Imagem: Vaticano

Papa Paolo VI

“Cremos que a celebração milenária do caráter cristão do povo polonês não pode ser suspeita nem de antinacionalista nem de reivindicadora de privilégios teocráticos; deve, porém, ser avaliada como expressão e como aspiração de um povo crente a uma autêntica liberdade religiosa e civil, devida, bem como por direito natural”

Obra: Paulo VI: O Santo da Modernidade. XLVI. Falta-lhe aquele ancoradouro: A terra comunista. Paulus, 2016, São Paulo. Tradução de Paulo Ferreira Valério. De Domenico Agasso Jr. (1979) e Andrea Tornielli (Italia/Chioggia, 1964.

Lembranças de um tempo de um mundo bem mais difícil que o atual, protagonizado pelos Estados Unidos e pela União Soviética (URSS) e nesta bipolaridade se encontrava o papa Paulo VI que tinha expressado em 1966 seu desejo de visitar a Polônia, sob o controle comunista, mas o pedido acabou negado pelo governo de Varsóvia, quando em Roma, diante de peregrinos poloneses, em 15 de maio daquele mesmo ano, pronuncia em uma homília o que está no trecho (p. 241) desta Leitura.

Católicos no lado controlado pela URSS sofriam com a carência de liberdade. Alguns terminavam sujeitos à Igreja Ortodoxa russa, sob forte controle político, como no caso dos ucranianos (p. 243). Em um imenso território cheio de controles e restrições a começar da dividida Berlim até o extremo oriente russo, o regime de Moscou e o Vaticano se encontravam na tentativa de conciliar questões ideológicas que comprometiam o catolicismo e a livre peregrinação do papa em países sujeitos ao controle soviético.

Desenvolvia-se então uma receptividade diplomática na Santa Sé para uma melhor aproximação política com o bloco da URSS, como se dera no caso da visita do presidente soviético Nikolaj Podgorny após um discurso crítico do mesmo papa na ONU sobre o colonialismo e o racismo. O papa também tinha se posicionado de forma contrária à guerra do Vietnã enquanto aprovou o diálogo entre católicos e comunistas, o que chamou a atenção da revista soviética Questões de filosofia (p. 242). A posição política do papa contrastava com o que era apregoado predominantemente no lado ocidental capitaneado pela Casa Branca.

Para Paulo VI, o católico “deve fazer política” por ser uma forma (não sendo a única) de “viver o compromisso cristão a serviço dos outros” (p. 244) e que o Corpo de Cristo – a Igreja – representa a ação do Senhor no mundo a dar continuidade à redenção realizada na cruz (p. 245).

Vejo as ações políticas de Paulo VI sendo de importante referência para o mundo atual que, embora não esteja sob uma divisão tão profunda quanto a que se dera no tempo da Guerra Fria, parece ainda mais vulnerável, embotado, refém de divergências ideológicas e de mentes transtornadas, construtoras de muros de intolerância em escala global.

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