Imagem: Alchetron

“[…] a restauração dos direitos de propriedade privada e da economia laissez-faire implica um aumento forte e drástico da ‘discriminação’ social, eliminando rapidamente a maior parte – se não a totalidade – das experiências de estilo de vida multiculturais e igualitaristas tão caras aos libertários de esquerda.”
Obra: Democracia, o Deus que Falhou. Capítulo X. Sobre o Conservadorismo e o Libertarianismo. Edição do Mises Brasil, 2014, São Paulo. Tradução de Marcelo Werlang de Assis. De Hans-Hermann Hoppe (Alemanha/Baixa Saxônia, 1949).
O capítulo, penso, é o mais importante da obra.
Identifiquei duas abordagens de maior destaque. A primeira [529] sobre o conceito de “conservador”, a qual me identifiquei. A segunda (trecho, p. 244) é sombria; eis o ponto em que me afasto do pensamento de Hoppe, por considerar os estilos de vida multiculturais e igualitaristas no mesmo lado da aversão aos direitos de propriedade privada e à economia laissez-faire.
O multiculturalismo é uma coisa, o igualitarismo, outra. O próprio Hoppe menciona no início do parágrafo o “multiculturalismo igualitarista”, sendo mais específico, em relação à incompatibilidade com o capitalismo de propriedade privada. Embora tenha elementos progressistas e igualitaristas, um ambiente multicultural não significa que será necessariamente anti-laissez-faire e socialista, além de que uma sociedade pautada na liberdade econômica, naturalmente é aberta de maneira que relações multiculturais são naturais.
Limitar o multiculturalismo ao econômico é cair em mero economicismo. Sociedade é feita de gente que se relaciona onde negócios representam um aspecto e limitar as relações aos interesses econômicos não explica a dinâmica do tecido social. Em suma, colocar multicultural e igualitário fechados na mesma classificação me parece mais uma explicação de viés ideológico do que da praxis em termos de economia e sociedade.
Todavia, não considero a segunda abordagem sombria por isso. Primeiro, entendo, viver na diversidade por opção é tão belo e moral quanto preferir ambientes mais restritos. Restrições ou aberturas tocantes a estilos de vida são questões de valores, de moralidade e não de ordem econômica. Em segundo lugar, Hoppe deixa bem claro seu viés ao elencar homossexualismo onde menciona “vulgaridade” e “obscenidade”, entre outros problemas ainda mais delicados (p. 242). Não que seja obrigado a todos gostarem de gays, mas é profundamente injusto associa-los a doenças e práticas criminosas. É justamente neste ponto, entendo, que o capítulo se torna sombrio, infelizmente.
529. 25/08/2022 23h38
3 Replies to “22/01/2026 22h00 Democracia, o Deus que Falhou. Capítulo X. Sobre o Conservadorismo e o Libertarianismo”