Imagem: Summus

“O papa Francisco (2015) exortou os sacerdotes à necessidade de exprimir o sentido da fé no confronto com a experiência do luto, sem negar o direito ao choro […]”

Obra: Luto por perdas não legitimadas na atualidade. Quando se nega a dor por causa da fé: morte e luto na vida de um sacerdote católico. Summus, 2020, São Paulo. De Francisco de Assis Carvalho. Organizado por Gabriela Casellato.

E Jesus chorou (João 11:35)

Quais teriam sido as motivações na comunidade primitiva para a inserção dessa narrativa em relação ao Jesus histórico? [672]

O Verbo que se fez carne compartilha a condição humana que inevitavelmente acolhe o sofrimento, penso, e o Jesus das tradições foi amalgamado nessa concepção que apresenta o divino humanizado.

Sobre o luto a envolver sacerdotes, esta Leitura foi oportuna e, de certa forma, é uma continuação da experiência que tive em 2009 com o pastor enlutado [673]. Do homem pragmático que fazia uso de uma teologia da prosperidade – para usar de eufemismo -, nada além de ingênua, na profunda dor floresceu um ser mais humano quando chorou e me envolveu para participar um pouco de seu sofrimento.

Em cada experiência de luto que passei, percebi o quanto o sofrimento preparou uma terra íntima que carecia de adubo para ser irrigada por lágrimas a espera de uma primavera. Quando se tenta desvencilhar da dor, sobretudo em função de alguma fé religiosa, nega-se esse processo de evolução interna que todos precisamos passar. O luto deve ser vivido, mas tem que passar, de maneira que promova um renascimento de quem ficou.

Em alusão ao verso que abre este registro, o autor lembra da exortação do papa Francisco:

“Devemos chorar no luto porque Jesus porque também Jesus explodiu em pranto e ficou profundamente perturbado pelo grave luto de uma família que amava” (pp. 162-163).

672. A pergunta pode soar estranha para quem concebe os textos canônicos dos Evangelhos como relatos jornalísticos, como se o(s) autor(es) tivessem descrito fatos a partir da observação in loco dos acontecimentos e desconhece o processo de construção de uma tradição auricular, seguida de liturgias que levaram, no mínimo, três décadas para começar a ser consolidadas em textos escritos celebrados nas primeiras comunidades cristã, o que os qualificou para o que seria o cânon bíblico mais adiante.

673. 03/10/2026 14h00

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