Imagem: SDS

Hans Woller

“Nel 1942 quasi i due terzi degle italianierano inquadrati nel Partito fascista e nelle sue propaggini”.

Obra: Mussolini, Il Primo Fascista. Il dittatore. Carocci editore, 2018, Roma. De Hans Woller (Alemanha/Aldersbach, 1952).

Em 1942 dois terços dos italianos apoiavam o regime de Mussolini (p. 82). Difícil imaginar hoje o fascismo como um regime popular, com o PNF bem estimado e visto como centro de ajuda para a população.

O crescimento do partido foi impressionante desde a marcha sobre Roma: em 1922 tinha 300 mil filiados, e no ano seguinte atingiu 780 mil, quatro anos depois ultrapassou 1 milhão em um sistema de propagação em rede que envolvia profundamente instituições sociais; sindicatos, associações feministas e a juventude (p. 81).

O amplo apoio da sociedade camuflava o caos onde o partido, o grande conselho, a milícia e o exército privado, custeado via Estado, não eram a causa principal e o motor decisivo dessa aparência de legalidade constitucional e sim “um cancro que se difundia lentamente, mas com maestria e constância no tecido do Estado e da sociedade” (p. 83).

O regime foi gradualmente se consolidando à figura do ditador. A ironia disso é que o deputado Antonio Gramsci, que representava o ponto de maior oposição, pelo lado marxista, trabalhou um conceito de “ocupação” que os fascistas executaram com impressionante eficiência, o que denota um ponto em comum do regime de extrema direita com a ideia de lenta graduação socialista rumo ao comunismo, apesar dos respectivos sistemas serem agressivamente opostos em termos de pensamento econômico e social, especialmente quanto ao conceito de “luta de classes”.

O assunto é muito delicado para italianos de direita na atualidade, enquanto explorado ardilosamente pela esquerda. O atual governo é de direita e vez ou outra passa por provocações da oposição que se aproveita de grupos radicais, associados ao alinhamento com a direita, enquanto fazem o deplorável saluto romano, dando o pretexto.

Esta obra do historiador Hans Woller está entre as mais importantes que apreciei no esforço de entender o fascismo, um regime radical de direita tão distinto e, ao mesmo tempo, tão similar a ideais de extrema esquerda, por ser autoritário, destrutivo do contraditório e dissimulado como o socialismo em fase mais avançada.

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