agem: Luciana Amorim

Ryan Holiday e
Stephen Hanselman

“Nenhum grau de prosperidade, nenhum grau de dificuldade, é certo ou para sempre.”

Obra: Diário Estoico. 366 lições sobre sabedoria, perseverança e a arte de viver. 06 de novembro. Outra pessoa está fiando a linha. Intrínseca, 2022, Rio de Janeiro. Tradução de Maria Luiza X de A. Borges. De Ryan Holiday e Stephen Hanselman.

Lembrei-me de uma cena marcante no filme Gladiador (2000), de Ridley Scott, quando, após ouvir do imperador como a esposa fora violada pelos soldados e em seguida assassinada junto com o filho, o general que se tornou escravo e depois gladiador, Maximus, responde: “O tempo de honra-lo está próximo do fim… Alteza!”.

Eis uma ilustração sobre a serenidade, o autocontrole, a resignação em meio à consciência de que há algo superior nas mudanças que se dão na vida mediante as coisas que não podem ser controladas, e dizem respeito aos deuses, que mudam a sorte, isso na mentalidade antiga, e assim se encontra o sentido de que “um triunfo torna-se uma provação, uma provação torna-se um triunfo” (p. 391).

Penso então na parte final (p. 391) da citação de Tiestes, de Sêneca:

“Ninguém teve tanto favor divino
Que pudesse garantir a si mesmo o dia de amanhã
Deus mantêm nossa vida agitada.
Girando num turbilhão.”

À mercê do destino, eis a natureza do mundo da vida que pode mudar num instante (p. 392), e o que se chama de “realidade” flui para desafiar a crença na estabilidade e no fatalismo. Curiosamente, a abrupta mudança na sorte do escritor Cormac McCarthy (1933-2023), contada pelos autores, me fez lembrar na mudança de sorte que me veio no difícil dia 10 de dezembro de 1997, quando dei um reset em minha vida.

No dia em que completei 23 anos, decidi deixar a casa de meus pais, munido de uma mochila e um computador com os programas que desenvolvi; era tudo que eu tinha, além de muitas dívidas e um carro financiado que logo seria devolvido. Não sabia, mas naquela tempestade perfeita, começava a exorcizar o medo que eu tinha do futuro e de mim mesmo, coisas que me perseguiam desde a infância. Esse medo mal resolvido tinha me impedido de tomar decisões mais ousadas no ano anterior, que repercutem até os dias atuais.

Foi enfrentando um cenário onde só havia desvantagens, incertezas e reprovações por todos os lados, especialmente em termos de família, que decidi caminhar a um novo desconhecido, e fui então percebendo uma profunda mudança em minha visão da existência e na própria sorte. Foi quando percebi que nas dificuldades extremas daqueles dias, o tão temido futuro não passava de um espantalho e assim encontrei a graça de jamais abandonar a fé em Deus e na vida

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