É agosto e eis que Uma leitura ao dia segue com recomendações e notas acompanhadas com a Sinfonia No. 41 Jupiter, de Wolfgang Amadeus Mozart (Áustria/Salzburgo, 1756-1791).

17/08/2022 00h30

Imagem: oficial site About Max Lucado

Max Lucado

“O medo vê uma ameaça. A ansiedade a imagina.”

Obra: O fim da ansiedade. O segredo bíblico para livrar-se das preocupações. A ansiedade é uma chuva de meteoros do tipo “e se?”. Edição da Thomas Nelson Brasil. Tradução Vida Melhor, 2017, eBook Kindle. De Max Lucado (EUA/Texas/San Angelo, 1955).

Esta obra do pastor Max Lucado é de utilidade pública.

Uma reflexão pessoal sobre a leitura:

O medo é o sensor acionado sobre a consciência do perigo. A ansiedade é um sentimento que especula, antecipa ou “pré” ocupa o juízo. O que posso conhecer e medir, posso administrar, ordenar, planejar, ajustar, melhorar. Essa é a parte dos problemas da vida que competem a minha disposição de ser proativo e lidar com o medo. Minha responsabilidade está justamente nas coisas que posso conhecer, medir e tratar. Negligenciar o medo e os problemas da vida é negar o compromisso com a minha própria existência. Porém, entre os dilemas existenciais estão as questões na categoria do que não posso conhecer, não tenho como medir, não posso administrar, não há como ordenar; um irresponsável embriagado ao volante que surge em minha direção, um fenômeno natural, um problema de saúde incubado e que se revela de repente… Não posso dirigir o mundo, mas posso ter fé de que Deus fará isso (capítulo 2).

Pensar demais ou se (pré) ocupar com o que não posso cuidar é a receita para fazer do “e se?” um vetor de ansiedade e estresse desnecessário. Compreender as naturezas de cada problema que surge e assumir o que pode ser assumido de forma justa, lúcida, serena, é o caminho para não se deixar levar pela inquietação que consome o juízo e neutraliza minha disposição para viver.

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”

Mateus 6:34

16/08/2022 00h12

Imagem: PT

Paul Singer

“Como já foi visto no início desta série, a causa imediata da inflação é sempre um aumento do volume dos meios de pagamentos. É impossível que os preços de todas as mercadorias aumentem sem que os compradores disponham de dinheiro suficiente para pagar os preços mais elevados. Este fato é, em geral, mal compreendido porque se uma determinada mercadoria se torna escassa, seu preço sobe sem que os consumidores tenham mais dinheiro para gastar com ela.”

Obra: Guia da inflação para o povo. IX O combate monetário à inflação. Editora Vozes, 15a. edição, 1990, Petrópolis, p.61. De Paul Israel Singer (Áustria/Viena, 1932-2018).

Era um noviço em economia lá pelos idos de 1994 quando li isso pelo primeira vez e fiquei surpreso, pois tinha passado a adolescência nos anos 1980 interessado no tema da inflação e o que tinha aprendido até então, como fiscal-mirim do Sarney, é que a danada era causada por empresários malvados que não paravam de etiquetar diariamente as mercadorias.

Algumas ironias hoje vejo no reencontro com esta obra, sobretudo neste trecho, 28 anos anos depois:

O professor Singer foi um austríaco de nascença que não era da Escola Austríaca (EA), muito pelo contrário, de mentalidade intervencionista, socialista, naturalizado brasileiro que figura entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Através de ilustrações em linguagem simples, diria pedagógica, aborda o problema da expansão dos meios de pagamentos para reconhecer que “é o governo responsável pela inflação e também pelo aumento do custo de vida” (p. 63), o que o faz entrar em denominador comum com o liberal mais odiado pela tradição esquerdista brasileira nos anos 1980: Bobby Fields.

Outro ponto curioso é que a exposição do professor Singer destoa completamente do pensamento predominante entre economistas do PT e linhas auxiliares nos anos 1980 (e até hoje) sobre o combate à “causa imediata da inflação”, se não por palavras, pelo menos por atos, visto que defenderam com uma paixão ardente o tabelamento de preços na ponta de consumo e nos dias hodiernos são chegados a um controle dos preços administrados por (semi)estatais em práticas que induzem a população ainda a acreditar na ilusória crença de que a inflação é um fenômeno causado por empresários ou agentes no lado da oferta, todos gananciosos pelo lucro na forma de remarcação de preços. O último caso mais notório desta mentalidade se deu na gestão Dilma Rousseff sobre os preços da energia aos consumidores, política econômica que alimentou um dragão inflacionário que estourou em dois dígitos no IPCA em 2015.

Por fim, o professor Singer chega a reconhecer na obra dirigida ao “povo” (bem que poderia ter sido também aos economistas da Unicamp, pelo menos na hora de passar o óleo de peroba) que a política de arrocho salarial, à época da publicação, “é perfeitamente congruente com as medidas de política econômica ‘gerais’ que constituem o resto do repertório do combate à inflação” (p. 70), no entanto, não contrariando suas raízes socialistas, propõe “medidas de mudança nas regras de jogo econômico, o que significa subordinar a liberdade de iniciativa do capital às necessidades da maioria” (p.71).

15/08/2022 00h01

Imagem: Recanto do Poeta

João Cabral de Melo Neto

“Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.

Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas,
mas de costas para o rio,
que “as grandes famílias espirituais” da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões
de preguiça viscosa).”

Obra: Paisagem do Capibaribe. Trechos. O cão sem plumas. Poesia completa. Organização, estabelecimento de texto, prefácio e notas de Antonio Carlos Secchin, edição da Alfaguara, 2020, eBook Kindle. De João Cabral de Melo Neto (Brasil/Pernambuco/Recife, 1920-1999).

O Recife… (Pastor Abdoral)

É o homem-massa-brutta-figura
endinheirado da zona sul
programando férias da usura
articulado em seus lobbies
de uma vida vazia, pela metade,
que se incomoda com a felicidade dos pobres.

É o Capibaribe de João Cabral
como uma metáfora inversa e imoral
de viscoso rio de carros…
aos olhos de seus medonhos políticos
que contemplam de helicóptero e tiram sarros.

Do suor no rosto de ambulantes
na luta desse rio de carros com mineral e cerveja…
e tudo o que a necessidade enseja
a espera de um PIX cair
que o brucutu da cobertura,
por perversão, quer extinguir.

É o Arruda lotado…
para mais uma tragicomédia
do Mais Querido no canal “perfumado”
pelo saneamento sempre ignorado,
Recife pertence ao voto panis et circenses
porque obra que não se vê, não se sente.

É a Venezia brasiliana
Que maltrata turistas e a visitantes engana
Neste rio de carros estagnada e insana.
Bela e mal cuidada de cheia e alagamento
em delírios de imitação do mangue em tormento
que agoniza no cimento.

De vias lunares chamadas de “avenida”,
de obras inauguradas já vencidas
pelas espertezas cariadas e “inauditas”
de suas elites trogloditas.

O Recife…

11/08/2022, Abdoral, após chegar do Recife em uma viagem de três horas Recife-Vitória.

14/08/2022 17h05

Imagem: The Economist

John Maynard Keynes

“Atribui-se a Lênin a declaração de que a melhor maneira de destruir o sistema capitalista é a de corromper a moeda. Através de um processo contínuo de inflação, os governos podem confiscar, secreta e desapercebidamente, uma importante parcela da riqueza de seus cidadãos. Por este método, eles não apenas confiscam, mas confiscam arbitrariamente, e, embora o processo empobreça muitos, na verdade enriquece alguns.”

Obra: A Europa depois do Tratado (1919). Keynes. Coletânea. Tradução de Miriam Moreira Leite. Editora Ática, 1978, São Paulo, formato físico. De John Maynard Keynes (Reino Unido/Cambridge, 1883-1946).

Leitura de tempos de graduação em economia (1997).

No contexto do pós-Guerra (I), segue o mais importante economista do século XX (pelo mainstream) a encerrar o parágrafo; menciona os que se beneficiam mais, transformados em “especuladores”, ficando a burguesia em empobrecimento, “não menos que ao operariado” (p. 59). Reconhece o lorde, no parágrafo seguinte, que “Lenîn tinha razão” e segue a afirmar que “todos os governos beligerantes praticaram, por necessidade ou incompetência, o que um bolchevique faria de maneira planejada” (p. 60).

Keynes neste artigo, originalmente publicado em The Economic Consequences of the peace [108] até parece um liberal clássico ao tratar sobre a responsabilidade de governos como causadores da inflação, mas apenas parece. Abre o artigo a advertir o leitor sobre o enfoque “que precisa ser pessimista” de sua análise, pois “o Tratado (de Versalhes) não inclui cláusulas para a recuperação econômica da Europa”, o que sinaliza um ensaio para ideias heterodoxas que avançariam nos vértices políticos durante os anos 1920. Então, Keynes aponta que o Conselho dos Quatro (EUA, França, Itália e UK) estava preocupado em esmagar a vida econômica do inimigo, o lado perdedor, e de fato (o lorde não menciona, é uma análise pessoal), a profunda crise econômica, com inflação e recessão na Alemanha, foi um fator preponderante para que Hitler e seus camaradas nazistas se aproveitassem do desespero da população para disseminar ideias nacionalistas com apelos raciais, em um caldeirão onde o Tratado de Versalhes estava como um problema mal resolvido.

Três questões elementares, apontadas pelo lorde, na situação da Europa no pós-Guerra (I): Queda absoluta na produtividade, colapso do sistema de transportes e incapacidade de comprar suprimentos além-mar (p. 57). Indica a questão inflacionista que “atingiu graus extraordinários” (p. 61). Cita a circulação de papel-moeda sendo “cerca de dez vezes maior” (p. 62) na Alemanha, quando comparada com a que ocorria antes da Guerra. Na França informa que o aumento foi de “seis vezes” (p. 64); Na Itália, “cinco ou seis vezes superior” (p. 65). O cenário na França e na Itália se agravava com a “infeliz posição orçamentária” (p. 65) e que o restante da Europa envolvida na Guerra se encontra em uma situação “ainda mais desesperadora” (p. 66) em termos que hoje chamaria de “fiscal”.

Neste ponto, é curioso ver como o conceito de inflação, neste Keynes de 1919, é um tanto diferente do conceito que é disseminado hoje por desenvolvimentistas pelo mundo, assim como, por desdobramento da perversão do termo, costumam subestimar ou ignorar totalmente a expansão monetária como causa. O que muitos desenvolvimentistas fazem atualmente me parece mais um caso de problema do “ismo” ou seja, do que seguidores de Keynes entenderam e aplicaram não sendo necessariamente o que o mentor apresentou e, em alguns casos, a ocasionar em interpretações e aplicações que podem fazê-lo revirar no túmulo.

108. Nota do editor: Londes, Macmilan, 1971, v. II, cap VI p. 143-59.

13/08/2022 20h20

Imagem: Revista Bula

Cecília Meireles

“PASSAM ANJOS com espadas de silêncio
por entre nós,
devastando o jardim suspenso
que podia ter sido a minha voz.”

Obra: Passam anjos. Poema. Primeira estrofe. Cecília Meireles. Obra poética, Editora Nova Aguilar, 1983, Rio de Janeiro, p. 187. De Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Brasil/Rio de Janeiro, 1901-1964).

O silêncio da cidade

Da varanda parei para ouvir a cidade
e o que encontrei? Apenas o silêncio
suavemente tocado por concertos
de bem-te-vis e sabiás.

Um silêncio da Presença,
cortante como espadas que cicatrizam,
e minha voz se lacrimejou em pensamentos
no luto pandêmico.

Um silêncio imponente
sobre um barulhinho aqui, acolá,
de um movimento enquanto mudo
e em contrição…

Caminhando pelas ruas vazias
em cada esquina senti o dom
e o quão necessário fora esse silêncio
para que a Presença abençoasse a cidade.

Pastor Abdoral, 17/02/2021.

12/08/2022 23h28

Imagem: CNN

Salman Rushdie

“Como a novidade penetra no mundo? Como é que nasce?

Obra: Os versos satânicos. I O Anjo Gibreel. “Para nascer de novo”. Companhia das Letras, 2008, eBook Kindle. De Ahmed Salman Rushdie (Índia/Bombaim, 1947).

O autor sofreu um atentado hoje; foi esfaqueado no pescoço e no tronco em uma palestra em Nova York [104].

Meu interesse neste romance se deu, incialmente, em tempos de seminário, no estudo de religiões comparadas. Na obra se faz alusão, a começar pelo título, a histórias que remontam antigas fontes sobre o profeta Muhammad (Maomé, Abul Alcacim Maomé ibne Abedalá ibne Abedal Motalibe ibne Haxime, Arábia Saudita/Meca, ?-632) ter defendido uma conciliação da nova fé (islâmica) com um tradicional politeísmo em Meca, mediante adoração a três deusas (Allāt , Al-Uzza e Manāt), recebida como revelação divina [105], o que não teria passado de uma artimanha onde o profeta teria sido enganado por alguma entidade o que, posteriormente, William Muir (Reino Unido/Glasgow, 1819-1905) definiu como “versos satânicos” e não entrando no mérito da autenticidade, o suposto engano de Maomé indicaria um choque com o conceito de tawhid [106].

O surgimento de uma fé religiosa naturalmente desperta reações que tentam desqualificar o autor ou o profeta que a revela, por parte dos que detêm a predominância do controle religioso à época, e com Maomé não foi diferente. Autores bizantinos afirmaram que Maomé era epilético [107], como se essa suposta condição de saúde fosse suficiente para desqualificar o Alcorão. Os supostos “versos satânicos” foram definidos como uma “invenção” (Imam al-Razi) e o debate sobre a sua autenticidade atravessou os séculos.

No romance de Salman Rushdie, dois rapazes sobrevivem miraculosamente a um atentado terrorista que se dá em uma explosão de uma bomba em um avião em pleno voo a cerca de 30 mil pés; são inseridos elementos dualistas (bem e mal, divino e diabólico) para construir um sofisticado enredo nas duas personas ou personagens (Gibreel Fari shta e Saladin Chamcha) em meio a referências dos polêmicos “versos satânicos”. E eis que em 14/02/1989 o aiatolá Ruhollah Khomeini (Irã) anunciou a fatwa, que ordena a morte do autor indiano, por conta da obra classificada como “blasfêmia”.

A publicação de Os versos satânicos em 1988 traz à baila o tema da liberdade de expressão e o problema do fanatismo religioso. Quem faz arte ou qualquer forma de exposição de ideias, conceitos, crenças e valores, sob a base da liberdade de expressão, tem que estar disposto a enfrentar certos desdobramentos inerentes à liberdade que se dá em uma relação de via dupla pois, liberdade de expressão só tem sentido se estiver totalmente aberta ao juízo do público ou seja, o entendimento acerca da obra e, obviamente, “público” não se limita a um entendimento de representantes de um credo. O autor ao lidar com um tema tão delicado (o sagrado) deve estar ciente de que potencializou reações que podem se traduzir em ofensas, boicotes, banimentos em ambientes privados e diversas formas de contestação que podem até ser compreensíveis, desde que no plano do debate de ideias, mas que de forma alguma justificam a desproporção do aiatolá no radicalismo pela apologia à violação da integridade física e da própria vida do autor.

O atentado contra Salman Rushdie expõe uma questão gravíssima, à mon avis, sobre o que há de mais infame na espécie humana: a exploração do fanatismo seja político ou religioso, em nome de uma suposta defesa do que é tido como sagrado ou intocável, em um extremismo que não tolera a existência do que e/ou de quem se expressa de forma diversa, tida como desagradável, a apontar um problema bastante complexo em um mundo cada vez mais pluralizado onde toda forma de radicalismo coloca mais obscuridade em tentativas de reflexão.

104: CNN Brasil: Após cirurgia, Salman Rushdie pode perder um olho e respira por aparelhos, diz agente. 12/08/2022 às 21:48 | Atualizado 12/08/2022 às 22:12

105. Ver historiadores al-Waqidi e al-Tabari.

106. Base da fé islâmica sobre a crença no Deus único.

107. Ver Religiões da humanidade, do padre Waldomiro O. Piazza, Edições Loyola, 3a. edição, 1996, p. 386.

11/08/2022 23h24

Imagem: HEARTLAND

Murray Rothbard

“Fascismo e Nazismo foram a culminância lógica da tendência moderna para o coletivismo de direita nas questões nacionais. Tornou-se comum entre os libertários e, na verdade, também no establishment ocidental, considerar fascismo e comunismo como fundamentalmente idênticos. Mas ao mesmo tempo em que ambos os sistemas eram indubitavelmente coletivistas, eles divergiam muito no campo sócio-econômico. Pois o comunismo era um movimento revolucionário genuíno, que destituiu e destruiu implacavelmente as velhas elites dominantes; enquanto o fascismo, ao contrário, cristalizou as velhas classes dominantes no poder. Logo, o fascismo era um movimento contra-revolucionário, que firmou uma série de privilégios dos monopólios sobre a sociedade; em suma, ele foi a apoteose do capitalismo monopolista de Estado.[ 17 ] Foi por esta razão que o fascismo se mostrou tão atraente (o que obviamente nunca aconteceu com o comunismo) para os interesses de grandes empresas no ocidente – de maneira aberta e desavergonhada nos anos 20 e 30.[ 18 ]”

Notas da publicação.

17. Artigo de Groth, Alexander J., “The ‘Isms’ in Totalitarianism”, American Political Science Review (Dezembro, 1964).

18. Amerca’s Great Depression. Princeton: Van Nostrand, 1963. Ver também Salvemini, Gaetano e Lapiana, Geroge. What to do With Italy. Nova York: Duell, Sloan, and Pearce, 1943), p.65.

Obra: Esquerda e Direita: Perspectivas para a Liberdade. Vide Editorial, 2016, CEDET, eBook Kindle. De Murray Newton Rothbard (EUA/Nova Iorque/Nova Iorque, 1926-1995).

Economista e professor da ala libertária da Escola Austríaca (EA).

Publicado originalmente na revista Left and Right na primavera de 1965, p. 4-22.

Hoje compreendo melhor o significado do fascismo como uma versão de capitalismo de laços após a decadência do liberalismo. Foi um movimento de direita atrelado ao (neo) conservadorismo implementando um modelo de capitalismo estatizante e clientelista baseado no monopólio ancorado em regulações do Estado.

O fascismo ‘foi” porque entendo que a história do fascismo original é a história de Benito Mussolini, conforme explicou Indro Montanelli em La Storia d’Italia – 01 Piazzale Loreto e la fine del fascismo [102], e o que se tem hoje de “fascismo” consiste em modelos que remontam alguns conceitos recortados e contextualizados que até podem ser chamados sob o rótulo de “neofascismo”, mas não devem ser confundidos como se fossem a mesma coisa do movimento original. Olavo de Carvalho utiliza outro termo que considero interessante: economia fascista [103], que consiste em um sistema de poder onde empresários gozam de grandes privilégios que os protegem de efeitos da livre competição, sob a condição de ficarem de joelhos perante quem governa.

Foi lendo o professor Rothbard que pude entender melhor que a única relação de similaridade entre fascismo e comunismo reside no coletivismo; ambos utilizam formas de planejamento central em torno do aparato estatal, no entanto, o comunismo se distancia do fascismo em termos socioeconômicos na medida em que o primeiro promoveu uma ruptura com “velhas elites dominantes“, enquanto o segundo operou em favor delas. Esta análise Rothbard é um exemplo, à mon avis, de uma honestidade intelectual grandiosa. Outra questão interessante é a definição de Rothbard para o contexto do desenvolvimento do liberalismo genuíno que “havia praticamente nascido da luta conta o sistema feudal” (p. 14). o que ajuda a entender a visão do professor sobre o conservadorismo atrelado às elites feudais que reagiram para reprimir o liberalismo e sua liberdade econômica que naturalmente contraria interesses de dominação ancorados nos privilégios do sistema feudal. O livre mercado é um problema não apenas para socialistas de esquerda, mas também para os mais ricos que se atrelam ao poder político para preservarem seus negócios.

Esta obra exige do leitor certa prudência e um tanto de bagagem, pois deve ser lida com muito cuidado, sobretudo na análise, que pode ser surpreendente, mediante a crítica que o professor Rothbard faz a libertários que enxergam o socialismo no polo oposto da doutrina libertária, e neste ponto o contexto reside no sentido de que não se leva em conta que o conservadorismo, pelo entendimento do professor, está no polo oposto da liberdade (p. 16), o que dá o sentido para o entendimento sobre o socialismo como um “movimento confuso” (p. 16) por tentar “atingir objetivos liberais por meios conservadores” (p. 16), outra análise provocante do professor americano. Neste caso, como forma de aprofundamento da questão, considero importante a leitura do capítulo X da obra Democracia, o deus que falhou, Hans-Herman Hoppe (que foi aluno e muito próximo a Rothbard), quanto ao argumento em torno da importância de libertários entenderem que devem ser conservadores a partir da análise de dois sentidos para o termo “conservador”.

102. Ver em https://www.youtube.com/watch?v=5FWLvbKKjZQ

103. Ver O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. A vitória do fascismo. Editora Record, São Paulo, 2017, formato físico. De Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (Brasil/São Paulo, 1947-2022)

10/08/2022 00h42

Imagem: InfoMoney

Frédéric Bastiat

“O Estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver à custa de todos.”

Tradução livre.

Obra: L’état maudit argent. Ed. Hennoyer Cl Ce. Giullaumin et Ce, 1849, Paris, edição online em Gallica, De Claude Frédéric Bastiat (France/Baiona, 1801-1850).

Em https://gallica.bnf.fr/ se pode acessar a publicação original desta obra que contém a famosa frase de Bastiat.

Eis o que foi dito em 1849 em pleno ambiente pós-Revolução Francesa por um pensador e político sobre uma ideia massificada sobre o Estado, visto como vetor com capacidade em si mesmo. Nessa crença está a armadilha de forçar a dependência cada vez mais dos vulneráveis ao assistencialismo via estatal e os consequentes controles sociais, fatores de onde se origina a burocracia excessiva do Estado, onde o serviço público se fortalece enquanto movimento de corporativismo “justificado” pela necessidade de fiscalização do que é alocado em termos de recursos.

Não conheço melhor caso desta ficção panem et circenses mais eficiente, para aprofundar a servidão de um povo, que a agenda da “Constituição Cidadã” e os consequentes “benefícios sociais” do “bolsa família” ao “Auxílio Brasil”. Os programas sociais transmitem uma mensagem de aceitação em massa de uma forma de deseducação sistemática de economia elementar, no sentido de passar a ideia de que o estado gera riqueza, enquanto dá um sentido moral ilusório sobre a distribuição de dinheiro. A estratégia de dominação da massa também ajuda a outra distração não menos nociva: a de que déficits orçamentários do estado são necessários e meramente “administráveis” sem causar sérios danos a quem sustenta o estado enquanto beneficia a quem o financia ou empresta recursos; investidores que se aproveitam rapidamente da expansão monetária (outra prática de panem et circenses) para  adquirir títulos do tesouro. É nesse sentido que se começa a entender o porquê de megainvestidores apoiarem tanto governos mais progressistas e/ou populistas mediante a tendência de expansão de gastos e aumento da dívida “pública” o que, nesta lógica, se junta ao recurso amplamente adotado por todo político raposeiro no distribuir dinheiro aos mais vulneráveis como arma mais poderosa para comprar votos e assim aliená-los cada vez na condição de eleitores que decidem os pleitos.

09/08/2022 23h42

Imagem: Faculty of History University of Oxford

Christopher Tyerman

“[…] observadores e veteranos do empreendimento entenderam que o papa havia pedido um sacrifício semelhante ao de Cristo em obediência ao mandamento do evangelho: se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me (Mateus 16:24)”

Tradução livre.

Obra: The Crusades: A Very Short Introduction (Very Short Introductions). Edição OUP Oxford, 2005, eBook Kindle. De Christopher J. Tyerman (UK)

Obra introdutória ao tema, do professor de história medieval em Hertford (1979), vencedor da Medalha do Prêmio Alexander da Royal Historical Society (1981).

Ir à guerra para retomar Jerusalém, no medioevo, em nome de Deus, era um chamado “cristão” sob os apelos do papa em um tempo em que se acreditava, em termos bem mais contundentes, na ideia do líder católico romano ser o pontífice ou, em uma visão ainda mais radical, o “Cristo em terra”. Ir ao combate para retomar os lugares sacros de Jerusalém era então um ato de entrega total a Cristo, um serviço inadiável, imprescindível a Deus em meio ao medo da danação como punição por não fazer nada, e assim se estabeleceram os fundos e os voluntários, muitos em contexto de exercício de penitência e peregrinação.

A tomada dos lugares santos no imaginário da fé cristã, sobretudo o da crucificação, pelos Muslims desde 638 com o fator do temor no ocidente com a expansão de fé muçulmana, deram os sentidos eclesiástico, teológico, social e político para canalizar a energia de uma mentalidade religiosa bem diferente da que se verifica predominantemente na cristandade atual.

Uma questão que me veio nesta leitura: Se o termo “guerra santa” atemoriza o mundo hoje no extremismo islâmico, seria um engodo ver como coisa superada entre ampla maioria de confissões cristãs? A concepção cristã medieval refletiu um tempo diverso, bem diferente da nossa mentalidade, e assim comparações ou cobranças podem gerar equívocos na intepretação dos fatos. Quem em uma mínima base de história medieval e em sã consciência diria que na cristandade predomina ainda a ideia de “guerra santa” embora o preconceito e o fundamentalismo estejam presentes?

08/08/2022 23h22

Imagem: ENGEPLUS

Eduardo Bueno

“O orçamento das empresas de Mauá era maior que o próprio orçamento do Império. Mauá criou a primeira multinacional brasileira; foi pioneiro na globalização da economia; foi o primeiro (e até hoje um dos únicos) empresário brasileiro respeitado e admirado no exterior. Virou verbete da Enciclopédia Britânica e personagem citado por Júlio Verne (em A volta ao mundo em 80 dias). Tinha o apoio e o respeito do barão Rotschild e dos irmãos Barings – os maiores banqueiros de seu tempo. Mas era desprezado (e, talvez, invejado) por D. Pedro II – o monarca “iluminista”, que só admirava as letras quando não eram promissórias e os números se fossem abstratos.”

Obra: Brasil, Uma História. Capítulo 18. O Brasil Imperial. Visconde de Mauá: Vida e Obra. Editora Leya, 2013, eBook Kindle. De Eduardo Bueno (Brasil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre, 1958).

Sou um apreciador do estilo de Eduardo Bueno de abordar a história e o capítulo que trata sobre Irineu Evangelista de Souza me possibilitou duas reflexões:

A primeira sobre a crença ou ideia pretensiosa de que se a monarquia tivesse sido conservada, a Pindorama estaria em uma situação melhor, talvez em um estado político menos intervencionista, menos ofensivo à liberdade econômica, algo que me parece não passar do universo saudosista-panfletário. O espírito anticapitalista está na fundação colonial junto com o compadrio, que se adaptou às conveniências da monarquia, assim como ganhou uma nova dimensão na república. A sua apoteose está na “Constituição Cidadã” que parece ter selado o destino nacional. Atribuir as mazelas políticas avessas à liberdade de mercado e ao empreendedorismo como algo mais concentrado a partir da era Vargas, embora o ditador “pai” ou multiplicador dos pobres tenha sido o que mais se aproximou do fascismo em terra tupiniquim e que por isso deixou um legado de atraso econômico, é algo no mínimo ingênuo. O segundo imperador normalmente anunciado, por quem é chegado a uma coroa de estimação, como um homem “virtuoso”, “culto”, incentivador da cultura, “bem preparado” desde a infância para o poder moderador, diferentemente do pai mulherengo e um tanto frouxo, que o deixou menino em meio a uma crise política, entre outras atribuições. Pedro II foi um político que em nada deixou a desejar quanto aos que apreciam uma mentalidade primitiva comum que amaldiçoa quem empreende e comete o “pecado” de ter lucro ou o que dissera o genial compositor Tom Jobim sobre o sucesso no Brasil ser considerado “ofensa pessoal” me soa como algo tombado pelo “patrimônio histórico” dos compadres “amigos do rei”.

A segunda reflexão envolve a ideia do iluminismo como mais uma das apropriações fraudulentas no mundo da política que, em nome da “razão”, com uma pretensão “científica”, se desenvolveu a partir do seu nascedouro europeu para trazer “luz” a um mundo que supostamente estava nas “trevas” das tradições medievais, e que virou moda abaixo da linha do Equador. O monarca “iluminista” usou a “razão” para clarear o país com seus políticos fiéis que se articulavam para sabotar Mauá e tudo que parecesse moderno em economia de mercado, em nome de um nacionalismo conservador, escravagista, em “berço esplêndido” na commodity do café, coisa não muito diferente de um certo governo de tempo republicano que sentou no boom das commodities e explorou a ignorância da massa com o “progresso” em meio ao clássico negócio do capitalismo de laços que resultou em megapropinodutos.

Penso ser simplista demais a ideia de que “a história se repete”; talvez seja mais interessante refletir sobre a essência de coisas que se conservam e ganham novas vestimentas ou disfarces em um mundo onde estelionatários das ideias discursam espalhando a crença de trabalham para o tornarem “melhor”.

07/08/2022 11h18

Imagem: flickr oficial

Olavo de Carvalho

“Um público que está contaminado de doutrinação marxista até a medula não tem, por isso mesmo, a menor ideia de que está sendo doutrinado. A primeira etapa da doutrinação é puramente cultural, difusa, e não visa a incutir no sujeito a menor convicção política explícita, mas apenas a moldar sua cosmovisão segundo as linhas básicas da filosofia marxista, sem este nome, naturalmente, e apresentada como se fosse ‘o’ conhecimento em geral.”

Obra: A Nova Era e a Revolução Cultural. Apêndices. Doutrinação Difusa. Vide Editorial, 4a. edição, 2014, formato físico. De Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (Brasil/São Paulo/Campinas, 1947-2022).

Doutrinação Difusa, artigo publicado em O Globo em 27/01/2001. No mesmo parágrafo, afirma Olavo de Carvalho que “são raros os cidadãos brasileiros que já não estejam conquistados para essa visão de mundo, no mínimo por desconhecer que ela é uma visão e não o próprio mundo” (p. 153).

Comecei a ler Olavo de Carvalho em paralelo um pouco depois de minha descoberta dos austríacos, que se deu em 2007 e percebi o quanto estava ainda condicionado a pensar em favor marxista, embora, à época, acreditava ser um “liberal em economia”. Mises, Hayek e Rothbard, com Olavo em paralelo, provocaram um choque endógeno, profundo, em minha estrutura de raciocínio. Hoje percebo que os mais de vinte anos sendo “catequisado” no marxismo, a priori por fruto de um desejo adolescente, que se consolidou ao ler um resumo de O Capital de Julian Borchardt, formou um jovem socialista “convicto” que consumiu tempo considerável em leituras e seguiu pensando, sem notar, como marxista e se achando “liberal em economia” após o ilusório abandono das crenças, quando parei de votar no PT e, ocasionalmente, na legenda do Partido Comunista após 2002. Penso que a base que formei por leituras marxistas seja mais robusta que a de um apaixonado militante esquerdista médio. Entre 2003 e 2007, quando esbarrei com um surrado exemplar de Ação Humana e um PDF de Anatomia do Estado, ainda tinha afeto pela “Constituição Cidadã” e acreditava nas políticas públicas para “tutelar”, principalmente a educação, e tantas outras coisas que julgava de “interesse nacional” acima da realidade chamada “mercado”. Não conseguia entender que é no mercado que descobrimos o que está a ocorrer e sob efeito da dispersão de conhecimento, agradável ou não, e que tentar manipulá-lo trará consequências muitas vezes caríssimas e quando ocorre na política, o efeito se socializa podendo ser devastador sobretudo aos mais pobres; não se trata de uma questão de “gostar do mercado” ou, per si, de coisas que acontecem nele e sim de reconhecer seu peso na sociedade e os perigos de tentar ignorá-lo a pensar que pode contê-lo sem provocar sérios danos a si mesmo e aos outros, o que aprendi com os austríacos.

Olavo de Carvalho menciona neste artigo a “burocracia estatal” que “se tornou invisível o bastante para que os efeitos de suas ações sejam atribuídos à ‘classe dominante’, compreendida no sentido de ‘os ricos’ ou ‘os capitalistas'” (p. 154). de fato, fui um dos que não conseguiam perceber o que estava por trás da burocracia estatal, em termos de controles sociais, instrumento marxista. e que entra governo, sai governo, não importa se de “esquerda”, “centro” ou “direita” e essa linha de ação prossegue na colcha de retalhos peculiar da mentalidade de ocupação marxista. Hoje observo bolsonaristas tentando se passar por “liberais em economia” e “conservadores nos costumes” quando na verdade não são uma coisa nem outra (liberais no sentido clássico). Defendem ideias de tutela, intervenções, controles, protecionismos e demais corporativismos em torno do Estado e é nesse sentido que os chamo de “irmãos rixosos dos petistas”.

Na educação tutelada pelo Estado, também não conseguia enxergar o reducionismo marxista pelas superestruturas dos interesses de classes no vocabulário corrente (p. 154) onde prevalece um sentido comum ou de dominância subliminar de ideias empacotadas sob um disfarce “democrático” ou “livre”, em um aparente ambiente de tolerância ao debate de ideias, apenas aparente, pois quem busca se inteirar de outra versão da história ou apresentar entendimento diverso do convencionado ou “politicamente correto”, independente se está em bases razoáveis de ciência, termina exposto ao ridículo; “reacionário”, “conservador” e até “fascista”. Senti isso na pele quando, convidado para falar sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em um grupo universitário de discussão, por conta de minha formação de economista e uma certa experiência no setor trabalhista, ao ser indagado sobre qual seria minha posição política em relação ao instrumento jurídico, tive minha opinião associada a de um “fascista” por externar um entendimento contrário à preservação da CLT, o que denotou uma ironia.

Essa mentalidade de ocupação marxista é tão poderosa que hoje um liberal em economia que está no governo defende, ao mesmo tempo, o combate da burocracia do Estado e coisas soviéticas como os controles do Big Brother Fiscal (eSocial/Sped) e se alguém considerar o assunto, ocorre normalmente uma reação “com quatro pedras na mão” (p. 154) se a coisa for entendida como denúncia. Não vi categoria laboral tão impregnada dessa mentalidade quanto a de profissionais de contabilidade, dos meramente manipulados aos influencers, cada um sob interesses diversos, mas a instrumentalizado pela mesma mentalidade.

Outro fator que Olavo destaca, como “segunda fase da doutrinação” (p. 155) se relaciona ao que conforme “soe de maneira a parecer associado aos ‘interesses de classe’ dos bondosos pobres ou dos malvados ricos” (p. 155) onde o discurso estatizante é apresentado como algo em favor dos “excluídos”, passando como um “Cavalo de Tróia” [101] com a burocracia do aparato estatal e a carga tributária “escorchante” (p. 155) que, à mon avis, vendida como necessária, encarece a vida e prejudica justamente os mais pobres e assim os que verdadeiramente dominam se atrelam às vítimas e passam a acusar de dominadores os que estão dominados enquanto submetidos aos seus controles sociais.

101. Um termo pessoal para o que entendo sobre toda forma imposta pelo governo estatal quando surge o discurso da “melhoria do ambiente de negócios” que na verdade, é uma proposta para entorpecer ainda mais a sociedade com controles sociais.

06/08/2022 16h20

Imagem: Editora Unesp

Jean-Jacques Rousseau

“O primeiro que tendo cercado um terreno se lembrou de dizer: isto é meu e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: ‘Livrai-nos de escutar esse impostor, estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!’.”

Obra: Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.  Segunda parte. Edição da Martin Claret, 2005, São Paulo, formato físico. Jean-Jacques Rousseau (Suíça/Genebra, 1712-1778).

Foi no primeiro contato com esta obra (1994, graduação em economia) que escutei de um professor (“nada” marxista) que a paz entre os homens foi perdida no momento em que a cerca foi inventada. De formas variadas, sob a mesma essência, fui doutrinado em vários momentos de minha vida estudantil para ver a propriedade privada como causa primeira dos maiores conflitos da humanidade. Imagino a partir da disseminação dessa crença – com o crivo de “verdade científica” – que muitos passaram a simpatizar com ideias progressistas e comunistas em torno de uma espécie de saudosismo do estado primitivo. E as experiências socialistas desde o século passado “provaram” essa crença difundida como um mantra sutil em escolas e faculdades, mas o “paraíso na terra” foi rejeitado pelos homens…

Rousseau reconhece que percorreu “como um traço” as “multidões de séculos” (p. 64) a tratar uma questão que, à mon avis, se deu em um processo longuíssimo desde o alvorecer do homem de bando, totalmente passivo diante da natureza, não por isso deixando de ser um guerreiro contra a própria espécie em agrupamentos rivais, enquanto coletor da subsistência, até chegar no fenômeno social do chefe de família em uma propriedade separada da tribo ou da aldeia. No entanto, voltando ao ícone do iluminismo:

“Quanto mais o espírito se esclarecia, tanto mais a indústria se aperfeiçoava. Logo, deixando de adormecer na adormecer na primeira árvore, ou de retirar nas cavernas, encontravam-se certas espécie de machados de pedras duras e afiadas que serviram para cortar a madeira, cavar a terra e fazer cabanas de galhos, que ocorreu, em seguida, endurecer com argila e ferro. Foi a época de uma primeira revolução que formou o estabelecimento e a distinção das famílias e que introduziu uma espécie de propriedade de onde já nasceram, talvez, muitas rixas e combates.” (p.64).

A concepção sobre a família complementa a crença. No século seguinte ao de Rousseau, Marx e o marxismo (embora um tanto distintos em termos interpretativos) seriam os fenômenos mais chamativos na história progressista em favor de uma mentalidade que, sem cerimônia, apregoa a erradicação da família enquanto célula da propriedade privada sob o apelo da luta de classes:

“A burguesia arrancou à relação familiar o seu comovente véu sentimental e reduziu-a a uma pura relação de dinheiro […]

Supressão da família! Até os mais radicais se indignam com este propósito infame dos comunistas. Sobre que assenta a família actual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Completamente desenvolvida ela só existe para a burguesia; mas ela encontra o seu complemento na ausência forçada da família para os proletários e na prostituição pública.” [99].

Curioso é que muitos adeptos dessa mentalidade, no auge das comodidades do poder político e da posse da riqueza (a mesma da burguesia causadora do “grande mal”), curiosamente não desejam levar adiante essa certeza ao não abrirem mão da propriedade e do conforto não raramente fincados em uma estrutura familiar tradicional. Nada mais emblemático que a dita “esquerda caviar” ou os psolistas do Leblon.

E eis que Rousseau segue a tratar de um espaço coletivo de famílias que viviam juntas onde nasceram “os mais doces sentimentos conhecidos dos homens: o amor conjugal e o amor paternal” (p. 64). No entanto, as mulheres se tornaram sedentárias, diz o autor clássico mais apreciado entre muitos progressistas, tendo em vista que ficavam para cuidar da cabana e dos filhos, e formas de organização foram se desenvolvendo a estabelecer normas sociais ou “deveres de civilidade” (p. 66) com o crescente desenvolvimento das trocas comerciais entre os grupos familiares.

“Adquire-se o hábito de considerar diferentes objetos e compará-los; adquirem-se, insensivelmente, ideias de mérito e de beleza, que produzem sentimentos de preferência.” (p. 66).

Na medida em que o conhecimento, traduzido em tecnologia, foi sendo aplicado em maior escala por esse homem mais dado ao espírito privado, Rousseau aponta uma tese importante na sua análise: a metalurgia e a agricultura como fatores que civilizaram o homem que perdeu o “gênero humano” (p. 66), onde a divisão do trabalho habilitou os mais engenhosos em meios de ganhar mais ou de abreviar o trabalho, de forma diversa aos mais rudes, e nessa diversidade de produções:

“[…] o lavrador tinha mais necessidade de ferro, ou o ferreiro mais necessidade de trigo e, trabalhando igualmente, um ganhava muito, enquanto outro mal podia viver. É assim que a desigualdade natural se desenvolve insensivelmente, com a combinação, e que as diferenças dos homens, desenvolvidas pelas das circunstâncias, se tornam mais sensíveis, mais permanentes nos seus efeitos, e começam a influir na mesma proporção sobre a sorte dos particulares.” ( p. 70).

E torno à essência desse raciocínio de Rousseau, tão poderosamente presente, no mínimo desde 1755 (ano da primeira publicação), por formas diversas, enquanto apropriado e rebatizado conforme as conveniências político-ideológicas, segue no imaginário popular-educacional não apenas hoje entre esquerdistas radicais, mas de forma subliminar, imperceptível, em indivíduos que foram “educados” em uma “cosmovisão” marxista naquilo em que Olavo de Carvalho chamou de “doutrinação difusa” [100].

99. Manifesto do Partido Comunista, 2a. edição, Edição dirigida por José BARATA-MOURA e Francisco MELO, Colectivo das Edições «Avante!», p. 32 e p. 46.

100. A Nova Era e a Revolução Cultural, Vide Editorial, 4a. edição, 2014, p. 153.

05/08/2022 23h40

Imagem: Casa Fernando Pessoa

Alberto Caeiro

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”

Obra: “Eu sou do tamanho do que vejo.”, O guardador de rebanhos” (1911-1912). Poema VI. Obra poética de Fernando Pessoa. Volumes I e II. Edição da Nova Fronteira, 2016, Rio de Janeiro, eBook Kindle. De Alberto Caeiro (1889-1915) heterônimo por Fernando António Nogueira Pessoa (Portugal/Lisboa, 1888-1935).

Sou do tamanho do que vejo!

Minha riqueza está na Luz sobre o caos,
Paz no meio da agonia.
Que enxergo de olhos fechados…

Amargura, solidão e angústia
inevitáveis desta vida,
não importam.

Trevas que me cercam,
De abissal fadiga que me desaba
a revelar meu melancólico além-do-homem.

Luz sobre o caos,
Paz no meio da agonia
surgem em meus limites.
Em dor, tremor, temor deste mundo,
Minh’alma prevalece,
quando enxergo,
de olhos fechados…

Que sou do tamanho do que vejo!

Pastor Abdoral 05/08/2022 23h26

04/08/2022 23h43

Imagem: Jornal da USP

Ortega y Gasset

“[…] a história europeia parece, pela primeira vez, entregue à decisão do homem vulgar, enquanto tal. Ou dito na voz ativa: o homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo.”

Obra: A rebelião das massas. XI A época do “filhinho de papai”. Edição do CEDET, Campinas, 2016, formato físico. De José Ortega y Gasset (Espanha/Madrid, 1883-1955).

Assim escreveu Ortega y Gasset, um pouco antes de 1930 (ano da publicação), visto que o conteúdo de A rebelião das massas “tinha sido antecipado alguns anos antes em artigos e conferências” (p. 12).

Afirma um dos mais importantes ensaístas do século XX que o homem vulgar resolveu governar o mundo e tem “uma impressão nata e radical de que a vida é fácil”, vê-se como “completo seu depósito moral e intelectual” e assim é incapaz de colocar em questão suas opiniões; por isso “intervirá em tudo impondo sua vulgar opinião” (p. 173). É um “menino mimado”, “primitivo rebelde”, diferente do “primitivo normal” que é “mais dócil às instâncias superiores” (p. 174).

Esse homem grosso, raso, diria brutta figura, que se torna governante, o “menino mimado” que herdou a civilização com suas comodidades, foi o que resultou em “deformações que o luxo produz na matéria humana” (p. 174). E segue o filósofo espanhol a afirmar que esse homem “filhinho de papai” está sentado na “superabundância de meios, mas não as angústias”, e que se tornou possível pela índole da civilização do século XX (p. 177); inconsequente, “veio à vida para fazer o que lhe dê na telha” (p. 178), sendo um fingidor “com seus atos e palavras a convicção contrária” ( p. 181). Eis a tônica desse tipo assim chamado de “homem-massa”: a “insinceridade”, a “brincadeira”, em especial com a tragédia porque acredita que a verdadeira “não é verossímil no mundo ocidental” ( p. 181).

Foi um pouco antes de 1930… até parece que se refere aos líderes do tempo presente.

Fato é que Ortega y Gasset viveu em um tempo de borbulhar três centros de retalhos ideológicos que se alimentaram desse homem desprovido de maiores sofisticações, tão pleno de certezas, que glamouriza a estupidez: o fascismo, o nazismo e o bolchevismo.

E fico a pensar o que o pensador de Madrid diria hoje sobre como a política explora a manada eleitoral nas redes sociais tão plenas de soluções com seus políticos de estimação… O que diria dos governantes atuais, a começar do ambiente onde produziu sua obra prima e que hoje mergulhou a massa em uma crise de escassez de insumos enquanto demonstra ser incapaz de lidar com um antigo problema russo, hoje atualizado por Putin.

Nem vou indagar tanto sobre o quintal abaixo da linha do Equador, com seus novos ricos, incultos, truculentos nos modos, primitivos no intelecto, a ralé que é tão pobre que a única coisa que tem é o dinheiro, em uma sociedade hedonista-putrefata que delira na ilusão de que riqueza material é sinônimo de sabedoria, todos querendo ficar ainda mais ricos no socialismo de cada dia nos olhos dos outros, que é refresco para os idiotas úteis bancarem, e assim entram na política, inspirados em velhas raposas em um tabuleiro de experts com intelectuais comprados na base de privilégios estatais, todos a brincar com o trágico que aflige o homem simples, o mesmo dito incapaz de se governar, mas capaz de escolher quem o tomará nas rédeas, enquanto colocam a conta sobre os que jocosamente são chamados de “contribuintes”, cujo ápice dessas cavernas do pensamento consiste em personificações de um radicalismo de enésima vez.

03/08/2022 23h30

Imagem: Suno

Eduardo Giannetti

“Se o homem era por natureza livre e bom, a salvação era um ato de vontade. Não deixa de ser sintomático que o próprio Rousseau tenha abandonado seus cinco filhos recém-nascidos, sem nome ou indicação de paternidade na porta de orfanatos parisienses.”

Obra: Vícios privados, benefícios públicos? A ética na riqueza das nações. 1. O neolítico moral. Companhia das Letras, 2011, São Paulo. De Eduardo Giannetti da Fonseca (Brasil/Minas Gerais/Belo Horizonte, 1957).

Mais uma leitura de tempos pandêmicos. Obra de Giannetti provocou mais reflexão pessoal sobre o lugar da ética na ação humana e nas relações econômicas. Também contribuiu em minha visão sobre o significado do iluminismo, como desdobramento da questão sobre a ética que, na análise do economista e professor mineiro, teve duas posições distintas: a radical em Rousseau, Condorcet e Godwin e a linha que ele chama de “mais sóbria e moderada” em Hume, Adam Smith e Diderot.

Quanto ao trecho, a lembrança de Giannetti sobre Rousseau, no caso do abandono dos filhos, ilustra bem o curioso caso de quem deseja melhorar a humanidade, pregando ideias coletivistas na base da ‘coerção do bem”, enquanto não consegue realizar a nobre tarefa nem em si mesmo. Quão comum em minhas observações ver gente empolgada com ideias para consertar o mundo a decidir o que é melhor para as pessoas, mas não consegue sequer tomar conta do próprio quintal, uma espécie de “empreendedor de palco” em versão política, a mais tóxica.

Não me admira que o ícone iluminista de muitos progressistas, chegados a uma “engenharia social”, gostava de dar lições sobre educação de crianças – escreveu até um tratado sobre isso – enquanto pregava que a evolução tecnológica, com seus desdobramentos na vida econômica, e o consequente avanço na civilização, gerou um retrocesso moral no ser humano, por inserir uma ordem de “psicologia moral deformada” (tomo aqui uma expressão de Giannetti), o que denotaria uma insaciabilidade em função de um desejo de auto afirmação na sociedade.

E eu que na faculdade fui instruído a ver Rousseau como uma espécie de “santo laico”, demoraria um pouco para entender que não passou de mais um medonho caso de “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

02/08/2022 19h44

Imagem: TVU Recife

Miró da Muribeca

“o gari vai varrendo o mundo
e nada fica limpo
a sujeira tá no coração do
homem”

Trecho de Buíque, 3 de dezembro de 2011.

Obra: Miró até agora. Organizador: Sennor Ramos. Cepe Editora. 2a. edição. eBook Kindle. De João Flávio Cordeiro da Silva (Brasil/Pernambuco/Recife, 1960-2022) pseudônimo Miró da Muribeca.

Com um belo prefácio de Wilson Freire [94], em Miró até agora se tem uma visão geral do trabalho do poeta e cronista que nos últimos 30 anos está entre os mais importantes artistas literários de Pernambuco, com estética de crítica social-urbana, com viés de periferia cuja poética naturalmente se voltou ao popular com destaque sobre o cotidiano.

“os cachorros, mesmo sem
falar, conversam
tem pessoas que falando
nem sequer latem
essa raça nem ração merece
quem dera
tivessem a elegância de um
vira lata”

Trecho de Se olhar é preciso, viver não é preciso.

Miró faleceu no último dia 31. O primeiro nome do pesudônimo vem da fama de bom jogador em termos futebolísticos; o poeta torcedor do Sport Recife, nos anos 1970, foi comparado a um jogador do Santa Cruz (Mirobaldo) [95]. Iniciou a carreira com publicações independentes e teve obras traduzidas para o espanhol e o francês [96]. Miró até agora está na segunda edição. Outras obras: Quem descobriu o azul anil? (1984), Pra não dizer que não falei de flúor (2004), DizCrição (2012), aDeus (2015) e O céu é no sexto andar (2021) [97].

Legítimo e espirituoso; características que mais me impressionaram quando conheci o estilo de Miró.

“eu ando tão esquecido
de mim
que ontem à noite
ao chegar em casa
coloquei a roupa
na cama
e fui dormir
dentro do guarda-roupa”

Trecho de Filosofia pra pular no 1

“Recife
é o sol saindo
e o Bandeira Dois
anunciando seus mortos”

Abertura de Linha de risco.

Faz-me lembrar também o que dissera Rubem Fonseca sobre a relação desimpedida, de quem tem por ofício produzir arte no uso das palavras:

“Nós, escritores, não podemos discriminar as palavras. Não tem sentido um escritor dizer: ‘Eu não posso usar isso’. A não ser que você escreva um livro infantil. Toda palavra tem que ser usada.” [98].

E no periférico bairro da Muribeca surgiu um artista literário original, pleno, livre, intenso, pulsante e de um inconfundível espírito pernambucano: simplesmente Miró.

94. Roteirista e diretor do filme “Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico” (2008), detalhes ver em Livre Opinião: “Não há grade que me agrade”, cinco poemas de Wilson Freire – 14 de fevereiro de 2017

95. Quatro cinco um, a revista dos livros: Poeta performático das ruas, Miró da Muribeca saiu da periferia recifense para tornar-se referência na poesia urbana nacional – 01ago2021 00h51 (01ago2021 08h07)

96. G1 Morre aos 61 anos, no Recife, o poeta Miró da Muribeca – 31/07/2022 12h23

97. Rádio Jornal/PE Aos 61 anos, morre o cronista e poeta Miró da Muribeca – Publicado em 31/07/2022 às 11:11 | Atualizado em 31/07/2022 às 16:05

98. El País: Morre Rubem Fonseca, o contista por excelência da realidade brasileira – São Paulo – 15 ABR 2020 – 16:03 BRT

01/08/2022 00h10

Imagem: El País

Rubem Fonseca

“Então é assim que o povo trata o doutor Getúlio?, pensou Gregório. Depois de todos os sacrifícios que fizera e fazia pelos pobres e humildes?”

Obra: Agosto. Edição da Nova Fronteira. Capítulo 1. 12a. edição, 2020, eBook Kindle. De José Rubem Fonseca (Brasil/Minas Gerais/Juiz de Fora, 1925-2020).

Romance de excelência, lido em tempos pandêmicos.

Combinar história e ficção é um trabalho complexo que Rubem Fonseca, da nata da literatura brasileira, com 30 obras, dominou muitíssimo bem, a começar com a construção da narrativa do assassinato do fictício empresário Paulo Gomes Aguiar, em paralelo ao atentado contra o jornalista Carlos Lacerda.

Rubem Fonseca não se ocupa com paixões ideológicas e até percebo um continuísmo ou um Varguismo sem Vargas; sem tomar partido, descreve em terceira pessoa e possibilita que a obra escape de ser um panfletário ideológico.

Insere personagens do mundo real, como Gregório Fortunato (citação), o chefe da Guarda Pessoal do Presidente Vargas, cuja atualização hoje se aproxima do típico “bolsonarista” Rottweiler, militante radical de governo que mata e morre pelo “Big Brother”. Destaco, pelo lado fictício, o comissário Alberto Mattos, provável alter ego (especulado na crítica literária) do autor, em uma provocação que parece fazer alusão ao brasileiro simples, de gosto incomum, diria refinado, um apreciador de livros e óperas italianas, que tenta sobreviver honestamente no país onde o corporativismo no estado é a regra e a corrupção borbulha na sociedade.

Agosto… Seria o “mês das bruxas” na política brasileira? A começar pelo pano de fundo histórico da obra em 1954; no Catete, o suicídio de Vargas com um tiro no coração, dia 24.

Jânio Quadro renunciou no dia 25, em 1961, depois de ter sido eleito para “varrer a corrupção” do Brasil.

No dia 22, em 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu num acidente de carro na Via Dutra onde sobram especulações.

Foi no dia 13, em 2014, que caiu o avião de Eduardo Campos, o jovem governador socialista que teria potencial para dar um novo caminho à esquerda, tragédia ocorrida no mesmo dia da morte de seu avô, Miguel Arraes (2005).

O impeachment de Dilma Rousseff foi consolidado no dia 31, em 2016.

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