Imagem: Casa Fernando Pessoa

Fenando Pessoa

“Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…”

Obra: O que há em mim é sobretudo cansaço. Em Ficções do Interlúdio. Trecho de [291] 9-10-1934. Obra poética de Fernando Pessoa. Volumes I e II. Edição da Nova Fronteira, 2016, Rio de Janeiro, eBook Kindle. De Álvaro de Campos, heterônimo por Fernando António Nogueira Pessoa (Portugal/Lisboa, 1888-1935).

Ode ao cansaço – por Heitor Odranoel Bonaventura

Quero viver intensamente
para não me cansar
com o que não fui
capaz de experimentar.

Nem muito, nem pouco…
Tão-somente o bastante
para me transformar
em cada instante.

Dispenso grandes ideais
pela pureza de uma emoção
que eu possa sondar
e discenir na exaustão.

Almejo por um cansaço
que me faça morrer,
antes que me esvazie
do que me faz renascer.

2 Replies to “23/01/2026 22h00 O que há em mim é sobretudo cansaço. Em Ficções do Interlúdio. [291] 9-10-1934. Obra poética de Fernando Pessoa”

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