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Frederico Rampini

“Ma è noto ch Trump prese in considerazione, almeno in linea teorica, l’uscita dalla Nato.”

Obra: America. Concluzione. La “nostra” America. Isolazionismo, autoritarismo e antiamericanismo. Solferino, 2022, Milano. De Frederico Rampini (Italia/Genova, 1956).

Lendo sobre a OTAN e o que sinaliza ser uma crise iminente no caso da Groelândia que pode implodir o bloco militar, hipótese que deve alegrar bastante o Kremlin junto com Pequim, revisitei esta obra muito interessante de Rampini para conferir o que discorre, quanto a um interessante resumo do comportamento de setores da imprensa enviesada pela direita nos Estados Unidos, durante os anos 1930, remetendo ao que fizera Hitler na escalada que culminou na Segunda Guerra, e como alguns periódicos conceberam os fatos (p. 533), com indiferença mediante a gravidade, e até com indulgência no confronto com os autocratas nazifazistas, revelando uma linha antissemita em torno da bandeira contra o comunismo, fatores que se entrelaçam quando o autor aponta o quanto essa imprensa militante contribuiu para retardar a entrada de Rossevelt contra o nazifascismo (p. 537), o que não resistiu ao ataque japonês a Pearl Harbor (1941).

Hoje no Brasil se questiona a imprensa por ter um viés de esquerda, no entanto, nesse processo crítico acabam ocorrendo reações, ainda dentro do âmbito jornalístico, que acabam cometendo exageros em prol de ideias consideradas de direita, o que, penso, flerta com a histórica imprensa de direita radical nos Estados Unidos.

Torno à obra onde aponta Rampini que Trump protagoniza um “revival” desse isolacionismo de direita e lembra, para exemplificar esse viés medonho, como é perceptível a consideração de saída dos Estados Unidos da OTAN, pelo menos em linha teórica, em meio a polêmicas com aliados da Aliança que “não investem na segurança e vivem de renda sob a proteção dos Estados Unidos”, afirma Rampini (p. 541).

Reflito e penso aqui sobre um possível ultimatum de Trump aos aliados: se não estiverem 100% de acordo com suas decisões, sobretudo quando ao expansionismo territorial que afeta aliados, era uma vez a OTAN… E se a Aliança for dissolvida, os europeus ficarão expostos, o que remete a uma ameaça que dificilmente será concretizada, certamente por uma subserviência que Trump parece ter expectativa.

O radicalismo de direita ao estilo Trump tem atração por tipos como Xi Jinping e Putin, penso no que aponta Rampini (p. 542), um isolacionismo que explora o fascínio pela figura do “homem forte” sob uma ideia de ordem global que assim conduz a América na procura tão-somente do atendimento a seus próprios interesses – e foi diferente em alguma ocasião fora da direita, penso? – sendo uma versão atualizada do isolacionismo de Coolidge-Harding nos anos 1920, resume o experiente jornalista italiano que atuou como correspondente na Casa Branca.

Por fim, destaco uma citação que, entendi, ser uma dica de leitura do autor: How the United States Abandoned Peace anda Reinvented War, de Samuel Moyn, após mencionar uma linha de pensamento da elite progressista americana, bastante crítica à ideia de que a democracia americana tem anticorpos para conter os impulsos militaristas e agressivos da política no país (p. 544).

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