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Arctic Policies and Strategies

“A broad range of minerals are found in Greenland that can be used to support innovative technology and financial independence. For example, the 2011 Strategy explains that ‘Greenland is also rich in mineral deposits, including zinc, copper, nickel, gold, diamonds and platinum group metals, and has substantial deposits of so-called critical metals, including rare earth elements, several of which are important components of high-end technology, including green energy technologies’ (2011, 24; see also: 2008, 23).”

Obra: Arctic Policies and Strategies – Analysis, Synthesis and Trends. Part I: Strategies and Policies of the Arctic States. International Institute for Applied Systems Analysis. Schlossplatz 1, A-2361 Laxenburg, Austria, 2020. De Lassi Heininen, Karen Everett, Barbora Padrtova e Anni Reissell.

A capa é bem ilustrativa para destacar uma considerável razão geopolítica para a atual relevância da região, juntando-se ao Canadá em um bloco de imenso Stato cuscinetto na concepção Lebensraum, pelo que observo no que se fala das pretensões de aquisição da Casa Branca. Eis a primeira aparente motivação para o interesse do Império Americano em tomar posse da Groelândia.

Outra motivação que me parece ainda mais clara diz respeito a recursos de “gás, petróleo, madeira, níquel, peixes de água fria, diamantes, elementos de terras raras” (p. 198), o que se discorre no trecho (p. 68): trata-se de uma ampla gama de minerais que podem ser utilizados para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e a independência financeira, com referência à edição de 2011 que já apontava a riqueza de recursos na forma de depósitos minerais, incluindo zinco, cobre, níquel, ouro, diamantes e metais do grupo da platina, metais críticos substanciais que fazem parte da cadeia de componentes importantes de tecnologias de ponta, incluindo as de energia verde.

No contexto da segunda motivação, adicionam-se interesses de desenvolvimento em torno de recursos petrolíferos na região, “com cerca de 20 a 30 por cento dos combustíveis fósseis ainda não descobertos do mundo (petróleo e gás natural) sob a suspeita de estarem localizados ao norte do Círculo Polar Ártico” (p. 204. De forma mais abrangente, o interesse na exploração de combustíveis físseis está apontado pela Noruega em 2006 (p. 134), e no suporte financeiro à Greenland Petroleum Exploration Co., Ltd., em função de um projeto (p. 212) em uma área oceânica a nordeste da Groelândia, por meio da Japan Oil, Gas, and Metals National Corporation.

Nessa alçada, em referência à edição de 2016, em meio ao debate e a militância de origem francesa sobre os impactos ambientais, é interessante o fato de que a Rússia e a Noruega “possuem grandes campos petrolíferos offshore no Ártico, em produção ou em desenvolvimento” (p. 198), além de empresas alemãs atuando no desenvolvimento de tecnologias marítimas na região (p. 204). Uma abordagem do Reino Unido apontou que aumento da atividade comercial na região se relaciona com a redução da cobertura de gelo marinho, onde grandes reservas de petróleo, gás, metais e terras raras estão se tornando mais acessíveis com os avanços tecnológicos (p. 238).

Então penso sobre o notável envolvimento de corporações europeias na região a combinar com o recente envio de tropas do Velho Continente [526], movimento militar deflagrado após as recentes declarações e ameaças de mais tarifaço de importação [527], por parte de Trump, as empresas exportadoras originadas de Estados que se recusarem a apoiar a aquisição americana.

Guardando as devidas proporções quanto à Groelândia e, de forma mais ampla, ao Ártico, é ingênuo pensar que os interesses dos nativos da região pesam prioritariamente no debate político, pois os negócios cada vez mais intensos por lá soam para os aparatos estatais europeus o que Taiwan [528] representa para a China, ambos diante dos interesses de expansão do Império Americano.

526. BBC 15/01/2026: Tropas europeias chegam à Groenlândia, enquanto Trump reforça interesse em ‘conquistar’ ilha

527. BBC 18/01/2026: Países europeus fazem reunião de emergência após Trump ameaçar com tarifas por oposição à anexação da Groenlândia

528. 12/04/2025 15h37

2 Replies to “18/01/2026 08h00 Arctic Policies and Strategies – Analysis, Synthesis and Trends. Part I: Strategies and Policies of the Arctic States”

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