Imagem: Thich Nhat Hanh Foundation

Thich Nhat Hanh

“A verdadeira prática do mindfulness não exige a meditação sentada nem qualquer prática externa. […]”

Obra: Silêncio. 1. Uma dieta constante de barulho. Alimentos comestíveis. HarperCollins, 2018, Rio de Janeiro. Tradução de Rodrigo Peixoto. De Thich Nhat Hanh (Vietnã/Hué, 1926-2022).

“Ela envolve uma observação profunda e a descoberta de nosso silêncio interno” (p. 43), completa o monge vietnamita.

Por este silêncio interno será possível controlar energias de violência, medo covardia ou raiva, e o contrário está na mente agitada, acelerada, povoada por imaginações. É barulhenta, e aqui penso na importância de cessar os pensamentos, de desligar a estação de rádio interna que o sábio chama de Pensando Sem Parar (p. 34) consumindo a consciência de uma forma não saudável, pois irradiam divagações, distrações, preocupações que envolvem internamente e comprometem o estabelecimento da calma para se chegar na observação profunda de si mesmo; “para conseguirmos viver nossa vida, devemos desligar a rádio dentro de nós e livrar-nos dos ruídos internos “, resume (p. 35).

Na psicologia budista, a mente consciente, a parte superior, “pensante” (p. 53) “a sala de estar”, onde são recepcionados e manifestados os sentimentos (p. 37), é afetada pela mente inconsciente, onde ficam estocadas as sementes de pensamentos e emoções, como se fosse um porão de uma casa (p. 36), e se soubermos lidar com nossa consciência, as sementes que causam dano a saúde mental não serão regadas e as sementes que fazem bem, serão.

A mente inconsciente trabalha enquanto dormimos, e pode atuar também pelos pensamentos. Na mente inconsciente também são construídas soluções (p. 52) para problemas que são demandados desde que a mente consciente não atrapalhe com pensamentos impróprios; é preciso “pisar no freio intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra”, argumenta (p. 53). Em suma, a mente consciente é a mão que planta e cultiva o solo (a mente inconsciente) por meio da prática do mindfulness, uma forma de entregar dificuldades e questionamentos à mente inconsciente para que seja possível um momento de despertar ou de “iluminação”.

“Na mente verdadeira há o silêncio de todas as palavras e ideias”. É no silêncio dentro e fora de si que se pode desfrutar da essência da tranquilidade; “apenas quando o oceano está calmo e tranquilo, podemos ver a lua refletida nele” (p. 54). O silêncio é o “oceano milagroso, curativo e poderoso” mediante o que proporciona como paralisação de conversas ininterruptas (p. 89) e de toda manifestação que agita as águas e tumultua nossa navegação.

Pessoalmente a busca do silêncio se tornou a busca do ar puro e fresco para renovar a mente pelo mindfulness. Acordar muito cedo tem sido uma forma. O intervalo de almoço, idem. Confiar na natureza das duas mentes envolve a atividade de aprender a desacelerar e se desligar da correria que o mundo tenta impor, dando um salto para um mar de tranquilidade que há em todo ser que se permita a essa experiência.

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