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Oliver Stuenkel

“Em que medida as diferenças de tipo de regime – o fato de três países do BRICS serem democráticos, e dois, não – limitam a cooperação?”

Obra: BRICS e o futuro da ordem global. 5. O mundo oculto da cooperação intra-BRICS: Qual a importância do tipo de regime político. Paz e Terra, 2017, Rio de Janeiro. Tradução de Adriano Scandolara. De Oliver Stuenkel )Deutschland/Bundesland/Düsseldorf, 1982)

Considerando o arranjo original do BRICS, o fato de Brasil, África do Sul e Índia estarem sob regimes democráticos, enquanto Rússia e China representarem “governos autoritários”, seria um impeditivo para a cooperação entre os países membros?, eis a questão (p. 102) que o professor de relações internacionais suscita entre críticos do bloco.

Pensei no que a história geopolítica revela sobre o lugar comum de estados democráticos em aliança com estados considerados de regimes autoritários. O exemplo mais evidente está no Estados Unidos, a dita democracia mais importante do mundo com aliados – alguns diriam vassalos – bem distantes do que possa ser chamado de democráticos, como a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além dos norte-americanos terem apoiado diversas ditaduras na América do Sul durante a Guerra Fria. dentro do próprio BRICS o autor lembra que os laços entre Brasil e Índia, duas democracias, são bem mais limitados que o verificado entre Brasil e China (p. 142).

A princípio, ao verificar o histórico (pp 103-106) de intenções de cooperação financeira entre membros originais do BRICS, pode-se cogitar que mais uma vez a questão da diferença de regimes não provoca entrave, no entanto, Stuenkel lembra o caso da articulação mal conduzida na escolha de um europeu para comandar o FMI a revelar, em sua análise, que os integrantes do BRICS “não são tão unidos quanto gostam de pensar” (p. 107), além de demonstrarem não terem uma maior coesão diante dos Estados Unidos na eleição de Jim Young Kim para o comando do Banco Mundial (p. 108), assumido em 2012. Também penso sobre o atual presidente, Ajay Banga, também indicado pelos norte-americanos. O apoio dos russos a Jim Young Kim (p. 109), penso, também colocou sombras de dúvidas sobre a capacidade de univocidade do BRICS, assim como na área de estatísticas, onde deixa a desejar quando comparado com a OCDE (p. 117), no setor de segurança nacional, em encontros com expectativas “prematuras e pouco realistas” (p. 119), na visão de especialistas, em meio a registros de embates na agricultura entre Brasil e África do Sul(2012, China e Índia (p. 121), a pouca produção de cooperação no judiciário (p. 123) diferentemente das articulações mais efetivas que ocorrem nos campos da saúde e da administração tributária (pp. 109-116), entre outras áreas onde o bloco parece menos desenvolvido em relação às pretensões anunciadas, com destaque ao comércio a indicar um maior desafio pelas “dificuldades burocráticas” (p. 136) entre os membros.

O professor não é conclusivo sobre a questão que levantou no capítulo, mas considera que “a cooperação intra-BRICS é mais sofisticada e diversificada do que, em geral, os observadores externos presumem” (p. 139) o que, penso, combina com um bloco com pretensões de estabelecer uma nova ordem global frente ao Império Americano.

2 Replies to “18/12/2025 20h00 BRICS e o futuro da ordem global. 5. O mundo oculto da cooperação intra-BRICS”

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