Imagem: BBC

Stanislaw Ponte Preta

“Tenho experiência pessoal quanto à má-vontade do próximo para com a própria ignorância, má-vontade esta confirmada diversas vezes em poucos minutos, graças a uma historinha vivida ao lado do escritor Álvaro Moreira, num dia em que fomos almoçar juntos, na cidade.”

Obra: A fina flor de Stanislaw Ponte Preta. A ignorância ao alcance de todos. Cia das Letras, 2021, São Paulo. De Sérgio Marcus Rangel Porto (Brasil/Rio de Janeiro/Rio de Janeiro, 1923-1968).

“Ignorância é o que não falta” (p. 178), afirma o doutor Stanislaw, mas quem poderia confessar a própria?, parafraseio em pergunta no que se discorre nesta crônica que me fez rir em noites pandêmicas.

O escritor Álvaro Moreira, amigo do doutor cronista, coleguinha do jardim da infância de Sérgio Ponto, amanheceu com o nome do freelancer que lhe prestara um serviço de pintura no apartamento. Eu também guardaria: Leônio Xanás.

Da resposta do motorista do ônibus, que originou a brincadeira, ao farmacêutico, ao cabineiro do elevador, à vendedora do magazine, à senhora-gerente (p. 179) e ao garçom (p. 180), fizeram-me pensar em como a heurística opera na mente humana quando provocada enquanto se resiste para aceitar o que é simplesmente desconhecido ou não compreendido, o que faz um não saber dar vazão a um significante de viés mais próximo no ambiente peculiar; eis um fenômeno bem democrático no cotidiano de letrados ou não… e então, entre risadas, li como “Leônio Xanás” foi rapidamente associado a uma rua, um remédio, um médico, uma marca de lenço, um vinho…

A crônica me fez lembrar em uma experiência sobre um certo professor que fez breves e elogiosos comentários ao artigo “Transgressing the Boundaries: Towards a transformative Hermeneutics of Quantum Gravity” do professor Alan Sokal e depois citou passagens de “alguns livros escritos pelo filósofo Sócrates”, e em seguida perguntou se alguém os tinha lido. Sobraram comentários entre os que afirmaram ter gostado de algumas das obras mencionadas, e até um curioso debate estava se desenvolvendo quando, finalmente, uma jovem muito discreta pediu a palavra e perguntou ao professor se o citado artigo de Alan Sokal não teria sido aquele famoso embuste proposital; intencionalmente “dizia coisa nenhuma com nada dentro”, foi “totalmente sem sentido”, sendo uma experiência para demonstrar o viés ideológico e a extrema pobreza de análise crítica entre acadêmicos?, e quanto aos trechos atribuídos a “Sócrates”, não seriam ditos populares, além de que o filósofo, pelo que se tem de conhecimento, à semelhança de Jesus Cristo, nada deixou escrito e como poderia ter sido autor de livros?

O professor respondeu:

Eureka!

2 Replies to “20/01/2026 20h00 A fina flor de Stanislaw Ponte Preta. A ignorância ao alcance de todos.”

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