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“For Americans, NATO remains a critical resource of sustained international leadership. […]”
Obra: NATO: From Cold War to Ukraine, a History of the World’s Most Powerful Alliance. Introduction. Ther North Atlantic Treaty Organization. Why NATO is important? Yale University Press, 2024, eBook Kindle. De Sten Rynning.
Certamente este deve ser o principal motivo da OTAN (1949) existir.
Obra para vários registros.
Oportuna a leitura deste livro do professor de Estudos de Guerra da Universidade do Sul da Dinamarca e do diretor do Instituto Dinamarquês de Estudos Avançados, sobretudo quando penso na situação da Groelândia, território autônomo dinamarquês sob a mira de Trump, quanto à possibilidade de um membro da OTAN invadir o território de outro membro.
Nos tempos da Guerra Fria parecia obviedade, penso, a OTAN como “recurso fundamental para a manutenção de uma liderança internacional sólida” (trecho) dos Estados Unidos, mediante um mundo dividido com os soviéticos que forjaram o Pacto de Varsóvia (1955), enquanto o que restou hoje ficou ainda mais nítido, entendo, quanto à sua instrumentalização na relação entre o Império e as províncias que estão na membresia.
Na abertura de Por que a OTAN é importante?, o professor contrapõe o Bloco como uma aliança “livre” no “coração da ordem de segurança europeia”, a refletir os “valores ocidentais”, mediante a “visão eurasiana” de Vladimir Putin e a “sinocêntrica” de Xi Jinping que, entendo, refletem mais o que predomina nas sociedades que respectivamente governam do que apenas o interesse dos dois líderes que demonstram um alinhamento desconfortável para a sede do Império na Casa Banca.
Por que a OTAN é importante? Uma resposta pessoal a partir da reflexão sobre a introdução:
Para os europeus a Aliança é a principal garantia de segurança militar, por reduzir bastante gastos com defesa se fossem prover isoladamente, sinalizando um poderio bélico imenso. Para os americanos, um instrumento importantíssimo para manutenção de sua liderança global. E o que pode representar de relevância para os herdeiros da União Soviética, sobretudo em torno da “operação militar especial” na Ucrânia? O professor Rynning, referenciando entendimento de uma leitura chinesa, aponta que a ofensiva russa na Ucrânia é o resultado de “cinco rodadas de expansão da OTAN para o leste”. O argumento, penso, às vezes é considerado apenas “filorusso”, no entanto, os fatos o tornam irrefutável pelo histórico de provocação contínua do Ocidente aos russos com a expansão do Bloco.
Na medida em que a Aliança vai avançando para o leste, incluindo a possibilidade da Ucrânia compor suas fileiras (hoje aparentemente descartada pelas tentativas de acordo de paz), retroalimenta entre os russos o sentimento de perigo iminente de bases do Ocidente tão próximas de seu território. A preservação da OTAN e o receio de sua expansão, são questões consideradas por Gorbachev na obra Perestroika [519]. Ainda sobre o incômodo russo com a OTAN cada vez mais próxima de seu quintal, em Not One Inch: America, Russia, and the Making of Post-Cold War Stalemate, há uma interessante referência a “barganha hipotética” do então secretário de Estado americano, James Baker (1930), para o último premiê soviético [520].
Mas há outro argumento ainda mais forte:
A OTAN entra em um contexto onde pesa bastante o histórico de agressões do Ocidente sofridas por asiáticos. Há motivos de sobra para a Rússia e a China desconfiarem do Ocidente e nem vou referenciar as inúmeras ocasiões em que territórios chineses foram invadidos por europeus. Considero oportuno o bastante aqui, o fato de que forças do Ocidente invadiram a Rússia em duas grandes ocasiões: Napoleão e os nazistas, bem emblemáticos neste ponto. Enquanto isso, não me consta alguma invasão militar russa ao Ocidente, salvo o caso ucraniano que diz respeito a um país não tão considerado por europeus e que fez parte do bloco soviético enquanto se encontra no meio de uma polêmica envolvendo a possibilidade de seu ingresso na OTAN. Pode-se cogitar o caso dos mísseis soviéticos em Cuba (1962), o que é irônico porque o incômodo do Império Americano à época é exatamente o mesmo hoje dos russos em relação a bases em país muito próximo ou vizinho abrigando mísseis de potência nuclear não aliada, para não dizer “inimiga”. E assim os americanos, senhores imperiais do Ocidente, em sua peculiar sonsice, dissimulam como se fosse um temor desmedido dos russos.
519. 26/02/2022 16h10
520. 12/07/2025 17h24
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