Imagem: National Review Institute

“Apesar de seu suporta internacionalismo, a maioria dos líderes socialistas é nacionalista.”
Obra: O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo. Capítulo 11– Socialismo e nacionalismo: aliados, não rivais. Nova Fronteira, 2013, Rio de Janeiro. Tradução de Roberto Fernando Muggiati. De Kevin Daniel Williamson (EUA/Texas/Amarillo, 1972).
Ambidestros são o socialismo e o nacionalismo. O que acabei de escrever é uma heresia para os que professam fé política nos dois lados que tanto se odeiam e compartilham crenças que ficam bem disfarçadas no antagonismo. Certamente o autor desta obra, conhecido crítico do socialismo entre conservadores dos Estados Unidos, também consideraria a afirmação como um completo absurdo. Sem dúvida é o tipo da coisa que une democratas e republicanos, lulistas e bolsnaristas, soças e austrolibertários, crentes berlusconianos e cinco estrelistas, devotos do partido Alternativa para a Alemanha e da União Democrata-Cristã.
Há bons fundamentos neste livro, apesar de ser do tipo que é cultivado em bolhas de direita cheias de espantalhos sobre o socialismo e o comunismo. No entanto, sigo com o meu propósito de que toda experiência de leitura é uma oportunidade e um desafio para o desarme visando o aprendizado, e se fosse um autor de esquerda, essa linha seria rigorosamente a mesma. Isso posto, o nacionalismo na mídia mainstream é sempre apresentado como se fosse um fenômeno de direita e, não raramente, com o adjetivo “extrema”, e aqui penso no que o autor afirma, com bons argumentos, face a este capítulo quanto ao nacionalismo e ao socialismo (moderno, dito “científico”) serem ligados um ao outro na prática que predomina entre líderes de esquerda, ou será que a família Castro não é nacionalista, assim como Maduro, hoje detento no Tio Sam, além do gordinho atômico da Coreia do Norte? O internacionalismo faz mais parte do discurso de românticos de uma causa perdida; tão somente do que é dito e não vivido do que qualquer outra coisa em meio ao antigo e superado conceito antinacionalista do socialismo marxista, seita a qual eu fui doutrinado no início dos anos 1990.
Socialistas americanos são internacionalistas pelo antiamericanismo, sustenta o autor (p. 153). O internacionalismo da extinta União Soviética (URSS) era voltado para as repúblicas que dominava no bloco, além do que autor define como “factota e marionetes espalhados pelo mundo” (p. 154) na medida em que se reprimiam sentimentos nacionalistas diante da Rússia. A URSS foi um tipo de nacional socialismo” distinto do nazismo alemão, que tinha práticas socialistas maiores do que as aspirações de Lenin (p. 155), aponta. Aqui recordo do que escutei sobre o fascismo, incluindo o seu irmão nazismo, ser de esquerda em uma confusão que se baseia no conceito de que socialismo é uma característica exclusiva da esquerda, quando na verdade governos de extrema-direita adotaram práticas socialistas de planejamento central e pregaram até a nacionalização de meios produtivos, como se aponta na plataforma do Partido Nazista em 1920 (p. 160). O planejamento central é um tema complexo ao estar para a política independente do lado, penso, e retomo ao autor que faz referência a Hayek e a Mises como críticos desta visão antimercado (p. 159), no entanto, não se pode negar que se trata de uma prática encontrada em governos de direita na atualidade, mesmo que seja em um grau inferior.
Curioso nacionalismo chinês, romântico que mantêm a China unida, cultivado no Politburo por um aparato que policia as ideias diante de um inimigo externo como o Japão que reprimiu os chineses por longo tempo. Os nipônicos escarnam um nacionalismo que “é mais fruto de uma excentricidade política” (p. 157), enquanto é estampado por estudantes em Pequim como “imperialismo” (p. 158) cuja narrativa envolve o estímulo ao boicote a produtos japoneses.
Em suma, nacionalismo é um conceito que está em todos os lados da política, porém, quando está associado ao radicalismo, a criatura fica no colo da direita, e quando é elogiável com coisas que apelam à “soberania, fica bem visto na esquerda, e quem duvida sugiro ler o último discurso do presidente Lula na ONU, bem como observar as reações da imprensa convencional da Pindorama.
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