
Stephen Hanselman
“[…] A mudança não é boa. O statu quo não é mau. Eles simplesmente são.”
Obra: Diário Estoico. 4 de novembro. Nem bom nem mau. Intrínseca, 2022, Rio de Janeiro. Tradução de Maria Luiza X de A. Borges. De Ryan Holiday e Stephen Hanselman.
A citação a IV.42 de Meditações de Marco Aurélio por outra tradução:
- Nenhum mal acontece ao que está em vias de transformação, como tampouco nenhum bem ao que nasce por consequência de uma transformação.
Na visão estoica diz respeito a não se conduzir por rótulo do que se acredita ou deseja que signifique uma mudança percebida, mas simplesmente se pautar pelo que ela se apresenta, o que é de fato, pois emitir opinião é mera ação subjetiva para um acontecimento que é objetivo, sendo mais interessante buscar a compreensão e tentar se adaptar da melhor maneira possível (p. 388).
O que fazer diante de uma mudança? Desapegar a apelos, clichês, abstrações para apreciar, bem conhecer, e avaliar o fato. Mudança simplesmente acontece pela natureza que envolve o humano e sempre carece de se perguntar se a busca por um padrão de “bom” ou “ruim”, “melhor” ou “pior” diante do que mudou em comparação com o que era não seja mais uma tentativa de fantasiar causas e motivos reais que é preciso aprender do que qualquer outra coisa.
Mudar de entendimento… Há quem confunda quem tem coragem de mudar de entendimento quando percebe e aceita questionar as próprias crenças e passa a ser visto como alguém tão-somente “fraco”, “inconstante” ou “imaturo”, como se a crença em si, e aqui falo sobre coisas meramente humanas, tivesse auto suficiência de validação e não dependesse da verdade atestada, que só pode ser percebida pela aplicação de conhecimento mediante apurado senso crítico. Neste aspecto, quem se fecha nas próprias crenças nega a condição humana de busca constante do aprendizado, pois o desconhecimento ou a dúvida é uma constante, mas deixa de ser para quem inverte as coisas e passa a menosprezar a humilde busca da verdade.
A mudança corre como o vento que sopra onde quer e não há quem o controle, de onde vem nem para onde vai, pelas coisas do espírito compondo o destino; aqui vejo um traço do amor fati.
Fechar-se em si mesmo pelo próprio achismo é também uma forma de se esconder pelo comodismo quando se percebe o trabalho, muitas vezes árduo, de ter que verificar a procedência das coisas. Fato é que cada um segue o seu caminho, a acreditar no que bem deseja como fenômeno natural à nossa espécie, não tendo nada demais nisso se no outro lado da consciência houver disposição autêntica para verificar as próprias crenças ou “pensamentos automáticos” mediante análise de fatos para que um achismo não predomine sobre uma melhor leitura da realidade.
692. Kiron, 2011, Brasília. Tradução de Thainara Castro.