Imagem: About Dr. Hahn

Scott & Kimberly Hahn

“Dr. Gerstner, como podemos ter certeza de que os vinte e sete livros do Novo Testamento são, eles próprios, a palavra infalível de Deus, já que foram os concílios e Papas da Igreja, ambos falíveis, os que estabeleceram a lista?”

Obra: Todos os caminhos levam a Roma. Nossa jornada até o catolicismo. Capítulo 5.A busca de Scott pela Igreja. Cleófas, 2022, Campinas. Tradução de Rafael Nunes Godinho. De Scott Hahn (1957) e Kimberly Hahn (1957).

O problema suscitado no trecho (p. 104) estava em um desdobramento de outra questão durante a conversa com a missionária apologeta naquele maio de 2007 [534].

A resposta do Dr. Gerstner que Scott recebeu estava muito próxima de argumentos que escutei e apenas atestavam o quão frágil é o pilar protestante formado pelo sola scriptura, enquanto o sola verbum Dei (p. 103) do catolicismo começava a fazer muito sentido para mim. A Palavra de Deus não se limita às Escrituras (p. 102), argumenta Scott, o que me parece familiar na ocasião diante da indignação da missionária. Pensei, o Corpo de Cristo é onde a Palavra é revelada e se manifesta – a Igreja – pois caso contrário (e este argumento não vem da leitura deste livro, e sim do que desenvolvi na conversa), seriam ilegítimas as tradições orais, as liturgias e as demais expressões de fé que deram origem aos textos canônicos.

A autoridade infalível das Escrituras, homologada por concílios (Hipona, 393, Cartago 397) sob a aprovação (p. 103) de uma autoridade central, objeto de aversão protestante, entrava em choque em meus pensamentos que ponderavam a infalibilidade cujo cânon “surgiu como um reforço à garantia da unidade centralizada no bispo e à fé expressa num credo”, definição curiosa de um autor protestante, Earle E. Cairns [535], cuja obra é elementar, bem conhecida.

Em seguida, refletimos sobre o argumento que sugere a cessão da revelação, a negação da continuidade apostólica que serve tão-somente para negar o catolicismo, encerrando tudo na scriptura, o que implica no esvaziamento do Corpo de Cristo quanto à fluidez do sola verbum Dei. Assim, despontei profundamente a missionária e, advinda de uma família de engenheiros, disse-lhe que o sola scriptura faz tanto sentido quanto a ideia de se construir um edifício a partir da cobertura.

Ao sair da biblioteca, iniciei uma reflexão sobre meu envolvimento com a denominação batista, onde pesaram o desconforto, por parte de alguns à época com certa influência, em relação ao meu viés teológico considerado “liberal demais”, entenda-se, “sem demonstrar o devido apego à teologia sistemática predominante na denominação” (pelo menos foi o que escutei de um zeloso diácono com neurose em policiar seminaristas), além do ambiente em si da instituição, que estava mais para um centro de formação de ministros apologetas ávidos por uma carreira que parecia mais com a de executivos determinados a subir os degraus da prosperidade financeira. Não conseguia ver o Evangelho entre pastores e seminaristas mais preocupados com números de crescimento que diziam mais sobre arrecadação de “dízimos e ofertas”, além do desprezo por algo verdadeiramente acadêmico, aberto ao franco debate, embora contassem com excelentes professores de hebraico, grego, filosofia, teologia bíblica, exegese e hermenêutica.

A reflexão envolveu muitos aspectos, muito além dos pilares da Reforma Protestante que ruíram dentro de mim, e resultou em meu desligamento do seminário e no envio de um comunicado solicitando minha eliminação do rol de membros de uma tradicionalíssima igreja batista do Recife, em agosto daquele ano.

534. 01/01/2026 11h08

535.  O cristianismo através dos séculos. Tradução de Israel Belo de Azevedo. Vida Nova, 1995, São Paulo, p. 95.

2 Replies to “02/02/2026 20h00 Todos os caminhos levam a Roma. Capítulo 5”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *