Imagem: Comunhão

“[…] As atitudes de nosso coração se gravam mais firmemente no semblante do que a ilusão dos cosméticos.”
Obra: Eu, meu pavio curto e Deus. 12. Quando o corpo fala. Thomas Nelson Brasil, 2023, Rio de Janeiro. Tradução de Susana Klassen. De Lisa Bevere (1960).
Um livro muito interessante por conter reflexões bíblicas e ser voltado para o gênero do ser humano mais sensível e inteligente – a mulher – sob o tema do “aprendendo a irar-se sem pecar”. Pensei de imediato, será mesmo possível?
En passant, como será a pessoa real por trás desta máscara? sempre penso nesta questão quando vejo demonstrações do grande poder de ilusão que há na indústria dos cosméticos, não somente entre as mulheres, mas também entre marmanjos, sobretudo os que se recusam a ter uma relação mais adulta com os sinais do tempo.
Torno ao contexto do capítulo 12 onde a palestrante traça um paralelo entre a mulher “forte e cheia de raiva” e a mulher ” fraca e abatida”; ambas possuem pontos em comum, em termos de se sentirem sozinhas, mesmo quando casadas, pois é bem possível que sejam carentes dos “ingredientes básicos para a verdadeira intimidade”, e no corpo que fala estão “as linhas da testa franzida com rugas prematuras, os punhos semicerrados e as costas encurvadas sob um peso invisível” (p. 159).
Seria apenas uma questão do tempo a impor o envelhecimento? Não necessariamente, sugere Lisa Bevere que vai encontrar inspiração em Provérbios 15:13 para indicar o tratamento espiritual do cultivo da alegria do coração, que “dura mais que a beleza”, pois o brilho de um “semblante bondoso e suave” está para o sorriso que se contrapõe ao franzimento frequente da testa em favor das rugas, e assim “atenua os efeitos da passagem dos anos” (p. 159) Diria, a alegria no coração, o cultivo da bondade, o enlevo espiritual cuja paz “dá vida ao corpo” (p. 162), a referenciar Provérbios 14:30, eis um caminho natural que atravessa o tempo e vence a beleza falsa da superficialidade que muitos buscam na ilusão das posses e, pelo clichê, nos cosméticos, e torno à autora, contrasta com um coração carregado de raiva, ressentimentos, o que acaba afetando a saúde pelo sistema nervoso que impacta o imunológico (p. 163).
O rancor, a ira, na forma de pensamentos e palavras que envolvem e prejudicam relacionamentos se tornando ações auto destrutivas, ao lembrar o dito de Jesus sobre o que sai da pessoa é o que contamina e não o que entra (p. 160). Sobre isso, pensei no que me dissera um interlocutor de sabedoria budista que sugeriu a um amigo, que o procurou para tratar seus excessos de fúria, e perguntou sobre o que aconteceria se ele pudesse “materializar sua raiva” , entenda-se esculpir seus pensamentos, desejos… Sem entender bem qual seria o sentido da questão, ficou reflexivo quando o amigo budista indagou se ele colocaria as esculturas para decorar a sala de sua casa, se seriam belas e inspiradoras para ele mesmo e os visitantes contemplarem, ou se caberiam melhor de serem escondidas, talvez mais úteis em um filme de terror.
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