Imagem: História Judaica

Guimarães Rosa

“quando chegou a hora de o “Sagarana” ter de ser escrito, pensei muito. Num barquinho, que viria descendo o rio e passaria ao alcance das minhas mãos, eu ia poder colocar o que quisesse. Principalmente, nele poderia embarcar, inteira, no momento, a minha concepção-do-mundo.” 

Obra: Sagarana. Carta de João Guimarães Rosa a João Condé, revelando segredos de ‘Sagarana’. Global, 2019, São Paulo. De João Guimarães Rosa (Brasil/Minas Gerais/Cordisburgo, 1908-1967).

Tudo começou por conta do meu professor de literatura. Mal completara 16 anos quando descobri Chicó e João Grilo, seguido de A Pedra do Reino. Foi pelo senhor Ariano que me dei conta de um fascínio para toda minha vida.

Saga (conjunto de estórias), rana (sufixo tupi que significa “à maneira de”, p. 10), e eis que cheguei a Guimarães Rosa que, na carta a João Condé (p. 11), escreveu o que eu precisava ler sobre o que preciso concluir.

Foi libertador. À semelhança daquele algoritmo…

Por todos esses anos. Por ele repensei sobre o sentido que encontrei para o conceito de “arte” no “trabalhar a língua” (p. 12), segundo o mestre brasileiro dos contos.

É o que vem me ajudando a passar por esses dias… O poético me sustêm.

Revisitei então a Obra Aberta de Umberto Eco e senti a força do que pode se manter secreto na própria revelação, como diria Sartre acerca de Kierkegaard. Só não tinha maturado que entre inúmeras camadas de leitura pode haver uma onde estão precisos todos os significados que importam.

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