguar, confirmei a desconfiança; recomendei então ao jovem rapaz a não fazer mais isso, pois além de ser feio, é perigoso e antiético e, claro, comuniquei o fato ao chefe.
O contato com foto onde se dá ênfase a uma determinada parte do corpo, com algum decote, pode ganhar o prêmio de ir para as mensagens arquivadas ou até mesmo ser agraciado com um bloqueio, dependendo do caso. Não estou interessado em ver músculos ou outras exibições narcisistas de corpos sarados ou esteticamente “belos” no conceito do senso comum. Pessoalmente, acho cafona quem se exibe assim em redes sociais considerando o interesse profissional; se uma pessoa se expõe assim em rede social, está dando um indicador negativo sobre sua condição para um relacionamento profissional adequado. Já vi casos de pessoas sendo demitidas “inexplicavelmente” com histórico de pouco ou nenhum zelo da imagem pessoal no ambiente de negócios, sobretudo na era das redes sociais e no uso de reuniões no Google Meet, Zoom, entre outros, que se tornaram bem mais intensos com a pandemia. Gestores sérios se preocupam com a seriedade de colaboradores e isso envolve uso da imagem pessoal com tendência de aumentar o rigor na medida do porte de uma empresa.
Outros critérios dizem respeito a contatos que passam a usar o espaço no WhatsApp para fazer propaganda política, disseminar notícias falsas, assim como compartilhar conteúdos com vulgaridades e demais coisas que não contribuem para o despertar ao conhecimento com qualidade, algo que analiso diante da necessidade de crescimento cultural, intelectual e profissional no uso de mídias sociais. Nesses casos, após advertências, também ganham um necessário bloqueio para evitar poluição no tráfego de mensagens.
Por fim, ex-clientes têm um tratamento de compliance considerando a forma como o relacionamento foi encerrado; uns saem pela porta da frente, outros preferem a dos fundos. Pela porta da frente saem os que foram transparentes, éticos, comunicando com antecedência o que realmente ocorreu com a dispensa dos serviços, seja por troca de sistema ou por outros motivos, assim como não deixam pendências no momento do encerramento, e assim ficam nos contatos e seguem com o retorno no WhatsApp disponível, podendo até ficar no grupo, caso solicitem. As portas para os que assim se conduzem ficam abertas. Já os que saem pela porta dos fundos são os que desaparecem sem dar satisfação, quase sempre porque trocaram de sistema. Neste grupo também estão os que costumam não dar aviso prévio; e não adianta manter a mensalidade em dia durante o período de transição (para outro sistema) enquanto se faz uso da omissão, escondendo uma decisão como se o relacionamento fosse algo infantil pois dinheiro não compra respeito e quando tomo conhecimento e o vínculo se encerra, toda a conduta antiprofissional tem enorme peso negativo indicando o que será feito em seguida: portas para futuros negócios se fecham, há a remoção do grupo, a exclusão do cadastro no WhatsApp com o bloqueio, e qualquer contato passa a ser exclusivamente tratado por e-mail. Infelizmente, ética entre alguns profissionais contábeis ainda é apenas um termo bonitinho que é colocado no site na parte que fala sobre “missão e valores”; nada além disso.

09/10/2021

Este blog é um cantinho que escolhi para guardar alguns textos. Alguns textos… Outros ficarão para ocasiões mais apropriadas. Sair das redes sociais foi uma decisão necessária. Hoje só utilizo o Twitter e recentemente também decidi não me expressar mais, apenas usá-lo como base de dados para este blog em relação a algum conteúdo que julgo interessante. Cessar o compartilhamento no grupo de clientes, o que ocorria com certa frequência após o expediente, foi uma consequência natural de observações em torno do incômodo que posso potencialmente provocar com algumas coisas que escrevo onde não se é obrigado a tentar entendê-las, sobretudo quando não se coaduna com o estilo de pensamento que me caracteriza.
Então, quem visita este cantinho, tão caro à minha persona, e confere o que escrevo, assim o faz sem incorrer na questão que me motivou a ficar restrito neste espaço. Para o bem da evolução de meu trabalho como empreendedor do intelecto, procuro descobrir formas de não ser notado; não se trata da minha (desinteressante) pessoa e sim de ideias que tento evoluir.
Além do mais, seja em redes sociais ou em ambientes profissionais, me é reconfortante saber que aos mortais não lhes foi dado o dom de ler a mente humana, algo que deve frustrar bastante uns tantos desejosos pelo cargo de “editor da sociedade”, sobretudo os patrulheiros de ideias, uns sujeitinhos um tanto escabrosos tão comuns em meios “acadêmicos” e em redes sociais colonizando mentes. Posso pensar com radical liberdade, independente de estar impossibilitado de expressá-la no mundo material.  É maravilhoso saber que, diante de uma mente totalitária, que pode ter o desejo de me silenciar ou aprisionar fisicamente, posso estar livre pensando o que quiser, enquanto o meu espírito estiver correndo pelos meus neurônios rebeldes, subversivos…
A censura é um fenômeno exógeno, material, tangível, pessoal, desumano; o pensamento é endógeno, imaterial, intangível, preferencialmente impessoal e humano. Tal condição do pensar, por si só, é a perdição de censores e demais manipuladores de meios sociais. Pelo pensamento posso dar boas risadas após, pelo mesmo recurso multitarefa de raciocinar e perceber que estão tentando me enganar e ainda posso ficar quieto, recolhendo mais dados da empreitada fraudulenta, quem sabe para ver até aonde vai a capacidade de quem se julga mais esperto que os outros. Pelo pensamento posso exercer dialética sem necessariamente provocar um estresse maior que o necessário com alguém que expõe argumentos incongruentes; às vezes é melhor ficar calado e utilizar o recurso do pensamento, sobretudo diante de pessoas que, reiteradamente, não aceitam o contraditório.
E se um dia este espaço não for mais possível, digamos que por alguma censura maior do democrático aparato de compulsão e coerção, mais conhecido por “estado” (com “e” minúsculo mesmo para indicar sua pequenez em termos humanos), ou seja por outras razões análogas, continuarei pensando e certamente a maravilhosa espécie a qual faço parte terá produzido outro tipo de ambiente para dar fluência ao pensamento livre, ético, irritante a quem acredita em engenharias sociais; continuarei tentando crescer no humano, demasiadamente humano. Talvez a concepção desse espaço já exista, quem sabe nas criptografias do blockchain.
Se o pulso ainda pulsa, o pensamento é o que mais se ecoa na eternidade.

07/10/2021

Para uma linda manhã de quinta, o suporte trabalha regado a Beethoven https://www.youtube.com/watch?v=liyLFar7c3E
Apetece-me sempre a arte de analisar as coisas e tomar decisões com base preferencial no que as pessoas fazem (ou deixaram de fazer) e menos no que dizem. Atos e omissões falam com melhor qualidade em comparação com qualquer discurso, por mais belo que seja.
Tento me desvencilhar da confusão comum que posso cair entre supostas intenções nas coisas ditas e os resultados ou consequências das ações, problema que ocorre quando se dá maior ênfase ao discurso como se as coisas faladas, como intencionais, fossem “fatos consumados”. Na política de governos e parlamentos isso é muito explorado quando se discursa sobre o que diz que será feito (intenção), não sendo necessariamente o que se deseja (interesses reais que podem ser omitidos), e o que se intenciona que as pessoas acreditem (objetivo do discurso).  Em outras palavras, na política em governos e parlamentos, o que um agente diz dificilmente reflete o que ele faz, mesmo no caso de alguém que se esforça para ser ético, a estrutura de poder, em torno da hipocrisia, da dissimulação e da manipulação, o impede de prevalecer de forma consistente.
Na política dos negócios privados a paralaxe cognitiva também é um fenômeno frequente, embora com efeitos punitivos mais eficientes quando um indivíduo é flagrado; por isso procuro policiar minhas leituras ou análises, evitando criar expectativas demais com base no que as pessoas falam, procurando compreender o que Ludwig von Mises ensinou sobre “ação humana”, tentando esmiuçar o que sei sobre a situação dela antes, durante e depois da ação tomada, para avaliar, em uma visão mais ampla, a percepção que se tinha de um problema, o que foi feito como reação humana e o resultado obtido, como consequência da (re)ação. Isso vai muito além da ciência econômica e diz respeito ao comportamento humano e serve para um entendimento mais depurado sobre a vida e os relacionamentos, em geral.
O humano é um agente baseado em estímulos e toma decisões em um misto de razão e intuição, e nesse sincrético estado há o fator emocional como força inevitável. A ideia de que o agente humano  seria melhor se tomasse decisão na pura razão não me parece segura quanto à natureza humana. O que nos torna humanos é a capacidade de relacionar razão, conhecimento, lógica, com ética, moral, emoções, vontades, intuições e deduções. A pura razão nos induziria a coisas por um perigoso utilitarismo; seríamos desligados da parte subjetiva, apenas como um programa de computador. Então, penso que deixaríamos a condição humana se vivêssemos apenas na frieza da razão, sem sentimentos e valores, ignorando uma série de abstrações que seguimos e chamamos muitas vezes de “amor”, “moralidade”, “valor”, “crença”, entre outras coisas.
Tomando por exemplo, quando decido me desligar de uma empresa ou entidade, o gestor que usar apenas a razão para tentar entender minha decisão, estará muito limitado na compreensão do fato. São inúmeros fatores objetivos e subjetivos onde a análise puramente racional será pífia. O gestor, se quiser compreender melhor a decisão, deverá sondar ações que tomei que revelam valores, crenças, emoções e, claro, razões. Muitas vezes me desligo de uma empresa por perceber que faltam desafios que me façam crescer profissionalmente; em outros casos por que me senti desrespeitado ou não devidamente considerado (ouvido) antes da tomada de determinadas decisões que se relacionaram com a área de minha competência. Aprendi que um tratamento justo sempre passa por ouvir as pessoas envolvidas e o gestor que toma decisões confiando apenas no poderio financeiro como fator que possa me segurar em uma empresa, está subestimando fatores entre a “razão e a intuição” que mencionei.
Sou um humano insignificante na imensidão dispersa de conhecimentos e significante para algumas pessoas. Para entender isso, só considerando fatores racionais e emocionais. Posso ser descartável para o “mundo” enquanto estou em um outro “mundo” onde sou prezado, amado, considerado. As decisões que tomo, inevitavelmente, serão carregadas também de inúmeros estímulos racionais e emocionais, internos, endógenos, e externos, exógenos, em uma mistura de influências onde a racionalidade é um elemento entre outros, e vê-la na forma pura como solução a todos os problemas é fantasia de quem não compreende a riqueza da condição humana, queiram aceitar ou não os que se apegam a deusa 100% razão, prima-irmã da deusa indiferença, amante do deus utilitarista cujos fins justificam os meios.
Fica uma última dica aos que se perguntam sobre os porquês quando se vai embora:
A saúde mental de colaboradores, assim como a consideração por atitudes (e não apenas por discurso) têm alguma relevância nos relacionamentos profissionais?
04/10/2021
Para uma bela segunda-feira, Mozart ambientando o suporte https://www.youtube.com/watch?v=u0y8OBdiQ9I
A lógica do entregador de pizza ou serviço contábil não é delivery…
O comportamento imediatista de clientes em serviços contábeis é algo comum e que, não raramente, contagia contadores que entram no jogo aceitando a lógica da pressa desmedida, alguns sem discernimento do que realmente precisa ser feito e do tempo necessário, outros sabendo, porém entrando em uma situação confusa de dissonância cognitiva.
Muitos se comportam como se o trabalho contábil se assemelhasse a de um entregador de pizza, quando se faz um pedido pelo WhatsApp ou por um aplicativo de celular e, alguns minutos depois, há um motoboy tocando a companhia. Acontece que muitos problemas de contabilidade não podem ser executados com essa mentalidade. Para que uma demonstração de receitas seja imediatamente remetida, o que pode ser possível, é preciso ter uma qualificada base de dados que depende muito da colaboração do cliente no repasse de informações. Quando não há, o que geralmente ocorre, abre-se a necessidade de um processo naturalmente moroso de levantamento, apuração, análise e conclusão. Demonstrações mais aprofundadas com um mínimo nível de qualidade, como um balanço patrimonial e uma DRE dependem de meses de trabalho que carecem ainda mais da cooperação do cliente. Um rescisão de contrato para que seja feita com boa qualidade e segurança jurídica razoável, carece de análise da situação do trabalhador, do empregador, da legislação tributária, previdenciária, de documentos de SST e demais dados (histórico laboral., do FGTS, etc) que dependem muito da colaboração do cliente no tocante ao fornecimento de dados e cumprimento de obrigações legais. Uma dúvida de um cliente sobre uma situação fiscal ou trabalhista diante de uma decisão administrativa a ser tomada, muitas vezes exige tempo para pesquisa e análise de profissionais; fica claro que não dá para aplicar a lógica do entregador de pizza. Serviço técnico de contabilidade não é um delivery e, considerando que se trata de um leigo, o cliente tendo essa expectativa até certo ponto é compreensível, mas cabe ao profissional contábil envidar esforços para educá-lo sobre questões que exigem tempo para apuração e análise, onde muitas vezes se demanda uma cadeia de profissionais que prestam serviços ao escritório que demandam ainda mais tempo para retorno, contudo, considerando ainda que há processos envolvendo sistemas do fisco que exigem tempo podendo não estar disponíveis sempre de forma imediata. trabalhar com o cliente essa consciência é primordial para um bom relacionamento profissional. Todavia, o problema se torna gravíssimo quando um profissional de contabilidade se comporta aceitando a lógica do entregador de pizza; para se mostrar ágil, não se contenta em aceitar um processo não imediato de atendimento, e assim começa a queimar  etapas de correta identificação de um problema, tratamento que envolve análise, pesquisa,  estudo, execução para se chegar finalmente à conclusão. Por causa da pressa já vi erros grosseiros em balanços, declarações, rescisões, folhas de pagamento, entre outros trabalhos porque o profissional caiu na mesma neura do cliente achando que conseguiria imediata resolução. Às vezes percebo isso de forma menos explícita e igualmente perigosa em alguns contadores quando saem em busca de uma resposta completa que lhes dê uma solução rápida para uma questão relativamente complexa. Não compreendendo minimamente bem um problema determinado, segue meio desesperado perguntando a um e a outro na expectativa de uma definição simples e breve para coisas que não necessariamente podem ser assim, penso talvez que para satisfazer algum cliente que está tentando inadvertidamente mimar ou impressionar com uma prontidão que não pode realizar, e mesmo assim insiste, talvez como forma de marketing ou por medo de o perder em um mundo onde pensar, meditar, parar para raciocinar, ouvir colegas, atestar opiniões distintas, sabendo que tudo isso exige um certo tempo de maturação e alguma paciência, para poder compreender melhor certas coisas antes de agir, tem sido algo cada vez menos praticado pela ilusão provocada no uso massivo de tecnologias de comunicação e acesso a informação que induzem muitos a pensarem que tudo pode ser resolvido com uma simples sequência de se apertar botões no celular.
No caso de um contador envolvido pela lógica de que o serviço que presta segue a lógica do entregador de pizza, muitas vezes alimentada por dissonância cognitiva em se ignorar a necessidade do tempo e do processo, penso que possa ser um caso de um profissional ainda imaturo, quiçá empolgado com um diploma e um CRC recém tirado, e que ainda vai descobrir que não os certifica para um mercado em profunda transformação de TI, carente de desenvolver melhor uma compreensão sobre o significado processual do trabalho técnico-contábil, além da importância da construção de uma base sólida de conhecimentos, o que só vem com o tempo e muito esforço pessoal, ou talvez seja apenas alguém querendo se auto promover como sendo capaz de fazer o que é tecnicamente inviável,  beirando a picaretagem, investindo na mentira ou em meias verdades para agradar empresários ansiosos que só se satisfazem com esse tipo de coisa, ou quem sabe seja um caso que envolva um profissional com sérios problemas psicológicos em relação à ansiedade, onde um terapeuta me parece mais adequado que um serviço de consultoria e suporte em TI.
30/09/2021
Nesta linda manhã de quinta, Bach em BWV 846 https://www.youtube.com/watch?v=uSU0MaGbkh8
Às vezes basta observar e meditar no aprendizado sobre a nossa espécie. Tudo o que um indivíduo faz, expressa, a forma como se reporta, revela uma carga preciosa de dados muito mais interessantes quando se deseja ter melhor consciência acerca da pessoa.
São “pequenas coisas” reveladoras que começam pela base: o desinteresse pela ética, sobretudo na conduta, considerando que pelo discurso essa serva da verdade é bastante reverenciada. porém desaparece na falta de gentileza no cotidiano, passando pelo uso de mentiras brancas ou subterfúgios mediante o receito com as inconveniências da sinceridade, onde o agir na surdina se torna uma tentação na medida em cortejar a simples verdade e a transparência são hábitos a serem evitados, embora recomendáveis no famoso “faça o que eu digo e não o que faço”.  Nesse universo de paralaxe cognitiva, há o tipo de sujeito um tanto político se achando mais esperto que os outros no uso de meias verdades, ou o acometido do efeito Dunning-Kruger no jeito de analisar as coisas, regrado ao uso de “pequenos” preconceitos, devidamente amparado pela medida de si mesmo que impõe aos outros, no melhor estilo idiotes, sem dados suficientes para atestar conclusões tão aprimoradas a que chegou sobre algo ou alguém. Seguindo esse desfile de “pequenos” gestos tão reveladores,  nada demais à pequena falta de zelo por cumprimento de horários, assim como a relativização de acordos conforme conveniências do momento onde a fábrica de desculpas e malabarismos retóricos aumentou bastante a produção durante a pandemia, a desculpa das desculpas…  Próximo ao gabinete deste tipo se encontra o sujeito que não tem tempo para conhecer melhor os objetos de estudo, algo só possível com uma prática que por demais o enfada: muita leitura e reflexão. E assim, raso diante de questões as quais deveria ter certa profundidade de domínio, segue se vendendo como “consultor” mais apegado a uma rápida pesquisa no WhatsApp ou Google do que qualquer outra coisa que faça sua massa cefálica trabalhar mais.
Nada demais, “pequenas coisas”. Talvez a mais famosa seja a de furar fila, normalmente acompanhada de um fingimento de quem diz não não ter entendido bem determinada regra e assim tenta justificar a vantagem tomada. Neste jardim da infância lotado de adultos-adolescentes, reuniões virtuais são por demais reveladoras: o mais comum é aquele caso do sujeito que, parecendo ter o dom da onipresença, eis que, talvez por distração ou por exibição do seu dote divino, deixa o áudio aberto para revelar o quanto está “concentrado” na atividade em paralelo a outras. Outro caso próximo é o uso de linguagem pobre no trato da língua nativa, muitas vezes por falta de leitura como hábito saudável ao intelecto, cuja “desculpa” possa ser encontrada na dedicação de tempo a atividades mais “interessantes”, em especial na internet. E ao não ter pedigree, costuma se expressar de forma imprecisa, com dissonância cognitiva, quando não, vulgar ou jocosa, às vezes sendo até hostil quando questionado, se passando por vítima ou fazendo uso de uma posição de comando para neutralizar quem ousou enquadrá-lo.
Nessa lista também figura o sujeito sempre apressado, que vive mais na base do improviso em atividades que exigem planejamento e tempo para organizar tarefas. Dominado pela urgência em quase tudo, a confunde com agilidade multiplicando ansiedade (mais um na epidemia maior que a da covid-19), sendo facilmente ativo para disseminar estresse desnecessário por onde passa. Quando chega, a sensação é que está trazendo consigo uma carga negativa que contamina o ambiente. Um tipo dessa família é o indivíduo que parece eternamente pautado pela infantilidade diante de dificuldades naturais ao longo da carreira, procurando sempre por culpados sem qualquer interesse em fazer autocrítica. Perto desse tipo está o que entra em pânico com facilidade, primo-irmão da brutta figura que faz do emocionalismo uma regra de conduta para tentar impressionar ou manipular. A lista segue com um sujeito que dá pouca ou nenhuma importância a organização, ordem, planejamento e estratégia em quase tudo que se dispõe a fazer, sendo pródigo no uso do tempo, como se esse recurso tão precioso fosse ilimitado, como se as pessoas tivessem o dever de esperar ou se dedicar eternamente ao que deseja, bem como agir como se a bagunça profissional que cultiva fosse algo a ser respeitado ou tolerado por todos, chegando a ridicularizar quem se esforça pela excelência de ir no sentido contrário.
Como disse, são “pequenas coisas” e sem aspas sigo com esperança nessa maravilhosa obra chamada humanidade em meio ao que costuma passar desapercebido no cotidiano enquanto revela muito mais sobre a sua natureza que qualquer discurso ou propaganda que um membro da espécie possa fazer de si mesmo, não importando sua condição social, econômica, tampouco um vasto currículo recheado de diplomas, honrarias e supostas experiências comprovadas. Os atos falam por demais, muito além de palavras e formalidades da vã filosofia.

28/09/2021 (1)

Nesta bela manhã de terça, o suporte aprecia Antonio Vivaldi https://www.youtube.com/watch?v=y1qOmJEc8yU
Por que alguns profissionais de contabilidade parecem apreensivos demais com as demandas de SST no eSocial? Conversando e observando o comportamento de alguns,  notei que um  temor reside na expectativa ruim, embora não traduzam isso em palavras ou conceitos, de que o aperto no cumprimento das normas de SST pode forçar o aumento da informalidade e a consequente perda de clientes. Além do temor da informalidade, proprietários de escritórios demonstram preocupação com muitos empregadores que talvez desistam de expandir o quadro empregatício, aumentando a aversão para novas contratações, sendo mais reticentes em fazê-las, um problema que, mais uma vez, se associa ao incentivo á informalidade que regulações densas costumam provocar nos mercados, diminuindo expectativas de demanda.
Outro ponto a considerar tem a ver com uma confusão que parece acometer muitos profissionais de contabilidade quanto à competência, o que denota uma crise de identidade. Contadores estão tão envolvidos com a ideia tosca de serem do tipo “Bombril”, ou seja, indivíduos de “mil e uma utilidades” que demonstram não saber o papel da profissão contábil em uma sociedade produtiva e assim acabam sendo induzidos a um raciocínio equivocado no sentido de quem podem resolver demanda de SST como se fosse mais uma coisa meramente típica, burocrática, formal, que depende tão somente de ter meios em sistema e colaborador (certamente não habilitado) para realizar controles internos e registros no eSocial.
Sobre contadores que tentam fazer quase tudo, sugiro procurar trabalhos genuínos de contabilidade em escritórios de contadores que estranhamente vivem afastados das partidas dobradas e das análises que o Lopes de Sá tanto indicou sobre o que é fazer contabilidade. Encontrar contabilidade em escritório contábil tem sido algo cada vez mais raro.
Descontando então a percepção dos efeitos nocivos na formalização de regulações pesadas na legislação trabalhista, a ideia do “faz tudo” parece também pesar em contadores que demonstram estresse exagerado ao não se darem conta que demandas de SST competem a outros profissionais: médicos do trabalho e engenheiros de segurança. Contadores agem induzidos a uma intervenção imprópria no segmento diante de um problema em que nada podem fazer, em termos de realização técnica quanto à execução das tarefas. Até mesmo se envolver com a escrituração desses fatos é um procedimento temerário, pois há terminologias e demais detalhes onde a presença de um profissional de SST apto é o mínimo de sensatez diante da questão.

28/09/2021 (2)

Profissionais de contabilidade e de TI contábil me parecem um tanto alienados quando penso o que  está ocorrendo além da hiperburocrática realidade brasileira. Enquanto vejo  economias mais avançadas se aprofundando em tecnologias baseadas no blockchain, por aqui contadores e profissionais afins dedicam excessivo tempo para “dominarem” bizarrices como eSocial e os módulos do Sped.
A ironia trágica no blockchain, em relação à contabilidade, consiste no fato de que tecnologias de criptoativos serem tratadas como assunto de TI sob o domínio de experts que estão implementando revolucionários projetos de escrituração contábil que fazem do Sped uma espécie de terraplanismo digital e o eSocial, com os horrorosos XMLs, um trabalho de ancestrais no tempo das cavernas. Quem lida com criptoativos está normalmente alheio ao ambiente contábil convencional, engessado, obsoleto, arcaico, intoxicado pelo fisco e emburrecido com os projetos de Big Brother Fiscal jocosamente vendidos como “inovações”. Penso que esse problema seja mais grave em economias sob  maior burocracia forçada por regulações governamentais, como é o caso da brasileira, onde não sobra tempo para, pelo menos, ver o que está acontecendo além do próprio quintal.
Da mesma forma que a contabilidade se modernizou na península itálica às portas do renascimento com as corporações de manufatura, comerciais e bancárias, bem longe das mesas de planejadores centrais e universidades, a contabilidade está passando por uma profunda modernização com as tecnologias em blockchain, tudo diante de olhos bestializados de influencers, pensadores e doutores do mainstream contábil.

24/09/2021

SST é um problema de empregadores (clientes) e não de contadores ou escritórios contábeis enquanto ofertantes de serviços de contabilidade. Cabe a cada profissional de contabilidade saber compreender essa questão e comunicá-la de maneira adequada aos clientes, para que não seja indevidamente cobrado por algo que não é de sua competência. Contadores até podem apontar caminhos aos clientes para possíveis soluções que minimizem custos com a contratação de serviços para SST, mas não devem confundir essa iniciativa com um envolvimento direto, como se fosse questão de competência da profissão contábil.
A ideia de que o contador é também um “gestor” (só se for de problemas contábeis) ou “consultor” (idem), espalhada por marqueteiros de quinta categoria, é coisa de leigo que se torna então ainda mais perigosa em relação aos problemas de SST que dependem de profissionais de áreas técnicas bem definidas e sob rígida regulação.  Contadores que têm dúvidas quanto ao que cabe fazer em relação à SST, na verdade revelam uma conhecida confusão de prerrogativas, provavelmente, por conta da contínua perda da identidade profissional com a transformação de contadores em despachantes ou no indivíduo que sempre dá um “jeitinho” para empresários que não passaram do jardim da infância; não sabem bem o que compete a um contador, apesar de muitos estarem há décadas no mercado. Então, não verei com surpresa muitos contadores tentando resolver, por si mesmos, e até se oferecendo como “soluções”, em relação a problemas de SST em um meio carente de intelectualidade para separar categorias, definir ética e legalmente as atribuições; acredito que por falta de uma genuína formação de contador.
Preencher eventos do eSocial é necessário ter um preparo técnico mínimo. Colocar um leigo em SST para fazer isso é uma boa receita para um desastre. Parece-me mais adequado deixar a gestão de SST no eSocial a profissionais das áreas competentes, para evitar que o ato de comunicar ao governo não se torne um problema maior que o de não comunicar.

23/09/2021

É uma linda  manhã de quinta ao som de peças de Ludovico Einaudi, ao piano, tocadas por Jeroen van Veen https://www.youtube.com/watch?v=KjGcpAZHAHw
A quem segue surpreso com a expansão de Big Brother Fiscal no eSocial, agora com o PPP eletrônico entrando na pauta das eSocialites, entre 2013 e 2016, participei de grupos de discussão sobre o eSocial, com desenvolvedores e contadores fora dos ciclos policiados pelo aparato estatal e vários alertas foram dados, petições, mas o que predominou no final, olhando para  o meio contábil, foi um deslumbramento. Não me causa surpresa então a surpresa de quem não deu a devida atenção ou até mesmo apoiou o projeto sem discernimento. Tudo o que está ocorrendo nos dias atuais,  segue na normalidade. Poderia até ver o eSocial como um merecido castigo aos apoiadores que estão estressadíssimos com a coisa, no entanto, é imerecido aos que perceberam o tamanho da maldade, denunciaram, e agora têm que lidar também com a aberração.
Caiu o governo Dilma, a mãe da criatura, entrou o Temer, Bolsonaro assumiu e o monstrengo do quinto dos infernos continuou sua escalada de crescimento mórbido. O aparato estatal está acima de governos, ideologias liberais ou propósitos “conservadores”; passa por cima dessas coisas como um mega rolo compressor, esmagando tudo e todos que se apresentem atrapalhando o seu caminho. A sociedade brasileira que se diz insatisfeita com isso, não é capaz de se organizar para contê-lo; o aparato estatal se impõe de maneira tal que as vias, dentro do âmbito do Estado, enquanto aparentam defender “liberdades”, aprisionam cidadãos, não sendo efetivas para impedir o crescimento de processos que somente interessam ao fortalecimento da estrutura de laços com o estado, desde aqueles que vivem da burocracia como tendo um fim em si mesma, inclusive entre empresas privadas, até a cultura de controles sociais que estabelecem um “caminho da servidão” (aqui tomo de empréstimo termo usado por F. A. Hayek) dos que trabalham para pagar impostos e passam a ser monitorados no estilo “1984”; essa estrutura tem a função mais intensa de prover o estado de processos que garantam a obediência na senzala dos pagadores de impostos e assim sustentar prover as “políticas públicas” que promovem “benefícios sociais” que servem como armadilhas para “justificar” o aparato na concepção de uma sociedade de indivíduos incapazes de cuidarem de si mesmos (enquanto capazes de elegerem os que vão fazer isso por eles), além de conservar privilégios de parasitas que vivem tão somente do Estado, senda esta parte a mais interessante aos que estão no topo do aparato. O eSocial então entra nesse contexto como um mecanismo de “vigiar e punir”, não aos “marginais” supostamente injustiçados na ótica de Foucault, mas sobre pessoas que procuram produzir e tocar a vida decentemente, imbecilizadas, infantilizadas… O eSocial é mais uma consequência de uma ideia de sociedade gravitando no Estado; é uma “garantia” de que a crença na “Constituição Cidadã” seguirá promovendo uma pandemia interminável da síndrome de Estocolmo.

22/09/2021 

Para um espírito que busca serenidade em uma agitada manhã de quarta, o som do suporte é Mozart https://youtu.be/e3A6rdvkiW0?t=4492.
A cada dia aprendo e medito sobre um problema sério em escritórios que lidam com tarefas relacionadas à contabilidade: empregados em elevado nível de estresse e/ou com frequentes dificuldades de manter concentração, cometendo erros sobre coisas básicas tentando trabalhar em um nível de intensidade que não podem dar conta. O nível de atenção diante de uma determinada rotina tem sido cada vez menor devido a incidência de inúmeras demandas em um ambiente que, normalmente, não ordena tarefas e costuma ficar exposto a cargas excessivas de trabalho repetitivo.
Empregados então são induzidos a tentar realizar várias coisas ao mesmo tempo sem a devida consciência do impacto de determinadas tarefas que dependem de uma sequência de outras. Mal resolveram um problema, acumulam outros na simultaneidade; diante de um problema ainda não resolvido, partem para outro, e depois outro e assim vão acumulando pendências… Inclusive tentam envolver o suporte de TI no mesmo erro e cabe ao profissional não entrar nesse caminho de perdição. Muitas vezes ignoram o custo de oportunidade com o tempo; agem como se o tempo disponível se multiplicasse com o acumulo de demandas. Também subestimam que um problema pode ter relação de dependência com outros. A falta de concentração e a ilusão de que podem operar em multitarefas, desordenadamente, então aumenta a probabilidade de gastarem mal o tempo e cometerem mais erros, além de forçar mais o problema do lapso ou do esquecimento; via de regra, apresentam baixo rendimento em termos de produtividade. Acabam frustrados e com a compreensão equivocada do que significa a contabilidade, normalmente confundida com a burocracia em que estão envolvidos.
O problema é mais grave no setor pessoal, certamente devido ao eSocial. Diariamente vejo empregados tentando entender a lógica dos eventos enquanto são bombardeados com demandas de tarefas que chegam sem qualquer cuidado com a triagem, quando não forçados ao atendimento imediato de clientes pela “urgência”. Muitos problemas “urgentes” não podem ser resolvidos de imediato devido ao processo que demandam em função de outras tarefas associadas. O resultado é que interrompem o processo de compreensão de uma determinada tarefa e quando retornam do problema “urgente” *muitas vezes não resolvido justamente por ignorarem o processo), normalmente perdem o “fio da meada”.
Na área de contabilidade propriamente dita (trabalhista é adereço, fiscal idem), profissionais que aprenderam a montar uma agenda que possibilite a disciplina de horários, com dedicação maior a tarefas que exigem mais concentração, como conciliação de contas e fechamentos de balanços, conseguem melhores desempenhos. Já os profissionais que têm medo de trabalhar políticas de atendimento com clientes, preferindo um relacionamento mais baseado na ansiedade do cliente (que é um leigo e isso deveria ser muito considerado), não conseguem dizer  “não posso fazer isso agora”. Não surpreende que acabam cometendo mais erros ou produzindo pouco, sempre correndo com prazos, quando não torcendo por prorrogações. Vivem uma vida com desgastes emocionais desnecessários; comportam-se como se o trabalho que fazem fosse uma coisa qualquer, onde não é preciso ter muita atenção, concentração. Em parte, parece que assimilaram a função de despachante também no lado emocional, pautando-se mais pela correria e pelo imediatismo, este último sendo um fator de demanda típico para quem lida com problemas burocráticos do custo Brasil. A falta de entendimento sobre o papel do contador na sociedade, parece ter afetado a compreensão dos processos e da necessidade de todo profissional ter estratégia e disciplina.
Gestores de escritórios que não dão atenção devida a essas questões, correm risco de perderem por completo os laços com a profissão, assim como terem mais empregados estressados desnecessariamente; ficarão submetidos a uma carga extenuante, desmotivados, sempre na pressão por prazos curtíssimos, e assim se tornarão mais tendentes a procurarem outro posto de trabalho. Não ficarei surpreso se, em um tempo, a rotatividade em escritórios aumentar bastante e encontrar empregados qualificados se torne uma missão cada vez mais complicada, ficando mais fácil encontrar quem queira trabalhar em escritórios entre iniciantes, desavisados ou iludidos diante de uma dura realidade de incidência potencial de Burnout nesse mercado profissional.

21/09/2021 (1)

É uma linda manhã de terça ouvindo Bach https://www.youtube.com/watch?v=UGJM1Zt38OQ&t=1270s
O que é se expressar ou comunicar? Será apenas algo que fazemos exteriormente com o corpo, por cordas vocais ou gestos no uso de algum sistema codificado chamado “linguagem”?
Às vezes o não fazer, o não dizer, a omissão, a preguiça ou o comodismo no cotidiano podem “dizer” mais, não raramente, que qualquer comunicação ou expressão exterior, formal, convencional, sobretudo quando decorada com aquela retórica peculiar de quem “fala demais por não ter nada a dizer” como dissera o pensador Renato Russo.
Quando alguém faz papel de clanguista em empresas, ou vive como bajulador, comunica mais sobre o próprio caráter que o ato em si.
Quando alguém diz que “precisa falar”, imagino o quanto já tenha dito pelo comportamento; o pensamento em segundas intenções que muitas fez faz uso da omissão ou da inércia, assim como da ação sorrateira, emparelhada com um silêncio a serviço da deslealdade, podem falar profundamente de maneira que as outras formas tão explícitas de comunicação possam ser apenas instrumentos para tentar esconder certas verdades.

21/09/2021 (2)

Será que tenho sempre que me adaptar à realidade de cada cliente? Imaginei implantando um sistema de contabilidade em uma empresa que a regra é o caixa dois, onde os sócios realizam gastos pessoais em nome da entidade, não prezam por controles profissionais de estoque, faturamento, despesas, contas a pagar e a receber. Isso é mais comum do que se pode imaginar e eis que tentar adaptar um  trabalho em um cliente assim será coisa viável? pela experiência, aprendi que é impossível realizar um trabalho sério, decente, aplicando um sistema de contabilidade em uma empresa com as características mencionadas, não sendo possível então seguir a tese de que se deve sempre “se adaptar ao cliente”.
Da mesma forma quando um competente gestor, ao ser contratado para colocar em ordem uma entidade, quanto ás práticas administrativas, se depara com um ambiente a desordem é a regra, havendo muita resistência aos processos de disciplina. A situação se agrava quando há desordeiros de plantão, digo, indivíduos que se aproveitam da desorganização para tomar alguma vantagem, obviamente econômica e ilícita, e assim procuram preservar a bagunça; Isos já ocorrei em algumas experiência onde percebi que o gestor e o contador foram fritados por sabotadores que não queriam que a empresa se organizasse, por motivações indecorosas. O gestor competente, assim como o contador por excelência, bem como um profissional de TI dedicado, jamais terá que buscar uma adaptação nesse ambiente; tem que transformá-lo ou pular fora, caso perceba a inviabilidade dos propósitos profissionais aos quais foi contratado.
Não importa a profissão que seja baseada em tecnicidade, é o cliente que tem que se adaptar às normas elementares, trabalhadas pelo profissional pelo ele escolhido.

16/09/2021

A vida é bela…..
…enquanto há uma crise energética se agravando pelo mundo. Por aqui na terra brasilis, a coisa está ficando cada dia mais alarmante na oferta de energia comprometida com o baixo volume dos reservatórios, por uma histórica estiagem, ficando muito mais escasso o potencial de produção e na economia, o ABC das leis de mercado (oferta versus demanda) diz que se há mais escassez no lado da oferta, haverá maior pressão sobre os preços mediante o mercado de consumo, o lado da demanda.
Não dá para revogar as leis de mercado; socialistas, de esquerda, centro e de direita, ficam irados com essa VERDADE.
Então, será que tabelar preços resolve? Hum, precisa combinar isso com a cadeia de custos que é IMENSA e se o governo limitar preços, vai INVIABILIZAR empresas de energia que entrarão em modo prejuízo e assim poderão reduzir ou até mesmo encerrar atividades fazendo com que a oferta reduza ainda mais, provocando mais carestia de preços e até desabastecimento.
E se o governo assumir tudo? Se “São Bolsonaro” decidir estatizar as companhias de energia? Hum…os custos permanecem; não vão sumir com o governo assumindo o controle e se insistir com preços limitados, provocará PREJUÍZOS nas estatais; e quem pagará essa conta? Os assim chamados “contribuintes” ou seja, eu, você, o humilde trabalhador que compra pão e não sabe que é tributado severamente todos os dias. Se o governo “venezualizar” as coisas, gerará déficit primário monstruoso que forçará mais necessidade de impostos e/ou financiamento (mais juros).
Então, não há nada que o governo possa fazer de concreto para resolver o problema, se bem que estamos no país em que políticos prometem reduzir preços de coisas e o povão acredita que isso é possível sem DANOS MAIORES que o problema original da carestia. Por isso que é importante saber de economia, entender de mercado, para não ser enganado por quem faz da mentira um instrumento de trabalho… Quem? Políticos, claro, e quem poderia ser? Políticos, tão criticados e tão amados neste Brasil varonil…
Então, é preciso ECONOMIZAR ENERGIA. Cortar o ar condicionado, na medida do possível. Eliminar o chuveiro elétrico (primavera chegando, não faz sentido usar). Evitar luzes acessas desnecessariamente. É a única maneira de lidar com inteligência diante do problema. O resto é pura fantasia da política.
Não cansa lembrar a beleza da vida…
…apesar de vocês, políticos gastadores do dinheiro dos outros fazendo o que mais sabem: enganar os bestializados.

15/09/2021 (1)

O livro de Jó é (também) uma obra de filosofia. Aprecio muito este livro da Bíblia. O personagem central, passivo em experiências de profundo sofrimento, conversa com três amigos. Eliú, filho de Baraquel, mais jovem, vendo que os demais se recolheram ao silêncio diante das perturbadoras questões de Jó, decide então se manifestar e suscita uma polêmica, registrada em um exórdio:
“Não é a idade avançada que dá sabedoria, nem a velhice o discernimento do que é justo.” (32.9)
Será que o tempo “ensina”? Será que o envelhecimento garante um melhor discernimento das coisas?
Será que vou adquirir sabedoria contando apenas com o passar do tempo? Em comparação com os meus 28 anos, se fiquei mais sereno, menos preconceituoso, menos ansioso, mais consistente, foi apenas porque hoje tenho 46? Não me parece evidente isso somente contando com o passar do tempo.
E se eu conseguir chegar aos 70, estarei muito mais maduro do que hoje, nas 46 primaveras?
Não vejo garantia nisso. Depende.
Penso que o tempo é um recurso essencial no processo de amadurecimento, mas não é o ÚNICO elemento a ser considerado. Se eu conseguir chegar aos 70 anos e não procurar cuidar do meu espírito, do intelecto, sem dar atenção à ética em mim mesmo, os possíveis 24 anos adiante não causarão o “efeito mágico” de me fazer uma pessoa melhor, mais madura, mais consistente, menos preconceituosa, menos ansiosa, com conhecimentos mais depurados. Terei que, em cada momento que puder viver, buscar maturidade, e eis que o passar do tempo ajuda como recurso, mas não como solução em si mesma.
Então, entendo que o tempo em si mesmo não vai me fazer uma pessoa melhor do que hoje, e sim o que farei, enquanto passar o tempo que me resta nesta terra, com a minha mente, minha alma e, em síntese, como o meu SER.
Aos mais jovens: aproveitem bem o tempo potencialmente maior que possuem de vida para cuidarem bem da mente, da alma, buscar conhecimento, SER MAIS CULTO A CADA DIA. Quanto mais jovem, mais chances de se tornar um ser humano melhor no bom uso do tempo.

15/09/2021 (2)

Carta a um ex-candidato-a-cliente
Prezado,
Por meio deste, comunico que encerrei o processo de pré-contrato e avaliações acerca do vosso interesse em contratar meus préstimos.
Não será possível firmarmos um contrato pelas seguintes razões:
1. Considerando que, durante o processo de negociações contratuais, percebi que vossa senhoria procura um profissional com um perfil muito diferente do meu. Trata-se de um profissional que deve se dispor a atendê-lo de imediato, sem restrições de dia e horário, inclusive em feriados, levando em conta as tentativas de contato registradas no feriado do último dia 7, assim como ligações aos domingos e em dias úteis fora do expediente. Em uma relação que ainda não é de cliente, o vosso comportamento foi um ponto crítico de maior peso nesta minha decisão. Acredito que expliquei à vossa senhoria, em detalhes, nas reuniões que realizamos pelo Zoom, a forma como trabalho, assim como os canais disponíveis e o código de ética que rege o meu atendimento;
2. A análise do histórico de várias pendências com o eSocial, algumas identificáveis de imediato, outras intangíveis, além da indisposição de vossa parte em aceitar os valores de risco que foram propostos em relação a períodos anteriores ao contrato, impossibilitam a minha concordância em formalizá-lo.
Agradeço o vosso interesse e, em face do exposto, concluindo que não tenho a competência mínima para lhe prestar serviços dentro de suas expectativas, desejo-lhe pleno sucesso na busca por um profissional que atenda às suas reais necessidades.

14/09/2021

O PRINCIPAL CAUSADOR DO CAOS EM ESCRITÓRIO CONTÁBIL
A fonte principal das maiores tensões (e perda de bons empregados) no setor pessoal de escritório contábil NÃO É O E-SOCIAL, nem o SPED.
O principal causador de desgastes, muitas vezes, é um sujeito (ou alguns) agente humano, geralmente muito simpático, bem intencionado, desejoso de promover a prosperidade do negócio.
Este agente humano promove a vinda de novos clientes ao escritório o que, aparentemente, é uma coisa muito boa, acontece que…
Novos clientes nem sempre significam mais serviços que significarão mais RECEITAS e mais LUCRO ao escritório e eis que costumam chegar:
1. Clientes novos com documentação em nível ultra-mega-bagunçado que exigirá mais tempo dedicado a profissionais já submetidos a uma carga exaustiva de rotinas;
2. Clientes novos com diversas rotinas não realizadas pelo escritório anterior (SEFIP, RAIS, FGTS) sem que fique claro a condição de que serão serviços extras a serem taxados além do valor da mensalidade. Muitos, na base da amizade, aceitam clientes sem estabelecer REGRAS CLARAS quanto a esse problema e o resultado é um monte de tarefas que o DP terá que fazer que não foram feitas pelo escritório anterior;
3. Clientes novos com problemas do item anterior que viram “café pequeno” quando o DP recebe casos de GRUPO 2 do eSocial com folhas atrasadas, problemas com a DCTFWEB, GPS paga no lugar do DARF ou até mesmo nenhum cadastro realizado, tudo no ZERO, e assim precisam implantar a base inicial, fazendo um levantamento bem mais desgastante das pendências para ter condições de começar a entregar as folhas que envolvem o contrato;
Em muitos casos, os problemas mencionados acima estão acompanhados de empresas à beira da falência, com histórico de NÃO PAGAR mensalidade regularmente. Na prática, será trabalhar sem receber para clientes novos que trazem ENTULHOS de obrigações que apenas ocuparão excessivamente o setor, aumentando o custo operacional e o PREJUÍZO do escritório.
Por que isso acontece?
O sujeito que não cessa de trazer novos clientes assim (chamo de “cliente bomba”) é, normalmente, o DONO DO ESCRITÓRIO que não compreende a GRAVIDADE DOS PROBLEMAS comuns em um setor pessoal na era do eSocial. Não só no setor trabalhista, na fiscal e contábil também se mostra sem conhecimento do ambiente complexo em que se tornou o Brasil para um escritório contábil. E por não lidar com as rotinas (não vive o dia a dia operacional), ele/ela, o/a DONO/A DO ESCRITÓRIO segue tomando decisões sem perícia, equivocadas, fechando negócios sem critério como se tivesse promovendo o crescimento do escritório quando na verdade o está levando para o abismo entupindo os departamentos de serviços para clientes sem futuro. É fácil identificar esse tipo de dono de escritório. Ele se comporta apenas como um empresário e só sabe entrar em contato com os departamentos para dizer: “E aí, tá tudo pronto? O cliente tá aqui!”, parecendo um leigo (ou será mesmo?). Com certeza é um multiplicador de estresse, uma máquina ambulante de ansiedade com potencial de adoecer a mente de quem estiver ao seu alcance.
Faz isso porque age apenas por impulso, menosprezando a importância de saber bem o que está acontecendo nos setores, além de desconhecer o que ocorre no mercado; muitas vezes tem carência de compreender leis de mercado e assim só sabe falar mal dos preços, sem interesse em entender melhor as causas.
Há casos de decisões tomadas em admitir clientes à esmo por amizade. E amizade e negócios são como água e óleo…. Isso se torna fatal quando o dono do escritório é incapaz de analisar riscos e precificá-los quando um potencial cliente lhe faz uma sondagem. Age como se estivesse apenas em um negócio qualquer de comprar e vender coisas de pequeno valor; e então cobra “baratinho” e depois se vê em uma enrascada não conseguindo realizar as tarefas ou quando consegue, sob um custo imenso, e por isso tenta reduzir custos com profissionais de DP e de TI que, ao se sentirem desvalorizados certamente irão procurar quem pague melhor. Esse tipo de dono de escritório se guia apenas pelo preço dos vizinhos sem considerar as condições oferecidas. Se um concorrente oferece por R$ 200, fará o mesmo sem considerar que muitos cobram “baratinho” para um serviço precário que, cedo ou tarde, gerará problemas sérios. Não percebe que está entrando na mesma dança louca de concorrer com quem é sofrível no que faz.
Este tipo de dono de escritório é um especialista em promover o CAOS na própria empresa, além de ser doutor em perder bons profissionais, empregados e prestadores, que saem do escritório por notarem que estão dentro de uma BOMBA RELÓGIO e, depois de tentarem ajudar de várias maneiras, só lhes resta mesmo ir embora.

13/09/2021

O tempo…
O tempo que eu tenho por dia (24 horas) é o mesmo de um juiz, de um cirurgião plantonista do HR, de uma professora do primário que tem cinco filhos e um marido para cuidar, de um gestor que cuida de bilhões de dólares em fundos de investimentos…
A cada um cabe decidir o que vai fazer com o tempo que dispõe… E o preço dessa escolha, na ciência chamada “economia”, se chama “custo de oportunidade”.
Esse custo ocorre quando tenho que tomar uma decisão de ocupar o tempo que disponho com uma coisa em detrimento de outra porque percebo não ser possível fazer determinadas coisas ao mesmo tempo.
Ficar em redes sociais consumindo o tempo com besteirol ou usar o mesmo tempo para ocupar a mente com atividades que me façam crescer como pessoa?
O custo de oportunidade no uso do tempo, bem ou mal, será cobrado.
Gastar horas jogando conversa fora com tolices ou conversar com quem me inspira a buscar um crescimento moral, espiritual e intelectual?
O tempo de uma mente dispersa, distraída, poluída com vulgaridades…
É o mesmo de uma mente que…
…busca as coisas do espírito…
… ler bons livros e enriquece o vocabulário..
…aprende línguas, aprecia artes…
O que escuto, vejo, leio, penso, converso, exerce influência, independente de minhas crenças. Uma mente que se ocupa com vulgaridades, bobagens, fofocas, que se deixa levar pela inveja, vai refletir em que tipo de pessoa? Uma mente que busca as coisas do espírito, que procura melhorar o intelecto, se ocupa com o bom uso da ética, vai refletir em uma pessoa melhor?
Para entender o custo de oportunidade no uso do tempo é necessário compreender tais coisas e se adaptar a verdade de que o tempo que passa, bem usado ou não, não se recupera; ninguém pode escapar desse custo.
Cada um tem o direito de fazer o que bem entender com o tempo, porém não é inteligente ignorar que não é possível voltar no tempo e usá-lo novamente com algo que gostaria de ter feito.
A juventude passa, tudo passa; o importante é procurar envelhecer bem e assim descobrir que se sentir entrando na “terceira idade” pode ser também uma grande bênção, e isso vai depender muito de como o tempo foi usado na juventude.

12/09/2021

Propostas de trabalho que não prosperaram:
2006: Pastor batista
Pastor de igreja batista, essa foi em 2006: estava tudo acertado para o meu concílio examinatório e até a igreja onde iria trabalhar. Liguei para o pastor que articulou todo o processo (sem minha autorização) e lhe disse que nunca tinha dito a ele, nem a ninguém do meio batista, que tinha vocação para ser pastor e que desejava fazer carreira. Lembrei a ele das minhas primeiras palavras no STBNB no primeiro dia de aula em 2003 sobre a minha vocação: “Entrei no seminário pelo CONHECIMENTO e aperfeiçoamento da fé e não para fazer carreira ministerial”. Então, disse ao pastor em 2006 que pregar, dirigir sessões administrativas, produzir textos, comandar equipes, tudo isso fazia parte da experiência, que foi muito proveitosa por sinal. Até hoje o pastor não fala comigo; talvez eu o tenha desapontado de uma forma “imperdoável”.
2013: Empregado de grife de TI
Trabalhar em equipe de suporte de uma grife de TI, isso foi em 2013, logo depois que entrei na Exactus como representante. Proposta parecia tentadora pelo salário e promessa de “gerência” no curto prazo, mas em uma avaliação fria, recusei pois percebi que ficaria preso a uma corporação cujas práticas comercias tenho repugnância, e mesmo sem esse problema ético, ficaria limitado a atendimento de usuários de sistemas de contabilidade específicos demais e sem poder continuar o trabalho com clientes que estão comigo, muitos desde meados dos anos 1990;
2015-2016: Professor de cursos de Sped em pós
Dar cursos de módulos do Sped em uma pós graduação; proposta que surgiu em 2015 e parecia muito boa, mas analisando com a mesma frieza das propostas anteriores, percebi que ficaria afastado da família no final de semana, como se não bastasse o que ocorre nos dias úteis, apesar de estar em home-office desde 2007. Outro ponto muito negativo foi o fato de ter que me dedicar a um conteúdo que não considero relevante o suficiente para ocupar uma tarde de sábado, entrando pelo início da noite e uma manhã de domingo, entrando pela tarde, à época era presencial, com coisas que emburrecem a mente. Percebi que no meio de “especialistas” em Sped, há uma pobreza intelectual muito grande. Só conversam coisas do fisco. Eita povinho metido que só fala de imposto e multas… Mentes vazias, talvez por causa do tempo dedicado à coisa, que é IRRELEVANTE, considerando economias mais avançadas que a brasileira;
2018-2019: Professor de preparatório de CRC
Dar aulas de estatística e mercado de capitais em curso preparatório para exame do CRC. Outra proposta que parecia muito boa pelo valor pago por hora-aula, no entanto, sacrificaria boa parte de finais de semana com atividades que considero mais importantes envolvendo a convivência com a família e os estudos livres, além de que tenho restrições a cursos preparatórios para coisas que considero questionáveis, como é o caso do exame do CRC;
2018-2020: Professor de matemática financeira
Aulas de matemática financeira em faculdades. “Não sou professor. Não tenho essa capacidade”, disse ao coordenador. Em todos os convites não tive muita dificuldade para recusar, pois avaliei que…:
…se entrasse em uma faculdade, seja como aluno ou professor, não teria mais tempo para estudar.
EU SOU UM ESTUDANTE, nunca serei professor, concluí ao doutor.
2020-2021: Empregado de escritório que se considera “grande”
Proposta era para dar maior exclusividade a um escritório que se considera “grande”, importante demais (não é). Esta proposta foi durante a pandemia e parecia ótima financeiramente, mas péssima pelas exigências de exclusividade em três dias da semana. Percebi também uma certa relação boçal dos donos com alguns diretores (muita rasgação de seda, muita bajulação). Era cliente de sistemas e o perdi quando lhe disse NÃO; só me queriam como empregado, no entanto isso me revelou o quanto havia de arrogância na proposta deles pois até então eu era um prestador de serviços que dava suporte na área de Sped, com flexibilidade de horário. Depois de um tempo, recebi um contato sobre disposição para voltar e a resposta foi NÃO. Uma vez dispensado, não tem mais volta, principalmente da forma que foi, onde fui claramente chantageado. Não quero negócio com gente assim nem banhada a ouro.
FELICIDADE É A CHAVE
Em todos os casos, o ponto mais importante foi a felicidade que eu tinha como expectativa assumindo os compromissos propostos  É o ponto fundamental, a felicidade no trabalho é condição inegociável para que eu assuma e me dedique.
Não importa o que estou fazendo, tenho que experimentar a felicidade” na satisfação de ajudar os outros, de ter crescimento intelectual e tempo para ficar em casa, me dedicando a família e aos estudos livres.

09/09/2021

Em uma seleção para contador, após quase SEIS MESES cansativos para o recrutador, uma entidade conseguiu um profissional qualificado, com 45 anos de idade e que tinha passado por indústrias. Os jovens entre 22 e 28 anos que se apresentaram para entrevista demonstraram desconhecer coisas básicas sobre contabilidade de custos e resultados, apesar de cumprirem as exigências legais (diploma e CRC) e apresentarem vasto currículo com cursos e “capacitações”. Alguns até tinham pós e foram REPROVADOS por deficiência técnica.
Isto posto porque noto também que contadores veteranos são bem mais preparados que os jovens saídos recentemente das faculdades. Os “coroas” e as “coroas” possuem mais versatilidade na compreensão de textos técnicos e dominam melhor certas técnicas de contabilidade de custos.
Há 30 anos lidando com contadores e técnicos em contabilidade, identifiquei este problema como coisa frequente que, parece, ter se agravado. Diploma de bacharel em ciências contábeis está longe de ser garantia de que o referido portador seja um profissional qualificado assim como ter registro no CRC também tem sido algo cada vez mais enganoso.
Profissionais mais bem qualificados muitas vezes são técnicos que nunca colocaram os pés em uma faculdade. O que mais me chama a atenção é a ocorrência comum de recém formados com dificuldade de saber o que é débito, crédito, ativo, passivo, custo, receita, despesa e aspectos elementares no sistema de resultado, além de desconhecerem o uso técnico de termos contábeis na análise de balanços e avaliações econômicas de entidade.
Alguns têm sérias dificuldades para entenderem o princípio da entidade. O mais triste que vi foi um jovem contador, que tinha acabado de tirar o CRC, comemorar o fato de que não precisava “fazer contabilidade” de empresa no Simples (entendimento confuso).
A impressão que tenho é que graduandos estão sendo preparados para trabalharem mais como elaboradores de guias de recolhimento de impostos. Estudantes, parece, estão sendo incentivados a se “aprofundarem” cada vez mais em normas tributárias em vez de buscarem saber na CIÊNCIA CONTABILIDADE. Confundem as coisas e não me admira que estudem apenas para passar na prova do CFC achando que, sendo aprovados, receberão um atestado de garantia de qualidade como CONTADORES por excelência.
Tem alguma coisa muito grave acontecendo nas faculdades…
Após apresentar uma análise dos resultados da TIM em um dos trabalhos que faço aos sábados pela manhã, um participante me disse que nunca tinha visto algo parecido nos cálculos e índices que eu tinha apresentado a partir dos balanços e das demonstrações ajustadas às normas internacionais. E esse desconhecimento não é raro.
Afinal, estão sendo formados atualmente contadores mesmo ou será que estão “formando” despachantes gourmet com desejo de ter CRC? Parece-me que a segunda hipótese é mais provável.

08/09/2021

Senti recentemente vergonha de mim mesmo…
Explico: parei para refletir sobre a forma como trabalhava há alguns anos. E eis que pude perceber como me estressava desnecessariamente e produzia menos do que poderia porque repetia exatamente o modo de atendimento de muitos clientes: trabalhava atendendo mais aleatoriamente, na base do improviso, captando a ansiedade dos clientes, sem ordenamento de tarefas, sem definir prioridades, sem política clara de atendimento, sem plano de ação ou, quando fazia alguma coisa nesse sentido, era de maneira muito rudimentar.
Por isso me senti um tanto envergonhado, no entanto, em seguida senti algo agradável. Percebi que tive como encontrar uma forma de melhorar, evoluir, em meio às falhas, que são importantes dentro de um processo de aprendizagem. Também pude perceber a importância de usar a auto crítica para identificar minhas limitações e pontos críticos.
Outra constatação foi de que rir de mim mesmo pode fazer um bem enorme. Dei risadas de como eu reagia de forma imatura diante de certas pressões.
Está aí então um caso de que sentir vergonha de si mesmo não sempre ficará permanente como algo desagradável. vai depender de outra avaliação, muito mais importante que envolve buscar uma melhor consciência de mim mesmo, investindo no meu intelecto, ouvindo pessoas muito mais qualificadas do que a minha pessoa, para buscar um enriquecimento nas ideias e então poderei repetir esse processo de conseguir um melhor diagnóstico sobre o que faço e o que poderia fazer para melhorar.
Sempre é necessário fazer esse tipo de atividade de auto crítica; olhar para trás e comparar com o momento para verificar mudanças, efeitos positivos e negativos.
Envergonhar-se do que era ou fazia será então um sinal de que as coisas evoluíram.
Também nesta experiência, posso perceber o valor de parar de ficar me comparando com os outros como se fosse uma coisa imperativa, definitiva, uma sentença fatal para minha carreira profissional. Claro que é importante avaliar se comparando com outros trabalhos similares, porém, mais importante ainda é ME COMPARAR COMIGO MESMO ou seja, saber se o Leonardo de hoje está melhor que o de cinco anos atrás e, por menor que seja a evolução, essa comparação será muito mais prática, útil, do que ficar me comparando apenas com os outros.

31/08/2021

Poeira… Microscópico na catalaxia… Enquanto trabalho, muitos dos recursos que utilizo (computadores, roteadores, etc) foram produzidos com componentes na Ásia por uma imensa cadeia industrial e de distribuição. O Dell e o LeNovo que uso, para chegarem até a mim nesta sala, fizeram uma longa jornada. Os aplicativos e ferramentas (Zoom, WhatsApp, TeamViewer, C# linguagem, Xbase++ linguagem) que uso para trabalhar e enviar esta mensagem são combinações de produtores pelo mundo, todos buscando seus próprios interesses precisando servir aos outros, cooperando, muitos a partir dos EUA, Europa…. Então, preciso compreender melhor esse mundo de relações econômicas tão intensas, olhar os mercados, não apenas para investir e, sobretudo, para não cair na ilusão da auto suficiência do lugar onde me situo. Muitos influenciados por nacionalismo, coisa cafona, se perdem na compreensão desses fenômenos de mercado. Preciso então dos europeus, dos asiáticos, dos americanos e, claro, de brasileiros, entre tantos outros povos na imensa e maravilhosa cooperação econômica.

01/09/2021

 O Sérgio Machado é uma de minhas referências no fintwit do mercado financeiro. Ele postou recentemente um lindo thread que compartilhei no meu perfil do Twitter (prestes a ser extinto). Ele começa com uma célebre frase de Sir Winston Churchill (1874-1965), o lendário primeiro-ministro britânico:
“Se você vai passar pelo inferno, não pare de andar.”
Após refletir no que o Sérgio escreveu, parei para meditar em dois tipos de pessoas frequentes em minha caminhada desde o início da pandemia: o primeiro tipo é o que só reclama, costuma enxergar defeitos nos trabalhos dos outros enquanto esconde os próprios. Não raramente se pauta pela ingratidão. Neste grupo tão temperamental, também figura quem, alegando a pandemia, não cumpre obrigações financeiras com empregados e fornecedores do escritório enquanto demonstra ter recursos suficientes para gastar com passeios fazendo questão de divulgá-los.
Mas há um outro tipo de comportamento que me inspira. Um tipo de cliente que, vez ou outra, diz que está rezando ou orando por mim para que eu passe por essa fase. É o mesmo tipo que me incentiva a continuar com as reuniões, costuma repassar erros e acertos nos sistemas de forma discreta, no privado, sem querer chamar a atenção, sendo um gesto visível para cooperar com o meu trabalho. Em especial, aproveita certas dores desta pandemia para aprender coisas novas. Acredito que é o perfil de cliente que vai passar por essa crise com um enlevo moral e espiritual, assim envelhecendo bem melhor que o primeiro.
Venho passando pelo maior aperto profissional de minha vida desde fevereiro do ano passado: a carga de trabalho praticamente dobrou, férias duas vezes tive que adiar, contudo, apesar do sofrimento, sinto que tudo isso tem uma razão para acontecer além de minha vã filosofia. Sinto que estou em uma espécie de missão muito maior que a minha persona: contribuir, ajudar, dar suporte a outros colegas que passam por um aperto tão ou maior que o meu. E pensei que, se cada um do tipo que falei, compreende e pratica um pouco essa “missão”, todos serão amplamente beneficiados.
E assim, nesse espírito, no que depender de minha vontade, não vou parar de andar.

02/09/2021

Fase frequente que escuto nos atendimentos: “não sei por onde começar”. Outro caso comum consiste no usuário apresentar vários problemas sem definição de prioridade , muitas vezes sem saber também da importância de conhecer bem as relações que os problemas possuem onde uma determinada tarefa, para ser realizada adequadamente, muitas vezes depende da conclusão de uma outra (e às vezes é uma rotina que o usuário quer evitar).
Exemplo: No eSocial o usuário quer que o evento de demissão S-2299 seja transmitido pelo sistema, mas quando acesso, verifico que a admissão não consta  e, não raramente, o usuário pergunta: “E tem que ter a admissão?”. Pergunta que revela uma mentalidade imediatista, de ver apenas o problema imediato (preciso mandar a demissão para o eSocial e é tudo que preciso, e NÃO É) quando sequer realizou a etapa mais importante (o próprio registro do empregado). E há casos mais graves onde o usuário aciona o suporte reclamando de que o sistema não está enviando nenhum evento e quando é feita a verificação, o cadastramento inicial sequer foi realizado, a empresa não está implantada no eSocial, nem a mensageria configurada corretamente, contudo o usuário quer ir para o “finalmente” (mandar a folha de pagamento), de uma empresa que nem registrada foi. Essa confusão mental rapidamente provoca um caos na mesa do usuário quando começa a agir só pensando no problema (tenho que enviar a demissão ou tenho que mandar a folha), e eis que fica girando sem sair do lugar, agindo como se tivesse o dom de tratar todos os problemas quase que imediatamente, sem perceber o abismo em que está se metendo.
“É um problema de cada vez”, costumo dizer, mas muitos não conseguem escutar. Estão tão afobados que só pensam no problema que gerou a pressão, prática muito comum em escritórios de contabilidade cujos proprietários, na maioria, se comportam como empresários e não como técnicos, e assim só sabem aplicar (e muito mal) o recurso de pressionar para que os serviços andem. Acontece que pressão para nada serve dentro de um ambiente onde tarefas devem ser sequenciadas e classificadas em níveis de prioridade, para que sejam bem executadas. Depois que envia a folha, outro problema comum: o empregado vai até o eCac e não vê a DCTFWEB; agora está pensando no DARF, quando sequer deu o comando de encerramento na folha, e se eu falar para ele que pode encontrar algum impeditivo, então, mais uma confusão se inicia na cabeça de quem só raciocina com imediatismo; ele vai pensar que o problema é que ainda falta enviar a folha (que foi enviada, S-1200, S-1210, S-2299). É que e o eSocial verifica uma série de coisas que precisam bater para que o encerramento seja aceito. Novamente, se o usuário pensar no problema imediato (o DARF), não vai conseguir organizar minimamente bem o juízo para conseguir finalizar a tarefa.
Pressão, imediatismo, ansiedade, tais coisas só atrapalham o profissional; é preciso NEUTRALIZÁ-LAS. Se o chefe só sabe cobrar (é o pior tipo), precisa ser educado para entender de PROCESSO. Se continuar só na pressão, gerará um estresse desnecessário no ambiente de trabalho, correndo o risco de provocar alta rotatividade de colaboradores no seu negócio, além de perder potenciais talentos. O profissional qualificado, consciente, aplica PROCESSOS: início (diagnóstico), meio (tratamentos) e fim (conferência e liberação do material concluído).
P.S.: Outro exemplo de imediatismo cegando entendimento produzindo mais ansiedade? Quando surge uma necessidade de enviar uma alteração contratual para a CTPS DIGITAL e o usuário não tem sequer o empregado implantado no eSocial. Muitas vezes o usuário nem sabe que a CTPS não permite inclusão direta e que depende do eSocial para captar dados. Então terá que fazer o diagnóstico que envolverá a implantação do empregado no eSocial. E se tiver faltando o empregador? Implantar o empregador antes, outro problema. Então, se a pessoa ficar pensando só no problema inicial (atualizar a CTPS Digital), não vai evoluir partindo do diagnóstico, passando pelo tratamento (meio) até chegar ao fim (entrega). Compreender a dimensão de um processo é a diferença entre a eficiência e o caos. O imediatista é um gerador ambulante de ansiedade.
P.S.: Parte crucial da visão de PROCESSO nas tarefas: DIAGNÓSTICO. Por incrível que pareça, o maior problema que vejo em organizações em geral é o caso frequente de usuários querendo resolver um determinado problema sem identificar corretamente a (s) causa(s). É como querer “tratar” uma doença sem saber o que a está provocando. Pensem nisso…

03/09/2021

ÉTICA não é uma palavra bonitinha para colocar no site na parte de “Missão e Valores”.
Todos merecem ser ouvidos antes de avaliados em definitivo. Quando um gestor de escritório vem apresentar problemas e menciona empregado, a primeira coisa que pergunto é: JÁ TRATOU DESSE ASSUNTO COM O EMPREGADO? Alguns ficam surpresos. Se alguém está sendo questionado quanto a qualquer aspecto profissional (se for algo pessoal eu nem discuto pois é antiprofissional), então a parte mencionada TEM QUE SER OUVIDA; ISSO É ÉTICA FUNDAMENTAL nas relações profissionais. Faço isso também porque já fui vítima de donos de escritórios que fingiram ter consideração por mim e tomaram decisões e/ou chegaram a conclusões sem me escutar. Gestor que não procurar ouvir todas as partes, antes de tomar importantes decisões, é INCOMPETENTE, FRACO, ANTIÉTICO, e deste tipo, quando percebo, quero distância oceânica.

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