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“Para fazer mudanças consistentes e duradouras, você deve entender o que está escondido. E o que está escondido são histórias de origem e dores não resolvidas da sua família que precisam de atenção, caso o que esteja acontecendo atualmente tenha uma chance de reparação e alívio.”
Obra: Curando suas feridas de origem. Como quebrar padrões familiares destrutivos e mudar sua maneira de viver e pensar. 2. Dê nome à sua ferida. Sextante, 2023, Rio de Janeiro. Tradução de Michela Korytowski. De Vienna Pharaon.
Às vezes quando converso em um ciclo de maior intimidade, transpareço por recordações minuciosas de datas e detalhes relativos a fatos de minha infância, juventude e vida familiar. O segundo capítulo desta obra me fez rememorar sobre quando comecei a desenvolver este tipo de interesse.
O estímulo inicial se deu no início de 1999, quando no final de uma psicoterapia voltada a uma síndrome do pânico – identificada em 1997 ligada a eventos no ano anterior – os gatilhos levantaram a hipótese de traumas relacionados a duas fases da infância, o que me encaminhou à psicanálise, quando o psicoterapeuta identificou quando tentei me esquivar de uma possível ferida relacionada com um fato da infância que conseguia me lembrar bem (p. 43). Então aprendi sobre a chave que o passado significa para compreender aquele presente objeto do tratamento (p. 36). Não queria conviver com traumas e aceitei essa verdade na expectativa de obter condições mais favoráveis para corrigir o rumo, mesmo sendo alertado que poderia suscitar outras feridas bem mais delicadas, o que de fato ocorreu quando pude reconhecê-las.
Estudar minha trajetória de vida me fez montar um “quebra-cabeça” de ocorrências significativas a partir de dados mais remotos que pude identificar. Passei a revisitar memórias de eventos sob formas variadas: tornei diversas vezes aos lugares dos eventos mais significativos, além das regressões. Nesse processo também identifiquei o que Pharaon aponta como “sistema familiar” (pp. 36-37). Entender a história da formação e dos valores que me foram transmitidos por minha família foi uma das chaves para compreensão dos problemas, entre as intercorrências emocionais, algo muito desafiador (p. 40), sendo um desconforto necessário para a ressignificação dos eventos ao longo do tratamento.
Durante a psicanálise pensei sobre o quanto deve ser comum na vida de muitos a presença de algum trauma, dos primeiros anos de vida a eventos recentes; a diferença é que uns tentam a superação e costumam passar pela mesma busca da própria história, enquanto outros não desenvolveram interesse por ou não preferem saber, talvez por receio de lidar com certas verdades, além de preconceitos com a psiquiatria e a psicologia, e assim passam o resto de suas vidas convivendo com feridas não devidamente saneadas, o que pode ocasionar em quadros mais críticos de saúde mental.
Alguns anos depois compreendi que se tratava de uma cadeia de eventos, pois de uma síndrome do pânico deflagrada na juventude (1996), fui à psicoterapia (1997), acabei remetido a uma sequência de questões interligadas que me levaram a descobrir outros traumas de maior complexidade que me conduziram a uma avaliação da infância e da estrutura familiar, e assim, no conjunto da obra, percebi que tudo estava conectado e acabei recompensado não apenas pela superação dos gatilhos da síndrome, mas também por um autoconhecimento que me ajudou a compreender melhor certos aspectos de minha personalidade, além de ser estratégico no suporte a situações críticas que todos podem passar.
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